Ocorrida no dia 24 de março, no Teatro Nacional, em Brasília, a cerimônia de celebração dos 75 anos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) reuniu autoridades, pesquisadores e representantes da comunidade científica, reforçando o papel histórico da instituição como uma das principais bases do sistema de ciência e tecnologia do país.
Criado em 1951, no contexto de reorganização global do pós-guerra, o órgão chega a 2026 com cerca de 100 mil bolsistas ativos e investimentos de R$ 7,9 bilhões entre 2023 e 2025, que sinalizam a retomada do financiamento à pesquisa e o fortalecimento de programas estratégicos.
A relação histórica com a Sociedade Brasileira de Física (SBF) figura entre os exemplos da capilaridade e do impacto do CNPq na consolidação da ciência nacional. Presente na solenidade, Sylvio Canuto, presidente da SBF, destacou essa complementaridade. “A criação do CNPq teve a participação de importantes físicos, sob a coordenação idealizada pelo Almirante Álvaro Alberto, um visionário brasileiro”, destaca Canuto, acrescentando que, também em 1951, foi criada a CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior).
“Conjuntamente, essas duas agências lideraram de forma complementar o esforço brasileiro de desenvolvimento de ciências e formação de pessoal qualificado. Ao longo desses 75 anos, a presença do CNPq é marcante e decisiva para a estruturação e organização da ciência brasileira.”
Na SBF, prossegue Canuto, o CNPq tem apoiado a realização de seus eventos científicos e de outras importantes iniciativas. “Nesse momento, a SBF, o CNPq e a CAPES estão juntos na realização do Programa Brasileiro de Professores no CERN (Conselho Europeu de Pesquisa Nuclear, na sigla em francês), que oferece apoio à participação de professores do ensino médio de Física atuantes na rede pública de educação básica, para uma atualização científica e metodológica em um dos centros de pesquisa mais prestigiados do mundo.”
Canuto também ressaltou, em tom de reconhecimento, o impacto direto do CNPq em sua própria trajetória acadêmica. “Toda a minha carreira foi apoiada pelo conselho, desde a iniciação científica, passando pelo mestrado, doutorado e pós-doutorado, além da bolsa de produtividade e de projetos financiados. Trata-se de um apoio ininterrupto ao longo de mais de 55 anos”, concluiu.
A física nuclear Débora Peres Menezes, diretora do CNPq e ex-presidente da SBF, descreveu a cerimônia como um momento de reconhecimento coletivo da ciência brasileira. Débora destacou falas como a da estudante premiada de iniciação científica Manuelle da Costa Pereira e do epidemiologista especializado em aleitamento materno Cesar Gomes Victora, além da intervenção do deputado e ex-presidente do CNPq Ricardo Galvão sobre a importância de recursos mais robustos para a ciência brasileira. “Foi uma cerimônia regada de bons momentos e discursos impactantes”, resumiu.
Por sua vez, a presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Francilene Procópio Garcia, destacou o vínculo entre a ciência e a soberania nacional. Para ela, o CNPq nasceu como uma “aposta no conhecimento como fundamento do desenvolvimento”, sob liderança do almirante Álvaro Alberto. “Ao apoiar trajetórias, ideias e agendas de pesquisa, o CNPq transforma vocações individuais em capacidade coletiva”, afirmou.
Francilene também relembrou a articulação histórica entre o conselho e a comunidade científica, incluindo a fundação da SBPC em 1948 por nomes como José Reis, e citou cientistas que projetaram o Brasil no cenário internacional, como Cesar Lattes e José Leite Lopes. Para ela, fortalecer o CNPq implica garantir financiamento estável, valorizar as carreiras científicas e integrar a pesquisa a uma estratégia nacional de desenvolvimento sustentável.
Para a Sociedade Brasileira de Física, celebrar os 75 anos do CNPq é reafirmar que investir em ciência é investir no futuro do Brasil, um compromisso contínuo com o conhecimento, a soberania e o desenvolvimento sustentável do país.
Por Leandro Haberli
(Fonte: CNPq)







