{"id":4835,"date":"2021-10-06T14:38:40","date_gmt":"2021-10-06T17:38:40","guid":{"rendered":"https:\/\/sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/2021\/10\/06\/artigos-de-membros-da-sbf-professores-do-df-ufpe-sao-citados-pelo-comite-nobel-na-outorga-do-premio-nobel-de-fisica-2021\/"},"modified":"2022-08-18T01:52:33","modified_gmt":"2022-08-18T04:52:33","slug":"artigos-de-membros-da-sbf-professores-do-df-ufpe-sao-citados-pelo-comite-nobel-na-outorga-do-premio-nobel-de-fisica-2021","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/artigos-de-membros-da-sbf-professores-do-df-ufpe-sao-citados-pelo-comite-nobel-na-outorga-do-premio-nobel-de-fisica-2021\/","title":{"rendered":"Artigos de Membros da SBF, Professores do DF-UFPE,\u00a0 s\u00e3o citados pelo Comit\u00ea Nobel na outorga do Pr\u00eamio Nobel de F\u00edsica 2021"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" data-src=\"images\/acontece-na-sbf\/logo-sbr-corte-1000x500.png\" alt=\"\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 1000px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 1000\/500;\"><span style=\"background-color: inherit; color: inherit; font-family: inherit; font-size: 1rem;\">O Pr\u00eamio Nobel de F\u00edsica de 2021 foi dividido entre os pesquisadores Giorgio Parisi, Klaus Hasselmann e Syukuro Manabe com a seguinte men\u00e7\u00e3o: \u201cfor groundbreaking contributions to our understanding of complex systems\u201d (\u201cpor contribui\u00e7\u00f5es seminais para nosso entendimento dos sistemas complexos\u201d, em tradu\u00e7\u00e3o livre).&nbsp;<\/span><\/p>\n<p>O documento \u201cScientific Background on the Nobel Prize in Physics 2021\u201d (<a href=\"https:\/\/www.nobelprize.org\/uploads\/2021\/10\/sciback_fy_en_21.pdf\">https:\/\/www.nobelprize.org\/uploads\/2021\/10\/sciback_fy_en_21.pdf<\/a>), elaborado pelo Comit\u00ea Nobel de F\u00edsica da Academia Real de Ci\u00eancias da Su\u00e9cia cita artigos de pesquisadores bolsistas do CNPq entre aqueles relevantes para o entendimento da contribui\u00e7\u00e3o do professor Parisi.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><span style=\"background-color: inherit; color: inherit; font-family: inherit; font-size: 1rem;\">Os \u00fanicos trabalhos de brasileiros citados pelo documento na parte de sistemas fot\u00f4nicos foram os artigos: A. S. L. Gomes, E. P. Raposo, A. L. Moura, et al., Sci. Rep. 6, 27987 (2016); I. R. R. Gonz\u00e1lez, E. P. Raposo, A. M. S. Mac\u00eado, et al., Sci. Rep. 8, 17046 (2018); e A. L. Moura et al., Phys. Rev. Lett. 119, 163902 (2017), que correspondem, respectivamente, \u00e0s refer\u00eancias [33], [34] e [74] do documento. E na parte de sistemas magn\u00e9ticos, o artigo J. R. L. de Almeida e D. J. Thouless, J. Phys. A 11, 983 (1978), refer\u00eancia [21].<\/span><\/p>\n<p>Para entender melhor a contribui\u00e7\u00e3o do grupo de pesquisa brasileiro, sediado no Departamento de F\u00edsica da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) \u2013 que completa 50 anos em 2021 \u2013 \u00e9 necess\u00e1rio inicialmente explicar a import\u00e2ncia do trabalho do professor Parisi no contexto dos sistemas vidros de spins.<\/p>\n<p>No in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970 observou-se um comportamento magn\u00e9tico bastante diferente do usual em ligas met\u00e1licas em que \u00e1tomos de ouro e ferro eram misturados em posi\u00e7\u00f5es aleat\u00f3rias. Em baix\u00edssimas temperaturas, os spins dos \u00e1tomos de ferro apontam em dire\u00e7\u00f5es aleat\u00f3rias e fixas, como se estivessem \u201ccongelados\u201d. Esse novo tipo de comportamento magn\u00e9tico recebeu o nome de \u201cvidro de spins\u201d (\u201cspin glass\u201d), em analogia com a aleatoriedade das posi\u00e7\u00f5es das mol\u00e9culas num vidro comum.<\/p>\n<p>A partir de 1975 os primeiros modelos te\u00f3ricos foram propostos para explicar essa fase vidro de spins. Contudo, Jairo R. L. de Almeida, professor aposentado do Departamento de F\u00edsica da UFPE, e D. J. Thouless, ganhador do Pr\u00eamio Nobel de F\u00edsica de 2016 e professor da University of Washington, Estados Unidos, descobriram que a solu\u00e7\u00e3o proposta por esses modelos era inst\u00e1vel (refer\u00eancia [21] do documento acima).<\/p>\n<p>Em 1979 Giorgio Parisi, da Universit\u00e0 di Roma \u201cLa Sapienza\u201d, publicou uma teoria que explicava o comportamento vidro de spins. Segundo essa teoria, duas r\u00e9plicas do sistema possuem comportamentos termodin\u00e2micos id\u00eanticos a altas temperaturas, mas poderiam apresentar propriedades distintas na fase vidro de spins a baixas temperaturas. Esse fen\u00f4meno ficou conhecido como \u201cquebra de simetria de r\u00e9plicas\u201d e deu origem a uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o no estudo de sistemas magn\u00e9ticos com desordem (por exemplo, a aleatoriedade nas posi\u00e7\u00f5es dos spins) e frustra\u00e7\u00e3o (impossibilidade de satisfazer todas as intera\u00e7\u00f5es magn\u00e9ticas entre os spins).<\/p>\n<p>Quase trinta anos ap\u00f3s os trabalhos seminais de Parisi, um grupo liderado por C. Conti, tamb\u00e9m da Universit\u00e0 di Roma \u201cLa Sapienza\u201d, previu teoricamente em 2006 e demonstrou experimentalmente em 2015 a fase vidro de spins numa outra natureza de sistemas, os chamados lasers aleat\u00f3rios (\u201crandom lasers\u201d). Os lasers aleat\u00f3rios s\u00e3o bem diferentes dos lasers convencionais, em que o feixe laser \u00e9 gerado numa cavidade com dois espelhos. Nos lasers aleat\u00f3rios a luz \u00e9 espalhada por um grande n\u00famero de elementos (por exemplo, \u00e1tomos ou \u00edons) em posi\u00e7\u00f5es aleat\u00f3rias no material. Nesse caso, se determinadas condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas forem satisfeitas o feixe de luz emitido possui propriedades laser.<\/p>\n<p>Conti e colaboradores descobriram que se o grau de aleatoriedade dos espalhadores for suficientemente alto ent\u00e3o as fases das ondas eletromagn\u00e9ticas que formam a emiss\u00e3o laser \u201ccongelam\u201d em valores aleat\u00f3rios, de modo semelhante ao \u201ccongelamento\u201d dos spins em dire\u00e7\u00f5es aleat\u00f3rias nos materiais magn\u00e9ticos desordenados. Essa fase ficou ent\u00e3o conhecida como fase vidro de spins fot\u00f4nica com quebra de simetria de r\u00e9plicas.<\/p>\n<p>Os trabalhos do grupo do Departamento de F\u00edsica da UFPE, com lideran\u00e7a experimental do professor Anderson S. L. Gomes e te\u00f3rica do professor Ernesto P. Raposo, constituem algumas das primeiras demonstra\u00e7\u00f5es da fase vidro de spins fot\u00f4nica (refer\u00eancias [33], [34] e [74] do documento acima mencionado).<\/p>\n<p>De fato, desde 2015 este grupo de pesquisa da UFPE vem avan\u00e7ando no entendimento das fases complexas em lasers aleat\u00f3rios, incluindo tamb\u00e9m distribui\u00e7\u00f5es de L\u00e9vy de intensidades, eventos estat\u00edsticos extremos, fases de Floquet e comportamento fot\u00f4nico tipo turbulento.<\/p>\n<p>O documento do Comit\u00ea Nobel escreve ainda que a refer\u00eancia [34] dos pesquisadores brasileiros \u201c(&#8230;) conecta o trabalho inicial de Hasselmann ao de Parisi e ao papel da desordem e flutua\u00e7\u00f5es em sistemas complexos em geral.\u201d (em tradu\u00e7\u00e3o livre).<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos professores Gomes e Raposo, participaram tamb\u00e9m dos trabalhos acima citados os professores e pesquisadores do CNPq Andr\u00e9 L. Moura (UFAL, Campus Arapiraca), Ant\u00f4nio M. S. Mac\u00eado (UFPE), Cid. B. de Ara\u00fajo (UFPE), Iv\u00e1n R. R. Gonz\u00e1lez (UFRPE, campus de Belo Jardim), Lauro J. Q. Maia (UFG) e Leonardo de S. Menezes (UFPE).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Pr\u00eamio Nobel de F\u00edsica de 2021 foi dividido entre os pesquisadores Giorgio Parisi, Klaus Hasselmann e Syukuro Manabe com a seguinte men\u00e7\u00e3o: \u201cfor groundbreaking contributions to our understanding of complex systems\u201d (\u201cpor contribui\u00e7\u00f5es seminais para nosso entendimento dos sistemas complexos\u201d, em tradu\u00e7\u00e3o livre).&nbsp; O documento \u201cScientific Background on the Nobel Prize in Physics 2021\u201d [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":16567,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[127],"tags":[],"class_list":["post-4835","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-acontece-na-sbf"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4835","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4835"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4835\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17741,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4835\/revisions\/17741"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16567"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4835"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4835"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4835"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}