{"id":25367,"date":"2025-01-30T15:55:38","date_gmt":"2025-01-30T18:55:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/?p=25367"},"modified":"2025-01-30T16:07:02","modified_gmt":"2025-01-30T19:07:02","slug":"da-lua-ao-sirius-uma-jornada-de-transformacao-na-espem-2025","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/da-lua-ao-sirius-uma-jornada-de-transformacao-na-espem-2025\/","title":{"rendered":"Da Lua ao Sirius: uma jornada de transforma\u00e7\u00e3o na ESPEM 2025"},"content":{"rendered":"\n<p>O c\u00e9u repleto de estrelas quase sempre era acompanhado pela Lua nas mem\u00f3rias das noites de inf\u00e2ncia de N\u00e1dja Cajado da Silva, hoje professora de F\u00edsica do Ensino M\u00e9dio na rede p\u00fablica Estadual da Bahia. Sem televis\u00e3o \u00e0 \u00e9poca, N\u00e1dja e seus cinco irm\u00e3os se juntavam para ouvir causos de seus pais e av\u00f3s em sua casa na zona rural de Caldeir\u00e3o Grande, cidade a 333 quil\u00f4metros de Salvador.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando a Lua estava alta, seu av\u00f4 explicava o que deveria se plantar em cada uma de suas fases. \u201cNa Lua crescente, ele dizia que era bom plantar feij\u00e3o e milho; na Lua minguante, era tempo de repouso. Ele conversava bastante com a gente. Eu sou filha de costureira e agricultor e na zona rural n\u00e3o tinha televis\u00e3o. Ent\u00e3o, em vez de assistir a novelas, meus pais e os meus av\u00f3s contavam hist\u00f3rias\u201d, lembra N\u00e1dja.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi esse interesse pelo c\u00e9u estrelado que guiou a jovem at\u00e9 a F\u00edsica, tornando-se a \u00fanica dos cinco irm\u00e3os a conquistar um diploma de ensino superior e, mais recentemente, a participar de um curso que marcou a sua vida: a <a href=\"https:\/\/pages.cnpem.br\/espem\/\" title=\"\">Escola Sirius para Professores do Ensino M\u00e9dio<\/a> (ESPEM), um evento que em sua s\u00e9tima edi\u00e7\u00e3o reuniu, entre 13 a 17 de janeiro de 2025, um total de 60 professores do Ensino M\u00e9dio de escolas p\u00fablicas e privadas nas \u00e1reas de F\u00edsica, Biologia e Qu\u00edmica. Os professores visitaram o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas, S\u00e3o Paulo, que desenvolve pesquisas de ponta na ci\u00eancia brasileira. O curso foi criado em 2018 pelo CNPEM e tem a parceria da Sociedade Brasileira de F\u00edsica (SBF) desde o seu in\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-4 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"702\" height=\"1024\" data-id=\"25368\" src=\"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/A-professora-Nadja-entre-os-alunos-da-ESPEM-702x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-25368\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A professora N\u00e1dja entre os alunos da ESPEM.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" data-id=\"25369\" data-src=\"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/A-professora-Nadja-e-o-professor-Adalberto-Fazzio-768x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-25369 lazyload\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 768px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 768\/1024;\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A professora N\u00e1dja e o professor Adalberto Fazzio.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" data-id=\"25370\" data-src=\"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/A-professora-Nadja-na-ILUM-768x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-25370 lazyload\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 768px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 768\/1024;\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A professora Nadja na ILUM.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"576\" height=\"1024\" data-id=\"25371\" data-src=\"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Professora-Nadja-576x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-25371 lazyload\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 576px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 576\/1024;\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A professora de F\u00edsica do Ensino M\u00e9dio na rede p\u00fablica Estadual da Bahia N\u00e1dja Cajado da Silva.<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cA ESPEM foi novamente um sucesso e est\u00e1 crescendo a cada ano, trazendo participantes de praticamente todos os Estados brasileiros\u201d, afirma o cientista Murilo Santhiago, coordenador da ESPEM. \u201cO CNPEM \u00e9 um ambiente altamente tecnol\u00f3gico e o evento mobiliza muitos cientistas da institui\u00e7\u00e3o. A parceria da SBF, que tamb\u00e9m est\u00e1 ligada a aspectos da \u00e1rea de educa\u00e7\u00e3o, \u00e9 tamb\u00e9m muito importante para que a gente consiga organizar esse evento com a grandiosidade que ele alcan\u00e7a a cada edi\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEsse foi um dos melhores anos da ESPEM\u201d, concorda Vitor Acioly, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), que, junto ao professor Antonio Carlos Fontes dos Santos, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), representa a SBF no projeto. \u201cEu me sinto bem realizado! O primeiro curso contou com 20 vagas, o segundo, 35. E o n\u00famero de vagas foi ampliado, chegando atualmente a 60. Neste ano, participaram professores de diversas regi\u00f5es, incluindo Oiapoque, \u00e1reas ribeirinhas da Amaz\u00f4nia, Acre, Rond\u00f4nia e Roraima\u201d, explica Acioly.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 no CNPEM que est\u00e1 localizado o Sirius, um acelerador de el\u00e9trons que produz a chamada \u201cluz s\u00edncrotron\u201d, capaz de fazer uma \u201cfotografia\u201d de \u00e1tomos e mol\u00e9culas. Este \u00e9 o maior e mais avan\u00e7ado equipamento da F\u00edsica brasileira, um sistema de quarta gera\u00e7\u00e3o presente em apenas outros dois pa\u00edses no mundo, Fran\u00e7a e Su\u00e9cia. Suas linhas de luz t\u00eam contribu\u00eddo para avan\u00e7os em diversas \u00e1reas, desde estudos sobre o grafeno at\u00e9 pesquisas voltadas ao combate ao v\u00edrus da Covid-19.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante cinco dias, os membros do curso ESPEM tiveram a oportunidade de conhecer de perto o Sirius, entre outras \u00e1reas de extrema import\u00e2ncia para a ci\u00eancia brasileira. \u00c9 no CNPEM onde est\u00e1 localizada a ILUM, institui\u00e7\u00e3o de ensino superior aberta em 2021, cujo vestibular \u00e9 mais concorrido que o de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), promovendo um ensino interdisciplinar de ci\u00eancias que poder\u00e1 colaborar na forma\u00e7\u00e3o de pesquisadores de alto n\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Santhiago explica que os alunos chegam ao CNPEM e j\u00e1 sentem a sua grandiosidade ao sair do \u00f4nibus: uma instala\u00e7\u00e3o de 68 mil metros quadrados, \u00e1rea pr\u00f3xima ao do Est\u00e1dio do Maracan\u00e3, que fica em Bar\u00e3o Geraldo, bairro bo\u00eamio de Campinas no qual est\u00e1 localizado tamb\u00e9m o campus da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).<\/p>\n\n\n\n<p>Os alunos s\u00e3o recepcionados por Antonio Jos\u00e9 Roque da Silva, diretor-geral do CNPEM, e pelos diretores de cada um dos laborat\u00f3rios da entidade. Ao longo da semana, eles participam de palestras, aulas e experimentos, al\u00e9m de conhecerem o Sirius, o Laborat\u00f3rio Nacional de Luz S\u00edncrotron (LNLS), o Laborat\u00f3rio Nacional de Biorrenov\u00e1veis (LNBR), o Laborat\u00f3rio Nacional de Bioci\u00eancias (LNBio), o Laborat\u00f3rio Nacional de Nanotecnologia (LNNano), a Ilum Escola de Ci\u00eancia e a Diretoria Adjunta de Tecnologia (DAT). \u201cOs alunos colocam a m\u00e3o na massa! E, por isso, essa parte experimental tamb\u00e9m torna a experi\u00eancia ainda mais rica. Acredito que, mesmo em um curto espa\u00e7o de tempo, oferecemos um cen\u00e1rio bastante amplo aos participantes\u201d, afirma Santhiago.<\/p>\n\n\n\n<p>A empolga\u00e7\u00e3o com a ESPEM vai al\u00e9m do brilho nos olhos de seu coordenador. \u201cFoi muito gratificante ouvir as reflex\u00f5es sobre o Ensino de F\u00edsica do Brasil nas palestras dos professores Nelson Studart e Adalberto Fazzio, assim como os professores representantes da SBF que estavam l\u00e1. Foi uma imers\u00e3o muito importante para dialogar sobre o Ensino, n\u00e3o s\u00f3 sobre o Ensino de F\u00edsica, mas como o Ensino de Biologia e Qu\u00edmica\u201d, afirma a professora N\u00e1dja, que concluiu seu mestrado em Ensino de F\u00edsica pela Universidade Federal do Vale do S\u00e3o Francisco (Univasf), em 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes dessa experi\u00eancia, N\u00e1dja fez uma forma\u00e7\u00e3o em STEAM pelo Instituto An\u00edsio Teixeira, sigla que simboliza a import\u00e2ncia das \u00e1reas de Artes, Ci\u00eancias, Tecnologia, Engenharia e Matem\u00e1tica para a inova\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s visitar o CNPEM, ela afirma que aquilo foi um verdadeiro \u201cparque de divers\u00f5es da ci\u00eancia\u201d. \u201cEu pude vivenciar l\u00e1 um verdadeiro parque de divers\u00e3o da ci\u00eancia, que proporcionou uma vis\u00e3o mais ampla, interdisciplinar da ci\u00eancia. Mostrou como as diferentes \u00e1reas do conhecimento se conectam e complementam. Essa nova perspectiva me motivou muito a buscar constantemente novas formas de tornar minhas aulas mais engajadoras e relevantes para os meus alunos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 m\u00fasica para os ouvidos do CNPEM e da SBF. \u201cUma das caracter\u00edsticas desse curso \u00e9 que o professor da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica, ap\u00f3s ter contato com tudo isso, ele vai saber que n\u00f3s brasileiros, sim, produzimos ci\u00eancia de ponta, que est\u00e1 na fronteira do conhecimento. E a gente tira aquela s\u00edndrome do vira-lata\u201d, diz o cientista Acioly.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00f3s sempre buscamos que a ESPEM seja cada vez melhor, para que os alunos absorvam mais conhecimento e levem essas informa\u00e7\u00f5es aos alunos do Ensino B\u00e1sico, porque fazer ci\u00eancia em alto n\u00edvel como fazemos aqui sem d\u00favida ser\u00e1 uma grande motiva\u00e7\u00e3o para estimular o nascimento de futuros cientistas\u201d, diz Santhiago.<\/p>\n\n\n\n<p>A professora N\u00e1dja que o diga: \u201ca minha mensagem aos professores \u00e9 sobre a import\u00e2ncia de buscar novas experi\u00eancias e aprendizados, especialmente para quem participou da ESPEM, pois ela demonstra que, apesar dos desafios do Ensino M\u00e9dio, \u00e9 poss\u00edvel inovar e inspirar os alunos. A F\u00edsica, em especial a Qu\u00e2ntica, deve ser apresentada como mais do que uma disciplina te\u00f3rica, sendo uma oportunidade para despertar o interesse pela Ci\u00eancia e pelo mundo. O segredo est\u00e1 em aplicar o conhecimento adquirido em eventos como a ESPEM no cotidiano da sala de aula, adaptando-o \u00e0 realidade dos alunos e evidenciando como a Ci\u00eancia pode transformar o mundo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>(Colaborou Roger Marzochi)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O c\u00e9u repleto de estrelas quase sempre era acompanhado pela Lua nas mem\u00f3rias das noites de inf\u00e2ncia de N\u00e1dja Cajado da Silva, hoje professora de F\u00edsica do Ensino M\u00e9dio na rede p\u00fablica Estadual da Bahia. 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