{"id":4314,"date":"2019-05-23T11:17:10","date_gmt":"2019-05-23T14:17:10","guid":{"rendered":"https:\/\/sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/2019\/05\/23\/observacoes-em-sobral-confirmaram-teoria-de-einstein-em-1919\/"},"modified":"2022-08-18T23:21:50","modified_gmt":"2022-08-19T02:21:50","slug":"observacoes-em-sobral-confirmaram-teoria-de-einstein-em-1919","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/observacoes-em-sobral-confirmaram-teoria-de-einstein-em-1919\/","title":{"rendered":"Observa\u00e7\u00f5es em Sobral confirmaram teoria de Einstein em 1919"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" data-src=\"images\/destaque-em-fisica\/2019\/maio\/destaque-2019-05-23.jpg\" alt=\"\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/>No dia 29 de maio de 1919, duas expedi\u00e7\u00f5es de astr\u00f4nomos brit\u00e2nicos observaram um eclipse total do Sol na esperan\u00e7a de verificar a deflex\u00e3o da luz das estrelas prevista pela teoria da relatividade geral de Albert Einstein. A mais famosa delas foi a expedi\u00e7\u00e3o liderada por Arthur Eddington e Edwin Cottingham, \u00e0 ilha Pr\u00edncipe, na \u00c1frica. A outra expedi\u00e7\u00e3o, entretanto, de Andrew Crommelin e Charles Davidson \u00e0 cidade de Sobral, no Cear\u00e1, foi decisiva para o sucesso do empreendimento. \u201cForam justamente as medidas em Sobral que permitiram a comprova\u00e7\u00e3o robusta da teoria da relatividade geral\u201d, lembra o f\u00edsico Lu\u00eds Crispino, professor da Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA). Em artigo publicado em maio na revista <em>Nature Physics<\/em>, Crispino e o f\u00edsico Daniel Kennefick, da Universidade do Arkansas, Estados Unidos, lembram a import\u00e2ncia da expedi\u00e7\u00e3o a Sobral e sua divulga\u00e7\u00e3o pioneira das ideias de Einstein no Brasil.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><span style=\"background-color: inherit; color: inherit; font-family: inherit; font-size: 1rem;\">Como Crispino explica no v\u00eddeo abaixo, Einstein calculou o desvio de um raio de luz ao passar pela borda do Sol em duas ocasi\u00f5es. Em 1911, assumindo uma for\u00e7a gravitacional newtoniana e o princ\u00edpio de equival\u00eancia, Einstein obteve que um raio de luz pr\u00f3ximo ao Sol desviaria sua trajet\u00f3ria em 0,83 segundos de arco. Com esse resultado em m\u00e3os, Einstein procurou os astr\u00f4nomos, propondo que esse desvio poderia ser medido durante um eclipse total do Sol atrav\u00e9s da verifica\u00e7\u00e3o da posi\u00e7\u00e3o aparente relativa das estrelas em torno do Sol eclipsado. Nenhuma medida foi realizada nos anos seguintes, at\u00e9 que, em 1915, Einstein chega \u00e0 forma final de sua teoria da relatividade geral, com a for\u00e7a gravitacional entendida como o efeito da massa e da energia na curvatura do espa\u00e7o-tempo. Recalculando o desvio da luz com base em sua nova teoria, Einstein obteve um valor duas vezes maior para o desvio da luz do que aquele que havia obtido em 1911.<\/span><\/p>\n<p><iframe style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/SoZsvoCGCCs\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" data-load-mode=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p>Uma ocasi\u00e3o bastante favor\u00e1vel para medir o desvio da luz previsto por Einstein surgiria em 1919, quando o Sol estaria diante de um conjunto de estrelas localizadas na constela\u00e7\u00e3o de Touro. Eddington e Cottingham levaram para a ilha de Pr\u00edncipe a lente de 13 polegadas do telesc\u00f3pio de Oxford. Obtiveram algumas placas fotogr\u00e1ficas, mas devido ao mau tempo puderam localizar as estrelas em apenas duas delas. Suas medi\u00e7\u00f5es levaram a um resultado pr\u00f3ximo ao resultado previsto pela relatividade geral, mas por serem baseadas em apenas duas placas fotogr\u00e1ficas com poucas estrelas, eram necess\u00e1rias mais medi\u00e7\u00f5es para um resultado robusto.<\/p>\n<p>Crommelin e Davidson levaram dois telesc\u00f3pios a Sobral. Eles obtiveram v\u00e1rias fotografias com uma lente de 13 polegadas semelhante a levada \u00e0 \u00c1frica, mas as imagens tamb\u00e9m n\u00e3o ficaram boas, devido ao mau funcionamento do cel\u00f3stato, o espelho que mantinha fixa a imagem do Sol no fundo do telesc\u00f3pio. Dependendo se houve ou n\u00e3o uma mudan\u00e7a de foco, os resultados podiam ser pr\u00f3ximos da previs\u00e3o newtoniana ou da relatividade geral. J\u00e1 com o telesc\u00f3pio de 4 polegadas, levado originalmente como instrumento reserva, os brit\u00e2nicos obtiveram fotografias de muito boa qualidade, a partir das quais calcularam um desvio ligeiramente superior ao desvio previsto pela teoria da relatividade geral. Os resultado das observa\u00e7\u00f5es de ambas expedi\u00e7\u00f5es foi anunciado em uma confer\u00eancia cient\u00edfica em Londres, no dia 6 de novembro de 1919, confirmando a teoria da relatividade geral e promovendo Einstein a uma celebridade mundial.<\/p>\n<p>Crispino e Kennefick lembram ainda que, antes de chegarem a Sobral, Crommelin e Davidson viajaram pela Amaz\u00f4nia. Na cidade de Bel\u00e9m, o jornal Estado do Par\u00e1 publicou a tradu\u00e7\u00e3o de um artigo deles sobre as medidas que fariam em Sobral e a teoria da relatividade geral de Einstein. Foi a primeira publica\u00e7\u00e3o a divulgar a teoria para o grande p\u00fablico nas Am\u00e9ricas.<\/p>\n<p><strong>Artigo cient\u00edfico<\/strong><br \/>\n<em>A hundred years of the first experimental test of general relativity<\/em><br \/>\nLu\u00eds C. B. Crispino e Daniel J. Kennefick<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.nature.com\/articles\/s41567-019-0519-3\">Nature Physics 15, 416\u2013419 (2019)<\/a><\/p>\n<p><strong>Contato para imprensa<\/strong><br \/>\nIgor Zolnerkevic<br \/>\nAssessor de comunica\u00e7\u00e3o<br \/>\n<span id=\"cloak0b959f306deac7cf94a603f27de1ac7e\"><span id=\"cloak1e1173f0bc361d2bf90c15127afb468f\"><span id=\"cloakf3fc4a8f96dac7deca421e35ab73b151\"><span id=\"cloakc890ff3eb1b51e389b4c3b3eb86ca43f\"><span id=\"cloak5b2bf599305613f49286e4e4c530106f\"><span id=\"cloakbe01932a229055455a7d9f40fd4f328c\"><a href=\"mailto:comunicacao@sbfisica.org.br\">comunicacao@sbfisica.org.br<\/a><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 29 de maio de 1919, duas expedi\u00e7\u00f5es de astr\u00f4nomos brit\u00e2nicos observaram um eclipse total do Sol na esperan\u00e7a de verificar a deflex\u00e3o da luz das estrelas prevista pela teoria da relatividade geral de Albert Einstein. 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