Os 24 docentes de Física da rede pública selecionados no Programa Brasileiro de Professores no CERN (Conselho Europeu de Pesquisa Nuclear, na sigla em francês) visitaram esta semana o centro de pesquisa localizado perto de Genebra, na Suíça. Lá, tiveram a oportunidade de conhecer as principais instalações científicas do local, incluindo o Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês), considerado o maior e mais poderoso acelerador de partículas do mundo, capaz de impulsionar prótons e íons a velocidades próximas da luz. Localizado em um túnel a 100 metros de profundidade, perto de Genebra, na Suíça, o LHC consiste em um anel de 27 quilômetros de ímãs supercondutores com diversas estruturas de aceleração para aumentar a energia ao longo do percurso.

Fruto de parceria entre a Sociedade Brasileira de Física (SBF), o CNPq e a CAPES, o Programa Brasileiro de Professores no CERN promove uma imersão de educadores do ensino médio público brasileiro nesse que é um dos maiores centros de pesquisa científica do mundo. Para que todas as regiões do país fossem contempladas de forma equânime, cada um dos 24 professores selecionados é proveniente de um estado brasileiro.

Para a professora Miriam Gandelman (UFRJ), uma das organizadoras do programa, o contato direto com o ambiente científico contribui para desmistificar a figura do cientista e aproximá-la da realidade dos professores e estudantes da rede pública brasileira.

Integrante da comitiva brasileira, a física Miriam Gandelman, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), conversou diretamente da Suíça com a SBF e destacou o entusiasmo dos participantes diante da estrutura e das atividades oferecidas. “Os professores ficaram muito impressionados com tudo, principalmente com a estrutura. A gente já fez algumas visitas aos experimentos, ao museu de ciência. Eles ficaram bastante animados com a experiência”, relata.

Ela acrescenta que, para muitos docentes, a viagem representa a primeira experiência internacional, o que amplia o alcance do programa. “Muitos nunca tinham saído do Brasil, então tem vários aspectos: o da viagem, o de conhecer a Europa e o do laboratório, que realmente sempre impressiona muito”, afirma Miriam. Segundo ela, o contato direto com o ambiente científico contribui para desmistificar a figura do cientista e aproximá-la da realidade dos professores e estudantes da rede pública brasileira.

Miriam ressalta que um dos objetivos do programa é garantir que a vivência no CERN se traduza em práticas concretas em sala de aula. Por isso, oficinas pedagógicas, algumas desenvolvidas pela própria equipe do laboratório e outras adaptadas por pesquisadores brasileiros, integram o cronograma. “A ideia é que a gente consiga ter não só um conteúdo de Física contemporânea, mas propostas pedagógicas de como transformar essas informações em atividades que façam parte do currículo”, explica.

Muitos dos participantes foram ao exterior pela primeira vez e se deparar com a estrutura do CERN torna a experiência ainda mais impressionante.

Miriam observa que o objetivo vai além da divulgação científica. “Não queremos que os professores se limitem a contar aos alunos o que viram, mas que seja realmente uma proposta de atividade pedagógica que faça sentido”, diz. Por isso, ela diz que os professores são incentivados a trabalhar conceitos da Física de partículas por meio de metodologias contemporâneas, estimulando abordagens investigativas e contextualizadas.

Ainda de acordo com Miriam, outro aspecto central do programa é o reconhecimento do papel dos professores como agentes estratégicos para o desenvolvimento científico. “É uma forma de incentivo, uma premiação para professores interessados em levar novas metodologias e conteúdos para as escolas”, afirma. Ao vivenciar o cotidiano de um laboratório internacional, ela acredita que os docentes também passam a compreender melhor como se dá a produção do conhecimento científico.

Unir formação continuada, cooperação internacional e valorização dos docentes, o programa reforça a parceria entre SBF, CAPES e CNPq na promoção de uma educação científica mais conectada com a fronteira do conhecimento.

A participação brasileira no CERN é outro ponto destacado. “Eles veem que os brasileiros estão aqui, estão contribuindo, e que fizeram parte da construção. Não é nada de outro mundo”, sublinha Mirian. Essa percepção, segundo ela, é fundamental para inspirar estudantes. “Os alunos deles podem vir a ser cientistas ou trabalhar em áreas próximas.”

Ao unir formação continuada, cooperação internacional e valorização dos docentes, o programa reforça a parceria entre SBF, CAPES e CNPq na promoção de uma educação científica mais conectada com a fronteira do conhecimento. A expectativa é que a experiência vivida no CERN reverbere nas salas de aula brasileiras, ampliando horizontes e despertando vocações.

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Por Leandro Haberli