{"id":3560,"date":"2017-10-19T11:29:43","date_gmt":"2017-10-19T13:29:43","guid":{"rendered":"https:\/\/sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/2017\/10\/19\/primeira-deteccao-de-ondas-gravitacionais-de-um-par-de-estrelas-de-neutrons\/"},"modified":"2022-08-24T03:02:49","modified_gmt":"2022-08-24T06:02:49","slug":"primeira-deteccao-de-ondas-gravitacionais-de-um-par-de-estrelas-de-neutrons","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/primeira-deteccao-de-ondas-gravitacionais-de-um-par-de-estrelas-de-neutrons\/","title":{"rendered":"Primeira detec\u00e7\u00e3o de ondas gravitacionais de um par de estrelas de n\u00eautrons"},"content":{"rendered":"\n<p>Mesmo depois de conquistarem o Pr\u00eamio Nobel em F\u00edsica de 2017, as ondas gravitacionais n\u00e3o param de trazer novidades. Na&nbsp;\u00faltima segunda-feira (16), a Colabora\u00e7\u00e3o LIGO-Virgo anunciou a detec\u00e7\u00e3o da primeira fus\u00e3o de estrelas de n\u00eautrons, ocorrida numa gal\u00e1xia a 130 milh\u00f5es de anos-luz de dist\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>O artigo da detec\u00e7\u00e3o inicial foi publicado no peri\u00f3dico &#8220;Physical Review Letters&#8221;, mas o mais interessante foi que, pela primeira vez, al\u00e9m das ondas gravitacionais, tamb\u00e9m foi detectada uma contraparte&nbsp;\u00f3ptica&nbsp;\u2013&nbsp;um disparo de raios gama, detectado pelos sat\u00e9lites Fermi, da Nasa, e Integral, da ESA, seguido por um brilho que durou dias, em uma ampla regi\u00e3o do espectro eletromagn\u00e9tico, e tornou a fonte das ondas gravitacionais vis\u00edvel aos telesc\u00f3pios.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>A descoberta resultou no maior esfor\u00e7o coordenado de observa\u00e7\u00e3o de um objeto celeste da hist\u00f3ria da astronomia, impulsionado pela detec\u00e7\u00e3o das ondas gravitacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTudo isso porque foi inaugurada a astronomia multimensageira com ondas gravitacionais\u201d, afirma Odylio Aguiar, pesquisador do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e membro da colabora\u00e7\u00e3o LIGO-Virgo, respons\u00e1vel pela detec\u00e7\u00e3o das ondas gravitacionais do fen\u00f4meno.&nbsp;\u201cEstamos vivendo um momento muito especial, um momento revolucion\u00e1rio.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cIsso vai al\u00e9m dos meus sonhos mais incr\u00edveis\u201d, diz Marcelle Soares-Santos, pesquisadora brasileira da Universidade Brandeis, que liderou o esfor\u00e7o de observa\u00e7\u00e3o com a equipe do projeto Dark Energy Survey, que tem forte participa\u00e7\u00e3o nacional.&nbsp;\u201cCom a DECam pegamos um bom sinal, e podemos mostrar como o objeto est\u00e1evoluindo com o tempo. A equipe a acompanhar esses sinais j\u00e1&nbsp;est\u00e1&nbsp;bem azeitada, e embora n\u00e3o esper\u00e1ssemos que fosse acontecer t\u00e3o cedo, est\u00e1vamos prontos para isso.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O sinal foi captado no dia 17 de agosto de 2017 (da\u00ed&nbsp;o codinome GW170817) e marcou a quinta detec\u00e7\u00e3o do LIGO, sistema de detectores g\u00eameos instalados em lados opostos dos Estados Unidos. Esta foi tamb\u00e9m a segunda detec\u00e7\u00e3o feita em parceria com o Virgo, instala\u00e7\u00e3o um pouco menor localizada perto de Pisa, na It\u00e1lia, e a primeira da hist\u00f3ria envolvendo um par de estrelas de n\u00eautrons &#8212; at\u00e9&nbsp;ent\u00e3o, s\u00f3&nbsp;a colis\u00e3o de pares de buracos negros havia sido detectada.<\/p>\n\n\n\n<p>Diversas coletivas, organizadas por institui\u00e7\u00f5es espalhadas pelo mundo&nbsp;\u2014&nbsp;no Brasil, houve uma na Universidade de S\u00e3o Paulo&nbsp;\u2014&nbsp;aconteceram para apresentar os resultados iniciais de todas as observa\u00e7\u00f5es, que foram distribu\u00eddos em mais de uma dezena de artigos a serem publicados em peri\u00f3dicos como&nbsp;\u201cNature\u201d,&nbsp;\u201cNature Astronomy\u201d&nbsp;e&nbsp;\u201cAstrophysical Journal Letters\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado foi extremamente importante, por uma s\u00e9rie de raz\u00f5es: as observa\u00e7\u00f5es feitas esclareceram a origem de alguns dos misteriosos disparos de raios gama (algumas das emiss\u00f5es de radia\u00e7\u00e3o mais intensas j\u00e1&nbsp;vistas no Universo), confirmaram uma das predi\u00e7\u00f5es da teoria da relatividade geral (a de que as ondas gravitacionais viajam&nbsp;\u00e0&nbsp;velocidade da luz), ofereceram uma primeira vis\u00e3o de um novo tipo de explos\u00e3o estelar (chamado de quilonova), revelaram de onde vieram boa parte dos elementos qu\u00edmicos mais pesados que o ferro (inclusive a maior parte do ouro que existe na Terra, para citar um exemplo) e apresentaram um novo m\u00e9todo independente para medir o ritmo de expans\u00e3o do Universo (a chamada constante de Hubble).<\/p>\n\n\n\n<p>Para ler o artigo da detec\u00e7\u00e3o original, clique&nbsp;<a href=\"https:\/\/journals.aps.org\/prl\/abstract\/10.1103\/PhysRevLett.119.161101\">aqui<\/a>&nbsp;(s\u00f3&nbsp;para assinantes) ou&nbsp;<a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/1710.05832\">aqui<\/a>&nbsp;(acesso livre).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo depois de conquistarem o Pr\u00eamio Nobel em F\u00edsica de 2017, as ondas gravitacionais n\u00e3o param de trazer novidades. 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