{"id":29335,"date":"2025-10-23T15:32:35","date_gmt":"2025-10-23T18:32:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/?p=29335"},"modified":"2025-10-23T17:38:51","modified_gmt":"2025-10-23T20:38:51","slug":"os-desafios-do-frio-da-primavera-e-de-mais-doutores-empregados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/os-desafios-do-frio-da-primavera-e-de-mais-doutores-empregados\/","title":{"rendered":"Os desafios do frio da Primavera e de mais doutores empregados"},"content":{"rendered":"\n<p>Soprava um vento frio que entrava ao som do farfalhar das folhas das \u00e1rvores pela janela de uma sala no terceiro andar do pr\u00e9dio Tokamak, no Instituto de F\u00edsica da Universidade de S\u00e3o Paulo (IFUSP). Mesmo ap\u00f3s o in\u00edcio da Primavera, n\u00e3o se registravam temperaturas t\u00e3o baixas em S\u00e3o Paulo em uma manh\u00e3 como aquela desde 2014. \u00c9 nessa sala espartana, com computador, estante repleta de livros, uma garrafa de conhaque com um copinho transparente \u00e0 frente e uma foto de uma viagem inesquec\u00edvel ao Pantanal, feita h\u00e1 22 anos em um jipe de 1976, na companhia do filho e de um amigo, que o f\u00edsico Ricardo Galv\u00e3o buscava sil\u00eancio para se concentrar.<\/p>\n\n\n\n<p>Presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), Galv\u00e3o buscava evitar rep\u00f3rteres, ansiosos para saber se ele ocupar\u00e1 a vaga de Guilherme Boulos (PSOL) na C\u00e2mara Federal ap\u00f3s a nomea\u00e7\u00e3o do deputado para a Secretaria-Geral da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, no dia 20 de outubro. Galv\u00e3o \u00e9 suplente de Boulos pela Rede Sustentabilidade, pois entrou na pol\u00edtica ap\u00f3s enfrentar a f\u00faria da extrema-direita no governo anterior, quando era presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos. A reportagem do <strong><a href=\"https:\/\/sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/boletim\/boletim-eletronico\/\" title=\"\">Boletim SBF<\/a><\/strong> precisou acreditar na miss\u00e3o, uma vez que a entrevista, que havia sido combinada na semana anterior, corria o risco de n\u00e3o acontecer frente aos movimentos pol\u00edticos. Galv\u00e3o n\u00e3o respondia e-mail nem whatsapp.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEssa quest\u00e3o da vaga na C\u00e2mara vem sendo comentada desde mar\u00e7o, quando o deputado Boulos foi convidado pelo presidente para assumir o minist\u00e9rio\u201d, explica Galv\u00e3o. \u201cMas ainda h\u00e1 quest\u00f5es sendo definidas. N\u00e3o s\u00f3 partid\u00e1rias<s>:<\/s> n\u00f3s somos parte de uma federa\u00e7\u00e3o, a Rede Sustentabilidade com o PSOL. E h\u00e1 algumas indica\u00e7\u00f5es, embora eu n\u00e3o tenha sido contatado oficialmente, de que haveria possibilidade de a ministra S\u00f4nia Guajajara, ap\u00f3s a COP-30, sair do minist\u00e9rio e voltar para a C\u00e2mara. Se isso acontecer, ela ocuparia a vaga, ent\u00e3o naturalmente eu n\u00e3o assumiria. Caso isso n\u00e3o aconte\u00e7a, a\u00ed dependendo ainda de uma conversa com a ministra Marina Silva, eu assumiria\u201d, explicou Galv\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a edi\u00e7\u00e3o desta reportagem ontem, a SBF recebeu hoje (23\/10) a confirma\u00e7\u00e3o de que ele ocupar\u00e1 a vaga de Boulos na C\u00e2mara. \u201cA Sociedade Brasileira de F\u00edsica gostaria de, em nome da comunidade cient\u00edfica, agradecer o professor Ricardo Galv\u00e3o pela sua dedica\u00e7\u00e3o durante o per\u00edodo em que foi presidente do CNPq, movendo o Pa\u00eds em defesa da ci\u00eancia. A SBF deseja que, uma vez na C\u00e2mara dos Deputados, o professor Galv\u00e3o continue esse trabalho de excel\u00eancia\u201d, afirma Sylvio Canuto, presidente da Sociedade Brasileira de F\u00edsica (SBF).<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 chegar a Galv\u00e3o, \u00e9 preciso passar por uma porta de vidro do antigo pr\u00e9dio no qual h\u00e1 um aviso em destaque: proibido fumar. Mais do que um alerta de sa\u00fade p\u00fablica, \u00e9 um lembrete da exist\u00eancia de um raro equipamento em estudo naquele local &#8211; o Tokamak. Essa m\u00e1quina \u00e9 capaz de produzir em seu interior as mesmas rea\u00e7\u00f5es que ocorrem no Sol, sendo uma promessa de energia limpa no futuro.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Fogo amigo<\/h2>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da dan\u00e7a das cadeiras no mundo da pol\u00edtica, Galv\u00e3o tamb\u00e9m foi alvo de cr\u00edtica e fogo amigo. O motivo \u00e9 que a Chamada CNPq n\u00ba 49\/2024 \u2013 Bolsas recebeu 8.573 candidaturas, um aumento de 17% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 edi\u00e7\u00e3o anterior, mas selecionou apenas 907 pesquisadores. F\u00edsicos de renome, como o f\u00edsico Paulo Artaxo, membro do Conselho da Sociedade Brasileira de F\u00edsica (SBF), fizeram cr\u00edticas p\u00fablicas ao governo. De acordo com a planilha do <a href=\"http:\/\/memoria2.cnpq.br\/web\/guest\/chamadas-publicas?p_p_id=resultadosportlet_WAR_resultadoscnpqportlet_INSTANCE_0ZaM&amp;filtro=abertas&amp;detalha=chamadaDivulgada&amp;idDivulgacao=12825\">Resultado Preliminar<\/a> da Chamada 49\/2024 \u2013 CNPq \u2013 Bolsas no Pa\u00eds, das 907 bolsas classificadas como \u201cfavor\u00e1veis\u201d, apenas 30 pertencem \u00e0 \u00e1rea do conhecimento \u201cF\u00edsica\u201d, o que representa 3,31% das bolsas aprovadas. O valor total aprovado para as bolsas de F\u00edsica soma R$ 2.186.370,80, o que representa cerca de 1,76% dos R$ 125 milh\u00f5es de investimento total.<\/p>\n\n\n\n<p>As bolsas aprovadas em F\u00edsica est\u00e3o distribu\u00eddas por 14 unidades da Federa\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro lideram com seis bolsas cada, seguidos por Rio Grande do Sul (5), Paran\u00e1 (4), Minas Gerais e Cear\u00e1 (3 cada), Santa Catarina e Para\u00edba (2 cada). Maranh\u00e3o, Goi\u00e1s, Esp\u00edrito Santo, Mato Grosso do Sul, Sergipe e Pernambuco aparecem com uma aprova\u00e7\u00e3o cada. Os projetos aprovados est\u00e3o vinculados a institui\u00e7\u00f5es como Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (UNIFESP), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade Federal do Cear\u00e1 (UFC), Universidade Estadual de Maring\u00e1 (UEM), Universidade Federal do Vale do S\u00e3o Francisco (UNIVASF), Universidade Federal de Sergipe (UFS) e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), entre outras.<\/p>\n\n\n\n<p>Um total de 58 propostas de bolsas na \u00e1rea de F\u00edsica foram classificadas como \u201cDESFAVOR\u00c1VEL\u201d (n\u00e3o aprovadas) nessa chamada. Essas propostas foram distribu\u00eddas por diversos Estados, com a seguinte divis\u00e3o: S\u00e3o Paulo (SP) registrou 15 propostas, Rio de Janeiro (RJ) 13, Paran\u00e1 (PR) 7, Minas Gerais (MG) 6, Rio Grande do Sul (RS) 5, Rio Grande do Norte (RN) 4, Cear\u00e1 (CE) 3, Para\u00edba (PB) 3, Par\u00e1 (PA) 2, Esp\u00edrito Santo (ES) 2, Piau\u00ed (PI) 2, Pernambuco (PE) 1 e o Distrito Federal (DF) 1. As institui\u00e7\u00f5es envolvidas nessas propostas n\u00e3o aprovadas incluem universidades de destaque, como a Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR), entre outras.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Rio de L\u00e1grimas<\/h2>\n\n\n\n<p>\u201cDuvido algu\u00e9m que n\u00e3o chore pela dor de uma saudade\u201d, cantam Ti\u00e3o Carreiro e Pardinho em \u201cRio de L\u00e1grimas\u201d. O presidente do CNPq talvez tenha saudade de quando era apenas cientista, frente aos desafios de gerenciamento do CNPq hoje e, agora, em sua cadeira no Congresso Nacional. Galv\u00e3o explica que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a F\u00edsica que est\u00e1 sofrendo com o n\u00famero reduzido de bolsas. Segundo ele, o n\u00famero de bolsas de p\u00f3s-doutorado \u201ctem sido muito pequeno\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cIsso n\u00e3o vem dessa nossa gest\u00e3o, j\u00e1 anteriormente vem ocorrendo. E ocorre no CNPq e tamb\u00e9m na CAPES, uma quantidade de bolsas de p\u00f3s-doutorado bastante pequena. No caso do CNPq, essas bolsas tamb\u00e9m concorrem com as bolsas de produtividade de pesquisa, que s\u00e3o para pesquisadores j\u00e1 formados. \u00c9 claro que essas quest\u00f5es sempre v\u00eam de limita\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias. O or\u00e7amento n\u00e3o \u00e9 infinito, sempreh\u00e1 limita\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias\u201d, explica o presidente do CNPq.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, esse pouco \u00e9 o muito que o governo atual tem conseguido fazer. Segundo ele, s\u00f3 no ano passado o governo investiu mais de R$ 400 milh\u00f5es em bolsas. \u201cEnt\u00e3o os recursos n\u00e3o s\u00e3o poucos, \u00e9 um recurso alt\u00edssimo. Na bolsa de p\u00f3s-doutorado, por outro lado, precisa tomar um pouquinho de cuidado, porque essa chamada \u00e9 s\u00f3 parte das bolsas de p\u00f3s-doutorado que n\u00f3s concedemos\u201d, explica. Galv\u00e3o argumenta que s\u00e3o concedidas bolsas de p\u00f3s-doutorado tamb\u00e9m em projetos de pesquisa, citando como exemplo, a aprova\u00e7\u00e3o de mais de R$ 150 milh\u00f5es em bolsas de p\u00f3s-doutorado no exterior, al\u00e9m de bolsas de p\u00f3s-doutorado em projetos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (FNDCT).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDe qualquer forma, somando as diversas formas de concess\u00e3o, n\u00f3s estamos muito aqu\u00e9m da demanda. A demanda total foi da ordem de 8 mil bolsas (Chamada CNPq n\u00ba 49\/2024). E o que pudemos atender \u00e9 pouco, se bem que esse \u00e9 ainda apenas o resultado preliminar. Porque toda vez que o CNPq divulga o resultado de uma chamada, ele reserva uma boa quantia para levar em conta os pedidos de reconsidera\u00e7\u00e3o.&nbsp; \u00c9 poss\u00edvel, \u00e0s vezes, ter havido algum erro no julgamento, ent\u00e3o o resultado final ainda n\u00e3o saiu. \u00c9 poss\u00edvel que o n\u00famero de bolsas de projetos aprovado aumente. Mas n\u00e3o chegar\u00e1, claro, a atender os 8 mil, e no caso da f\u00edsica, \u00e9 bastante alto tamb\u00e9m.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ele afirma que houve uma melhoria muito grande entre o governo anterior e o governo Luiz In\u00e1cio Lula da Silva e que o Sistema Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia \u201caumentou muito nos \u00faltimos anos\u201d. \u201cE na realidade, mesmo o do CNPq, mesmo no projeto de lei or\u00e7ament\u00e1ria para o ano que vem, n\u00f3s ter\u00edamos menos recursos que tivemos esse ano. Ent\u00e3o, a situa\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria n\u00e3o est\u00e1 boa. Acabei de ver que a Academia Brasileira de Ci\u00eancia (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC) acabaram de mandar um of\u00edcio ao presidente Lula solicitando um aumento do or\u00e7amento. Isso \u00e9 realmente consequ\u00eancia da restri\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria, n\u00e3o h\u00e1 outra raz\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, ele afirma, \u201cn\u00e3o \u00e9 que no governo Lula houve uma redu\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento\u201d. \u201cO governo Lula teve o grande m\u00e9rito, logo no in\u00edcio recuperou o Fundo Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico, inclusive aprovando a lei que pro\u00edbe seucontingenciamento. Esse foi realmente um grande al\u00edvio, porque s\u00f3 nesse ano tivemos mais de R$ 14 bilh\u00f5es investidos. Metade vai para recursos reembols\u00e1veis, para empresas, e metade vai para recursos n\u00e3o reembols\u00e1veis, que atendem institui\u00e7\u00f5es de ci\u00eancia e tecnologia. S\u00f3 que esses recursos n\u00e3o s\u00e3o abertos<s>. <\/s>Pela pr\u00f3pria constitui\u00e7\u00e3o do fundo, eles est\u00e3o em projetos estrat\u00e9gicos priorit\u00e1rios. No ano passado tivemos 10. Esse ano vamos ter 12 projetos estrat\u00e9gicos priorit\u00e1rios, que s\u00e3o absolutamente necess\u00e1rios.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Dentre esses projetos, est\u00e3o os Institutos Nacionais de Ci\u00eancia e Tecnologia (INCTs), que no ano passado receberam investimentos de mais de R$ 1,6 bilh\u00e3o para cinco anos. \u201cEsses s\u00e3o recursos substanciais\u201d. E nesses institutos tamb\u00e9m h\u00e1 bolsa de p\u00f3s-doutorado. Ent\u00e3o a vis\u00e3o de que s\u00f3 essa chamada atende \u00e0 demanda de bolsas de p\u00f3s-doutorado, n\u00e3o atendendo tudo, \u00e9 um pouco distorcida. Institutos nacionais tamb\u00e9m t\u00eam bolsa de p\u00f3s-doutorado\u201d, afirma Galv\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">H\u00e1 vida fora da Academia<\/h2>\n\n\n\n<p>O professor Galv\u00e3o explica que o atual governo vem tamb\u00e9m realizando um grande esfor\u00e7o para incentivar a cria\u00e7\u00e3o de empregos para doutores fora da academia, incentivando n\u00e3o apenas emprego formal em grandes empresas, mas tamb\u00e9m instigando nos cientistas a ideia do empreendedorismo. Segundo ele, os cr\u00edticos n\u00e3o percebem que hoje est\u00e3o sendo formados mais de 22 mil doutores por ano. Apesar de o Pa\u00eds ter um n\u00famero menor de doutores por 100 mil habitantes em compara\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE), o ritmo de forma\u00e7\u00e3o brasileira est\u00e1 acima da demanda por professores. \u201cA estimativa \u00e9 que tenhamos uns 300 mil professores com doutorado. Se n\u00f3s pensarmos que a cada 30, 35 anos um professor se aposenta, n\u00f3s ter\u00edamos que ter&#8230; uma taxa de reposi\u00e7\u00e3o para esses professores que v\u00e3o para as universidades de 10 mil por ano, aproximadamente. Uma conta de padaria, dizemos. Mas tem 12 mil doutores a mais. Ent\u00e3o, pensar que todos os doutores ser\u00e3o absorvidos pelo sistema governamental \u00e9 ingenuidade pura. Isso n\u00e3o vai acontecer. Por isso, h\u00e1 um esfor\u00e7o muito grande do governo, fortalecido pelo governo Lula, para que tenhamos doutores no setor produtivo n\u00e3o acad\u00eamico, como empresas, ind\u00fastrias, etc.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A ideia n\u00e3o \u00e9 apenas dar emprego a essas pessoas, porque essa iniciativa tamb\u00e9m reflete a busca de um desenvolvimento econ\u00f4mico sustent\u00e1vel do Pa\u00eds. \u201cN\u00f3s temos plena consci\u00eancia de que o Brasil n\u00e3o vai ter um desenvolvimento sustent\u00e1vel, socialmente justo e soberano sem forte investimento no que chamamos inova\u00e7\u00e3o acionada pela ci\u00eancia, as empresas tendo doutores fazendo novos projetos. E esperamos que a comunidade acad\u00eamica tamb\u00e9m entenda isso, que os doutores formados n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 para ser professores. A sociedade necessita desses doutores dentro desse novo cen\u00e1rio da economia do conhecimento, necessita desses doutores atuando no setor produtivo n\u00e3o acad\u00eamico\u201d, defende o cientista.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, o CNPq est\u00e1 implementando um projeto com a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o Industrial (Embrapii), no qual haver\u00e1 bolsas para que os doutores sejam treinados em inova\u00e7\u00e3o e empreendedorismo nas unidades da entidade. \u201cEsse esfor\u00e7o est\u00e1 mudando um pouco o sistema tradicional que o governo via para ci\u00eancia e tecnologia no pa\u00eds\u201d, explica Galv\u00e3o, citando exemplos como o IFUSP, o IPEM, o Instituto de F\u00edsica de S\u00e3o Carlos e o Instituto Euvaldo Lodi (IEL). \u201cN\u00f3s damos bolsas para melhorar o empreendedorismo. Os doutores trabalharam em projetos de desenvolvimento nas ind\u00fastrias. Esse programa \u00e9 muito exitoso porque, de cada cinco bolsistas que entram na ind\u00fastria trabalhando, quatro s\u00e3o empregados. E isso \u00e9 essencial para o desenvolvimento do Brasil em aquilo que o Brasil tem que ter dom\u00ednio soberano. N\u00e3o adianta aquela vis\u00e3o antiquada dos empres\u00e1rios de comprar a tecnologia e adaptar; isso tem que alterar. Sen\u00e3o o Brasil nunca vai avan\u00e7ar na economia do conhecimento. E estamos vendo movimentos tamb\u00e9m muito construtivos nessa dire\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Seja no CNPq ou no Congresso, o professor Galv\u00e3o presta um importante trabalho ao Brasil e \u00e0 busca de sustentabilidade ambiental por meio de suas pesquisas com o Tokamak: n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que ele se associou \u00e0 Marina Silva. O frio desta Primavera de 2025 n\u00e3o \u00e9 maluquice do tempo, mas descuido de homens e mulheres tanto em postos de comando de empresas e inst\u00e2ncias pol\u00edticas, at\u00e9 o sujeito que joga lixo da janela do \u00f4nibus.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTomara meu Deus, tomara \/ Que tudo que nos separa \/ N\u00e3o frutifique, n\u00e3o valha\u201d na can\u00e7\u00e3o de Alceu Valen\u00e7a vingue, e que a saud\u00e1vel press\u00e3o necess\u00e1ria a se fazer sobre qualquer governo n\u00e3o seja a \u201cGota d\u2019\u00c1gua\u201d de Chico Buarque, que criou um \u201cpote at\u00e9 aqui de m\u00e1goas\u201d, mas que a utopia inspire no nosso sonho \u201co amor Brasil\u201d de Milton Nascimento em \u201cCora\u00e7\u00e3o Civil\u201d: \u201cSe o poeta \u00e9 o que sonha o que vai ser real \/ Bom sonhar coisas boas que o homem faz \/ E esperar pelos frutos no quintal.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>(Colaborou Roger Marzochi)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Soprava um vento frio que entrava ao som do farfalhar das folhas das \u00e1rvores pela janela de uma sala no terceiro andar do pr\u00e9dio Tokamak, no Instituto de F\u00edsica da Universidade de S\u00e3o Paulo (IFUSP). 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