{"id":24910,"date":"2024-11-28T16:03:04","date_gmt":"2024-11-28T19:03:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/?p=24910"},"modified":"2024-11-28T16:03:05","modified_gmt":"2024-11-28T19:03:05","slug":"meninas-descobrem-que-o-sabor-da-astronomia-as-leva-ate-uma-viagem-a-nasa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/meninas-descobrem-que-o-sabor-da-astronomia-as-leva-ate-uma-viagem-a-nasa\/","title":{"rendered":"Meninas descobrem que o sabor da astronomia as leva at\u00e9 uma viagem \u00e0 Nasa"},"content":{"rendered":"\n<p>As mulheres sempre tiveram um papel importante na ci\u00eancia e no estudo da astronomia, desde Hip\u00e1tia de Alexandria (370-415 d.C.) a Vera Rubin, que a partir de sua pesquisa apresentou evid\u00eancias para a detec\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria escura no s\u00e9culo 20. Com a inspira\u00e7\u00e3o dessas grandes cientistas, o projeto Meninas na Ci\u00eancia, liderado por Gabriela Kaiana Ferreira, professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), vem fazendo uma imers\u00e3o no espa\u00e7o profundo a partir do olhar feminino.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o ano passado, o projeto participa do Ca\u00e7a Asteroides, uma parceria entre o Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00f5es (MCTI) e o International Astronomical Search Collaboration (IASC\/NASA PARTNER), que estimula jovens a identificar rochas ainda n\u00e3o catalogadas no espa\u00e7o a partir de um conjunto de imagens fornecidas por um observat\u00f3rio instalado no Hava\u00ed. Em decorr\u00eancia desse projeto, uma escola privada vai levar tr\u00eas alunas do Ensino M\u00e9dio at\u00e9 a sede da Nasa, nos Estados Unidos, em janeiro de 2026.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Kyara-Carolayne-Lopes-Maria-Heloise-Moraes-de-Souza-Valeska-Tibisay-e-a-profa-Gabriela-Gauche-do-Marista-Social-Lucia-Mayvorne-1024x768.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-24912\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Kyara Carolayne Lopes, Maria Heloise Moraes de Souza, Valeska Tibisay e a profa Gabriela Gauche do Marista Social Lucia Mayvorne.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Em 2023, as meninas identificaram oito candidatos a asteroides e, neste ano, foram nada mais do que dez. O interesse pelos mist\u00e9rios do Cosmos levou, neste ano, \u00e0 inscri\u00e7\u00e3o de 140 meninas de escolas do Ensino Fundamental, Ensino M\u00e9dio, Gradua\u00e7\u00e3o e P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias partes do Brasil ao projeto por meio do Meninas na Ci\u00eancia, que as reuniu em 11 equipes, comandas pela pr\u00f3pria Kaiana e pelas demais l\u00edderes Ana Lindsey Fernandes, Gabriela Gauche, Ana Carolina Momm, Ana Isadora Martins, Caroline Conti, Julia Medeiros, Selene&nbsp;de Souza Siqueira Soares, Graziela Piccoli Richetti, Giovana Conod e Luma Mendon\u00e7a. Cada equipe recebeu um pacote com 20 imagens que foram analisadas utilizando o software Astrom\u00e9trica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente viu que foi uma atividade que teve muita repercuss\u00e3o para o projeto Meninas na Ci\u00eancia, pois trouxe mais interessadas para o nosso Instagram. E as nossas atividades n\u00e3o s\u00e3o apenas presenciais, mas tamb\u00e9m online. Tivemos mais inscritas em palestras online e pessoas no Instagram procurando saber das not\u00edcias envolvendo a ca\u00e7ada aos asteroides\u201d, diz Kaiana.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela aposta no projeto e espera que, no pr\u00f3ximo ano, consiga financiamento para aprimorar o trabalho de pesquisa e, principalmente, levar as meninas na premia\u00e7\u00e3o durante a Semana Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia (SNCT), que neste ano ocorreu no dia 9 de novembro, em Bras\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>Debora Peres Menezes, representando as equipes premiadas pelo Programa Ca\u00e7a Asteroides, recebeu as medalhas das quatro equipes premiadas. D\u00e9bora \u00e9 ex-presidente da Sociedade Brasileira de F\u00edsica (2021 \u2013 2023), professora da UFSC e&nbsp; hoje ocupa a Diretoria de An\u00e1lise de Resultados e Solu\u00e7\u00f5es Digitais (DASD) do CNPq. No dia 6 de dezembro, na UFSC, haver\u00e1 um evento de entrega das medalhas \u00e0s meninas.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de ser um sucesso, o projeto ainda conseguiu um efeito incr\u00edvel. Tr\u00eas meninas que participaram das equipes ser\u00e3o levadas para conhecer as depend\u00eancias da Nasa, nos Estados Unidos. Maria Heloise Moraes de Souza, Kyara Carolayne Lopes e Valeska Tibisay, estudantes do col\u00e9gio Marista Social Lucia Mayvorne, na comunidade do Monte Serrat, em Florian\u00f3polis, embarcar\u00e3o para essa aventura em janeiro de 2026. Elas s\u00e3o alunas de Gabriela Gauche, que entrou neste ano no Mestrado Nacional Profissional de Ensino de F\u00edsica (MNPEF), na UFSC.<\/p>\n\n\n\n<p>O Col\u00e9gio Marista, que desenvolve um programa de envio de estudantes para a NASA, ficou t\u00e3o impressionado com os resultados do Ca\u00e7a Asteroides do projeto Meninas na Ci\u00eancia que decidiu proporcionar essa experi\u00eancia \u00e0s jovens participantes, transformando a ca\u00e7ada em um ponto de partida para uma jornada extraordin\u00e1ria<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu tive uma experi\u00eancia com rob\u00f3tica e agora com esse projeto do Meninas na Ci\u00eancia. A gente nunca imaginou que ia ter essa volta toda com esse projeto do Ca\u00e7a Asteroides que, na minha cabe\u00e7a, era pequeno. Mas agora que eu estou percebendo que \u00e9 muito grande\u201d, diz Valeska, 18 anos, que nasceu na Venezuela, viveu na Col\u00f4mbia e est\u00e1 h\u00e1 tr\u00eas anos no Brasil. \u201cPara a gente foi algo muito \u00fanico, mas parecia muito pequeno no in\u00edcio. A gente n\u00e3o tinha a percep\u00e7\u00e3o de qu\u00e3o grande era o projeto, que foi se tornando uma coisa imensa. Quando a gente viu, est\u00e1vamos at\u00e9 chorando\u201d, diz Maria Heloise, 17 anos, que mora a vida toda na comunidade do Monte Serrat e desde sempre estuda no Marista Social Lucia Mayvorne.<\/p>\n\n\n\n<p>Ambas agradecem profundamente a iniciativa do Meninas na Ci\u00eancia e do col\u00e9gio Marista, porque al\u00e9m da viagem, sentiram-se empoderadas n\u00e3o apenas para trilhar uma carreira na ci\u00eancia, mas para provar que o lugar da mulher \u00e9 onde ela sonhar. \u201cEu tenho uma mente mais aberta para a ci\u00eancia agora. E cada experi\u00eancia importa para a nossa vida. Ent\u00e3o, ver a volta toda que teve esse projeto, faz n\u00f3s nos sentirmos mais capazes de fazer v\u00e1rias coisas!\u201d, diz Valeska. \u201cEu acho que eu sempre pensei que eu queria seguir um caminho e que seria s\u00f3 esse caminho. E esse projeto me fez pensar que n\u00e3o tem s\u00f3 um caminho. Tem v\u00e1rios caminhos. Principalmente para n\u00f3s mulheres. E que a gente deve seguir outros caminhos, deve estar nesses lugares que a gente merece\u201d, completa Maria Heloise.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO mais legal do projeto Meninas na Ci\u00eancia com a Ca\u00e7a Asteroides \u00e9 fazer com que meninas participem de algo que elas nunca imaginaram que elas poderiam participar, experenciando como a ci\u00eancia \u00e9 produzida e como a ci\u00eancia pode ser acess\u00edvel.\u201d, diz Gabriela Gauche. \u201cAl\u00e9m disso, \u00e9 importante que elas percebam que podem estar onde elas quiserem, n\u00e3o somente nas ci\u00eancias, mas que s\u00e3o capazes de fazerem aquilo que elas desejarem, contrariando todo esse estere\u00f3tipo que a gente j\u00e1 conhece de muitos anos sobre o papel social da mulher.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O espa\u00e7o \u00e9 das mulheres &#8211; Principais destaques femininos no estudo do Universo<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Antiguidade<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>370-415 d.C. &#8211;<\/strong> Hip\u00e1tia de Alexandria: fil\u00f3sofa, matem\u00e1tica e astr\u00f4noma que contribuiu para o conhecimento dos astros e a dissemina\u00e7\u00e3o do pensamento cient\u00edfico na antiguidade.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Tempos Modernos<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>S\u00e9<\/strong><strong>culo 19<\/strong> \u2013 Williamina Fleming foi uma astr\u00f4noma pioneira que catalogou milhares de estrelas e nebulosas no Observat\u00f3rio de Harvard. Ela desenvolveu um sistema de classifica\u00e7\u00e3o estelar baseado no espectro das estrelas, que foi a base para o trabalho de Annie Jump Cannon. Fleming tamb\u00e9m descobriu 10 novas estrelas e mais de 300 vari\u00e1veis, sendo uma das primeiras mulheres a receber reconhecimento significativo na astronomia. Henrietta Swan Leavitt descobriu a rela\u00e7\u00e3o entre o per\u00edodo e a luminosidade das estrelas cefeidas, essencial para medir dist\u00e2ncias no cosmos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>S\u00e9culo 20<\/strong> &#8211; Vera Rubin desafiou paradigmas ao demonstrar a exist\u00eancia da mat\u00e9ria escura, revolucionando a astrof\u00edsica. Cec\u00edlia Payne-Gaposchkin, em sua tese de doutorado em 1925, revelou que as estrelas s\u00e3o compostas majoritariamente de hidrog\u00eanio e h\u00e9lio, uma descoberta ignorada \u00e0 \u00e9poca, mas posteriormente confirmada como um marco na ci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>A Astr\u00f4noma norte-americana Sandra Faber \u00e9 co-desenvolvedora da Lei de Faber-Jackson, que relaciona a luminosidade de gal\u00e1xias el\u00edpticas \u00e0 velocidade de suas estrelas, e contribuiu para o desenvolvimento do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble.<\/p>\n\n\n\n<p>A f\u00edsica brasileira Carola Dobrigkeit Chinellato, professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), foi aluna e amiga de C\u00e9sar Lattes e representa o Brasil no Observat\u00f3rio Pierre Auger, na Argentina, e \u00e9 a maior especialista em raios c\u00f3smicos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>S\u00e9culo 21<\/strong> -J\u00e1 Katie Bouman \u00e9 uma cientista da computa\u00e7\u00e3o que liderou a cria\u00e7\u00e3o do algoritmo usado para gerar a primeira imagem de um buraco negro, capturado em 2019 pelo projeto Event Horizon Telescope.<\/p>\n\n\n\n<p>A astrof\u00edsica brasileira Isabel Aleman, de Embu das Artes, na Grande S\u00e3o Paulo, participou da coordena\u00e7\u00e3o do estudo das primeiras fotos feitas pelo Telesc\u00f3pio Espacial James Webb da nebulosa NGC 3132, ou Nebulosa do Anel do Sul, que est\u00e1 a 2,5 mil anos-luz da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Rita de C\u00e1ssia dos Anjos, professora da Universidade Federal do Paran\u00e1 Se\u00e7\u00e3o Palotina, \u00e9 vencedora dos pr\u00eamios da SBF Carolina Nemes e Anselmo Salles Paschoa, \u00e9 uma grande cientista dos projetos internacionais do Observat\u00f3rio Pierre Auger, na Argentina, e o Cherenkov Telescope Array (CTA), que estudam raios c\u00f3smicos e raios gama.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>(Colaborou Roger Marzochi)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As mulheres sempre tiveram um papel importante na ci\u00eancia e no estudo da astronomia, desde Hip\u00e1tia de Alexandria (370-415 d.C.) a Vera Rubin, que a partir de sua pesquisa apresentou evid\u00eancias para a detec\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria escura no s\u00e9culo 20. 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