{"id":25708,"date":"2025-03-06T15:38:47","date_gmt":"2025-03-06T18:38:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/?p=25708"},"modified":"2025-03-06T15:38:47","modified_gmt":"2025-03-06T18:38:47","slug":"homenagem-a-kau-dalfovo-marques-07-02-1995-04-03-2025","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/homenagem-a-kau-dalfovo-marques-07-02-1995-04-03-2025\/","title":{"rendered":"Homenagem a Kau Dalfovo Marques &#8211; 07\/02\/1995 &#8211; 04\/03\/2025"},"content":{"rendered":"\n<p>A Kau me contactou no in\u00edcio de 2016. Num e-mail muito mais formal e mais educado do que os f\u00edsicos costumam escrever, pediu para marcar um hor\u00e1rio para ir na minha sala conversar sobre uma poss\u00edvel orienta\u00e7\u00e3o. Ela ent\u00e3o chegou numa cadeira de rodas el\u00e9trica, que era manobrada com um joystick, ao lado da Sionara, sua m\u00e3e. Disse-me que havia passado na sele\u00e7\u00e3o do mestrado e conseguido uma bolsa, mas nunca tinha estudado mec\u00e2nica qu\u00e2ntica. Nem estat\u00edstica. Nem f\u00edsica nuclear. Nem eletromagnetismo. Mas nem precisava. Supera\u00e7\u00e3o fazia parte do seu DNA. Um ano e meio depois, ela estava na minha sala quando vimos a sua classifica\u00e7\u00e3o para a sele\u00e7\u00e3o do doutorado: tinha ficado em segundo lugar, com uma nota muito boa no Exame Unificado de F\u00edsica. Lembro-me de t\u00ea-la visto se emocionar.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu a orientei no mestrado, doutorado, p\u00f3s-doc, sempre em assuntos que versavam sobre estrelas de n\u00eautrons descritas por diferentes modelos, alguns simples, outros muito complicados. Mas a verdadeira estrela era ela, que conduzia as pesquisas com um humor ingl\u00eas, principalmente quando os programas computacionais davam muito trabalho. Publicamos 12 papers juntas, o \u00faltimo deles aceito 2 dias antes da sua morte, e um livro. Recentemente, ela me ajudava a dar pareceres quando meu tempo era escasso e o assunto a interessava.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a Kau e sua m\u00e3e, que a acompanhava onde fosse necess\u00e1rio e viabilizava todo o seu deslocamento, n\u00e3o havia dificuldades para nada, apesar da sa\u00fade fr\u00e1gil e das in\u00fameras barreiras impostas pela doen\u00e7a degenerativa progressiva: juntas foram a Coimbra para trabalhar por duas ocasi\u00f5es, participaram de v\u00e1rios congressos nacionais e internacionais, viajaram o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>No ano passado, Kau seguiu para mais um p\u00f3s-doutorado, desta vez na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em F\u00edsica do ITA. Talvez ela n\u00e3o soubesse, mas foi refer\u00eancia para muitos estudantes de mestrado, doutorado e tamb\u00e9m para muitos professores, pr\u00f3ximos ou n\u00e3o. No ITA, ela conseguiu se dedicar com a mesma intensidade de sempre, contribuindo ativamente para a elabora\u00e7\u00e3o de mais dois trabalhos, j\u00e1 submetidos.<\/p>\n\n\n\n<p>A ci\u00eancia brasileira perdeu uma cientista competente, resiliente, que tinha pressa de realizar seus sonhos. Seu exemplo de vida marcou e continuar\u00e1 marcando in\u00fameras pessoas, deixando um legado que ecoar\u00e1 por muito tempo entre aqueles que tiveram o privil\u00e9gio de conhec\u00ea-la ou de acompanhar sua trajet\u00f3ria. A Kau era t\u00e3o forte, que a sua fragilidade, muitas vezes, passava despercebida. Ela far\u00e1 muita falta para a ci\u00eancia brasileira e para todos que tiverem a sorte de trabalhar e conviver com ela!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>por D\u00e9bora Peres Menezes, com contribui\u00e7\u00f5es de Odilon Louren\u00e7o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Kau me contactou no in\u00edcio de 2016. 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