{"id":29891,"date":"2025-12-19T14:57:53","date_gmt":"2025-12-19T17:57:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/?p=29891"},"modified":"2025-12-19T14:57:53","modified_gmt":"2025-12-19T17:57:53","slug":"lancamento-de-foguete-em-alcantara-envolve-comunidade-e-amplia-o-espaco-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/lancamento-de-foguete-em-alcantara-envolve-comunidade-e-amplia-o-espaco-do-brasil\/","title":{"rendered":"Lan\u00e7amento de foguete em Alc\u00e2ntara envolve comunidade e amplia o espa\u00e7o do Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p>Em Alc\u00e2ntara, cidade h\u00e1 91 quil\u00f4metros da capital S\u00e3o Lu\u00eds, no Maranh\u00e3o, a previs\u00e3o do primeiro lan\u00e7amento comercial de um foguete em solo brasileiro, que carregar\u00e1 nanossat\u00e9lites de universidades e startups, est\u00e1 criando um frenesi entre alguns professores da Universidade Federal do Maranh\u00e3o (UFMA) e, at\u00e9 mesmo, com alunos da cidade, seja no sentido de enviar mensagens ao espa\u00e7o ou, at\u00e9 mesmo, captar informa\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas. N\u00e3o chega a recordar o boom visto em 1986 com a venda de telesc\u00f3pios rudimentares ap\u00f3s a ampla divulga\u00e7\u00e3o da passagem do cometa Halley, mas d\u00e1 um sabor de que o lan\u00e7amento, previsto para uma janela entre os dias 19 a 22 de dezembro, j\u00e1 ser um sucesso.<\/p>\n\n\n\n<p>O governo brasileiro, em parceria com a For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira (FAB) j\u00e1 est\u00e3o preparando a estrutura da Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil (ALADA), que far\u00e1 do Pa\u00eds base de lan\u00e7amento de sat\u00e9lites no Centro de Lan\u00e7amento de Alc\u00e2ncatara (CLA) e no Centro de Lan\u00e7amento da Barreira do Inferno (CLBI), no Rio Grande do Norte.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa iniciativa \u00e9 reflexo da um edital de chamamento p\u00fablico lan\u00e7ado pela AEB em 2020, voltado a empresas interessadas em realizar lan\u00e7amentos a partir do CLA, no qual venceu a sul-coreana Innospace, que assinou contrato com o Comando da Aeron\u00e1utica (Comaer) em 2022. A opera\u00e7\u00e3o que ser\u00e1 realizada agora, em dezembro, foi batizada de Spaceward 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO processo simboliza a consolida\u00e7\u00e3o do modelo de parcerias p\u00fablico-privadas no setor espacial brasileiro e o fortalecimento do uso comercial do Centro de Lan\u00e7amento de Alc\u00e2ntara\u201d, afirma a AEB. A retomada do lan\u00e7amento em Alc\u00e2ntara ocorre mais de 20 anos ap\u00f3s o tr\u00e1gico acidente que vitimou diversos cientistas.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/UFMA-7-768x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-29893\" style=\"width:303px;height:auto\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Um foguete HANBIT-Nano, de dois est\u00e1gios, com 21,9 metros de comprimento, 1,4 metro de di\u00e2metro e massa total de quase 20 toneladas, levar\u00e1 ao espa\u00e7o cinco pequenos sat\u00e9lites e tr\u00eas experimentos tecnol\u00f3gicos desenvolvidos por empresas e institui\u00e7\u00f5es do Brasil, da Coreia do Sul e da \u00cdndia. De acordo com a AEB, os sat\u00e9lites ser\u00e3o utilizados para a coleta de dados clim\u00e1ticos e ambientais, para o desenvolvimento tecnol\u00f3gico e para iniciativas educacionais. Os experimentos ser\u00e3o submetidos a testes e coleta de dados em ambiente espacial.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 neste ponto que entram as universidades. A UFMA levar\u00e1 ao espa\u00e7o os nanossat\u00e9lites Jussara K e Pion BR2 &#8211; Cientistas de Alc\u00e2ntara. Esta feita em parceria com Pion Labs; aquela, realizada no Laborat\u00f3rio de Eletr\u00f4nica e Sistemas Embarcados Espaciais (LABESEE) da UFMA. J\u00e1 a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) ver\u00e1 nos c\u00e9us o FloripaSat-2A e FloripaSat-2B, que ser\u00e3o colocados em \u00f3rbita pela miss\u00e3o Spaceward 2025. Ser\u00e1 a primeira vez que uma plataforma completa, projetada inteiramente pelo SpaceLab\/UFSC, ser\u00e1 testada em \u00f3rbita.<\/p>\n\n\n\n<p>A miss\u00e3o tem como objetivo principal a valida\u00e7\u00e3o em \u00f3rbita (IOV \u2013 In-Orbit Validation) de tecnologias desenvolvidas integralmente no pr\u00f3prio laborat\u00f3rio, consolidando a plataforma FloripaSat-2 como base para futuras miss\u00f5es cient\u00edficas e acad\u00eamicas. \u201cEsses sat\u00e9lites representam o amadurecimento de uma linha de pesquisa que vem sendo constru\u00edda h\u00e1 anos, unindo ci\u00eancia, tecnologia e forma\u00e7\u00e3o de pessoas\u201d, diz o professor Eduardo Bezerra, coordenador do SpaceLab, em divulga\u00e7\u00e3o do portal da UFSC.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 participa\u00e7\u00e3o de estudantes, de grandes cientistas e de ag\u00eancias governamentais em todos esses projetos. O saboroso da hist\u00f3ria \u00e9 que em Alc\u00e2ntara h\u00e1 pelo menos um professor e algumas crian\u00e7as se preparando para projetar antenas que, ao menos, consiga registrar a passagem dos nanossat\u00e9lites pela regi\u00e3o, conta o professor do curso de Engenharia Aeroespacial da UFMA, Carlos Brito, em entrevista ao <strong><a href=\"https:\/\/sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/boletim\/boletim-eletronico\/\" title=\"\">Boletim SBF<\/a><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00f3s temos um professor aqui da \u00e1rea de telemetria que tem uma antena dele, na casa dele instalada. E tamb\u00e9m ele pode fazer essas leituras at\u00e9 se passar um sat\u00e9lite. E tamb\u00e9m tem alguns alunos que v\u00e3o tentar fazer, digamos assim, entre aspas, algum tipo de leitura algum tipo de coleta com antenas improvisadas\u201d, explica o professor. Isso n\u00e3o quer dizer que pessoas n\u00e3o autorizadas tenham acesso aos dados coletados, mas sim que seria poss\u00edvel usar antenas simples para registrar a passagem de alguns nanossat\u00e9lites pela \u00e1rea, que \u00e9 um grande chamariz para a divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica entre a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o professor, o Jussara-K \u00e9 um CubeSat desenvolvido no LABESEE da UFMA e re\u00fane diversas tecnologias nacionais. Entre elas est\u00e3o as antenas produzidas em parceria com o Laborat\u00f3rio LISE, da Universidade Federal de S\u00e3o Jo\u00e3o Del-Rei (MG), e o sistema de energia, incluindo os pain\u00e9is solares, fabricados no pr\u00f3prio laborat\u00f3rio da UFMA. Sua miss\u00e3o \u00e9 coletar dados ambientais de plataformas terrestres equipadas com sensores em \u00e1reas de lagoas, florestas e regi\u00f5es de cultivo. O sat\u00e9lite ser\u00e1 capaz de captar informa\u00e7\u00f5es como temperatura, umidade e n\u00edveis de mon\u00f3xido de carbono, que s\u00e3o \u00fateis para identificar focos de queimadas.<\/p>\n\n\n\n<p>O Pion BR2 &#8211; Cientistas de Alc\u00e2ntara \u00e9 fruto de uma parceria entre a UFMA, por meio do DARTi Lab e do BAITES, &nbsp;a AEB, a Funda\u00e7\u00e3o Sous\u00e2ndrade, o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a startup brasileira PION, especializada em nanossat\u00e9lites. O sat\u00e9lite nasceu do projeto \u201cCientistas de Alc\u00e2ntara\u201d, que tem como &nbsp;objetivo&nbsp; aproximar as comunidades da cidade de Alc\u00e2ntara das tecnologias espaciais, com foco no protagonismo das crian\u00e7as quilombolas, segundo informa o site da UFMA. O sat\u00e9lite levar\u00e1 ao espa\u00e7o mensagens produzidas por cerca de 300 crian\u00e7as participantes do projeto. Ap\u00f3s o lan\u00e7amento, o PION-BR2 &#8211; Cientistas de Alc\u00e2ntara enviar\u00e1 sinais que poder\u00e3o ser captados por esta\u00e7\u00f5es de telemetria em diversas partes do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a UFMA pretende unificar as atua\u00e7\u00f5es do Jussara K com as do nanossat\u00e9lite Aldebaran, criado para colaborar na busca por pequenas embarca\u00e7\u00f5es que possam se perder no mar. Como a regi\u00e3o costeira do Maranh\u00e3o t\u00eam muitos pescadores, a ideia \u00e9 ter uma constela\u00e7\u00e3o de sat\u00e9lites para monitorar as suas embarca\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O Jussara K poder\u00e1 n\u00e3o apenas colaborar com a agricultura de subsist\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o amaz\u00f4nica, fazendo at\u00e9 a an\u00e1lise da riqueza do solo, mas tamb\u00e9m, em mar, unir esfor\u00e7os na busca por embarca\u00e7\u00f5es desaparecidas com o Aldebaran. Os dados cr\u00edticos das miss\u00f5es ser\u00e3o transmitidos a uma esta\u00e7\u00e3o montada na pr\u00f3pria UFMA. \u201cOs dois nanossat\u00e9lites j\u00e1 podem come\u00e7ar a trabalhar como se fossem uma constela\u00e7\u00e3o.\u201d Assim, crescem as chances do Brasil impulsionar o seu desenvolvimento a partir da conquista do espa\u00e7o, uma luta travada h\u00e1 anos com amplos esfor\u00e7os da AEB e, especialmente, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>(Colaborou Roger Marzochi)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em Alc\u00e2ntara, cidade h\u00e1 91 quil\u00f4metros da capital S\u00e3o Lu\u00eds, no Maranh\u00e3o, a previs\u00e3o do primeiro lan\u00e7amento comercial de um foguete em solo brasileiro, que carregar\u00e1 nanossat\u00e9lites de universidades e startups, est\u00e1 criando um frenesi entre alguns professores da Universidade Federal do Maranh\u00e3o (UFMA) e, at\u00e9 mesmo, com alunos da cidade, seja no sentido de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":12,"featured_media":29892,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[669],"tags":[1637,1642,1641,1640,1639,1643,1638,1188],"class_list":["post-29891","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo-da-fisica","tag-alcantara","tag-centro-de-lancamento-da-barreira-do-inferno","tag-centro-de-lancamento-de-alcancatara","tag-empresa-de-projetos-aeroespaciais-do-brasil","tag-foguete","tag-hanbit-nano","tag-satelites","tag-ufma"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29891","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/users\/12"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29891"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29891\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":29894,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29891\/revisions\/29894"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/media\/29892"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29891"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29891"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29891"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}