{"id":25578,"date":"2025-02-18T14:30:42","date_gmt":"2025-02-18T17:30:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/?p=25578"},"modified":"2025-02-18T14:30:42","modified_gmt":"2025-02-18T17:30:42","slug":"entre-o-vacuo-e-o-som-a-historia-de-helcio-onusic-um-fisico-na-industria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/entre-o-vacuo-e-o-som-a-historia-de-helcio-onusic-um-fisico-na-industria\/","title":{"rendered":"Entre o v\u00e1cuo e o som: a hist\u00f3ria de Helcio Onusic, um f\u00edsico na ind\u00fastria"},"content":{"rendered":"\n<p>Em novembro do ano passado, o professor da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) Helcio Onusic oi homenageado durante o 45\u00ba Congresso Brasileiro de Aplica\u00e7\u00f5es de V\u00e1cuo na Ind\u00fastria e na Ci\u00eancia (CBrAVIC), organizado desde 1979 pela Sociedade Brasileira de V\u00e1cuo (SBV), em parceria com universidades e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa. O motivo dessa homenagem \u00e9 que Onusic, aos 80 anos, teve ao longo de sua carreira destacada atua\u00e7\u00e3o na interface entre a academia e a ind\u00fastria no desenvolvimento da tecnologia de v\u00e1cuo, aplica\u00e7\u00e3o extremamente importante desde aceleradores de part\u00edculas at\u00e9 empresas de alimentos.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"950\" src=\"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Helcio-Onusic-esposa-Tizuko-netos-Olivia-Otavio.jpeg\" alt=\"Onusic com sua esposa Tizuko e seus netos Olivia e Otavio\" class=\"wp-image-25580\" style=\"width:554px;height:auto\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Onusic com sua esposa Tizuko e seus netos Olivia e Otavio.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>O que poucos sabem \u00e9 que Onusic atuou para al\u00e9m do v\u00e1cuo, estudando e utilizando tecnologias da ac\u00fastica para investigar desde conforto em ve\u00edculos a tecnologia ultrass\u00f4nica para identificar falhas em eixos ferrovi\u00e1rios, trens de pouso, soldagens em usinas hidroel\u00e9tricas e at\u00e9 a medi\u00e7\u00e3o da espessura de chapas da linha d\u2019\u00e1gua de navios. Aos 16 anos, o menino que teve uma passagem r\u00e1pida pelo futebol no time juvenil do S\u00e3o Paulo, iniciou-se na vida adulta com um trabalho no Citibank, mas foi na F\u00edsica que ele revolucionou os estudos do v\u00e1cuo e da ac\u00fastica, atuando no Instituto de F\u00edsica da USP como professor, e trabalhando nas Engenharias da Volkwswagen e Mercedes-Benz, possibilitando a indica\u00e7\u00e3o de alunos para cargos na ind\u00fastria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA intera\u00e7\u00e3o m\u00e1quina\/homem\/meio ambiente fornece in\u00fameros desafios!\u201d, diz Onusic, em entrevista ao <strong>Boletim SBF<\/strong>. &#8220;No ano passado, recebi a mensagem de um aluno com carreira de 20 anos no exterior, muito bem empregado, agradecendo pelas orienta\u00e7\u00f5es que recebeu durante o curso de F\u00edsica que norteou sua carreira. Fiquei muito emocionado por essa considera\u00e7\u00e3o. Ali\u00e1s, o m\u00e9rito \u00e9 todo dele\u201d, diz Onusic.<\/p>\n\n\n\n<p>Influenciado pelo tio, o matem\u00e1tico Nelson Onuchic, e motivado pelo desejo de entender os fen\u00f4menos f\u00edsicos, ingressou na \u00e1rea acad\u00eamica, conciliando sua forma\u00e7\u00e3o com trabalhos t\u00e9cnicos em ac\u00fastica e v\u00e1cuo. \u201cQuando eu n\u00e3o trabalhava, eu estava com meus pais, e o meu tio chegou e disse que queria me levar para Rio Claro, onde ele lecionava. Mas \u00e9 claro que meus pais n\u00e3o quiseram. E eu precisava trabalhar, justamente, para ajudar meus pais\u201d, lembra Onusic, que ap\u00f3s sete anos trabalhando na \u00e1rea de c\u00e2mbio do banco, entrou em uma empresa que usava o ultrassom para testes n\u00e3o destrutivos, tecnologia inovadora \u00e0 \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu tive a sorte de trabalhar com tecnologias ultrass\u00f4nicas e ac\u00fasticas ainda no in\u00edcio da minha carreira. Lembro de um dos primeiros testes que fizemos para medir a espessura de tanques qu\u00edmicos usando ultrassom. O engenheiro respons\u00e1vel duvidou dos resultados, mas quando confirmamos a medi\u00e7\u00e3o com um paqu\u00edmetro, ele ficou surpreso\u201d, conta Onusic, que teve intensos contatos com grandes f\u00edsicos na USP, como Oscar Sala e Ross Alan Douglas que muito o ajudaram.<\/p>\n\n\n\n<p>O professor tamb\u00e9m teve atua\u00e7\u00e3o na ac\u00fastica veicular, contribuindo para a redu\u00e7\u00e3o de ru\u00eddos em ve\u00edculos de passeio e comerciais, levando-os \u00e0 mesma excel\u00eancia dos ve\u00edculos produzidos na Europa. Outro aspecto importante de sua carreira foi sua participa\u00e7\u00e3o na montagem do acelerador de part\u00edculas Peletron, na USP. \u201cO v\u00e1cuo \u00e9 essencial para que as part\u00edculas se movam sem resist\u00eancia. Ajudei na instala\u00e7\u00e3o de tubula\u00e7\u00f5es e sistemas, garantindo o funcionamento adequado dos equipamentos\u201d, relembra.<\/p>\n\n\n\n<p>Na ind\u00fastria automobil\u00edstica, Onusic desempenhou um papel fundamental nos estudos e testes de compatibilidade eletromagn\u00e9tica, especialmente em ve\u00edculos comerciais, garantindo que eles n\u00e3o sofressem interfer\u00eancias em seus sistemas eletr\u00f4nicos ao passarem por \u00e1reas de alta radia\u00e7\u00e3o, como aeroportos e torres de telecomunica\u00e7\u00e3o. \u201cO primeiro Gol GTI, por exemplo, teve que passar por testes rigorosos para evitar falhas causadas por interfer\u00eancia eletromagn\u00e9tica\u201d, explica o f\u00edsico, que quando entrou na Volkswagen, nem tinha carta de motorista.<\/p>\n\n\n\n<p>Onusic tamb\u00e9m publicou estudos de inj\u00faria f\u00edsica a motoristas e ocupantes de ve\u00edculos em batidas veiculares, durante \u201ccrash test\u201d, no qual as montadoras simulam um acidente automobil\u00edstico. \u201cEu publiquei trabalhos nessa \u00e1rea de inj\u00faria de cabe\u00e7a e de peito em acidentes, a partir de c\u00e1lculos matem\u00e1ticos\u201d, explica o professor, que lecionou no curso de Ac\u00fastica que introduziu em 1984, e durou 24 anos. O curso de V\u00e1cuo, no mesmo Instituto, continua ativo e formando muitos estudantes, mesmo ap\u00f3s a sua aposentadoria, em 2008, agora sob a tutela do professor Nilberto H. Medina.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cComo ele tinha um p\u00e9 na ind\u00fastria e outro na academia, ele promoveu v\u00e1rias confer\u00eancias, organizou encontros e viajou v\u00e1rias vezes para confer\u00eancias no exterior. Ele publicou cerca de duas centenas de trabalhos na \u00e1rea de F\u00edsica Aplicada nos mais diferentes temas, na maioria, com interesse direto da sociedade. A academia, em geral, principalmente aqui no Brasil, tem um pouco de dificuldades para se conectar com a ind\u00fastria. Ele foi um pioneiro nessa parte de conex\u00e3o entre a ind\u00fastria e a academia\u201d, afirma Medina, professor do Instituto de F\u00edsica da USP, hoje tamb\u00e9m atuando no curso de Tecnologia do V\u00e1cuo, um grande legado de Onusic.<\/p>\n\n\n\n<p>Medina explica que uma das principais contribui\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas de Onusic foi o estudo da condut\u00e2ncia, ou seja, o inverso da imped\u00e2ncia, que \u00e9 a facilidade ou dificuldade de um g\u00e1s passar por um tubo. \u201cSe voc\u00ea usa um tubo bem fininho, a dificuldade \u00e9 grande. Um tubo de maior di\u00e2metro, a dificuldade \u00e9 menor. Se \u00e9 um tubo que tem um furinho pequenininho para o g\u00e1s passar, a dificuldade \u00e9 maior. Ent\u00e3o, a condut\u00e2ncia vai mudando dependendo da geometria. E o que o professor fez, por exemplo, foi o c\u00e1lculo anal\u00edtico dessas chamadas condut\u00e2ncia usando apenas papel e borracha. Hoje, a gente pode usar c\u00e1lculos usando simula\u00e7\u00e3o de Monte Carlo\u201d, explica Medina. \u201cEle publicou um estudo sobre isso h\u00e1 30 anos, quando os computadores n\u00e3o tinham toda essa mem\u00f3ria que t\u00eam agora. Era muito dif\u00edcil fazer essas simula\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O curso de Tecnologia do V\u00e1cuo faz parte da gradua\u00e7\u00e3o do IFUSP; a cada dois a tr\u00eas anos \u00e9 oferecido um curso especial dirigido especialmente para as ind\u00fastrias que utilizam essa ferramenta. Onusic colabora nesse curso e, aos 80 anos, ele se diz realizado com sua trajet\u00f3ria e refor\u00e7a a import\u00e2ncia de aplicar a F\u00edsica em diversas \u00e1reas. \u201cMuitos estudantes n\u00e3o sabem exatamente o que far\u00e3o ap\u00f3s a gradua\u00e7\u00e3o. Mas a F\u00edsica oferece um leque imenso de possibilidades. O segredo \u00e9 nunca desistir e estar aberto a novas aplica\u00e7\u00f5es do conhecimento\u201d, conclui.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>(Colaborou Roger Marzochi)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em novembro do ano passado, o professor da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) Helcio Onusic oi homenageado durante o 45\u00ba Congresso Brasileiro de Aplica\u00e7\u00f5es de V\u00e1cuo na Ind\u00fastria e na Ci\u00eancia (CBrAVIC), organizado desde 1979 pela Sociedade Brasileira de V\u00e1cuo (SBV), em parceria com universidades e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa. 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