{"id":24914,"date":"2024-11-28T16:11:15","date_gmt":"2024-11-28T19:11:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/?p=24914"},"modified":"2024-11-28T16:11:16","modified_gmt":"2024-11-28T19:11:16","slug":"cooperacao-internacional-e-um-excelente-caminho-para-a-paz-afirma-luiz-davidovich","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/cooperacao-internacional-e-um-excelente-caminho-para-a-paz-afirma-luiz-davidovich\/","title":{"rendered":"\u201cCoopera\u00e7\u00e3o internacional \u00e9 um excelente caminho para a paz\u201d, afirma Luiz Davidovich"},"content":{"rendered":"\n<p>A colabora\u00e7\u00e3o internacional entre cientistas e governos \u00e9 extremamente importante n\u00e3o apenas para o futuro do Brasil, mas de muitos outros pa\u00edses ao redor do mundo, pois enfrentamos juntos problemas como mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, extremismos e desinforma\u00e7\u00e3o. A opini\u00e3o \u00e9 do professor em\u00e9rito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Luiz Davidovich, laureado em 14 de novembro com a Medalha TWAS 2025, honraria concedida pela The World Academy of Sciences. No mesmo dia, foram eleitos membros da TWAS os f\u00edsicos Antonio Jos\u00e9 Roque da Silva (CNPEM) e Marcelo Knobel (Unicamp) junto a outros oito cientistas brasileiros de diversas \u00e1reas, todos membros da <a href=\"https:\/\/www.abc.org.br\/2024\/11\/14\/dez-academicos-estao-entre-os-novos-membros-da-twas\/\">Academia Brasileira de Ci\u00eancias<\/a> (ABC).<\/p>\n\n\n\n<p>Para ele, essa vit\u00f3ria pode \u201cacentuar a import\u00e2ncia da internacionaliza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia brasileira, que precisa ser refor\u00e7ada, com incentivo a colabora\u00e7\u00f5es com pa\u00edses desenvolvidos e em desenvolvimento\u201d, lembrando que o Brasil ainda ocupa o 13\u00ba lugar no mundo no ranking de publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas. \u201c\u00c9 interessante observar o exemplo chin\u00eas. Por meio de um financiamento consistente para pesquisa e desenvolvimento, atualmente da ordem de 2,4% do PIB, que \u00e9 oito vezes superior ao PIB brasileiro, o impacto das publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas chinesas aumentou fortemente desde o ano 2010, quando era compar\u00e1vel ao do Brasil, e \u00e9 hoje praticamente igual ao das publica\u00e7\u00f5es dos Estados Unidos\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Davidovich avalia como positiva a volta da import\u00e2ncia da ci\u00eancia no atual governo e acredita que se o Brasil seguir um conjunto de propostas para a pr\u00f3xima d\u00e9cada, que foram debatidas em julho na 5\u00aa Confer\u00eancia Nacional de Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o, \u201co futuro da ci\u00eancia e da inova\u00e7\u00e3o no pa\u00eds poder\u00e1 ser virtuoso, fortalecendo a economia nacional e beneficiando a sa\u00fade e a seguran\u00e7a alimentar da popula\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de aumentar a oferta de empregos mais bem remunerados\u201d.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"588\" src=\"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Luiz-Davidovich-Divulgacao2-1024x588.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-24916\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O professor em\u00e9rito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Luiz Davidovich, ganhador da Medalha TWAS 2025.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Elevar os investimentos em pesquisa, levar o saber cient\u00edfico at\u00e9 a popula\u00e7\u00e3o e o reconhecimento de que o mundo est\u00e1 numa mesma nave chamada Terra s\u00e3o elementos essenciais para o desenvolvimento sustent\u00e1vel em busca de promover a paz. \u201cN\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ter um desenvolvimento sustent\u00e1vel pensando somente no Brasil. O desmatamento da Amaz\u00f4nia e a polui\u00e7\u00e3o de seus rios com merc\u00fario n\u00e3o ocorre apenas no Brasil, os pa\u00edses amaz\u00f4nicos contribuem tamb\u00e9m para isso. A ci\u00eancia e a inova\u00e7\u00e3o podem oferecer alternativas rent\u00e1veis para o desmatamento e a polui\u00e7\u00e3o, por meio do uso sustent\u00e1vel da rica biodiversidade, na Amaz\u00f4nia e em outros biomas. O Brasil pode e deve investir na transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, no reflorestamento, em iniciativas que ajudem a reduzir o aquecimento global. Mas isso n\u00e3o ser\u00e1 suficiente, sem a participa\u00e7\u00e3o de pa\u00edses que s\u00e3o grandes poluidores. Da\u00ed a import\u00e2ncia de f\u00f3runs internacionais, como a COP 30, que envolvem pol\u00edticos e cientistas. A coopera\u00e7\u00e3o internacional para resolver problemas que afligem a humanidade \u00e9 um excelente caminho para a paz.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><em>Leia a entrevista completa que Davidovich concedeu ao <strong>Boletim SBF<\/strong>:<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como o senhor avalia a evolu\u00e7\u00e3o da \u00f3ptica qu\u00e2ntica e da informa\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica desde o in\u00edcio de sua carreira at\u00e9 os dias atuais?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Desde que obtive o meu Ph.D., na Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, houve inicialmente progresso nos fundamentos da \u00f3ptica qu\u00e2ntica, especialmente na parte experimental, com a demonstra\u00e7\u00e3o do anti-agrupamento de f\u00f3tons, testes das desigualdades de Bell, e o desenvolvimento de experimentos de eletrodin\u00e2mica qu\u00e2ntica em cavidades, que permitiam o controle da intera\u00e7\u00e3o de um \u00fanico \u00e1tomo com um \u00fanico f\u00f3ton, em uma cavidade. Controles precisos de \u00edons em armadilhas eletromagn\u00e9ticas tamb\u00e9m foram demonstrados. Esses experimentos permitiram demonstrar propriedades sutis da mec\u00e2nica qu\u00e2ntica. Mais que isso, estimularam novas ideias de aplica\u00e7\u00f5es que dependiam justamente desse controle preciso de \u00e1tomos individuais e suas intera\u00e7\u00f5es. Nasce ent\u00e3o, a partir da d\u00e9cada de 1990, a informa\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica, com propostas nas \u00e1reas de criptografia, computa\u00e7\u00e3o e sensores qu\u00e2nticos, al\u00e9m de progresso no desenvolvimento de emissores e detetores de f\u00f3tons \u00fanicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas propostas deram origem a novas tecnologias qu\u00e2nticas, com aplica\u00e7\u00f5es espetaculares, como rel\u00f3gios at\u00f4micos que adiantam ou atrasam um segundo durante um tempo igual \u00e0 idade do Universo, e que tornaram poss\u00edvel o GPS, transmiss\u00e3o de chaves criptogr\u00e1ficas usando f\u00f3tons emaranhados provenientes de sat\u00e9lites, sensores capazes de detectar pequenos deslocamentos de espelhos de interfer\u00f4metros, permitindo medir, pela primeira vez, as ondas gravitacionais previstas por Albert Einstein. Os conceitos e t\u00e9cnicas desenvolvidos na \u00f3tica qu\u00e2ntica foram fundamentais para esses desenvolvimentos na \u00e1rea de informa\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica. Hoje em dia, computadores qu\u00e2nticos s\u00e3o testados em v\u00e1rios pa\u00edses e grav\u00edmetros qu\u00e2nticos permitem medir a acelera\u00e7\u00e3o gravitacional&nbsp; g na superf\u00edcie da Terra com uma precis\u00e3o de um bilion\u00e9simo de g, o que permite identificar, de forma n\u00e3o invasiva, len\u00e7\u00f3is subterr\u00e2neos de \u00e1gua e \u00f3leo, ou mesmo vest\u00edgios de civiliza\u00e7\u00f5es antigas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quais foram os principais desafios e aprendizados durante seu mandato como presidente da Academia Brasileira de Ci\u00eancias entre 2016 e 2022?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Foram diversos desafios. O principal foi a defesa da ci\u00eancia, amea\u00e7ada, no per\u00edodo 2019-2022, com cortes or\u00e7ament\u00e1rios, persegui\u00e7\u00f5es a universidades p\u00fablicas e posturas anticient\u00edficas do governo federal, que teve um aspecto cr\u00edtico durante a pandemia. A defesa da cloroquina pelo ent\u00e3o Presidente da Rep\u00fablica, que tamb\u00e9m desprezou o uso de m\u00e1scaras e se posicionou contra vacinas, provocou muitas mortes, e era nosso papel moral alertar a popula\u00e7\u00e3o para que seguisse as recomenda\u00e7\u00f5es da ci\u00eancia. Tivemos que lidar tamb\u00e9m com persegui\u00e7\u00f5es a cientistas e a propaga\u00e7\u00e3o de ideias falsas: at\u00e9 terraplanismo foi reabilitado, com comenda dada por uma assembleia legislativa estadual a um indiv\u00edduo que afirmava ter provado que a Terra era plana\u2026&nbsp; Por outro lado, aprendemos a usar outros meios de comunica\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico em tempos de pandemia, organizando um webin\u00e1rio semanal sobre v\u00e1rios temas da ci\u00eancia, com pain\u00e9is formados por cientistas renomados, nacionais e internacionais. E intensificamos nossos contatos com a imprensa e com outras organiza\u00e7\u00f5es. Por exemplo, publicamos dois artigos na Folha de S\u00e3o Paulo, cr\u00edticos \u00e0 atua\u00e7\u00e3o do governo federal frente \u00e0 pandemia, juntamente com a SBPC, a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Imprensa, a Comiss\u00e3o Arns, a Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil e a Ordem dos Advogados do Brasil. Foi importante tamb\u00e9m a participa\u00e7\u00e3o da Academia Brasileira de Ci\u00eancias na Iniciativa para a Ci\u00eancia e Tecnologia no Parlamento (ICTP.Br), um movimento organizado da comunidade brasileira de ci\u00eancia e tecnologia para atua\u00e7\u00e3o permanente junto aos parlamentares no Congresso Nacional e, tamb\u00e9m, em Assembleias Legislativas e C\u00e2maras Municipais, em prol do desenvolvimento cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico do pa\u00eds. Foi uma luta dif\u00edcil, que continua no momento atual, pois as universidades federais e o CNPq contam com recursos insuficientes e novas amea\u00e7as contra o FNDCT (que corresponde a apenas 0,1% do PIB) aparecem, como se os parcos recursos para ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o no pa\u00eds fossem respons\u00e1veis pelo desequil\u00edbrio do arcabou\u00e7o fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O senhor mencionou que a TWAS desempenha um papel importante na mitiga\u00e7\u00e3o da desigualdade entre pa\u00edses. Poderia compartilhar exemplos de iniciativas ou projetos que ilustram essa contribui\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 v\u00e1rios programas da TWAS direcionados para pa\u00edses menos desenvolvidos, financiados por v\u00e1rias ag\u00eancias, entre as quais destaca-se a Ag\u00eancia Sueca de Coopera\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento Internacional (Swedish International Development Cooperation Agency \u2014 Sida), com recursos para pesquisa (\u201cgrants\u201d) e bolsas de estudo em pa\u00edses mais desenvolvidos. O CNPq tem contribu\u00eddo com bolsas de doutoramento, h\u00e1 uma chamada aberta neste momento \u2014 chamada CNPq\/TWAS no. 45\/2024.<\/p>\n\n\n\n<p>Recursos para pesquisa t\u00eam sido dados em uma grande variedade de temas, para indiv\u00edduos ou para projetos colaborativos entre diferentes pa\u00edses: Agricultura, Biologia, Qu\u00edmica, Ci\u00eancias da Terra, Engenharia, Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o e Inform\u00e1tica, Matem\u00e1tica, Ci\u00eancias M\u00e9dicas, F\u00edsica e Clima. Exemplos de projetos colaborativos financiados pela TWAS:&nbsp; colabora\u00e7\u00e3o entre Qu\u00eania e Bangladesh para agricultura de tomates livre de inseticidas; colabora\u00e7\u00e3o entre Qu\u00eania e Madagascar para aumentar a produtividade do solo; colabora\u00e7\u00e3o entre Gana e Senegal para transformar biomassa em nanocelulose, que pode ser usada para construir eletrodos para dispositivos de armazenamento de energia. H\u00e1 tamb\u00e9m um projeto humanit\u00e1rio importante da TWAS, em conjunto com outras institui\u00e7\u00f5es internacionais, chamado \u201cCi\u00eancia no Ex\u00edlio\u201d, que se prop\u00f5e a apoiar e integrar cientistas em risco, deslocados e refugiados. N\u00famero que aumenta a cada ano\u2026<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ap\u00f3s receber o Pr\u00eamio TWAS de F\u00edsica em 2001 e agora a Medalha TWAS 2025, como o senhor enxerga o impacto desses reconhecimentos em sua trajet\u00f3ria profissional e na ci\u00eancia brasileira?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ter um reconhecimento \u00e9 sempre bom, embora o prazer de fazer pesquisa, de se envolver com ci\u00eancia e participar desse fant\u00e1stico empreendimento humano, de ter ideias, de investigar as sutilezas da Natureza e, em particular, do mundo qu\u00e2ntico, j\u00e1 sejam por si s\u00f3 uma grande recompensa. Com rela\u00e7\u00e3o ao pr\u00eamio vir da TWAS, isso para mim foi um reconhecimento especial, pois tenho grande admira\u00e7\u00e3o por essa organiza\u00e7\u00e3o, fundada em 1983 por um grupo de cientistas liderados pelo f\u00edsico paquistan\u00eas Abdus Salam, pr\u00eamio Nobel de F\u00edsica em 1979.&nbsp; A mitiga\u00e7\u00e3o da desigualdade entre pa\u00edses, mencionada anteriormente, \u00e9 apenas um aspecto da TWAS.<\/p>\n\n\n\n<p>Em suas reuni\u00f5es, convivem e trocam ideias cientistas, ateus ou com diversas cren\u00e7as religiosas, oriundos de pa\u00edses eventualmente em conflito. Um exemplo de como a ci\u00eancia pode ajudar a superar as barreiras do medo e do preconceito, de como a ci\u00eancia pode ajudar a paz. Isso faz parte de minha trajet\u00f3ria e esse reconhecimento me estimula a continuar nela.<\/p>\n\n\n\n<p>O impacto na ci\u00eancia brasileira pode ser, assim espero, acentuar a import\u00e2ncia da internacionaliza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia brasileira, que precisa ser refor\u00e7ada, com incentivo a colabora\u00e7\u00f5es com pa\u00edses desenvolvidos e em desenvolvimento. O Brasil est\u00e1 em 13\u00ba lugar no mundo, no n\u00famero de publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, mas o impacto normalizado por \u00e1rea das publica\u00e7\u00f5es est\u00e1 abaixo da m\u00e9dia mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 interessante observar o exemplo chin\u00eas. Por meio de um financiamento consistente para pesquisa e desenvolvimento, atualmente da ordem de 2,4% do PIB, que \u00e9 oito vezes superior ao PIB brasileiro, o impacto das publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas chinesas aumentou fortemente desde o ano 2010, quando era compar\u00e1vel ao do Brasil, e \u00e9 hoje praticamente igual ao das publica\u00e7\u00f5es dos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ter um ecossistema cient\u00edfico com uma diversidade de \u00e1reas \u00e9 importante, o Brasil tem que estar no CERN, no Fermilab, nos grandes telesc\u00f3pios, nas \u00e1reas portadoras de futuro, como biologia sint\u00e9tica, CRISPR, novos materiais, tecnologias qu\u00e2nticas, e tamb\u00e9m ter grupos de pesquisa em ci\u00eancias humanas e sociais. Mas \u00e9 preciso tamb\u00e9m pautar internacionalmente \u00e1reas de pesquisa, especialmente aquelas em que o Brasil tem vantagens comparativas, como agricultura, bioeconomia, transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, complexo econ\u00f4mico-Industrial da sa\u00fade e servi\u00e7os ambientais, temas de grande relev\u00e2ncia na pol\u00edtica econ\u00f4mica e industrial do pa\u00eds, que encorajam a coopera\u00e7\u00e3o com pa\u00edses em desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quais s\u00e3o suas perspectivas sobre o futuro da ci\u00eancia no Brasil e o papel das institui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas na promo\u00e7\u00e3o do desenvolvimento sustent\u00e1vel e da paz, em um momento em que estamos tanto no Brasil quanto no exterior com conflitos intermin\u00e1veis e a amea\u00e7a do aquecimento global?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Academia Brasileira de Ci\u00eancias e a SBPC, assim como outras sociedades cient\u00edficas, inclusive a SBF, t\u00eam elaborado propostas para educa\u00e7\u00e3o, ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o, em uma perspectiva de desenvolvimento sustent\u00e1vel, que t\u00eam sido apresentadas sistematicamente aos candidatos \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, e tamb\u00e9m a parlamentares.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O governo atual melhorou substancialmente o financiamento \u00e0 ci\u00eancia e \u00e0 inova\u00e7\u00e3o ao eliminar o contingenciamento do Fundo Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (FNDCT) e aumentar o valor das bolsas de mestrado e doutorado. Mas para beneficiar a popula\u00e7\u00e3o e impulsionar a economia e o protagonismo internacional do pa\u00eds, \u00e9 preciso muito mais. E \u00e9 necess\u00e1rio que educa\u00e7\u00e3o, ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o fa\u00e7am parte de uma pol\u00edtica de Estado, que se mantenha de um governo para outro.<\/p>\n\n\n\n<p>Tivemos no \u00faltimo semestre reuni\u00f5es em todo o pa\u00eds, com mais de 100 mil participantes, preparat\u00f3rias para a 5\u00aa Confer\u00eancia Nacional de Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o, realizada no final de julho, que apresentou um conjunto de propostas para a pr\u00f3xima d\u00e9cada, com \u00eanfase no desenvolvimento sustent\u00e1vel. Essas propostas foram resumidas utilizando intelig\u00eancia artificial e est\u00e3o sendo consolidadas para uma pr\u00f3xima publica\u00e7\u00e3o. Essas propostas apontam um caminho sustent\u00e1vel, com justi\u00e7a social, para o desenvolvimento do pa\u00eds. Se esse caminho for trilhado, o futuro da ci\u00eancia e da inova\u00e7\u00e3o no pa\u00eds poder\u00e1 ser virtuoso, fortalecendo a economia nacional e beneficiando a sa\u00fade e a seguran\u00e7a alimentar da popula\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de aumentar a oferta de empregos mais bem remunerados.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas para que isso ocorra, \u00e9 necess\u00e1rio haver uma intera\u00e7\u00e3o constante da comunidade cientifica com o executivo e com parlamentares, nos \u00e2mbitos municipal, estadual e federal. As institui\u00e7\u00f5es cientificas t\u00eam um papel fundamental nesse sentido, promovendo a divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica para conscientizar a popula\u00e7\u00e3o sobre os benef\u00edcios da ci\u00eancia, construindo propostas para modernizar o sistema educacional, organizando encontros cient\u00edficos, interagindo com os parlamentares e setores do executivo, fazendo press\u00e3o por meio da imprensa e da presen\u00e7a no Parlamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ter um desenvolvimento sustent\u00e1vel pensando somente no Brasil. O desmatamento da Amaz\u00f4nia e a polui\u00e7\u00e3o de seus rios com merc\u00fario n\u00e3o ocorre apenas no Brasil, os pa\u00edses amaz\u00f4nicos contribuem tamb\u00e9m para isso. A ci\u00eancia e a inova\u00e7\u00e3o podem oferecer alternativas rent\u00e1veis para o desmatamento e a polui\u00e7\u00e3o, por meio do uso sustent\u00e1vel da rica biodiversidade, na Amaz\u00f4nia e em outros biomas. O Brasil pode e deve investir na transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, no reflorestamento, em iniciativas que ajudem a reduzir o aquecimento global. Mas isso n\u00e3o ser\u00e1 suficiente, sem a participa\u00e7\u00e3o de pa\u00edses que s\u00e3o grandes poluidores. Da\u00ed a import\u00e2ncia de f\u00f3runs internacionais, como a COP 30, que envolvem pol\u00edticos e cientistas. A coopera\u00e7\u00e3o internacional para resolver problemas que afligem a humanidade \u00e9 um excelente caminho para a paz.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>(Colaborou Roger Marzochi)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A colabora\u00e7\u00e3o internacional entre cientistas e governos \u00e9 extremamente importante n\u00e3o apenas para o futuro do Brasil, mas de muitos outros pa\u00edses ao redor do mundo, pois enfrentamos juntos problemas como mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, extremismos e desinforma\u00e7\u00e3o. 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