{"id":28895,"date":"2025-09-18T12:34:29","date_gmt":"2025-09-18T15:34:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/?p=28895"},"modified":"2025-09-18T12:43:10","modified_gmt":"2025-09-18T15:43:10","slug":"fisica-vai-colaborar-na-implantacao-do-conceito-de-cidade-esponja-em-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/fisica-vai-colaborar-na-implantacao-do-conceito-de-cidade-esponja-em-sao-paulo\/","title":{"rendered":"F\u00edsica vai colaborar na implanta\u00e7\u00e3o do conceito de \u201ccidade esponja\u201d em S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"\n<p>Na d\u00e9cada de 1950, era comum jogar futebol \u00e0s 15h sob garoa na cidade de S\u00e3o Paulo. Quem lembra \u00e9 o climatologista Carlos Nobre, um dos maiores especialistas nos estudos sobre aquecimento global no mundo. Em palestra durante o <a href=\"https:\/\/viradasustentavel.org.br\/\" title=\"\">F\u00f3rum Virada Sustent\u00e1vel<\/a>, no Centro Cultural de S\u00e3o Paulo (CCSP), na quarta-feira (17\/09), Nobre lembrou que era comum naquela \u00e9poca as pessoas manterem \u00e1rvores em quintais e jardins.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu nasci em 1951 e havia muito mais vegeta\u00e7\u00e3o na cidade de S\u00e3o Paulo\u201d, lembra. \u201cMinha av\u00f3 morava no Belenzinho. Quando eu a visitava, eu subia na jabuticabeira da minha av\u00f3, no quintal. Ap\u00f3s d\u00e9cadas e d\u00e9cadas, S\u00e3o Paulo ficou sem vegeta\u00e7\u00e3o. Os mais velhos se lembram que S\u00e3o Paulo era a terra da garoa, garoava em torno das 15h da tarde, eu jogava futebol na garoa. A partir de 1980 isso deixou de existir, n\u00e3o por causa das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais, mas porque foram retirando a vegeta\u00e7\u00e3o da cidade.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, professor no Instituto de Estudos Avan\u00e7ados da Universidade de S\u00e3o Paulo (IEA-USP), Nobre lidera um esfor\u00e7o cient\u00edfico para n\u00e3o apenas fazer com que as \u00e1rvores voltem \u00e0 cidade e regi\u00e3o metropolitana, mas tamb\u00e9m est\u00e1 elaborando junto a f\u00edsicos ferramentas de an\u00e1lises que colaborem no monitoramento das ilhas de calor e do aquecimento global localmente.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1920\" src=\"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Carlos-Nobre-defende-a-arborizacao-de-Sao-Paulo-ao-lado-de-Jordi-Sanchez-Cuenca-coordenador-de-programas-do-ONU-Ha-scaled.jpg\" alt=\"Carlos Nobre defende a arboriza\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo ao lado de Jordi S\u00e1nchez-Cuenca, coordenador de programas do ONU-Habitat. Ambos sentados em apresenta\u00e7\u00e3o ao p\u00fablico.\" class=\"wp-image-28918\" style=\"width:525px;height:auto\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Carlos Nobre defende a arboriza\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo ao lado de Jordi S\u00e1nchez-Cuenca, coordenador de programas do ONU-Habitat Brasil.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>\u201cPrecisamos ter esses modelos matem\u00e1ticos que n\u00f3s temos para calcular quando a gente coloca, restaura muito a vegeta\u00e7\u00e3o aqui em S\u00e3o Paulo, o modelo vai calcular como a temperatura vai variar, como a forma\u00e7\u00e3o dessas nuvens muito fortes, c\u00famulos-nimbos, as rajadas de vento, os eventos extremos de chuva\u201d, explicou o cientista ao <strong><a href=\"https:\/\/sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/boletim\/boletim-eletronico\/\" title=\"\">Boletim SBF<\/a><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cS\u00e3o modelos que n\u00f3s temos, que a USP tem, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) tem. Estamos colocando cinco grandes cientistas no projeto. H\u00e1 um modelo hidrol\u00f3gico, inclusive, desenvolvido tamb\u00e9m na USP. Por exemplo, se voc\u00ea colocar um tipo de asfalto que permita a percola\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, isso diminui inunda\u00e7\u00f5es, alagamentos, enxurradas. S\u00e3o modelos muito bons, \u00e9 l\u00f3gico que agora n\u00f3s vamos aprimor\u00e1-los. A F\u00edsica nesse processo \u00e9 essencial\u201d, explica o pesquisador, que poder\u00e1 convidar para participar do projeto o f\u00edsico Paulo Artaxo. Ambos integraram o Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC), que em 2007 foi laureado com o Pr\u00eamio Nobel da Paz em raz\u00e3o dos estudos sobre os impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ilhas de calor<\/h2>\n\n\n\n<p>Durante a palestra, Nobre lembrou do estudo realizado pela USP sobre as <a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/ciencias\/sao-paulo-tem-grande-ilha-de-calor-agravada-pelo-declinio-de-areas-verdes\/\">Ilhas de Calor Urbano (ICU) em S\u00e3o Paulo<\/a>, que revela que os bairros da regi\u00e3o metropolitana se tornam cada vez mais quentes sem a vegeta\u00e7\u00e3o. \u201cQuando voc\u00ea tem muita vegeta\u00e7\u00e3o, 70% do saldo da energia radiativa que vem do Sol \u00e9 utilizada para evapora\u00e7\u00e3o e, principalmente, transpira\u00e7\u00e3o das folhas. Essa \u00e9 a energia. Quando voc\u00ea n\u00e3o tem mais vegeta\u00e7\u00e3o, essa energia toda aquece o concreto, o cimento, o asfalto\u201d, diz Nobre.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEsse estudo mostrou que, no ver\u00e3o, em dias quentes, em lugares sem vegeta\u00e7\u00e3o, a temperatura fica 5 a 10 graus mais quente que a Mata Atl\u00e2ntica nas proximidades. Al\u00e9m disso, outros fen\u00f4menos extremos, por exemplo, na d\u00e9cada de 40, acontecia um fen\u00f4meno de chuva intensa, mais de 80 a 100 mil\u00edmetros de chuva em 24 horas, uma vez por d\u00e9cada. Agora, est\u00e3o acontecendo duas, tr\u00eas vezes por ano. Isso \u00e9 devido a esse aquecimento urbano do calor. O aquecimento global ajuda tamb\u00e9m nisso, mas o principal \u00e9 essa coisa local\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o cientista, as rajadas de vento s\u00e3o resultado desse superaquecimento. \u201cAqui na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo, voc\u00eas viram, em 2023, 2024 e at\u00e9 agora em 2025, bateu todos os recordes de rajadas de vento acima de 100 km por hora, todo o estrago que fez com as \u00e1rvores caindo e derrubando a fia\u00e7\u00e3o. Tudo isso tem muito a ver com a falta de vegeta\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo. Ent\u00e3o, \u00e9 muito importante, realmente, que a prefeitura e todas as outras prefeituras da regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo implementem muito rapidamente esses projetos de restaura\u00e7\u00e3o florestal.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Para combater esse efeito, o IEA-USP espera implementar o conceito de Esponja Verde Urbana, no qual a cidade tem capacidade n\u00e3o apenas de equilibrar sua temperatura com \u00e1rvores, mas de absorver \u00e1gua da chuva. \u201cEu acabei de voltar da China, passei oito dias na China no come\u00e7o desse m\u00eas, em Shanghai e Beijing. Qualquer um de voc\u00eas que conhece a China, voc\u00eas sabem, \u00e9 uma magn\u00edfica vegeta\u00e7\u00e3o. Eu at\u00e9 filmei uma \u00e1rea dentro de Beijing que tinha, assim, cinco quil\u00f4metros de vegeta\u00e7\u00e3o, cinco por um quil\u00f4metro, no meio da cidade\u201d, conta o climatologista. \u201cE todo o lugar de Shanghai a Beijing, todas as ruas avenidas, rodovias, todas t\u00eam vegeta\u00e7\u00e3o, in\u00fameros parques. Isso \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o que a China come\u00e7ou mais de 25 anos atr\u00e1s. Mais de 70 cidades chinesas est\u00e3o fazendo mega-restaura\u00e7\u00e3o florestal porque tinha que melhorar muito, tamb\u00e9m, a qualidade do ar.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O professor de Sustentabilidade do IEA-USP quer sensibilizar a popula\u00e7\u00e3o mostrando que os eventos extremos, como ondas de calor, s\u00e3o os que mais causam mortes, assim como chuvas intensas, alagamentos, inunda\u00e7\u00f5es. \u201cN\u00f3s atingimos por 21 meses 1,5 graus de aquecimento global (acima da m\u00e9dia pr\u00e9-industrial) de julho de 2023 at\u00e9 abril de 2025. Isso aumenta os eventos extremos em todo o planeta, mas em cima de S\u00e3o Paulo tamb\u00e9m. Esse nosso estudo vai mostrar como \u00e9 absolutamente urgente e necess\u00e1rio fazer uma mega-restaura\u00e7\u00e3o florestal em toda a regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Para Nobre, a COP-30, que ser\u00e1 realizada em Bel\u00e9m (PA), ter\u00e1 que ser a mais importante das 30 COP2, embora os Estados Unidos fiquem ausentes. \u201cTodos ter\u00e3o que se comprometer (com a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de poluentes). Mas, mesmo assim, \u00e9 muito prov\u00e1vel que a temperatura chegue a 2 graus at\u00e9 mais em 2050. Com o aquecimento global nesse n\u00edvel, n\u00f3s precisamos restaurar totalmente a vegeta\u00e7\u00e3o aqui na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Se a temperatura chegar a 2 graus, passar de 2 graus at\u00e9 2050, explica o cientista, e n\u00f3s n\u00e3o restaurarmos amplamente a vegeta\u00e7\u00e3o em toda a regi\u00e3o de S\u00e3o Paulo, como fizeram os chineses, \u201cn\u00f3s podemos chegar a um n\u00edvel, quase que torna durante os dias de ver\u00e3o, em 2100, inabit\u00e1vel. Estudos mostram que, se a gente aumentar a temperatura at\u00e9 2 graus e meio e n\u00e3o restaurar a vegeta\u00e7\u00e3o aqui, a temperatura chegar\u00e1 a 2100, 3, 4 ou 5 graus mais quente durante o ver\u00e3o nas \u00e1reas sem vegeta\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o urbana. Ficam 120 ou mais dias inabit\u00e1veis para n\u00f3s humanos. Inabit\u00e1vel. Ent\u00e3o, eu queria destacar a urg\u00eancia que n\u00f3s temos de fazer essa transi\u00e7\u00e3o e vamos nos basear nessas grandes cidades do mundo que fizeram isso principalmente.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Nobre afirmou que \u00e9 urgente um amplo debate sobre o tema com alunos no ensino fundamental e m\u00e9dio, al\u00e9m de universidades. \u201cMuitos pa\u00edses, por exemplo, Jap\u00e3o, Coreia do Sul, pa\u00edses europeus, investem na educa\u00e7\u00e3o para todas as crian\u00e7as. Precisamos fazer isso no ensino fundamental, no ensino m\u00e9dio, para que estejam muito preparados para a mitiga\u00e7\u00e3o, redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es, e aumentar a resili\u00eancia aos eventos extremos. Vamos rapidamente fazer essa transi\u00e7\u00e3o, vamos restaurar rapidamente a vegeta\u00e7\u00e3o de toda a regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo, especialmente de S\u00e3o Paulo, essencial para manter S\u00e3o Paulo habit\u00e1vel para sempre.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>(Colaborou Roger Marzochi)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na d\u00e9cada de 1950, era comum jogar futebol \u00e0s 15h sob garoa na cidade de S\u00e3o Paulo. Quem lembra \u00e9 o climatologista Carlos Nobre, um dos maiores especialistas nos estudos sobre aquecimento global no mundo. Em palestra durante o F\u00f3rum Virada Sustent\u00e1vel, no Centro Cultural de S\u00e3o Paulo (CCSP), na quarta-feira (17\/09), Nobre lembrou que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":12,"featured_media":28904,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[669],"tags":[1466,1465,1469,1467,1468,779,1470],"class_list":["post-28895","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo-da-fisica","tag-aquecimento-global","tag-carlos-nobre","tag-forum-virada-sustentavel","tag-iea-usp","tag-ipcc","tag-painel-intergovernamental-sobre-mudancas-climaticas","tag-sao-paulo"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28895","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/users\/12"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28895"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28895\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28920,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28895\/revisions\/28920"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/media\/28904"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28895"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28895"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28895"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}