{"id":31498,"date":"2026-05-07T12:54:32","date_gmt":"2026-05-07T15:54:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/?p=31498"},"modified":"2026-05-07T12:54:33","modified_gmt":"2026-05-07T15:54:33","slug":"ida-de-professores-brasileiros-ao-cern-inspira-novas-praticas-no-ensino-de-fisica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/ida-de-professores-brasileiros-ao-cern-inspira-novas-praticas-no-ensino-de-fisica\/","title":{"rendered":"Ida de professores brasileiros ao CERN inspira novas pr\u00e1ticas no ensino de f\u00edsica"},"content":{"rendered":"\n<p>Al\u00e9m de marcar um passo in\u00e9dito na conex\u00e3o entre o conhecimento cient\u00edfico avan\u00e7ado e a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica brasileira, a primeira edi\u00e7\u00e3o do Programa Brasileiro de Professores no CERN (Conselho Europeu de Pesquisa Nuclear, na sigla em franc\u00eas) impactou profundamente seus participantes, todos da rede p\u00fablica de ensino do pa\u00eds. Fruto de parceria entre a Sociedade Brasileira de F\u00edsica (SBF), o CNPq e a CAPES, a iniciativa selecionou 24 docentes, um de cada unidade da federa\u00e7\u00e3o, para uma viagem, realizada no fim de abril, a um dos mais prestigiados centros de pesquisa cient\u00edfica do mundo, localizado na regi\u00e3o de Genebra, na Su\u00ed\u00e7a, pr\u00f3ximo \u00e0 fronteira com a Fran\u00e7a. Com crit\u00e9rios que garantiram diversidade regional e equidade de g\u00eanero, incluindo a reserva m\u00ednima de 50% das vagas para mulheres, a experi\u00eancia \u00e9 descrita pelos professores que conheceram o CERN com termos como \u201cincr\u00edvel\u201d e \u201cinspiradora\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para conhecer um pouco das estrat\u00e9gias pedag\u00f3gicas que os participantes pretendem executar para levar conte\u00fados pertinentes \u00e0 sala de aula, conversamos com 6 professores selecionados. Eles foram un\u00e2nimes ao incluir o aprimoramento profissional e a gera\u00e7\u00e3o de efeitos pedag\u00f3gicos positivos nas salas de ensino m\u00e9dio em todo o pa\u00eds entre os grandes trunfos da iniciativa.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"602\" height=\"589\" src=\"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/local-origem-professores-BTP-CERN.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-31500\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foram ao CERN professores de todas as regi\u00f5es do pa\u00eds.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Para Mariane Rodrigues Cortes, professora do Instituto Federal de Rond\u00f4nia, Campus Guajar\u00e1-Mirim, que fica perto da divisa com a Bol\u00edvia, a viv\u00eancia no CERN ultrapassou qualquer expectativa. \u201cEstar no CERN, para o professor, para o pesquisador, \u00e9 como estar na Disney\u201d, afirmou. \u201cCada detalhe do espa\u00e7o \u00e9 pensado para a divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Desde os quadros na parede, lumin\u00e1rias, a forma que os pr\u00e9dios s\u00e3o organizados, as placas nas ruas, tudo \u00e9 pensado, voltado para divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.\u201d Segundo ela, a palavra que melhor define a experi\u00eancia \u00e9 \u201cimers\u00e3o\u201d. \u201cFicamos envoltos pela ci\u00eancia. Estamos todos inspirados a continuar fazendo divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e a impulsionar o trabalho em sala de aula.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre as formas de traduzir essa imers\u00e3o em pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas, Mariane destaca um projeto de extens\u00e3o. \u201cJ\u00e1 estou planejando ir \u00e0s escolas explicar o que eu fui fazer no CERN, dar palestras e fazer a\u00e7\u00f5es dentro do IFR, reproduzindo parte das atividades que eu aprendi l\u00e1\u201d, disse. Dentre essas atividades, ela destaca a reprodu\u00e7\u00e3o de experimentos simples, como circuitos el\u00e9tricos, capazes de aproximar conceitos abstratos da realidade dos estudantes.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"602\" height=\"487\" data-id=\"31501\" data-src=\"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Felipe-de-Lemos-Cabral.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-31501 lazyload\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 602px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 602\/487;\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Professor Felipe de Lemos Cabral, professor da rede p\u00fablica do Distrito Federal.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"602\" height=\"451\" data-id=\"31502\" data-src=\"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Joerbed-dos-Santos-Goncalves.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-31502 lazyload\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 602px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 602\/451;\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Professor Joerbed dos Santos Gon\u00e7alves, da rede p\u00fablica do Maranh\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"602\" height=\"803\" data-id=\"31503\" data-src=\"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Rafaela-Medeiros-de-Souza.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-31503 lazyload\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 602px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 602\/803;\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Professora Rafaela Medeiros de Souza, do Instituto Federal do Rio Grande do Norte, campus Jo\u00e3o C\u00e2mara.<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>Outra frente central ser\u00e1 a incorpora\u00e7\u00e3o de metodologias em sala de aula, especialmente o trabalho em grupo, inspirado nas din\u00e2micas vivenciadas no CERN. \u201cAo longo de toda a programa\u00e7\u00e3o, percebi o incentivo do trabalho em grupo, dividindo as fun\u00e7\u00f5es. Um ia ser o mediador, outro ia buscar os materiais, outro ia explicar o produto, outro ia apresentar o resultado\u201d, relatou. A proposta \u00e9 replicar esse modelo com os alunos, promovendo maior engajamento e autonomia. \u201cAcredito que esse m\u00e9todo vai ser muito aplic\u00e1vel na sala de aula\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>A percep\u00e7\u00e3o de que o ambiente do CERN articula ci\u00eancia de ponta com comunica\u00e7\u00e3o acess\u00edvel tamb\u00e9m aparece no relato de Tain\u00e3 Laise de Melo e Silva, professora da rede estadual de Pernambuco. \u201cParticipar do programa foi uma experi\u00eancia que ultrapassou qualquer expectativa, n\u00e3o apenas pelo conte\u00fado cient\u00edfico, mas pela forma como tudo foi vivido, compartilhado e sentido\u201d, afirmou. Ela destacou o contato direto com experimentos como CMS e ATLAS e o impacto de trabalhar com dados reais. \u201cN\u00e3o era mais apenas compreender conceitos, era fazer ci\u00eancia, ainda que em escala educacional. Isso muda completamente a forma como pensamos o ensino: torna tudo mais vivo, mais poss\u00edvel.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Essa aproxima\u00e7\u00e3o entre teoria e pr\u00e1tica \u00e9 um dos aspectos mais valorizados pelos docentes. Rafaela Medeiros de Souza, do Instituto Federal do Rio Grande do Norte, campus Jo\u00e3o C\u00e2mara, ressaltou o car\u00e1ter acess\u00edvel das atividades. \u201cFoi uma experi\u00eancia \u00fanica e transformadora, n\u00e3o apenas pela imers\u00e3o em um dos maiores laborat\u00f3rios do mundo, mas pela forma acess\u00edvel como a ci\u00eancia de ponta foi apresentada\u201d, disse. Para ela, as oficinas pr\u00e1ticas s\u00e3o especialmente relevantes por sua adaptabilidade ao contexto escolar. \u201cS\u00e3o atividades que podem ser facilmente levadas para a realidade do ensino m\u00e9dio e que tornam conceitos complexos mais acess\u00edveis e estimulantes.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, Rafaela pretende estruturar suas aulas a partir de metodologias que coloquem os estudantes no centro do processo de aprendizagem. Entre as a\u00e7\u00f5es previstas, ela destaca a oficina dos \u201ctubos misteriosos\u201d, descrita como uma atividade que \u201cestimula o trabalho em equipe e faz com que os alunos desenvolvam o pensamento cient\u00edfico ao formular hip\u00f3teses, testar ideias e interpretar padr\u00f5es\u201d. Outra proposta \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de um modelo did\u00e1tico que simule o funcionamento dos aceleradores de part\u00edculas, utilizando materiais sustent\u00e1veis e de baixo custo, envolvendo tamb\u00e9m estudantes da licenciatura como multiplicadores do conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>O professor Joerbed dos Santos Gon\u00e7alves, da rede p\u00fablica do Maranh\u00e3o, enfatizou o impacto conceitual e pedag\u00f3gico da experi\u00eancia. \u201cFoi poss\u00edvel perceber, de forma concreta, como o conhecimento cient\u00edfico \u00e9 produzido, validado e comunicado em escala internacional\u201d, afirmou. Segundo ele, esse contato \u201camplia significativamente o repert\u00f3rio do professor da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e o reposiciona o ensino de f\u00edsica como pr\u00e1tica que dialoga com problemas reais e contempor\u00e2neos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sequ\u00eancias did\u00e1ticas<\/h2>\n\n\n\n<p>No retorno \u00e0s atividades, Joerbed pretende promover palestras de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica em institui\u00e7\u00f5es de ensino da cidade de Pinheiro (MA), com o objetivo de despertar o interesse dos estudantes por temas da f\u00edsica contempor\u00e2nea e identificar alunos que possam atuar como monitores em atividades futuras. A proposta inclui ainda a realiza\u00e7\u00e3o de oficinas formativas voltadas a graduandos que atuam no ensino de Ci\u00eancias, ampliando o alcance das a\u00e7\u00f5es. Em sala de aula, o professor planeja aplicar sequ\u00eancias did\u00e1ticas inspiradas nas experi\u00eancias do CERN, com situa\u00e7\u00f5es-problema que abordem a modelagem do processo de acelera\u00e7\u00e3o de part\u00edculas e o papel dos detectores na produ\u00e7\u00e3o de evid\u00eancias experimentais.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, Felipe de Lemos Cabral, professor da rede p\u00fablica do Distrito Federal, destacou a import\u00e2ncia do contato com pesquisadores e colegas de diferentes origens. \u201cA viv\u00eancia internacional, a imers\u00e3o cultural e o contato com o pensamento cient\u00edfico de alto n\u00edvel foram uma parte muito importante dessa viagem\u201d, afirmou. Para ele, a experi\u00eancia refor\u00e7a a necessidade de ampliar o espa\u00e7o da f\u00edsica moderna no ensino m\u00e9dio. \u201cEspero contribuir para a difus\u00e3o da f\u00edsica de part\u00edculas, que ainda \u00e9 pouco debatida na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, apesar de sua import\u00e2ncia para a compreens\u00e3o do mundo contempor\u00e2neo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Felipe tamb\u00e9m pretende utilizar exemplos concretos do funcionamento do LHC e dos detectores ATLAS, CMS e LHCb para contextualizar conceitos da f\u00edsica cl\u00e1ssica trabalhados no ensino m\u00e9dio. Al\u00e9m disso, quer desenvolver atividades que estimulem o interesse dos estudantes pela ci\u00eancia. A expectativa \u00e9 que, ao aproximar esses conte\u00fados da realidade dos alunos, seja poss\u00edvel despertar maior engajamento e curiosidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 f\u00edsica.<\/p>\n\n\n\n<p>Dayane Benicio Moraes, professora da rede estadual do Amazonas, tamb\u00e9m ressaltou o car\u00e1ter transformador da forma\u00e7\u00e3o. \u201cParticipar da forma\u00e7\u00e3o no CERN foi um marco na minha carreira. Eu estava h\u00e1 cerca de nove anos sem realizar uma forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica em F\u00edsica desde a gradua\u00e7\u00e3o, e esse retorno ao contato direto com o que h\u00e1 de mais moderno na ci\u00eancia foi extremamente revigorante\u201d, afirmou. Segundo ela, a experi\u00eancia abriu novas possibilidades de atua\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica. \u201cEstar l\u00e1 me permitiu enxergar caminhos para aproximar esse universo da realidade dos meus alunos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as a\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas planejadas por Dayane, est\u00e1 a realiza\u00e7\u00e3o de atividades sobre campos eletromagn\u00e9ticos, radia\u00e7\u00e3o e campos el\u00e9tricos em situa\u00e7\u00f5es do dia a dia. Ela tamb\u00e9m quer empregar recursos como b\u00fassolas e limalha de ferro para ajudar os estudantes a visualizar linhas de campo, tornando conceitos abstratos mais concretos. Outra iniciativa \u00e9 o uso da impressora 3D para construir modelos de aceleradores de part\u00edculas, permitindo que os alunos compreendam, de forma mais tang\u00edvel, o funcionamento dessas estruturas e sua rela\u00e7\u00e3o com tecnologias presentes no cotidiano.<\/p>\n\n\n\n<p>Em comum, os relatos indicam que a primeira edi\u00e7\u00e3o do Programa Brasileiro de Professores no CERN ir\u00e1 reverberar em projetos, aulas, oficinas e iniciativas pedag\u00f3gicas que prometem aproximar a ci\u00eancia de ponta do cotidiano de muitos estudantes do ensino p\u00fablico nacional.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por Leandro Haberli<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Al\u00e9m de marcar um passo in\u00e9dito na conex\u00e3o entre o conhecimento cient\u00edfico avan\u00e7ado e a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica brasileira, a primeira edi\u00e7\u00e3o do Programa Brasileiro de Professores no CERN (Conselho Europeu de Pesquisa Nuclear, na sigla em franc\u00eas) impactou profundamente seus participantes, todos da rede p\u00fablica de ensino do pa\u00eds. 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