{"id":24269,"date":"2024-09-26T11:42:11","date_gmt":"2024-09-26T14:42:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/?p=24269"},"modified":"2024-09-26T11:42:11","modified_gmt":"2024-09-26T14:42:11","slug":"pioneiro-de-tecnica-da-espectroscopia-raman-da-ufmg-vence-premio-cbmm","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/pioneiro-de-tecnica-da-espectroscopia-raman-da-ufmg-vence-premio-cbmm\/","title":{"rendered":"Pioneiro de t\u00e9cnica da espectroscopia Raman da UFMG vence Pr\u00eamio CBMM"},"content":{"rendered":"\n<p>O f\u00edsico Marcos Assun\u00e7\u00e3o Pimenta levou a universidade e o Brasil a um reconhecimento mundial nas pesquisas de nanotubos de carbono e defeitos em grafeno.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem disse que pensar pequeno n\u00e3o se leva ao sucesso? Na d\u00e9cada de 1990, o f\u00edsico Marcos Assun\u00e7\u00e3o Pimenta, professor do Departamento de F\u00edsica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), iniciou uma s\u00e9rie de projetos para produzir e investigar estruturas nanom\u00e9tricas de carbono, algo muit\u00edssimo menor que um fio de cabelo (50 mil nan\u00f4metros) ou as c\u00e9lulas do nosso corpo (2 mil nan\u00f4metros). Com a sua lideran\u00e7a e a ajuda de outros professores, como Luiz Orlando Ladeira, Pimenta estimulou a transforma\u00e7\u00e3o da UFMG em refer\u00eancia no Brasil no estudo e aplica\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas de nanotubos de carbono e grafeno. Este trabalho levou a cria\u00e7\u00e3o do Centro de Tecnologia em Nanomateriais e Grafeno (CTNano) no parque tecnol\u00f3gico de Belo Horizonte, o BHTec. Os trabalhos de Marcos Pimenta usando espectroscopia Raman ressonante para estudar nanotubos, grafeno e, mais recentemente, outros sistemas bidimensionais se tornaram refer\u00eancias mundiais e t\u00eam um elevado n\u00famero de cita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse pioneirismo \u00e9 agora homenageado com a vit\u00f3ria de Pimenta na sexta edi\u00e7\u00e3o do Pr\u00eamio CBMM de Ci\u00eancia e Tecnologia, premia\u00e7\u00e3o promovida pela Companhia Brasileira de Metalurgia e Minera\u00e7\u00e3o. O outro vencedor foi Marcelo Britto Passos Amato, doutor em Medicina pela Universidade de S\u00e3o Paulo e atual chefe da UTI-Respirat\u00f3ria do INCOR-Hospital das Cl\u00ednicas. Amato dedicou seus estudos a descobrir e aprimorar instrumentos e monitores \u00e0 beira-leito, com o objetivo de reduzir a mortalidade em pacientes intubados e aperfei\u00e7oar o trabalho nas Unidades de Tratamento Intensivo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu me senti muito feliz com esse pr\u00eamio, pois foi um reconhecimento desse trabalho que come\u00e7ou h\u00e1 25 anos, quando decidi implementar na UFMG pesquisas de nanotubos de carbono e nanografites\u201d, diz Pimenta, em entrevista ao <strong><a href=\"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/boletim\/boletim-eletronico\/\" title=\"\">Boletim SBF<\/a><\/strong>. Sua especialidade \u00e9 a espectroscopia Raman, um m\u00e9todo no qual um laser consegue explorar o comportamento dos \u00e1tomos e el\u00e9trons da mat\u00e9ria<s>.<\/s><\/p>\n\n\n\n<p>Em 1998, iniciou as pesquisas com nanotubos de carbono e publicou uma s\u00e9rie de artigos que mostraram que a espectroscopia Raman ressonante fornece informa\u00e7\u00f5es sobre a estrutura at\u00f4mica dos nanotubos. Pouco depois da descoberta do grafeno, seu grupo conseguiu produzir amostras na UFMG e, em 2007, publicou um artigo pioneiro no Brasil em estudos do grafeno. \u201cDesde o come\u00e7o eu percebi que precisaria formar um grupo para fortalecer essa linha de pesquisa na UFMG. Luiz Orlando Ladeira foi meu primeiro companheiro no Departamento de F\u00edsica da UFMG. A sua especialidade \u00e9 produzir nanomateriais de carbono e, em 2000, ele produziu os nanotubos de carbono. Em seguida, o nosso objetivo foi orientar estudantes e formar recursos humanos, al\u00e9m tamb\u00e9m de convencer colegas da UFMG que era interessante fazer uma especializa\u00e7\u00e3o para migrar para essa \u00e1rea de pesquisa\u201d, diz o cientista, que buscou incluir qu\u00edmicos nos projetos de pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Pimenta, a partir de investimentos realizados pelo governo que se iniciaram h\u00e1 cerca de 20 anos, foi poss\u00edvel formar muitos pesquisadores nessa \u00e1rea, especialmente com a cria\u00e7\u00e3o do Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia (INCT) em Nanomateriais de Carbono, rede de pesquisadores que estuda e desenvolve tecnologias em grafeno e nanotubos, coordenada pelo cientista desde 2009. O INCT tem hoje mais de 100 membros em 13 diferentes Estados do Brasil e viabilizou, ao longo de 15 anos, a aquisi\u00e7\u00e3o de equipamentos para produ\u00e7\u00e3o e desenvolvimento tecnol\u00f3gico dos materiais, al\u00e9m de nove Encontros nacionais para o interc\u00e2mbio cient\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p>Pimenta ainda foi subcoordenador do Instituto do Mil\u00eanio em Nanoci\u00eancias, de 2002 a 2005, e coordenador da Rede Nacional de Pesquisa em Nanotubos, de 2005 a 2009.&nbsp; Pimenta coordenou de 2010 a 2020 o projeto que deu origem ao Centro de Tecnologia de Nanomateriais e Grafeno (CTNano), instalado no Parque Tecnol\u00f3gico de Belo Horizonte (BHTec). O CTNano desenvolve novas tecnologias e produtos, sempre em colabora\u00e7\u00e3o com o setor industrial, trabalhando tamb\u00e9m no escalonamento e na viabilidade comercial dos produtos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">De Volta para o Futuro<\/h2>\n\n\n\n<p>Pimenta lamenta que os recursos para a \u00e1rea foram sendo reduzidos ano a ano. \u201cSe a gente conseguiu formar recursos humanos, comprar equipamentos e investir em infraestrutura, todo esse investimento foi feito com recursos de 20 a 10 anos atr\u00e1s. Nos \u00faltimos anos, os recursos est\u00e3o bastante minguados. Houve uma melhora recente, mas ainda assim, o que a gente sonha \u00e9 chegar ao que a gente j\u00e1 viveu. Sentimos o gostinho de ver o Brasil, digamos assim, acontecendo em termos de ci\u00eancia e tecnologia\u201d, explica. \u201cH\u00e1 15 anos, encontr\u00e1vamos em congressos internacionais v\u00e1rios brasileiros, v\u00e1rios estudantes de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o apresentando trabalhos; e a situa\u00e7\u00e3o hoje \u00e9 diferente. O que a gente quer \u00e9 voltar a ser o que foi h\u00e1 15 anos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, Pimenta conduz pesquisas em novos materiais bidimensionais, uma \u00e1rea que teve in\u00edcio com a descoberta do grafeno em 2004. Ele \u00e9 considerado bidimensional porque \u00e9 mais fino que um fio de cabelo, mas possui propriedades condutoras de eletricidade incr\u00edveis. Mas Pimenta explica que o grafeno sozinho n\u00e3o faz milagre e precisa de outros materiais para se criar um dispositivo, por exemplo. E hoje o cientista mineiro estuda o semicondutor bidimensional chamado bissulfeto de molibd\u00eanio (MoS2) e outros sistemas desta fam\u00edlia. \u201cO grafeno \u00e9 um condutor de eletricidade. Ent\u00e3o, ele n\u00e3o \u00e9 apropriado para a eletr\u00f4nica digital, onde \u00e9 necess\u00e1rio haver um transistor, por exemplo, no qual se usa um material semicondutor para isso. E esses outros materiais bidimensionais s\u00e3o apropriados para isso.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>(Colaborou Roger Marzochi)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O f\u00edsico Marcos Assun\u00e7\u00e3o Pimenta levou a universidade e o Brasil a um reconhecimento mundial nas pesquisas de nanotubos de carbono e defeitos em grafeno. Quem disse que pensar pequeno n\u00e3o se leva ao sucesso? 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