{"id":28489,"date":"2025-08-21T14:04:40","date_gmt":"2025-08-21T17:04:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/?p=28489"},"modified":"2025-08-21T14:09:43","modified_gmt":"2025-08-21T17:09:43","slug":"cientista-capixaba-contribui-para-estudo-que-investiga-falhas-no-modelo-cosmologico-padrao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/cientista-capixaba-contribui-para-estudo-que-investiga-falhas-no-modelo-cosmologico-padrao\/","title":{"rendered":"Cientista capixaba contribui para estudo que investiga falhas no modelo cosmol\u00f3gico padr\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>Vem da Bahia, terra de todos os santos, uma pesquisa que colabora na busca de se entender a expans\u00e3o do Universo. Rodrigo von Marttens, cientista e professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), participou de uma pesquisa internacional que prop\u00f5e um novo modelo cosmol\u00f3gico que consegue explicar alguns dos desafios observacionais enfrentados pelo modelo cosmol\u00f3gico padr\u00e3o. Entre esses desafios est\u00e1 o recente resultado encontrado pela colabora\u00e7\u00e3o DESI (Dark Energy Spectroscopic Instrument), que indica um desvio consider\u00e1vel em rela\u00e7\u00e3o ao atual paradigma. As observa\u00e7\u00f5es do DESI s\u00e3o obtidas atrav\u00e9s de um instrumento instalado no Observat\u00f3rio Nacional de Kitt Peak, no Estado do Arizona (EUA), acoplado ao telesc\u00f3pio Mayall, de quatro metros de di\u00e2metro de espelho principal. Ele \u00e9 um espectr\u00f3grafo de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o projetado para mapear a expans\u00e3o do Universo e ajudar a entender a energia escura, a misteriosa for\u00e7a que acelera essa expans\u00e3o, como sup\u00f5em os cientistas.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro a perceber que o Universo estava em expans\u00e3o foi Edwin Hubble, em 1920. A tese foi se aprimorando ao longo do tempo, evoluindo \u00e0 medida do aprimoramento dos c\u00e1lculos e dos equipamentos de observa\u00e7\u00e3o, buscando se basear em velas-padr\u00e3o, como s\u00e3o chamadas as luzes de supernovas, e o refor\u00e7o dos sat\u00e9lites WMAP e Planck, que consolidaram o chamado modelo padr\u00e3o (\u039bCDM) da forma e ritmo de expans\u00e3o das gal\u00e1xias. S\u00f3 que n\u00e3o. Nos \u00faltimos anos, as observa\u00e7\u00f5es t\u00eam demonstrado desvios desse modelo que, apesar de robusto, precisa ser aprimorado. Sobre esse assunto, o Boletim SBF <a href=\"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/um-novo-metodo-independente-de-modelo-para-medir-a-curvatura-do-universo\/\">j\u00e1 entrevistou o f\u00edsico Miguel Quartin<\/a>, do Centro Brasileiro de Pesquisas F\u00edsicas (CBPF).<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Rodrigo-Marttens-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-28494\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O capixaba Rodrigo von Marttens, cientista da UFBA, prop\u00f5e nova vis\u00e3o sobre a expans\u00e3o do Universo.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>No artigo \u201c<a href=\"https:\/\/journals.aps.org\/prl\/abstract\/10.1103\/zr92-m7py\">Novel Approach to Cosmological Nonlinearities as an Effective Fluid<\/a>\u201d, publicado no dia 15 de agosto no peri\u00f3dico cient\u00edfico Physical Review Letters (PRL), Rodrigo von Marttens junto aos cientistas da The University of Queensland (Austr\u00e1lia) Ryan Camilleri e Leonardo Giani, defendem a utiliza\u00e7\u00e3o de \u201cflu\u00eddos\u201d de mat\u00e9ria efetivos para al\u00e9m do modelo padr\u00e3o. O termo \u201cflu\u00eddo\u201d de mat\u00e9ria \u00e9 utilizado para se referir \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria em escalas cosmol\u00f3gicas, que pode ser comparada a um fluido f\u00edsico cont\u00ednuo. O modelo \u039bCDM utiliza-se de apenas um \u00fanico flu\u00eddo para descrever a mat\u00e9ria em grandes escalas no Universo. \u201cDe fato a distribui\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria no Universo parece uma teia, com regi\u00f5es de maior densidade e regi\u00f5es de menor densidade, al\u00e9m dos filamentos que interligam todo o sistema. No modelo padr\u00e3o, tudo isso \u00e9 descrito por um \u00fanico fluido. Nossa hip\u00f3tese \u00e9 que esta descri\u00e7\u00e3o \u00e9 muito simplista e n\u00e3o consegue capturar toda a contribui\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria na din\u00e2mica do Universo. A teia c\u00f3smica \u00e9 um sistema t\u00e3o complexo que essas regi\u00f5es de maior ou menor densidade possuem um efeito consider\u00e1vel na din\u00e2mica do Universo\u201d, diz von Marttens ao <strong><a href=\"https:\/\/sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/boletim\/boletim-eletronico\/\" title=\"\">Boletim SBF<\/a><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo da \u201cteia\u201d formada por gal\u00e1xias, estrelas e buracos negros, entre outros corpos cosmol\u00f3gicos, h\u00e1 \u00e1reas de grande concentra\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria (clusters) e \u00e1reas que at\u00e9 parecem \u201cvazias\u201d (voids). Para modelar o efeito dessas regi\u00f5es na distribui\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria e buscar responder \u00e0s medi\u00e7\u00f5es que n\u00e3o batem com o modelo padr\u00e3o, o artigo publicado em agosto na PRL sugere a utiliza\u00e7\u00e3o de outros dois flu\u00eddos extras, que descrevem as contribui\u00e7\u00f5es dos clusters e dos voids. Esses aglomerados e vazios s\u00e3o estruturas gigantescas, que chegam a ter mais de 3 milh\u00f5es de anos-luz. Devido \u00e0 sua complexidade, \u00e9 comum que os cientistas recorram a grandes simula\u00e7\u00f5es computacionais para estudar essas estruturas, como o <a href=\"https:\/\/www.tng-project.org\/media\/\">TNG Project<\/a>, respons\u00e1vel pela imagem que ilustra a abertura deste post.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNossa ideia \u00e9 que os fluidos que descrevem os aglomerados e os vazios v\u00e3o ter efeitos diferentes daquele exercido pelo fluido de mat\u00e9ria usual do modelo cosmol\u00f3gico padr\u00e3o. Estes efeitos devem ser levados em conta\u201d, explica o cientista, que concluiu gradua\u00e7\u00e3o em F\u00edsica (2011), mestrado (2013) e doutorado (2017) em Cosmologia e Gravita\u00e7\u00e3o na Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo (UFES). Foi ali que conheceu o italiano Leonardo Giani, doutor pela mesma institui\u00e7\u00e3o, no \u00e2mbito do programa de Doutorado Internacional em Astrof\u00edsica, Cosmologia e Gravita\u00e7\u00e3o (PPGCosmo).<\/p>\n\n\n\n<p>O f\u00edsico explica que, at\u00e9 o momento, n\u00e3o recebeu cr\u00edticas afiadas da comunidade. Ele, no entanto, est\u00e1 aberto ao debate, de natureza acad\u00eamica. \u201cA ideia de que grandes estruturas podem afetar a din\u00e2mica do Universo j\u00e1 foi explorada. No entanto, entendemos que esta \u00e9 uma abordagem realmente nova e que tem o potencial de mudar a maneira como a gente enxerga a evolu\u00e7\u00e3o da din\u00e2mica do Universo. Os dados observacionais atuais e futuros ser\u00e3o de grande import\u00e2ncia para a consolida\u00e7\u00e3o do nosso entendimento\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFoi um grande triunfo conseguir mostrar que essa hip\u00f3tese tem o potencial de explicar melhor os resultados obtidos pelo DESI e ainda, como um b\u00f4nus, pode resolver outros problemas enfrentados pela cosmologia atualmente, como a tens\u00e3o da Constante de Hubble. Isso foi uma coisa que, de fato, deu for\u00e7a para esse trabalho.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>(Colaborou Roger Marzochi)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vem da Bahia, terra de todos os santos, uma pesquisa que colabora na busca de se entender a expans\u00e3o do Universo. 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