{"id":30307,"date":"2026-02-12T17:19:52","date_gmt":"2026-02-12T20:19:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/?p=30307"},"modified":"2026-02-24T15:41:03","modified_gmt":"2026-02-24T18:41:03","slug":"projeto-levou-ciencia-as-meninas-imigrantes-quilombolas-aldeias-indigenas-a-penitenciarias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/projeto-levou-ciencia-as-meninas-imigrantes-quilombolas-aldeias-indigenas-a-penitenciarias\/","title":{"rendered":"Projeto levou ci\u00eancia \u00e0s meninas imigrantes, Quilombolas, aldeias ind\u00edgenas a penitenci\u00e1rias"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"437\" height=\"800\" src=\"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Frederico-S-M-deCarvalho-Dall-e-3-Selo.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-30303\" style=\"aspect-ratio:0.5462873004857738;width:131px;height:auto\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>H\u00e1 quem goste excessivamente de n\u00fameros. N\u00e3o deixa de ser importante acompanhar as curvas que os dados podem mostrar e suas tend\u00eancias, especialmente quando se fala sobre a participa\u00e7\u00e3o da mulher na ci\u00eancia. No entanto, durante muito tempo, o que mais se v\u00ea na m\u00eddia s\u00e3o dados mostrando o que parece \u00f3bvio dentro de uma sociedade ainda fortemente influenciada pelo machismo e pela vis\u00e3o da mulher como cuidadora da casa, dos filhos e at\u00e9 dos pais. Perdoe Pit\u00e1goras, que quando decidiu parar de comer carne e usar a matem\u00e1tica para criar at\u00e9 uma seita fortemente ligada \u00e0 m\u00fasica, talvez n\u00e3o tenha entendido que, apesar de a f\u00edsica determinar as escalas musicais e o chamado temperamento dos instrumentos musicais, a \u00fanica raz\u00e3o da m\u00fasica existir \u00e9 a de expressar sentimento e emo\u00e7\u00e3o por meio do som.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por isso que nessa mat\u00e9ria especial da Sociedade Brasileira de F\u00edsica (SBF) para o Dia Meninas e das Mulheres na Ci\u00eancia de 2026, comemorado em 11 de fevereiro, esta reportagem abordar\u00e1 emo\u00e7\u00f5es e sentimentos que se transformaram em uma a\u00e7\u00e3o, visandoreverter dados que parecem muralhas intranspon\u00edveis numa sociedade que precisa de pol\u00edticas p\u00fablicas para reduzir as dist\u00e2ncias entre homens e mulheres. E esse exemplo tamb\u00e9m vem da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR) Setor Palotina, com o projeto Rocket Girls- Meninas na Ci\u00eancia, que teve in\u00edcio em 2018, com a professora Paola Ponciano e Mara Parisoto.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"698\" height=\"694\" data-src=\"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Rocket-Girls.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-30309 lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 698px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 698\/694;width:372px;height:auto\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Projeto Rocket Girls- Meninas na Ci\u00eancia, que teve in\u00edcio em 2018, com a professora Paola Ponciano e Mara Parisoto.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>A professora Mara Fernanda Parisoto, da UFPR Setor Palotina, lembra que \u201cem 2018 a professora Alda Fontoura Rossetto, hoje no Col\u00e9gio Estadual Santo Agostinho, j\u00e1 come\u00e7ou como uma das bolsistas para atrair mais meninas para as \u00e1reas das exatas, por exemplo\u201d. A motiva\u00e7\u00e3o para o projeto nasce de uma constata\u00e7\u00e3o persistente. \u201cA minha \u00e1rea, que \u00e9 a f\u00edsica, tem poucas mulheres. A ci\u00eancia precisa de mais mulheres para conseguir resolver os problemas, e precisamos de mais f\u00edsicos tamb\u00e9m, porque h\u00e1 uma aus\u00eancia de professores e de pesquisadores na \u00e1rea\u201d, explica Mara.<\/p>\n\n\n\n<p>A origem do projeto remonta a experi\u00eancias pr\u00e1ticas que revelaram desigualdades j\u00e1 presentes nas primeiras etapas de forma\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. \u201cQuando criamos esse projeto, ele contou com financiamento do CNPq, porque n\u00f3s t\u00ednhamos aqui uma equipe de minifoguetes, denominada de Palorocket, que era s\u00f3 da universidade, voltado para a constru\u00e7\u00e3o e competi\u00e7\u00e3o usando minifoguetes. Fomos para o Festival Brasileiro de Foguetes e recebemos algumas premia\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o voltamos para Palotina e come\u00e7amos a formar nas escolas, alunos e professores. E percebemos que a maioria das meninas ficavam muito na parte est\u00e9tica, deixavam bonito o foguete, colocavam glitter e os meninos realmente constru\u00edam os foguetes e lan\u00e7avam. Ent\u00e3o, constatamos que isso era um problema. O que poder\u00edamos fazer? Porque gostar\u00edamos que as meninas tamb\u00e9m constru\u00edssem e os meninos tamb\u00e9m ficassem com a est\u00e9tica, n\u00e3o \u00e9 verdade?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Desde ent\u00e3o, o projeto n\u00e3o apenas continuou como ampliou sua atua\u00e7\u00e3o e seu alcance institucional. \u201cTivemos financiamento da Inglaterra, do British Consul, e em conjunto com o professor Bruno Garcia Bonfim, professor do IFPR conseguimos adquirir o Planet\u00e1rio, que nos seus tr\u00eas anos de funcionamento, j\u00e1 atendeu mais de 30 mil pessoas, em 24 munic\u00edpios do Paran\u00e1, divulgando as cientistas brasileiras, onde se faz ci\u00eancias e divulgando as universidades p\u00fablicas e seus cursos. Conseguimos mais de 4 milh\u00f5es de reais em financiamento, da CAPES, CNPQ, ITAIPU, CETENE, British Consul, SBPC e recursos da UFPR, em bens de consumo, permanente e bolsas. Em 2025 conseguimos o financiamento do CNPQ por mais tr\u00eas anos.&nbsp; Desde 2018, in\u00edcio do projeto, atendemos mais de 400 mil pessoas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A forma\u00e7\u00e3o cient\u00edfica oferecida pelo projeto tamb\u00e9m inclui experi\u00eancias pedag\u00f3gicas que integram saberes tradicionais e conhecimentos acad\u00eamicos. Uma das oficinas realizadas trouxe elementos da cultura ind\u00edgena para o ensino de matem\u00e1tica e f\u00edsica, por meio do ensino de relatividade geral e trigonometria, por meio do filtro dos sonhos. Al\u00e9m da forma\u00e7\u00e3o inicial, o projeto promove o protagonismo das pr\u00f3prias estudantes, que passam a atuar como multiplicadoras do conhecimento cient\u00edfico em suas comunidades, por meio de Clubes de Ci\u00eancias. Essa iniciativa tamb\u00e9m atua no combate a equ\u00edvocos persistentes sobre o ensino superior no Brasil. Como destaca a professora, \u201cmuitos acham que a Universidade P\u00fablica \u00e9 paga e n\u00e3o vi\u00e1vel a pessoas de baixa renda\u201d, e por isso o projeto atua diretamente na divulga\u00e7\u00e3o das universidades e das possibilidades de acesso.<\/p>\n\n\n\n<p>A dimens\u00e3o simb\u00f3lica da representatividade \u00e9 outro eixo central da iniciativa. Nesse sentido, o projeto tamb\u00e9m atua diretamente na valoriza\u00e7\u00e3o de cientistas brasileiras, muitas vezes invisibilizadas na mem\u00f3ria coletiva. \u201cEnt\u00e3o, o projeto tamb\u00e9m promove a divulga\u00e7\u00e3o de onde se faz ci\u00eancia, das universidades p\u00fablicas e das mulheres brasileiras cientistas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa estrat\u00e9gia tem um objetivo claro: criar refer\u00eancias que inspirem novas gera\u00e7\u00f5es. \u201cPor isso queremos que elas participem de competi\u00e7\u00f5es e que a gente divulgue bastante para que outras meninas consigam se inspirar&#8230; \u2018ah, tem meninas ind\u00edgenas conseguindo pr\u00eamios, olha que legal\u2019&#8230; Ent\u00e3o, n\u00f3s que estamos l\u00e1 na aldeia tamb\u00e9m podemos conseguir alcan\u00e7ar isso. A representatividade \u00e9 muito importante.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O compromisso do projeto com a inclus\u00e3o social se estende a diferentes contextos e comunidades. Ao longo de sua trajet\u00f3ria, a iniciativa atuou junto a escolas ind\u00edgenas, comunidades quilombolas e at\u00e9 mesmo em uma unidade prisional feminina at\u00e9 o ano passado. Como relata a professora, \u201cinfelizmente, a gente n\u00e3o conseguiu mais continuar por fatores burocr\u00e1ticos dentro da institui\u00e7\u00e3o, mas ent\u00e3o a gente tem bastante essa preocupa\u00e7\u00e3o e vamos continuar tentando abarcar esse p\u00fablico. E tem um clube de ci\u00eancias de uma das escolas que tamb\u00e9m est\u00e1 trabalhando com imigrantes\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que alterar estat\u00edsticas, o projeto Meninas na Ci\u00eancia busca transformar trajet\u00f3rias. Ao criar espa\u00e7os de forma\u00e7\u00e3o, inspira\u00e7\u00e3o e pertencimento, ele mostra que a ci\u00eancia n\u00e3o \u00e9 apenas um conjunto de n\u00fameros ou equa\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m uma experi\u00eancia humana, social e coletiva. Ao ampliar a presen\u00e7a feminina nas ci\u00eancias exatas, o projeto contribui n\u00e3o apenas para reduzir desigualdades hist\u00f3ricas, mas tamb\u00e9m para enriquecer a pr\u00f3pria ci\u00eancia com novas perspectivas, vozes e possibilidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Como perspectivas futuras a professora Mara menciona que \u201cum dos meus sonhos \u00e9 que esse projeto seja permanente, que vire lei, e que as crian\u00e7as possam ter contato cada vez mais cedo com as ci\u00eancias, em v\u00e1rios espa\u00e7os, como nas casas de cultura, assist\u00eancia social, contraturno escolar, por meio de clubes de ci\u00eancias e contratando de modo permanente, professoras para atuarem nesses espa\u00e7os, levando a ci\u00eancia de modo interessante a comunidade e aumentando a empregabilidade dos licenciados, valorizando mais a ci\u00eancia e a licenciatura. Al\u00e9m disso, internacionalizar o projeto\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>(Colaborou Roger Marzochi)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Especial Meninas e Mulheres na Ci\u00eancia 2026<\/h2>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text is-stacked-on-mobile\" style=\"grid-template-columns:30% auto\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"566\" data-src=\"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Mulheres-Ciencia-Debora-1024x566.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-30304 size-full lazyload\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 1024px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 1024\/566;\" \/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><a href=\"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/mulheres-na-ciencia-o-projeto-que-nasceu-para-romper-o-silencio-e-inspirar-mulheres-e-meninas\/\" title=\"\">Mulheres na Ci\u00eancia: o projeto que nasceu para romper o sil\u00eancio e inspirar mulheres e meninas<\/a><\/h3>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text is-stacked-on-mobile\" style=\"grid-template-columns:30% auto\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"469\" data-src=\"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Mara-Fernanda-Parisoto-Professora-de-FisicaEnsino-de-Fisica-da-Universidade-Federal-do-Parana-de-Palotina.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-30308 size-full lazyload\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 640px; 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