{"id":4089,"date":"2018-03-22T10:01:11","date_gmt":"2018-03-22T13:01:11","guid":{"rendered":"https:\/\/sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/2018\/03\/22\/sbf-participa-de-reuniao-sobre-a-bncc\/"},"modified":"2022-08-24T01:16:46","modified_gmt":"2022-08-24T04:16:46","slug":"sbf-participa-de-reuniao-sobre-a-bncc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/sbf-participa-de-reuniao-sobre-a-bncc\/","title":{"rendered":"SBF participa de reuni\u00e3o sobre a BNCC"},"content":{"rendered":"\n<p>No dia 15 de mar\u00e7o realizou-se uma reuni\u00e3o por iniciativa do presidente da SBPC, Prof. Ildeu de Castro Moreira, com o MEC visando iniciar discuss\u00f5es que permitissem \u00e0s sociedades cient\u00edficas colaborar com a elabora\u00e7\u00e3o e a an\u00e1lise da BNCC (Base Nacional Comum Curricular), al\u00e9m de se manifestar de aneira geral com rela\u00e7\u00e3o ao tema. Participaram da reuni\u00e3o representantes das associa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas convidadas (ABC, ABRAPEC, AGB, FESBE, SAB, SBEM, SBEnBio, SBF, SBG, SBM e SBQ) juntamente com representantes do MEC sob a coordena\u00e7\u00e3o da secret\u00e1ria executiva, Profa.&nbsp; Maria Helena Guimar\u00e3es de Castro, e alguns assessores e consultores associados ao projeto de elabora\u00e7\u00e3o da BNCC.<\/p>\n\n\n\n<p>A Profa. Maria Helena fez um breve relato sobre o processo de elabora\u00e7\u00e3o das bases, desde sua primeira vers\u00e3o em 2013, passando pela exposi\u00e7\u00e3o de alguns pressupostos que nortearam a produ\u00e7\u00e3o da terceira vers\u00e3o ora em curso e finalmente informando que a nova vers\u00e3o do documento ainda n\u00e3o est\u00e1 finalizada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Fundamentalmente, a maior preocupa\u00e7\u00e3o dos gestores federais \u00e9 com o fato de que aproximadamente um quarto dos estudantes que concluem o Ensino Fundamental n\u00e3o ingressam no EM (Ensino M\u00e9dio), e em torno de um ter\u00e7o dos que ingressam no EM s\u00e3o reprovados na transi\u00e7\u00e3o do primeiro para o segundo ano. Um dos pap\u00e9is da reforma do Ensino M\u00e9dio e da BNCC seria de efetivar uma maior atratividade do EM para os estudantes, bem como indicar poss\u00edveis a\u00e7\u00f5es inclusivas e de diversidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Na sua fala final, a secretaria executiva do MEC deixou claro que as associa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas ter\u00e3o acesso \u00e0 BNCC, quando de seu envio ao Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o. Ela acrescentou que o material do Ensino M\u00e9dio ainda n\u00e3o fora divulgado pois nova vers\u00e3o ainda n\u00e3o est\u00e1 finalizada. Segundo explicitado, um dos motivos da demora na apresenta\u00e7\u00e3o da nova vers\u00e3o se deveu a ajustes necess\u00e1rios para se adaptar \u00e0 reforma do Ensino M\u00e9dio (EM), aprovada pela Lei 13.415, em fevereiro de 2017. Foi tamb\u00e9m apontado que \u00e9 poss\u00edvel sugerir mudan\u00e7as (a partir das associa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas) durante a discuss\u00e3o do CNE.<\/p>\n\n\n\n<p>As discuss\u00f5es durante a reuni\u00e3o se polarizaram sobre qual seria o papel da BNCC no combate \u00e0s m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, e sobre a estrutura curricular associada \u00e0 BNCC.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos pr\u00f3ximos par\u00e1grafos apresentamos alguns t\u00f3picos que foram levantados pelas associa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas durante a reuni\u00e3o, para as reflex\u00f5es da comunidade da SBF.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>O Brasil j\u00e1 apresenta uma tradi\u00e7\u00e3o disciplinar, e aparentemente a BNCC do Ensino M\u00e9dio prop\u00f5e uma estrutura curricular que rompe com as disciplinas e mesmos com as unidades tem\u00e1ticas e objetos de conte\u00fados presentes na proposta do Ensino Fundamental \u2013 que estavam come\u00e7ando a ser compreendidas pelos professores \u2013 e prop\u00f5e uma organiza\u00e7\u00e3o baseada apenas em compet\u00eancias e habilidades. A aus\u00eancia de uma maior defini\u00e7\u00e3o curricular poder\u00e1 dificultar a compreens\u00e3o das propostas por parte dos gestores, formadores e professores. Como essa estrutura ir\u00e1 dialogar com as tradi\u00e7\u00f5es curriculares brasileiras \u00e9 outro ponto a ser destacado na discuss\u00e3o dessa proposta.<\/li><li>Um temor de v\u00e1rias das sociedades cient\u00edficas presentes seria uma simplifica\u00e7\u00e3o dos itiner\u00e1rios formativos, diminuindo a participa\u00e7\u00e3o das Ci\u00eancias da Natureza (CN) nesses percursos. Ainda nessa linha, existe uma aparente tend\u00eancia a transformar as atividades de experimenta\u00e7\u00e3o em atividades computacionais de simula\u00e7\u00e3o, afastando os estudantes de um contexto real de experimenta\u00e7\u00e3o, o que n\u00e3o \u00e9 condizente com uma forma\u00e7\u00e3o completa das habilidades dos alunos.<\/li><li>Olhando apenas para as 1.800 horas comuns a todo o Brasil, temos uma \u2013 prov\u00e1vel \u2013 diminui\u00e7\u00e3o da carga hor\u00e1ria em ci\u00eancias. Como isso seria compat\u00edvel com o letramento cient\u00edfico? O que priorizar em uma vers\u00e3o integrada e com menor carga hor\u00e1ria de ci\u00eancias\/f\u00edsica? A proposta dessa discuss\u00e3o aqui apontada n\u00e3o \u00e9 \u2013 em hip\u00f3tese alguma \u2013 validar a proposta para a BNCC, mas sim buscar um posicionamento claro de nossa sociedade.<\/li><li>A proposta \u00e9 a de que os conte\u00fados tradicionais de ci\u00eancias do EM passem a ser apresentados de forma integrada em CN (Ci\u00eancias da Natureza), excluindo a explicita\u00e7\u00e3o das disciplinas espec\u00edficas (f\u00edsica, qu\u00edmica, biologia). Visto que os professores s\u00e3o formados de maneira disciplinar no pa\u00eds, como realizar a forma\u00e7\u00e3o continuada ou a forma\u00e7\u00e3o inicial desses novos professores? Quem ir\u00e1 assumir essa forma\u00e7\u00e3o e sob quais crit\u00e9rios?<\/li><li>Uma das poss\u00edveis a\u00e7\u00f5es das sociedades seria iniciar conversas com as diferentes sociedades cient\u00edficas para discutir de forma conjunta se \u00e9 a melhor op\u00e7\u00e3o a integra\u00e7\u00e3o dos t\u00f3picos associados a CN, e em caso afirmativo, como esse compartilhamento interdisciplinar deveria ocorrer.<\/li><li>Na proposta temos que 1.200 horas do EM ser\u00e3o destinadas a distintos Itiner\u00e1rios formativos, ou seja, as disciplinas e os objetivos dessa etapa ser\u00e3o definidos posteriormente pelos Conselhos Estaduais de Educa\u00e7\u00e3o e\/ou pelas Secretarias Municipais de Educa\u00e7\u00e3o. Essa forma\u00e7\u00e3o complementar pode ser uma forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica associada a quest\u00f5es regionais; um aprofundamento nos conhecimentos de matem\u00e1tica, ci\u00eancias da natureza ou ci\u00eancias humanas. \u00c9 fundamental que se inicie uma articula\u00e7\u00e3o com os conselheiros nos diferentes estados, buscando que se garanta a melhor inser\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia poss\u00edvel nesses itiner\u00e1rios.<\/li><li>No caso de CN\/f\u00edsica, tememos que a falta cr\u00f4nica de professores com forma\u00e7\u00e3o na \u00e1rea \u2013 principalmente de f\u00edsica e de qu\u00edmica \u2013 resulte efetivamente na exclus\u00e3o de conhecimentos m\u00ednimos de f\u00edsica, em uma situa\u00e7\u00e3o pior que a atualmente existente, diminuindo o espa\u00e7o para as ci\u00eancias nos itiner\u00e1rios formativos. O n\u00famero de professores que lecionam f\u00edsica com licenciatura em f\u00edsica ou com bacharelado em f\u00edsica (com complementa\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica) correspondem a cerca de 28% do total. Para a \u00e1rea de qu\u00edmica o percentual \u00e9 de cerca de 46%<a href=\"http:\/\/www.observatoriodopne.org.br\/metas-pne\/15-formacao-professores\/indicadores#porcentagem-de-professores-do-ensino-medio-que-tem-licenciatura-na-area-em-que-atuam\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[1]<\/a>. Nota-se que \u2013 em fun\u00e7\u00e3o da interpreta\u00e7\u00e3o dos Conselhos Estaduais de Educa\u00e7\u00e3o \u2013 pode ocorrer a diminui\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o de atua\u00e7\u00e3o de nossos licenciados\/bachar\u00e9is, sob o argumento da falta de professores, sem considerar os reais motivos que provavelmente conduzem a essa falta, que est\u00e1 associada \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de trabalho oferecidas.<\/li><li>Na proposi\u00e7\u00e3o dos itiner\u00e1rios formativos, existe uma preocupa\u00e7\u00e3o presente entre as sociedades cient\u00edficas que \u00e9 o ensino de CN ser substitu\u00eddo por uma estrutura associada a tecnologias ou a outras \u00e1reas de conhecimento que n\u00e3o a CN, principalmente nos itiner\u00e1rios formativos.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>A SBF est\u00e1 organizando \u2013 atendendo a uma sugest\u00e3o do Conselho \u2013 a forma\u00e7\u00e3o de um grupo de trabalho para discutir, analisar e propor sugest\u00f5es sobre a BNCC, no que se refere \u00e0 participa\u00e7\u00e3o das ci\u00eancias, e principalmente a f\u00edsica, na estrutura proposta.<\/p>\n\n\n\n<p>Maur\u00edcio Kleinke \u2013 Secret\u00e1rio para Assuntos de Ensino da SBF<br>Maur\u00edcio Pietrocola \u2013 Conselheiro da SBF<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 15 de mar\u00e7o realizou-se uma reuni\u00e3o por iniciativa do presidente da SBPC, Prof. Ildeu de Castro Moreira, com o MEC visando iniciar discuss\u00f5es que permitissem \u00e0s sociedades cient\u00edficas colaborar com a elabora\u00e7\u00e3o e a an\u00e1lise da BNCC (Base Nacional Comum Curricular), al\u00e9m de se manifestar de aneira geral com rela\u00e7\u00e3o ao tema. Participaram [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":18627,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[127],"tags":[],"class_list":["post-4089","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-acontece-na-sbf"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4089","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4089"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4089\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18628,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4089\/revisions\/18628"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18627"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4089"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4089"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4089"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}