{"id":30473,"date":"2026-02-26T11:19:35","date_gmt":"2026-02-26T14:19:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/?p=30473"},"modified":"2026-02-26T16:32:58","modified_gmt":"2026-02-26T19:32:58","slug":"lista-da-forbes-coloca-em-evidencia-fisicas-brasileiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/lista-da-forbes-coloca-em-evidencia-fisicas-brasileiras\/","title":{"rendered":"Lista da Forbes coloca em evid\u00eancia f\u00edsicas brasileiras"},"content":{"rendered":"\n<p>No Dia Internacional das Meninas e Mulheres na Ci\u00eancia, celebrado em 11 de fevereiro, a revista Forbes divulgou a lista \u201c<a href=\"https:\/\/forbes.com.br\/forbes-mulher\/2026\/02\/quem-sao-as-cientistas-brasileiras-que-estao-moldando-o-futuro-da-ciencia\/\">10 Brasileiras que Transformam a Ci\u00eancia no Brasil e no Mundo<\/a>\u201d, reunindo pesquisadoras que v\u00eam ampliando as fronteiras do conhecimento e abrindo caminhos para novas gera\u00e7\u00f5es. Entre os nomes est\u00e3o a f\u00edsica Marcia Barbosa, reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e a f\u00edsica S\u00f4nia Guimar\u00e3es, primeira mulher negra doutora em f\u00edsica no Brasil e tamb\u00e9m a primeira a lecionar no Instituto Tecnol\u00f3gico de Aeron\u00e1utica (ITA). \u201cEu fico muito contente com esses pr\u00eamios, porque eles sinalizam a pot\u00eancia que \u00e9 a ci\u00eancia que a gente faz aqui no Brasil, e principalmente aqui na nossa UFRGS\u201d, explica Marcia Barbosa, em entrevista ao <strong>Boletim SBF<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da import\u00e2ncia de pr\u00eamios como esse, a desigualdade de g\u00eanero \u00e9 ainda muito forte no Brasil. Marcia contou que na UFRGS, uma das frentes recentes de a\u00e7\u00e3o, \u00e9 o enfrentamento ao ass\u00e9dio no ambiente acad\u00eamico. A universidade prepara a reaplica\u00e7\u00e3o de um question\u00e1rio institucional sobre o tema, j\u00e1 utilizado em 2019, que ser\u00e1 disponibilizado para outras institui\u00e7\u00f5es interessadas em aderir \u00e0 iniciativa. Segundo a reitora, a ideia \u00e9 ampliar o diagn\u00f3stico nacional e compreender melhor o impacto desse tipo de viol\u00eancia na perman\u00eancia de estudantes e profissionais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTodo mundo vai responder e n\u00f3s vamos descobrir se ass\u00e9dio \u00e9 um instrumento importante para as pessoas quererem ir embora da universidade\u201d, explica a cientista, que lembra que h\u00e1 geralmente homens machistas, seja professores ou alunos, que sugerem que as mulheres frequentam a universidade para casar, que n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o boas quanto os homens na profiss\u00e3o, al\u00e9m de ass\u00e9dio sexual.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora as mulheres j\u00e1 sejam maioria entre estudantes universit\u00e1rios, ela observa que a presen\u00e7a feminina diminui nos n\u00edveis mais altos da carreira cient\u00edfica. \u201cHoje, no Brasil, as mulheres j\u00e1 s\u00e3o mais da metade dos estudantes nas universidades. Mas quando eu vou subindo na carreira, esse n\u00famero decai.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dos avan\u00e7os, a f\u00edsica alerta para obst\u00e1culos persistentes na forma\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de meninas. Ela menciona resultados preliminares de um estudo educacional que mostram que, hoje, na escola do Ensino Fundamental e M\u00e9dio, o conservadorismo extremo de governantes impede a discuss\u00e3o sobre temas de extrema import\u00e2ncia. \u201cNingu\u00e9m fala de ass\u00e9dio, ningu\u00e9m fala de viol\u00eancia contra a mulher, virou um tabu por causa da ideologia de g\u00eanero. Ent\u00e3o, assim, isso \u00e9 um problema, um grande obst\u00e1culo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Para a pesquisadora, o cen\u00e1rio internacional tamb\u00e9m influencia o debate nacional, sob a press\u00e3o do governo de extrema-direita de Donald Trump nos Estados Unidos. \u201cIsso nos contamina aqui. Passa a ser considerada uma bobagem a gente falar sobre esse assunto. Ent\u00e3o \u00e9 um problema. E \u00e9 um problema bastante s\u00e9rio.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A consequ\u00eancia, segundo ela, aparece cedo: \u201ctem um estudo bem importante que mostra que j\u00e1 aos sete anos as crian\u00e7as identificam a intelig\u00eancia como um atributo masculino.\u201d Esse \u00e9, por exemplo, o tema do artigo cient\u00edfico \u201c<em><a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/science.aah6524\">Gender stereotypes about intellectual ability emerge early and influence children&#8217;s interests<\/a><\/em>\u201d, publicado em 2017 na revista Science, cuja primeira autora \u00e9 Lian Bian, do Departamento de Psicologia das universidades de Illinois e de Nova York.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o artigo cient\u00edfico, estere\u00f3tipos como brilhantismo, genialidade, entre outros, associados \u00e0 capacidade intelectual de alto n\u00edvel s\u00e3o atribu\u00eddos mais aos meninos do que \u00e0s meninas a partir dos seis anos. \u201cEsses estere\u00f3tipos desencorajam a busca das mulheres por muitas carreiras prestigiadas; isto \u00e9, as mulheres est\u00e3o sub-representadas em \u00e1reas cujos membros valorizam o brilhantismo (como f\u00edsica e filosofia). Aqui mostramos que esses estere\u00f3tipos s\u00e3o endossados por crian\u00e7as e influenciam seus interesses j\u00e1 aos 6 anos. Especificamente, meninas de 6 anos t\u00eam menos probabilidade do que meninos de acreditar que membros de seu pr\u00f3prio g\u00eanero s\u00e3o \u2018muito, muito inteligentes\u2019. Tamb\u00e9m aos 6 anos, as meninas come\u00e7am a evitar atividades descritas como destinadas a crian\u00e7as que s\u00e3o \u2018muito, muito inteligentes\u2019. Esses achados sugerem que no\u00e7\u00f5es de genialidade associadas ao g\u00eanero s\u00e3o adquiridas precocemente e t\u00eam um efeito imediato sobre os interesses das crian\u00e7as\u201d, informa o resumo do artigo.<\/p>\n\n\n\n<p>Barbosa defende que a resposta precisa come\u00e7ar na base educacional. \u201cA gente precisa, na escola, falar sobre ass\u00e9dio, sobre viol\u00eancia contra a mulher, e precisamos mostrar que as meninas podem ser consideradas inteligentes.\u201d A mudan\u00e7a dessa vis\u00e3o, avalia a cientista, depende tamb\u00e9m de uma profunda mudan\u00e7a dos valores atribu\u00eddos \u00e0s mulheres na sociedade em que vivemos, al\u00e9m de uma conscientiza\u00e7\u00e3o importante sobre o peso do voto nas elei\u00e7\u00f5es, pois s\u00e3o prefeitos, governadores, vereadores, deputados e senadores os mais respons\u00e1veis pela cria\u00e7\u00e3o de leis na \u00e1rea de educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a sociedade n\u00e3o pode permanecer passiva. Por isso, a iniciativa da UFRGS de realizar um novo question\u00e1rio institucional surge como uma ferramenta estrat\u00e9gica de press\u00e3o e reflex\u00e3o. \u201cTodo mundo vai responder e n\u00f3s vamos descobrir se ass\u00e9dio \u00e9 um instrumento importante para as pessoas quererem ir embora da universidade\u201d, explicou a reitora. A proposta \u00e9 que professores, estudantes e servidores participem da pesquisa, permitindo um retrato mais amplo do ambiente acad\u00eamico.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao figurar na lista da Forbes, Marcia Barbosa se soma a outras cientistas brasileiras que v\u00eam ganhando proje\u00e7\u00e3o internacional, enquanto nomes como S\u00f4nia Guimar\u00e3es seguem abrindo caminhos hist\u00f3ricos dentro e fora das salas de aula. Em comum, as trajet\u00f3rias refor\u00e7am que ampliar a presen\u00e7a feminina na ci\u00eancia passa n\u00e3o apenas pelo incentivo \u00e0s voca\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m pela transforma\u00e7\u00e3o estrutural das institui\u00e7\u00f5es onde o conhecimento \u00e9 produzido.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>(Colaborou Roger Marzochi)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Dia Internacional das Meninas e Mulheres na Ci\u00eancia, celebrado em 11 de fevereiro, a revista Forbes divulgou a lista \u201c10 Brasileiras que Transformam a Ci\u00eancia no Brasil e no Mundo\u201d, reunindo pesquisadoras que v\u00eam ampliando as fronteiras do conhecimento e abrindo caminhos para novas gera\u00e7\u00f5es. 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