{"id":4301,"date":"2019-05-02T14:44:07","date_gmt":"2019-05-02T17:44:07","guid":{"rendered":"https:\/\/sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/2019\/05\/02\/neutrinos-escuros-podem-explicar-anomalia-em-experimentos\/"},"modified":"2022-08-18T23:33:27","modified_gmt":"2022-08-19T02:33:27","slug":"neutrinos-escuros-podem-explicar-anomalia-em-experimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/neutrinos-escuros-podem-explicar-anomalia-em-experimentos\/","title":{"rendered":"Neutrinos escuros podem explicar anomalia em experimentos"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" data-src=\"images\/destaque-em-fisica\/2019\/maio\/destaque-2019-05-02.jpg\" alt=\"\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/>Um resultado inexplic\u00e1vel pelo Modelo Padr\u00e3o, a teoria que melhor descreve o comportamento de todas as part\u00edculas elementares conhecidas, foi confirmado em junho do ano passado pela equipe do experimento MiniBooNE. Instalado no Fermilab, em Illinois, Estados Unidos, o MiniBooNE produz um feixe de part\u00edculas conhecidas como neutrinos do m\u00faon. Ap\u00f3s 15 anos de medi\u00e7\u00f5es, a equipe do experimento concluiu que alguns de seus neutrinos do m\u00faon se transformam em neutrinos do el\u00e9tron de maneira inesperada. Uma nova teoria proposta por f\u00edsicos brasileiros pode explicar o resultado.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><span style=\"background-color: inherit; color: inherit; font-family: inherit; font-size: 1rem;\">Neutrinos s\u00e3o part\u00edculas elementares que interagem muito pouco com as demais, apenas por meio das for\u00e7as gravitacional e nuclear fraca. \u201cOs neutrinos s\u00e3o produzidos pelas intera\u00e7\u00f5es fracas, sempre associados com um l\u00e9pton carregado \u2013 um el\u00e9tron, um m\u00faon ou um tau\u201d, explica Pedro Machado, f\u00edsico brasileiro no Fermilab e um dos autores da nova proposta. Junto com Sudip Jana, tamb\u00e9m do Fermilab, Machado e os f\u00edsicos Enrico Bertuzzo e Renata Zukanovich, da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) detalham sua teoria em dois artigos, um publicado em dezembro passado na revist<\/span>a <em>Physical Review Letters<\/em>, o outro em abril deste ano, na <em>Physics Letters B<\/em><em style=\"background-color: inherit; color: inherit; font-family: inherit; font-size: 1rem;\">.<\/em><\/p>\n<p><iframe style=\"color: inherit; font-family: inherit; font-size: 1rem; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DH7v_ZMBpqo\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" data-load-mode=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p>Depois de produzido, um neutrino de um tipo pode se transformar em outro, por meio de um fen\u00f4meno chamado de oscila\u00e7\u00e3o. De acordo com o Modelo Padr\u00e3o, a oscila\u00e7\u00e3o faria com que alguns neutrinos do m\u00faon produzidos pelo MiniBooNE pudessem se transformar em neutrinos do tau ou neutrinos do el\u00e9tron, \u00e0 medida de viajassem uma certa dist\u00e2ncia de sua fonte, como \u00e9 o caso de outro experimento com neutrinos do Fermilab, o NOvA. Os detectores do MiniBooNE, por\u00e9m, ficam a uma dist\u00e2ncia da fonte bem menor que a necess\u00e1ria. Muitos pesquisadores sugerem explicar esse excesso de neutrinos do el\u00e9tron propondo um tipo extra de neutrino. Uma das teorias mais populares \u00e9 a do chamado neutrino est\u00e9ril, que prop\u00f5e um neutrino extra que n\u00e3o interagiria por for\u00e7a fraca, apenas por for\u00e7a gravitacional. \u201cO neutrino est\u00e9ril n\u00e3o interage pela for\u00e7a fraca, contudo participa nas oscila\u00e7\u00f5es de neutrinos e poderia, em princ\u00edpio, induzir transi\u00e7\u00f5es de neutrinos do m\u00faon para neutrinos do el\u00e9tron em dist\u00e2ncias curtas\u201d, Machado explica.\u00a0 \u201cMas outros experimentos n\u00e3o observam o impacto desse neutrino est\u00e9ril\u201d.<\/p>\n<p>Para resolver esse conflito, a nova teoria de Bertuzzo e seus colegas prop\u00f5e que o quarto neutrino, chamado de neutrino escuro, n\u00e3o interagiria por for\u00e7a fraca como o neutrino est\u00e9ril, mas sentiria uma nova for\u00e7a, mediada por um nova part\u00edcula, um b\u00f3son vetorial. De acordo com essa teoria, alguns neutrinos do muon do MiniBooNE se transformariam momentaneamente em neutrinos escuros quando interagissem com os n\u00facleos at\u00f4micos do \u00f3leo mineral que constitui o detector de part\u00edculas do experimento. Esse neutrino escuro, mais pesado que os outros tr\u00eas tipos de neutrino, logo decairia produzindo em seu lugar um p\u00f3sitron e um el\u00e9tron, que por sua vez gerariam uma luz do tipo Cherenkov no \u00f3leo mineral. Os detectores do MinibooNE n\u00e3o conseguiriam distinguir essa luz daquela que identifica a passagem de um el\u00e9tron (produzido pela intera\u00e7\u00e3o de um neutrino do el\u00e9tron com o detector) pelo \u00f3leo mineral. A equipe tamb\u00e9m discute nos artigos como futuros experimentos podem refutar ou comprovar suas hip\u00f3teses.<\/p>\n<p>A mesma teoria tamb\u00e9m explicaria como os neutrinos s\u00e3o capazes de oscilar, quando obt\u00e9m suas massas ao misturarem seus estados qu\u00e2nticos com os dos neutrinos escuros. \u201c\u00c9 a parte mais interessante do trabalho\u201d, diz Machado, \u201cuma conex\u00e3o entre um modelo que gera as massas dos neutrinos com anomalias experimentais observadas em experimentos\u201d.<\/p>\n<p>O trabalho teve apoio financeiro da FAPESP e do CNPq.<\/p>\n<p><strong>Artigos Cient\u00edficos<\/strong><br \/>\n<em>Dark Neutrino Portal to Explain MiniBooNE Excess<\/em><br \/>\nEnrico Bertuzzo, Sudip Jana, Pedro A. N. Machado, e Renata Zukanovich Funchal<br \/>\n<a href=\"https:\/\/journals.aps.org\/prl\/abstract\/10.1103\/PhysRevLett.121.241801\">Phys. Rev. Lett. 121, 241801 (2018)<br \/>\n<\/a><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/1807.09877\">ArXiv:1807.09877<\/a><\/p>\n<p><em>Neutrino masses and mixings dynamically generated by a light dark sector<\/em><br \/>\nEnrico Bertuzzo, Sudip Jana, Pedro A. N. Machado, e Renata Zukanovich Funchal<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0370269319301194?via=ihub\">Physics Letters B, v. 791, p.210-214 (2019)<br \/>\n<\/a><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/1808.02500\">ArXiv:1808.02500<\/a><\/p>\n<p><strong>Contato para imprensa<\/strong><br \/>\nIgor Zolnerkevic<br \/>\nAssessor de comunica\u00e7\u00e3o<br \/>\n<span id=\"cloak0b959f306deac7cf94a603f27de1ac7e\"><span id=\"cloak1e1173f0bc361d2bf90c15127afb468f\"><span id=\"cloakf3fc4a8f96dac7deca421e35ab73b151\"><a href=\"mailto:comunicacao@sbfisica.org.br\">comunicacao@sbfisica.org.br<\/a><\/span><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um resultado inexplic\u00e1vel pelo Modelo Padr\u00e3o, a teoria que melhor descreve o comportamento de todas as part\u00edculas elementares conhecidas, foi confirmado em junho do ano passado pela equipe do experimento MiniBooNE. Instalado no Fermilab, em Illinois, Estados Unidos, o MiniBooNE produz um feixe de part\u00edculas conhecidas como neutrinos do m\u00faon. Ap\u00f3s 15 anos de medi\u00e7\u00f5es, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":18003,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[124],"tags":[],"class_list":["post-4301","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque-em-fisica"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4301","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4301"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4301\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18004,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4301\/revisions\/18004"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18003"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4301"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4301"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4301"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}