{"id":4428,"date":"2019-12-05T13:31:01","date_gmt":"2019-12-05T16:31:01","guid":{"rendered":"https:\/\/sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/2019\/12\/05\/questoes-sociais-e-de-genero-marcam-carreira-de-fisica-nuclear\/"},"modified":"2022-08-18T00:33:26","modified_gmt":"2022-08-18T03:33:26","slug":"questoes-sociais-e-de-genero-marcam-carreira-de-fisica-nuclear","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/questoes-sociais-e-de-genero-marcam-carreira-de-fisica-nuclear\/","title":{"rendered":"Quest\u00f5es sociais e de g\u00eanero marcam carreira de f\u00edsica nuclear"},"content":{"rendered":"<p>A astrof\u00edsica<a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/2206848030194988\"> Natalia Vale Asari <\/a>foi a ganhadora do <a href=\"\/v1\/sbf\/natalia-vale-asari-vence-o-premio-carolina-nemes-2019\/\">Pr\u00eamio Carolina Nemes 2019<\/a>.\u00a0 Al\u00e9m da excel\u00eancia da pesquisadora Natalia, a comiss\u00e3o do j\u00fari ficou impressionada com a\u00a0 qualidade de v\u00e1rias das candidatas e incentiva as n\u00e3o agraciadas nesta edi\u00e7\u00e3o que concorram novamente ano que vem. Tamb\u00e9m chamou a aten\u00e7\u00e3o do j\u00fari a s\u00e9rie de hist\u00f3rias inspiradoras de vida acad\u00eamica das candidatas, entremeadas por dificuldades associadas a quest\u00f5es de g\u00eanero, ra\u00e7a e origem s\u00f3cio-econ\u00f4mica. Um desses modelos de luta e supera\u00e7\u00e3o \u00e9 a f\u00edsica <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/9299869787775731\">Viviane Morcelle Almeida<\/a> (foto acima).<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><span style=\"background-color: inherit; color: inherit; font-family: inherit; font-size: 1rem;\">Confira o v\u00eddeo que a professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) gravou para a SBF, apresentando sua pesquisa. Conhe\u00e7a tamb\u00e9m na entrevista a seguir a trajet\u00f3ria de Viviane, contando como, mesmo enfrentando uma s\u00e9rie de problemas financeiros e de sa\u00fade, al\u00e9m de muitos preconceitos ao longo de seus 40 anos de vida, conseguiu estabelecer uma carreira cient\u00edfica de n\u00edvel internacional em f\u00edsica nuclear experimental.<\/span><\/p>\n<p><iframe style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/lmpLeSZ05SQ\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" data-load-mode=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Como surgiu seu interesse pela f\u00edsica?<\/strong><\/p>\n<p>Nasci na cidade do Rio de Janeiro e morei quase a vida toda no sub\u00farbio da Penha, onde resido atualmente.\u00a0 Apesar da proximidade com o campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), n\u00e3o conheci ningu\u00e9m que estudasse l\u00e1 at\u00e9 ingressar na universidade. Desde a passagem do cometa Halley, quis me tornar cientista. Tinha muita vontade de estudar, mas n\u00e3o via a universidade p\u00fablica como meu lugar. Desde crian\u00e7a lia muito, preferia ler a brincar na rua. Meu pai sempre me incentivou a ler e estudar. O sonho dele era ser professor universit\u00e1rio de ingl\u00eas, mas nunca pode concretizar. Minha m\u00e3e tamb\u00e9m sonhou com a universidade, mas nunca pode ingressar. Ela sempre me ensinava na escola b\u00e1sica e exigia que fosse a melhor. Al\u00e9m disso, tive um bom exemplo em minha rua, onde morava um defensor p\u00fablico que, mesmo nascido muito pobre e trabalhando desde crian\u00e7a, conseguiu uma bolsa para estudar Direito na PUC. Brincava com seus filhos e os seus brinquedos que meus pais n\u00e3o podiam comprar. Me dedicava especialmente a jogos de tabuleiro e videogames. Nunca gostei de brincar de casinha. Comecei a trabalhar aos 13 anos de idade, escolhendo me formar em t\u00e9cnica em eletrot\u00e9cnica para ter um emprego, profiss\u00e3o que exerci por alguns anos antes de me estabelecer como p\u00f3s-graduanda. Foi durante o curso t\u00e9cnico, feito na Escola T\u00e9cnica Estadual Juscelino Kubitschek, que percebi que podia ingressar na universidade p\u00fablica.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea sempre teve muito apoio de seu pai para prosseguir nos estudos.<\/strong><\/p>\n<p>Minha fam\u00edlia era meu pai, minha m\u00e3e, minha irm\u00e3 quatro anos mais nova, e meu irm\u00e3o oito anos mais jovem. Mas sempre fui mais pr\u00f3xima de meu pai. Ele era negro, nascido no sert\u00e3o da Bahia. Se alfabetizou aos 15 anos de idade e viveu de subempregos a vida inteira. Seu primeiro sonho era ser t\u00e9cnico em eletrot\u00e9cnica. Chegou a estudar na Escola T\u00e9cnica Estadual Ferreira Viana, mas regras institu\u00eddas durante a Ditadura Militar determinaram sua transfer\u00eancia para outra escola fazer secretariado. Acabou continuando apenas como mec\u00e2nico de refrigera\u00e7\u00e3o. Trabalhamos juntos durante alguns anos. Parte do dinheiro que consegui juntar para estudar foi com os servi\u00e7os que fizemos. Ele fazia a parte mec\u00e2nica e eu cuidava da parte el\u00e9trica. Instalava e consertava motores, chaves contactoras e pain\u00e9is de comando em bares e supermercados. Assim ele n\u00e3o precisava pagar ningu\u00e9m e pod\u00edamos ter algo melhor. Durante a explos\u00e3o da demanda por ventiladores de teto no Rio, nos meados dos anos 1990, eu e um amigo da Vila Cruzeiro faziamos a instala\u00e7\u00e3o deles, ajudando a pagar as contas da casa. Meu pai sempre foi o meu principal apoiador, me dando for\u00e7as para prosseguir nos estudos cient\u00edficos. Quando ficou severamente doente e precisava cuidar dele no hospital, quis abandonar a faculdade de novo, mas ele me proibiu. Disse que se eu fizesse isso, n\u00e3o me deixaria mais ir no hospital ou falar com ele. Disse que estava realizando seu maior sonho, ao se tornar professor universit\u00e1rio atrav\u00e9s de mim. Foi nesse dia no hospital conversando com meu pai que tamb\u00e9m descobri que j\u00e1 havia realizado outro sonho dele, quando me formei em eletrot\u00e9cnica.<\/p>\n<p><strong>Problemas de sa\u00fade e financeiros obrigaram voc\u00ea a interromper diversas vezes os estudos.<\/strong><\/p>\n<p>Na primeira vez que ingressei na universidade, logo depois do ensino m\u00e9dio, s\u00f3 consegui cursar por cerca de dois meses. Os hor\u00e1rios do emprego como t\u00e9cnica e o tr\u00e2nsito n\u00e3o me permitiam chegar a tempo para assistir \u00e0s aulas na gradua\u00e7\u00e3o em f\u00edsica da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niter\u00f3i. Cheguei a um impasse, pois dependia da renda do emprego para estudar. S\u00f3 mais tarde consegui largar o emprego e ingressar na UFRJ. Tr\u00eas dias depois, por\u00e9m, meu pai foi internado no Hospital Universit\u00e1rio em estado grav\u00edssimo, com risco de morte. Ele teve l\u00fapus eritematoso, mas foi inicialmente diagnosticado erroneamente com febre reum\u00e1tica, o que agravou seu caso e o levou a muitas outras interna\u00e7\u00f5es em estado grave. Com as condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias no hospital, meus irm\u00e3os novos demais e minha m\u00e3e precisando trabalhar, precisei ser sua cuidadora durante toda a minha gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Na segunda vez que entrei na universidade, passei o primeiro semestre sem conseguir assistir \u00e0s aulas. Aparecia no Instituto de F\u00edsica apenas para pegar notas de aula e fazer provas. Seis meses depois, meu pai voltou pra casa, cego, sem andar e incapaz de segurar um copo ou tomar um banho. Consegui passar em todas as disciplinas, mesmo ainda precisando faltar \u00e0s aulas para cuidar dele, mas no fim do semestre acabei adoecendo gravemente e assim desistindo novamente da gradua\u00e7\u00e3o. Depois de retornar ao curso e estudar por mais tr\u00eas semestres, adoeci novamente e acabei internada no Hospital Universit\u00e1rio. Passei uma semana com febre alta at\u00e9 os m\u00e9dicos descobrirem que se tratava de um cisto hemorr\u00e1gico e realizarem uma cirurgia de emerg\u00eancia de alto risco, sem meus pais saberem. Depois vieram mais interna\u00e7\u00f5es do meu pai e falta de dinheiro. Para mim, a etapa mais dif\u00edcil de superar foi a gradua\u00e7\u00e3o. Mas nunca reprovei.<\/p>\n<p><strong>E como come\u00e7ou a fazer pesquisa cient\u00edfica?<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Mesmo sendo dif\u00edcil para as pessoas entenderem minha situa\u00e7\u00e3o, recebi apoio de muitos professores, em especial de tr\u00eas pessoas maravilhosas que conheci no Instituto de F\u00edsica da UFRJ. A primeira foi a Professora Maria Antonieta Teixeira de Almeida, por meio da qual consegui minha primeira bolsa, para trabalhar no Laborat\u00f3rio Did\u00e1tico (LADIF), atendendo a visitas de escolas e explicando experimentos aos alunos. A segunda pessoa foi o Professor Lu\u00eds Felipe Coelho que, em 2001, me levou a trabalhar no Laborat\u00f3rio de Colis\u00f5es At\u00f4micas e Moleculares (LACAM) da UFRJ, onde comecei um projeto de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica com bolsa do CNPq na linha de pesquisa com que trabalho at\u00e9 hoje, que \u00e9 a f\u00edsica experimental de aceleradores. Mesmo assim, continuava pensando em sair da f\u00edsica, porque al\u00e9m de estudar, tinha meu pai para cuidar e meu trabalho. Al\u00e9m disso, cheguei a desmaiar de fome durante a gradua\u00e7\u00e3o, mais de uma vez, porque a UFRJ ainda n\u00e3o tinha um restaurante universit\u00e1rio na \u00e9poca. Devido minha vulnerabilidade econ\u00f4mica e de sa\u00fade, consegui uma vaga no alojamento universit\u00e1rio, mesmo morando perto. Essas dificuldades me levaram ao estudo do marxismo e a participar do Centro Acad\u00eamico de F\u00edsica, me tornando sua presidente por 3 anos, organizando atos e propostas de mudan\u00e7a para a universidade. Foi ent\u00e3o que conheci o Professor Ney Vugman. Ele me me convenceu a n\u00e3o desistir mais uma vez. Me perguntou sobre o que mais gostava de fazer em f\u00edsica, qual era meu maior sonho. Percebi que enquanto meu projeto de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica tinha mais a ver com engenharia de materiais, meu maior interesse estava na f\u00edsica nuclear. Assim pesquisei na internet e encontrei pesquisadores de f\u00edsica nuclear no site do Centro Brasileiro de Pesquisas F\u00edsicas (CBPF). Foi a melhor coisa que fiz na vida, ela ganhou um novo sentido.<\/p>\n<p><strong>Como sua vida mudou depois disso?<\/strong><\/p>\n<p>Enviei uma carta de inten\u00e7\u00e3o ao Professor S\u00e9rgio Jos\u00e9 Barbosa Duarte, que aceitou conversar comigo. Passei na sele\u00e7\u00e3o do CBPF e ganhei a bolsa do CNPq, mas o S\u00e9rgio j\u00e1 orientava dois alunos e n\u00e3o podia pegar mais. Ele ent\u00e3o me indicou para outro colega do CBPF, o Professor Odilon Ant\u00f4nio Paula Tavares, que se tornou uma das pessoas mais importantes de minha vida, meu amigo at\u00e9 hoje. Era um orientador exigente, mas muito legal. Uma de suas exig\u00eancias era a Hist\u00f3ria da F\u00edsica Nuclear. Dizia que um cientista n\u00e3o pode fazer pesquisa sem conhecer a sua hist\u00f3ria. Foi assim que conheci um de meus livros favoritos, <em>Dos Raios X aos Quarks<\/em>, do Emilio Gino Segr\u00e9. A obra \u00e9 uma oportunidade \u00fanica de se conhecer a hist\u00f3ria da f\u00edsica moderna do ponto de vista de algu\u00e9m que participou de sua constru\u00e7\u00e3o. Hoje \u00e9 leitura obrigat\u00f3ria para todos os meus alunos de inicia\u00e7\u00e3o. O trabalho com o Odilon me deixou mais motivada em acompanhar os cursos e acabei premiada nas duas jornadas de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica que participei depois.<\/p>\n<p><strong>E como come\u00e7ou sua p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o na USP?<\/strong><\/p>\n<p>Foi doloroso largar o Odilon depois de terminar a gradua\u00e7\u00e3o, mas necess\u00e1rio, porque sua pesquisa era te\u00f3rica e meu sonho era fazer f\u00edsica nuclear experimental. Em 2004, conheci a Professora Alinka L\u00e9pine, que me aceitou como aluna de mestrado no laborat\u00f3rio Pelletron da USP, o \u00fanico acelerador de f\u00edsica nuclear do pa\u00eds. Foi nessa \u00e9poca que a equipe do Pelletron inaugurou o sistema RIBRAS, o \u00fanico equipamento do Hemisf\u00e9rio Sul capaz de produzir e selecionar n\u00facleos ex\u00f3ticos de baixa energias, cujo estudo \u00e9 um dos campos de\u00a0 fronteira da f\u00edsica nuclear, atualmente. Participei do primeiro experimento do RIBRAS e de quase todos os seguintes, continuando na USP no doutorado, sob orienta\u00e7\u00e3o do Professor Rubens Lichtenthaler Filho, que tamb\u00e9m foi uma pessoa \u00edmpar na minha vida.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea tamb\u00e9m enfrentou problemas financeiros e de sa\u00fade durante a p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e nos seus primeiros empregos.<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m de meus interesses acad\u00eamicos, escolhi fazer p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o na USP porque a universidade oferecia moradia em alojamento estudantil e restaurante universit\u00e1rio, al\u00e9m de S\u00e3o Paulo n\u00e3o ficar t\u00e3o longe do Rio de Janeiro, onde meu pai continuava doente e precisando de mim. Al\u00e9m do custo das viagens frequentes entre S\u00e3o Paulo e Rio, gastava muito com rem\u00e9dios tanto para mim como para meu pai, al\u00e9m de ajud\u00e1-lo financeiramente. Em 2008, comecei a ter dores nos p\u00e9s que nenhum m\u00e9dico conseguiu diagnosticar inicialmente. As dores foram piorando, limitando minha locomo\u00e7\u00e3o. S\u00f3 anos mais tarde, em 2015, descobri que se tratava de uma artrose grave. A doen\u00e7a me levou a se submeter a duas cirurgias no ano seguinte e que acabaram me deixando com uma defici\u00eancia f\u00edsica. At\u00e9 hoje preciso de muleta para me locomover. Al\u00e9m disso, em 2010, desenvolvi outra doen\u00e7a que tenho at\u00e9 hoje, a eczema disidr\u00f3tica, uma condi\u00e7\u00e3o associada ao stress e que provoca o aparecimento de bolhas nos p\u00e9s quando uso cal\u00e7ado, me obrigando desde ent\u00e3o a andar apenas de chinelo. Tamb\u00e9m a partir\u00a0 de 2010, a sa\u00fade de meu pai piorou ainda mais, o que me impediu de aceitar muitas oportunidades para realizar pesquisas no exterior. Mesmo assim, com ajuda de meus irm\u00e3os mais novos, consegui viajar algumas vezes para realizar est\u00e1gios curtos de uma a duas semanas em laborat\u00f3rios na Fran\u00e7a e nos Estados Unidos. Na f\u00edsica experimental, as coisas podem quebrar. Problemas nos experimentos atrasaram minha tese e acabei ficando meses sem bolsa. A ajuda veio do meu irm\u00e3o, que tinha apenas 22 anos e tamb\u00e9m trabalhava como mec\u00e2nico, ajudando meu pai. Eles me mandavam 50 reais por m\u00eas. Pode parecer pouco, mas para eles era muito. Al\u00e9m disso, meu marido, doutorando na USP, me ajudava financeiramente. Terminando o doutorado, tive de voltar definitivamente ao Rio de Janeiro para cuidar de meu pai que, al\u00e9m do l\u00fapus, estava com c\u00e2ncer e passava muito mal com a radioterapia. Em 2011, iniciei um est\u00e1gio de p\u00f3s-doutorado na UFF,\u00a0 mas como o CNPq atrasou minha bolsa, quase desisti de tudo para voltar a ser t\u00e9cnica, porque precisava de dinheiro. Minha m\u00e3e entrou em a\u00e7\u00e3o e me proibiu, dizendo que n\u00e3o permitiria que fizesse isso. Se fosse necess\u00e1rio, ela arrumaria um emprego, mesmo com sua sa\u00fade fr\u00e1gil. No ano seguinte, por\u00e9m, a UFF acabou me contratando como professora adjunta tempor\u00e1ria. E ent\u00e3o meu pai foi internado no hospital pela \u00faltima vez. Me dividia entre Niter\u00f3i, a Penha e o Fund\u00e3o, indo e vindo de \u00f4nibus. Foram tr\u00eas meses sem deixar um dia de estar com meu pai. Tive de reunir minhas \u00faltimas for\u00e7as para dar aula sem chorar em sala. Quando meu pai faleceu, fiquei muito mal, passando por um processo de luto que interrompeu minha carreira acad\u00eamica at\u00e9 o final do ano seguinte. Em 2013, passei em um concurso para professora adjunta na Universidade Federal de Itajub\u00e1 (UNIFEI), no campus de Itabira, Minas Gerais. Embora n\u00e3o tenha me adaptado bem \u00e0 cidade e ainda passando mal com o luto e a solid\u00e3o, gostei da experi\u00eancia de dar aulas de f\u00edsica experimental por l\u00e1, conhecendo o Professor Ricardo Shitsuka, que me levou a me dedicar tamb\u00e9m \u00e0 pesquisa na \u00e1rea de ensino. As coisas come\u00e7aram a melhorar quando ingressei como professora adjunta no Departamento de F\u00edsica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRRJ), em 2014, me tornando a \u00fanica docente mulher do departamento naquele momento. Hoje somos duas!<\/p>\n<p><strong>Como sua defici\u00eancia e a necessidade de cuidar de sua m\u00e3e afetaram seu trabalho na UFRRJ? <\/strong><\/p>\n<p>A sa\u00fade de minha m\u00e3e tem piorado e n\u00e3o tenho condi\u00e7\u00f5es de deix\u00e1-la sozinha. Ficar perto dela \u00e9 um dos motivos pelos quais continuo morando na Penha e viajo apenas durante per\u00edodos curtos para S\u00e3o Paulo e ao exterior, para colaborar com o Laborat\u00f3rio Tandar, na Argentina, e o Laborat\u00f3rio de Estrutura Nuclear da Universidade de Notre-Dame, nos Estados Unidos. Logo que cheguei na UFRRJ, me colocaram para lecionar Evolu\u00e7\u00e3o da F\u00edsica, que amo, mas tamb\u00e9m uma outra s\u00e9rie de mat\u00e9rias, j\u00e1 chegando a ter uma carga hor\u00e1ria de 14 horas semanais. Aconteceu que n\u00e3o conseguia tempo para fazer pesquisa com tantas aulas, os cuidados com minha m\u00e3e e as dores nos p\u00e9s, que pioraram com o desenvolvimento da artrose. Em 2016, as cirurgias me levaram ao afastamento da universidade, passando dois anos longe da pesquisa. Atualmente, est\u00e1 cada vez mais dif\u00edcil para mim andar, dirigir e viajar para participar de congressos. Com as dores, os cuidados e os tratamentos, tenho um dia bastante limitado com apenas cerca de seis a sete horas \u00fateis. Precisei exigir os meus direitos para que reduzissem minha carga did\u00e1tica ao m\u00ednimo de 8 horas e para dar aula sentada. Nesse processo sofri com v\u00e1rios tipos de ass\u00e9dio moral, machismo e preconceitos. A UFRRJ me trouxe o melhor e o pior na vida acad\u00eamica. Minha resposta n\u00e3o foram processos, mas fazer algo positivo para que outras pessoas n\u00e3o passassem pelo mesmo. Como sempre estudei muito sobre Ci\u00eancias Humanas, resolvi ent\u00e3o aplicar minha experi\u00eancia e conhecimento na cria\u00e7\u00e3o do Laborat\u00f3rio de Estudos sobre Feminismo e Racismo nas Ci\u00eancias Exatas, o LEFERCE, patrocinado pela PROEXT-UFRRJ. O trabalho de nosso laborat\u00f3rio busca entender de que forma a viol\u00eancia de g\u00eanero \u2013 que vai do ass\u00e9dio de g\u00eanero, o machismo, at\u00e9 o ass\u00e9dio sexual e o estupro \u2013 impacta na carreira das mulheres que fazem f\u00edsica, em particular, como essas viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos est\u00e3o associadas ao chamado efeito tesoura. Tamb\u00e9m pesquisamos dos estudante do ensino fundamental aos p\u00f3s-graduandos para compreender como se formam os estere\u00f3tipos de g\u00eanero e \u00e9tnico-raciais nas Ci\u00eancias Exatas. Esse ano, o projeto do laborat\u00f3rio foi o \u00fanico ligado a Ci\u00eancias Exatas a ser contemplado por um edital da Pr\u00f3-Reitoria de Extens\u00e3o da UFRRJ, relacionado ao Pacto Nacional Universit\u00e1rio pela Promo\u00e7\u00e3o do Respeito \u00e0 Diversidade e da Cultura da Paz e Direitos Humanos, uma iniciativa do governo federal anterior, muito necess\u00e1ria na UFRRJ.<\/p>\n<p><strong>Por qu\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p>O campus da UFRRJ fica em Serop\u00e9dica, um dos munic\u00edpios mais violentos da Baixada Fluminense. Entre as universidades p\u00fablicas do Rio de Janeiro, nosso caso \u00e9 o mais alarmante, com altos \u00edndices de estupro e ass\u00e9dio sexual. Outra particularidade nossa \u00e9 que, diferente da maioria das universidades federais, 80% de nossos alunos s\u00e3o negros, vindos das classes D e E, e da escola p\u00fablica. Al\u00e9m disso, enquanto a desigualdade de g\u00eanero vem diminuindo em alguns grandes centros urbanos, essa n\u00e3o \u00e9 a nossa realidade. Temos pouqu\u00edssimas alunas no curso de f\u00edsica. Ali\u00e1s, n\u00e3o conseguimos preencher todas as vagas do curso de f\u00edsica, pois n\u00e3o h\u00e1 estudantes interessados o suficiente. \u00c9 por isso que uma das atividades do LEFERCE s\u00e3o as visitas \u00e0s escolas da regi\u00e3o e na periferia do Rio de Janeiro, onde damos palestras para crian\u00e7as e adolescentes. O \u00faltimo evento que realizamos em Serop\u00e9dica foi a oficina &#8220;Quem Quer Ser Cientista?&#8221;. Perceba que n\u00e3o h\u00e1 g\u00eanero determinado na frase, justamente para desconstruir estere\u00f3tipos. Um p\u00fablico especial para n\u00f3s s\u00e3o os alunos do Ensino de Jovens e Adultos (EJA). Segundo um professor de f\u00edsica de EJA de Serop\u00e9dica, a maioria dos alunos frequenta a suas aulas n\u00e3o apenas para obter o diploma, mas ter um prato de comida garantido, e o m\u00e1ximo que acreditam poder alcan\u00e7ar na vida \u00e9 seguir a profiss\u00e3o de moto-t\u00e1xi na cidade. Eu me apresento para tentar desconstruir esse tipo de ideia e incentivar os jovens dessas comunidades a ingressarem na carreira cient\u00edfica e engenharias. Ao mesmo tempo, essa aproxima\u00e7\u00e3o com a realidade dos alunos de EJA nos levou a desenvolver jogos como propostas did\u00e1ticas alternativas para ensinar f\u00edsica moderna. Adoro a UFRRJ, me sinto feliz e \u00fatil ali, onde sinto que fa\u00e7o a diferen\u00e7a na vida das pessoas. Busco retribuir tudo que recebi da universidade durante minha vida. Temos um reitor sens\u00edvel \u00e0s nossas demandas, muitos alunos interessados, professores comprometidos com a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Al\u00e9m disso, creio que a vista do Departamento F\u00edsica \u00e9 uma das mais lindas do mundo.<\/p>\n<p><strong>E como continua com sua pesquisa b\u00e1sica em f\u00edsica?<\/strong><\/p>\n<p>Com meus problemas de locomo\u00e7\u00e3o e sem recursos devido \u00e0 crise financeira da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) at\u00e9 o ano passado, tive que reavaliar o que podia fazer na minha pesquisa. Al\u00e9m da F\u00edsica Nuclear, comecei ent\u00e3o a colaborar com o LACAM da UFRJ, cujo acelerador fica no campus principal da UFRJ, perto de minha casa. Trabalho em um projeto de pesquisa sobre colis\u00f5es moleculares de interesse atmosf\u00e9rico, como professora colaboradora do programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em f\u00edsica da UFRJ. Ao mesmo tempo, minhas colabora\u00e7\u00f5es com o LACAM e o Pelletron t\u00eam tido um impacto positivo n\u00e3o apenas na minha pesquisa, mas em meus alunos na UFRRJ, trazendo para eles a pesquisa de ponta em f\u00edsica. Cheguei a levar alguns deles comigo em minha \u00faltima viagem a S\u00e3o Paulo, para conhecerem o Pelletron na USP. Agora, com a FAPERJ em processo de recupera\u00e7\u00e3o estamos terminando a implementa\u00e7\u00e3o do Laborat\u00f3rio de Simula\u00e7\u00f5es At\u00f4micas e Nucleares na UFRRJ, onde at\u00e9 recentemente eu n\u00e3o tinha nenhum computador para trabalhar. Este ano, o projeto que coordeno recebeu o aux\u00edlio financeiro APQ1 2019 da FAPERJ, o \u00fanico do Instituto de Ci\u00eancias Exatas (ICE) da UFRRJ. O apoio do atual chefe do ICE, Robson Mariano, foi essencial para que eu retornasse \u00e0s minhas pesquisas. Al\u00e9m claro do meu marido, que nesses \u00faltimos anos tem sido meu maior apoiador. Minha fam\u00edlia ama o fato de eu ser uma cientista.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea tamb\u00e9m coordenou recentemente um estudo sobre ass\u00e9dio de mulheres na f\u00edsica, que contou com colabora\u00e7\u00e3o de pesquisadores do Grupo de Minorias da SBF e foi premiada com uma bolsa pela Uni\u00e3o Internacional de F\u00edsica Pura e Aplicada (IUPAP).<\/strong><\/p>\n<p>O Professor Ant\u00f4nio Carlos Fontes dos Santos, al\u00e9m de ser um dos coordenadores do LACAM, tamb\u00e9m coordena o Grupo de Trabalho de Minorias da Sociedade Brasileira de F\u00edsica. Isso nos levou a colaborar al\u00e9m da f\u00edsica b\u00e1sica, em estudos de quest\u00f5es de g\u00eanero e \u00e9tnico-raciais nas Ci\u00eancias Exatas. Nos conhecemos desde 2004, e desde ent\u00e3o ele sempre me apoiou e inspirou. Outra grande colaboradora em meus trabalhos \u00e9 a Professora Z\u00e9lia Ludwig da UFJF, que acabou se tornando uma de minhas melhores amigas e companheira de luta. N\u00f3s tr\u00eas temos hist\u00f3rias parecidas e acho que isso nos uniu. Fizemos no Brasil, um estudo similar ao realizado por Lauren Aycock, da Universidade de Maryland, Estados Unidos. <a href=\"https:\/\/physics.aps.org\/articles\/v12\/43\">O<\/a> <a href=\"https:\/\/physics.aps.org\/articles\/v12\/43\">levantamento<\/a> feito em 2017 por Aycock e seus colaboradores durante uma confer\u00eancia de estudantes sugere que 75% das alunas de gradua\u00e7\u00e3o em f\u00edsica nos Estados Unidos j\u00e1 sofreram algum tipo de ass\u00e9dio de g\u00eanero. Mas quando iniciamos nossa pesquisa, o trabalho da Aycock n\u00e3o tinha sido publicado. Em nosso estudo entrevistamos 89 mulheres ligadas \u00e0 f\u00edsica com idades variando entre 18 e 67 anos. Cerca de 95% das participantes relatou ter sofrido algum tipo de ass\u00e9dio, sendo que nenhuma delas chegou a denunciar o ocorrido. Em maio deste ano recebi o Women in Physics: IUPAP Grant Travel Award, que me permitiu apresentar os resultados desse estudo na Confer\u00eancia Interamericana de Ensino de F\u00edsica (CIAEF), em julho, no Uruguai. O mais interessante foi notar que a maioria das mulheres que entrevistamos n\u00e3o respondeu ao question\u00e1rio do Grupo de Trabalho Sobre Quest\u00f5es G\u00eanero da SBF, em grande parte por medo de identifica\u00e7\u00e3o. Tivemos entretanto autoriza\u00e7\u00e3o para apresentar cinco depoimentos colhidos na pesquisa e que s\u00e3o estarrecedores. Recomendo que minhas alunas leiam o estudo da Aycock, porque se voc\u00ea pesquisar sobre &#8220;ass\u00e9dio de g\u00eanero&#8221; n\u00e3o vai achar nada no Brasil. \u00c9 um termo que as pessoas ainda n\u00e3o usam por aqui, embora j\u00e1 venha sendo considerado nos Estados Unidos. Ass\u00e9dio de g\u00eanero \u00e9 t\u00e3o danoso quanto o ass\u00e9dio sexual. Toda situa\u00e7\u00e3o preconceituosa criada por seus pares e que provoca problemas psicol\u00f3gicos em estudantes e professoras \u00e9 um tipo de ass\u00e9dio de g\u00eanero. Em geral, nas discuss\u00f5es sobre o feminismo e as quest\u00f5es de g\u00eanero, as pessoas tendem a falar sobre os problemas da maternidade, a figura dos cientistas em livros etc., mas existem muitas outras quest\u00f5es que prejudicam a mulher ou que levam a diversos outros tipos de ass\u00e9dio.<\/p>\n<p><strong>Que outras quest\u00f5es de g\u00eanero s\u00e3o essas?<\/strong><\/p>\n<p>S\u00e3o justamente as quest\u00f5es \u00e9tnico-raciais e s\u00f3cio-econ\u00f4micas, que fazem de meu caso uma exce\u00e7\u00e3o entre a maioria das professoras universit\u00e1rias. As demandas da mulher vinda da periferia s\u00e3o diferentes da mulher de classe m\u00e9dia. Eu por exemplo n\u00e3o pude ser m\u00e3e, n\u00e3o tive direito a essa escolha, mas tive um pai para cuidar. Hoje tenho minha defici\u00eancia e uma m\u00e3e para cuidar, sem condi\u00e7\u00f5es financeiras para contratar algu\u00e9m para ajud\u00e1-la. Ser cuidadora de um parente \u00e9 t\u00e3o importante quanto ser m\u00e3e. Assim como estamos come\u00e7ando a levar em conta as necessidades da maternidade e seu impacto na carreira acad\u00eamica da mulher, tamb\u00e9m dever\u00edamos levar em conta as necessidades dos cuidadores, bem como de pessoas com defici\u00eancia. Fiquei quatro anos sem atuar diretamente na pesquisa, desde o fim do doutorado. Sou cuidadora desde a gradua\u00e7\u00e3o. Mas isso n\u00e3o \u00e9 levado em conta nas avalia\u00e7\u00f5es. Meu marido n\u00e3o p\u00f4de at\u00e9 agora realizar um p\u00f3s-doutorado no exterior porque n\u00e3o tem ningu\u00e9m para cuidar de mim. Sendo questionado nos concursos para professor universit\u00e1rio, ele prefere n\u00e3o explicar o motivo, pois muitos ainda desconsideram essas quest\u00f5es. Assim minha defici\u00eancia tamb\u00e9m impacta a carreira dele. N\u00f3s, cuidadores, continuamos invis\u00edveis nos editais. Enquanto n\u00e3o discutirmos esses assuntos, ser\u00e1 incomum pessoas como eu chegarem aonde cheguei.<\/p>\n<p><strong>Que mensagem gostaria de passar a todas as estudantes interessadas em Ci\u00eancias Exatas? <\/strong><\/p>\n<p>Me senti sozinha muitas vezes durante minha carreira. Mas ent\u00e3o conheci pessoas como o Prof. Odilon Tavares , a Profa. Alinka L\u00e9pine, o Prof. Rubens Lichtenthaler, o Prof. Valdir Guimar\u00e3es e o Prof. Paulo Gomes, bem como o\u00a0 Prof. Ant\u00f4nio Carlos e a Profa. Z\u00e9lia Ludwig do Grupo de Minorias da SBF. Essa rede de colaboradores me trouxe\u00a0 \u00e2nimo para trabalhar, tanto nas quest\u00f5es de g\u00eanero quanto na pesquisa em f\u00edsica. \u00c9 o que tento passar em minhas aulas, artigos e palestras. Al\u00e9m disso, ter a Alinka como orientadora foi inspirador, visto que ela, al\u00e9m de ser mulher e extremamente inteligente, atuava como l\u00edder de seu grupo de pesquisa, se tornando posteriormente diretora do Laborat\u00f3rio Pelletron da USP. Seu exemplo me dava for\u00e7as para n\u00e3o desistir. Parava, pensava e dizia para mim: a Alinka \u00e9 forte, segue sempre em frente, quero um dia me tornar uma cientista como ela. Ter uma mulher como inspira\u00e7\u00e3o fez toda a diferen\u00e7a para mim porque, at\u00e9 chegar na USP, s\u00f3 via homens em posi\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a. Quero mostrar \u00e0s pessoas como eu at\u00e9 onde elas podem chegar, mas precisamos de ajuda. Fica o recado de que, se precisarem de algu\u00e9m para conversar, se precisarem de algu\u00e9m para dar apoio, eu estou aqui. Cuidar de meu pai foi um privil\u00e9gio para mim. Ele \u00e9 meu her\u00f3i e nunca me arrependi de n\u00e3o ter ido ao exterior para ficar ao seu lado. Se precisar, me reinvento, mas desistir nunca foi uma op\u00e7\u00e3o para mim. Nunca desisto e sempre serei uma cientista.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A astrof\u00edsica Natalia Vale Asari foi a ganhadora do Pr\u00eamio Carolina Nemes 2019.\u00a0 Al\u00e9m da excel\u00eancia da pesquisadora Natalia, a comiss\u00e3o do j\u00fari ficou impressionada com a\u00a0 qualidade de v\u00e1rias das candidatas e incentiva as n\u00e3o agraciadas nesta edi\u00e7\u00e3o que concorram novamente ano que vem. 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