Esta semana, muita gente teve uma dúvida aparentemente prosaica: afinal, quando se comemora o dia da educação? Em 24 de janeiro? Ou em 28 de abril? A verdade é que as duas datas são válidas.
De um lado, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu oficialmente, em 2018, o Dia Internacional da Educação em 24 de janeiro. De outro, o dia 28 de abril segue amplamente reconhecido como Dia Mundial da Educação, em referência ao Fórum Mundial de Educação de Dakar, realizado em 2000. Neste encontro histórico, organizado pela UNESCO, representantes de 164 países firmaram a chamada Declaração de Dakar, reforçando o compromisso com metas como a universalização do ensino básico, a ampliação da alfabetização e a promoção da igualdade de gênero na educação. Já o 24 de janeiro, data oficial da ONU, tem como propósito destacar o papel da educação na promoção da paz, do desenvolvimento sustentável e dos direitos humanos. No Brasil, o calendário ganha um terceiro motivo de celebração: o Dia Nacional da Educação é celebrado em 28 de abril, em homenagem ao educador Anísio Teixeira, reconhecido por sua defesa da escola pública de qualidade.
Aproveitando essas múltiplas referências, destacamos nesta edição do boletim da Sociedade Brasileira de Física (SBF) nosso amplo e contínuo conjunto de iniciativas voltadas à educação e à formação continuada em Física. Entre elas, destacam-se os programas de pós-graduação, como o Mestrado Nacional Profissional em Ensino de Física (MNPEF) e o Doutorado, que buscam qualificar professores da educação básica e fortalecer a pesquisa na área de ensino. Tais iniciativas têm papel estratégico ao aproximar universidade e escola, promovendo a atualização pedagógica e científica de docentes em todo o país.
No campo da educação básica, a SBF coordena duas das principais olimpíadas científicas do Brasil: a Olimpíada Brasileira de Física (OBF) e a Olimpíada Brasileira de Física das Escolas Públicas (OBFEP). Ambas estimulam o interesse de estudantes pela ciência, identificam talentos e contribuem para a melhoria do ensino ao propor desafios que vão além do currículo tradicional.
A formação continuada também é contemplada por meio de webminicursos, seminários e workshops, que abordam desde conteúdos específicos da Física até metodologias de ensino. Essas atividades, muitas vezes gratuitas e acessíveis online, ampliam o alcance da SBF e democratizam o acesso ao conhecimento.
Outro destaque é o Encontro de Pesquisa em Ensino de Física (EPEF), um dos principais eventos acadêmicos da área no país, que reúne pesquisadores, professores e estudantes para discutir avanços, desafios e tendências no ensino de Física, consolidando um espaço de troca e construção coletiva.
No âmbito da iniciação científica e da formação de jovens talentos, o programa BTP (Bolsas de Treinamento e Pesquisa) oferece oportunidades para estudantes se envolverem precocemente com a pesquisa, contribuindo para a renovação da comunidade científica.
A divulgação científica e o apoio ao professor também são fortalecidos por publicações como a revista Física na Escola, que traz artigos, experimentos e reflexões voltadas ao cotidiano da sala de aula. Já o Portal Píon funciona como um repositório digital de conteúdos didáticos, materiais de apoio e recursos educacionais, facilitando o acesso de professores e estudantes a ferramentas de ensino.
A SBF também apoia iniciativas internacionais, como o International Particle Physics Outreach Group (IPPOG), que promove a divulgação da física de partículas em escala global, conectando o Brasil a redes internacionais de educação científica.
Por fim, mas não menos importante, a SBF, em parceria com o CNPq e a CAPES, realiza o Programa Brasileiro de Professores no CERN (Conselho Europeu de Pesquisa Nuclear, na sigla em francês), que busca aproximar a educação básica pública da ciência de ponta. Neste ano, a iniciativa selecionou 24 professores de Física de todo o país para uma imersão em um dos mais prestigiados centros de pesquisa científica do mundo. Além de equidade de gênero, com reserva mínima de 50% para mulheres, a seleção garantiu diversidade regional, com limite de uma vaga por unidade da federação. Dessa forma, o programa colabora com a formação continuada de professores da rede pública de todo o país.
Em meio às diversas datas que celebram a importância da educação para o desenvolvimento social e humano, sua valorização vai além de um gesto simbólico. Essas ocasiões reafirmam nosso compromisso de reconhecer que a educação não deve ser prestigiada em um único dia. Ela precisa ser promovida, fortalecida e defendida cotidianamente.





