O físico Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF-USP) e ex-conselheiro da Sociedade Brasileira de Física (SBF), membro do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) que integrou a equipe de cientistas que recebeu o Prêmio Nobel da Paz (2007), recebeu, no dia 18 de fevereiro, o Prêmio Planeta Terra (Planet Earth Award 2026). A ecóloga, docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Biomonitoramento da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Luisa Maria Diele-Viegas, também foi agraciada com o prêmio.

O Prêmio Planeta Terra é um reconhecimento concedido pela Aliança Mundial de Cientistas (AWS, na sigla em inglês) a pessoas que “demonstram criatividade excepcional ou contribuições relevantes em seu trabalho científico ou em ações de divulgação científica junto ao público, formuladores de políticas públicas ou outros grupos que buscam soluções para desafios ambientais”, segundo informa a entidade em seu site.

“É muito bom que o Brasil tenha sido um dos países mais premiados nessa questão, porque basicamente mostra a pungência da ciência brasileira que, com muito,  muito poucos recursos, consegue fazer milagres e se destacar em várias áreas em nível mundial”, diz Artaxo, em mensagem por whatsapp enviada ao Boletim SBF.

“Na questão das mudanças climáticas, o Brasil certamente, há mais de 20 anos, tem um forte papel de liderança global, descobrindo processos e mecanismos estratégicos para tratar as questões climáticas e também desenvolvendo processos e modelos que hoje fazem parte dos grandes modelos climáticos do planeta como um todo”, afirmou o cientista, ex-vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Segundo Artaxo, se o governo brasileiro investir mais na ciência, irá alavancar um avanço econômico importante, pois na atual sociedade do conhecimento são os cientistas que dão a base à inovação tecnológica. “Com isso, nós vamos realmente construir e colaborar para a construção de uma sociedade sustentável, mais justa e resiliente”, afirma.

Para o cientista, o “Brasil tem vantagens estratégicas extraordinárias na questão das mudanças climáticas, em comparação com outros países, com um enorme potencial de geração de energia solar e eólica”.  “Mas também temos vulnerabilidades, pois somos um país tropical, e com economia dependente do agronegócio, que dependa da chuva. Nossa geração de hidroeletricidade também é vulnerável à redução da precipitação que estamos observando”, explica o cientista.

Frente aos desafios científicos e políticos que o País está enfrentando, seja em decorrência dos eventos extremos do clima, seja pela destruição pelo Congresso das políticas que protegem nossos recursos naturais da exploração predatória, precisamos de muita Ciência para dar suporte à sociedade, destes tempos difíceis que virão.

Mas Artaxo mantém uma posição otimista sobre o futuro. “O Brasil precisa explorar suas vantagens estratégicas, que não são poucas, e lidar com suas vulnerabilidades, com políticas públicas que reduzam as desigualdades sociais e aumentem a resiliência de nossa economia e da população frente às mudanças climáticas. Vamos todos trabalhar juntos, desenvolvendo ciência de qualidade voltada aos interesses da população, ajudando a construir um Brasil mais resiliente em um mundo cada vez mais conturbado.”

(Colaborou Roger Marzochi)