{"id":24174,"date":"2024-09-12T15:20:57","date_gmt":"2024-09-12T18:20:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/?p=24174"},"modified":"2024-09-12T15:20:57","modified_gmt":"2024-09-12T18:20:57","slug":"um-adeus-a-ramayana-gazzinelli","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/um-adeus-a-ramayana-gazzinelli\/","title":{"rendered":"Um adeus a Ramayana Gazzinelli"},"content":{"rendered":"\n<p>O falecimento de Ramayana Gazzinelli, professor em\u00e9rito da Universidade Federal de Minas Gerais e ex-presidente da Sociedade Brasileira de F\u00edsica, dia 2 de setembro de 2024, causou enorme consterna\u00e7\u00e3o. Ramayana estava com 91 anos e faleceu no conforto de sua casa, ao lado de seus familiares. Deixou sua esposa Alzira, seus filhos Gustavo, Ricardo, Let\u00edcia e Elisa, onze netos e dois bisnetos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ramayana Gazzinelli nasceu em Ara\u00e7ua\u00ed, no Vale do Jequitinhonha em Minas Gerais, em 7 de julho de 1933, e mudou-se ainda jovem para Belo Horizonte, onde completou seu curso prim\u00e1rio e fez o secund\u00e1rio. Formou-se em engenharia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 1956 e fez especializa\u00e7\u00e3o em engenharia nuclear em 1957, na mesma universidade. Em 1959, foi para os Estados Unidos, onde fez mestrado e doutorado em f\u00edsica na Universidade Columbia, em Nova York. Para um de n\u00f3s (AC), comentou algumas vezes sobre as dificuldades que teve ao fazer p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em uma universidade de elite, como a Columbia, com a sua forma\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, que s\u00f3 ent\u00e3o percebeu o quanto era prec\u00e1ria. Teve de se empenhar muito arduamente, o que s\u00f3 foi poss\u00edvel porque contou com o apoio de sua esposa Alzira, que cuidou de todos os outros afazeres e o liberou para dedica\u00e7\u00e3o aos estudos. Queria especializar-se em f\u00edsica do estado s\u00f3lido, cuja pesquisa experimental requeria menos recursos, e para orientador de tese procurou Robert Lee Mieher, jovem f\u00edsico que retornara recentemente da Alemanha e ingressara na Columbia. Este estava interessado em Resson\u00e2ncia Dupla Eletr\u00f4nica-Nuclear (ENDOR, na sigla em ingl\u00eas) e propunha-se a construir um espectr\u00f4metro ENDOR superheterodino, que daria mais sensibilidade e resolu\u00e7\u00e3o \u00e0 espectroscopia ENDOR, ainda recente. Deu a Ramayana, como parte do projeto de tese, a constru\u00e7\u00e3o do espectr\u00f4metro. A t\u00e9cnica superheterodina era bem estabelecida na transmiss\u00e3o e recep\u00e7\u00e3o de ondas de r\u00e1dio, mas em frequ\u00eancias de micro-ondas, em que se d\u00e1 a resson\u00e2ncia magn\u00e9tica eletr\u00f4nica, ela gera instabilidades dif\u00edceis de serem controladas. &nbsp;\u00c9 realmente admir\u00e1vel que Ramayana tenha tido sucesso em construir o espectr\u00f4metro, est\u00e1vel o bastante para determinar com ele a estrutura eletr\u00f4nica de um dado defeito em cristais de fluoreto de l\u00edtio (LiF).<\/p>\n\n\n\n<p>Ramayana retornou ao Brasil em 1964 e era o primeiro PhD em Minas Gerais. Mas foi contratado na UFMG como Professor Assistente, pois no sistema universit\u00e1rio brasileiro da \u00e9poca s\u00f3 havia as fun\u00e7\u00f5es de Professor Catedr\u00e1tico e Professor Assistente, escolhido pelo catedr\u00e1tico da cadeira. A reforma universit\u00e1ria, que visava modernizar universidade, estava em discuss\u00e3o, e Ramayana empenhou-se nela.&nbsp; Foi, talvez, o mais l\u00facido e articulado defensor da reforma em Minas Gerais.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas seu maior empenho foi dedicado a iniciar pesquisa e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em f\u00edsica na UFMG. J\u00e1 havia um departamento de f\u00edsica vinculado \u00e0 Faculdade de Filosofia, Ci\u00eancias e Letras, dedicado apenas ao ensino, pois n\u00e3o havia laborat\u00f3rios cient\u00edficos, nem espa\u00e7o para eles. Por sorte, em 1964, Alu\u00edsio Pimenta tornou-se reitor da UFMG e tomou iniciativas importantes na constru\u00e7\u00e3o do Campus da Pampulha. Mudou tamb\u00e9m o estatuto da universidade, no qual ficou prevista a constru\u00e7\u00e3o de institutos centrais para as \u00e1reas de ci\u00eancias exatas e para as ci\u00eancias biol\u00f3gicas. Em 1967, os alunos de f\u00edsica, matem\u00e1tica e qu\u00edmica j\u00e1 estavam tendo aulas em um pr\u00e9dio de ensino para estudantes dessas \u00e1reas \u2013 os cursos de computa\u00e7\u00e3o e de estat\u00edstica s\u00f3 foram criados mais tarde.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu \u00f3timo desempenho na Universidade Columbia qualificou Ramayana a conseguir um vultoso <em>grant<\/em> da Funda\u00e7\u00e3o Rockfeller para a instala\u00e7\u00e3o de infraestrutura de pesquisa em f\u00edsica na UFMG. Nas negocia\u00e7\u00f5es para isso, ele teve apoio do reitor Alu\u00edsio Pimenta. O dinheiro foi suficiente para a compra de um liquefator de nitrog\u00eanio e outro de h\u00e9lio, um espectr\u00f4metro M\u00f6ssbauer simples, todas as componentes necess\u00e1rias para a constru\u00e7\u00e3o de um espectr\u00f4metro de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica eletr\u00f4nica e ENDOR, sistemas de v\u00e1cuo e criostatos, al\u00e9m de maquin\u00e1rio para uma boa oficina mec\u00e2nica. At\u00e9 hoje vemos parte desses instrumentos funcionando no Departamento de F\u00edsica (DF) da UFMG.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto aguardava a constru\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio do Instituto de Ci\u00eancias Exatas, Ramayana instalou, provisoriamente, dois laborat\u00f3rios e o liquefator de nitrog\u00eanio no Instituto de Pesquisas Radioativas (IPR), que pertencia \u00e0 Escola de Engenharia, hoje Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), vinculado \u00e0 Comiss\u00e3o Nacional de Energia Nuclear. Em 1966, Ramayana liderou a cria\u00e7\u00e3o do curso de Mestrado em F\u00edsica do Estado S\u00f3lido, que contava com dois outros doutores em f\u00edsica, Manoel Lopes de Siqueira e D\u00e1lvio Elysio Laborne e Valle, que acabavam de concluir sua forma\u00e7\u00e3o na Universidade de S\u00e3o Paulo em f\u00edsica te\u00f3rica e ingressaram no IPR. A primeira turma do curso de mestrado ingressou em 1966. O <em>grant <\/em>da Funda\u00e7\u00e3o Rockfeller inclu\u00eda quatro bolsas para doutorado em f\u00edsica nos Estados Unidos. Foram usadas para o doutoramento de estudantes que cursaram pelo menos as disciplinas do curso de mestrado, pois fazer pesquisa para a disserta\u00e7\u00e3o ainda era desafiador. Nove dos dez primeiros alunos que ingressaram no mestrado conclu\u00edram o doutorado.<em><strong><\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ramayana participou muito ativamente do movimento pela reforma universit\u00e1ria, intenso nos anos 1960. A resist\u00eancia \u00e0 reforma, que contrariava os interesses dos catedr\u00e1ticos, era t\u00e3o forte que ela s\u00f3 veio em novembro de 1968, por meio de um decreto autorit\u00e1rio do governo militar. Infelizmente, na esteira da reforma, de car\u00e1ter progressista, houve persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica a muitos docentes reformistas. Posicionar-se diante desse quadro n\u00e3o era nada f\u00e1cil. O reitor Alu\u00edsio Pimenta terminou seu mandato em 1967, antes da reforma, e foi sucedido por Gerson de Brito Mello Boson. Ambos foram cassados e aposentados compulsoriamente pela ditadura militar. Em dezembro de 1969, Marcelo de Vasconcellos Coelho, ent\u00e3o com 39 anos, assumiu como reitor para um mandato de quatro anos. Marcelo, destacado pesquisador do Instituto Ren\u00e9 Rachou, foi um dos grandes reitores da UFMG. Cercou-se de pessoas altamente qualificadas e dirigiu a UFMG com grande \u00eaxito em um tempo politicamente tenso, paradoxal e complexo. Ramayana, que durante esse per\u00edodo foi membro do Conselho Universit\u00e1rio, aproximou-se do reitor e teve forte influ\u00eancia sobre ele. <\/em><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Os desafios eram muito grandes. Os estudantes eram contra a reforma, que incluiu todos os n\u00edveis da nossa educa\u00e7\u00e3o, porque ela resultara dos acordos MEC-USAID (Ag\u00eancia dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional), negociados secretamente. Tinham raz\u00e3o ao dizer que os EUA agiram por motiva\u00e7\u00f5es imperialistas, mas era importante reconhecer as muitas vantagens que a reforma trazia para as universidades. Foi abolida a c\u00e1tedra e criada uma carreira universit\u00e1ria fundada no m\u00e9rito, e adotado o sistema humboldtiano em que a educa\u00e7\u00e3o superior \u00e9 associada \u00e0 pesquisa. Para que parte dos docentes pudesse dedicar-se \u00e0 pesquisa, foi criado o regime de dedica\u00e7\u00e3o exclusiva. A p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, que no Brasil era incipiente e informal, foi formalizada e dividida em dois n\u00edveis, o mestrado e o doutorado. A universidade foi estruturada em departamentos, nos moldes norte-americanos. Em resumo, o modelo dos EUA foi copiado em quase tudo. Mas a reforma melhorava a educa\u00e7\u00e3o superior e viabilizava a p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e a pesquisa. Levou tempo para que os estudantes percebessem os avan\u00e7os e aceitassem a reforma.<\/em><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>A implanta\u00e7\u00e3o da reforma envolveu uma luta que se travou em cada universidade. Ela conferia muito mais autonomia \u00e0s universidades e as obrigava a formular seus pr\u00f3prios estatutos e regimentos internos. Ramayana envolveu-se intensamente na reforma da UFMG e teve muito \u00eaxito, embora n\u00e3o tenha assumido nenhum cargo de dire\u00e7\u00e3o. Seu m\u00e9todo era o debate, e nele demostrava grande lucidez e capacidade de argumenta\u00e7\u00e3o. Foi muito influente no Conselho Universit\u00e1rio. Mesmo com os estudantes, na \u00e9poca muito ativos na luta contra ditadura e tudo que eles associavam a ela, Ramayana conseguia debater com consider\u00e1vel sucesso. Era t\u00e3o inspirado e articulado que era dif\u00edcil n\u00e3o ouvi-lo. O que ele pedia era objetivo e simples: que eles dessem um cr\u00e9dito a pessoas que estavam empenhadas em melhorar a educa\u00e7\u00e3o oferecida aos estudantes e n\u00e3o as associassem ao governo autorit\u00e1rio.<\/em><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Uma iniciativa que incentivou docentes com voca\u00e7\u00e3o e qualifica\u00e7\u00e3o para pesquisa a aceitar o regime de dedica\u00e7\u00e3o exclusiva foi a cria\u00e7\u00e3o, em 1975, das Bolsas de Pesquisa (hoje Bolsas de Produtividade na Pesquisa) do CNPq. Na \u00e9poca, o valor das bolsas era uma fra\u00e7\u00e3o muito significativa do sal\u00e1rio do docente. E ter bolsa de pesquisa seria um selo de qualidade, que valorizaria os bolsistas na luta contra os antigos catedr\u00e1ticos, ainda muit\u00edssimo influentes. Ramayana, que participava das discuss\u00f5es a n\u00edvel nacional das quest\u00f5es ligadas \u00e0 pesquisa e \u00e0 p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, foi um dos defensores das bolsas de pesquisa. Por acreditar muito nelas, foi por tr\u00eas vezes membro do Comit\u00ea Assessor de F\u00edsica e Astronomia do CNPq. Ramayana foi presidente da Sociedade Brasileira de F\u00edsica (SBF) de 1985 a 1987, tendo como vice S\u00e9rgio Machado Rezende. A f\u00edsica j\u00e1 tinha alcan\u00e7ado no Brasil n\u00edvel e diversifica\u00e7\u00e3o tem\u00e1tica consider\u00e1vel e reconheceu-se a import\u00e2ncia de se fazer um levantamento do que estava sendo realizado no pa\u00eds nas diversas \u00e1reas da f\u00edsica. Foi preparado ent\u00e3o o livro F\u00edsica no Brasil, sob a coordena\u00e7\u00e3o de S\u00e9rgio Rezende, o primeiro de v\u00e1rios livros orientadores da nossa f\u00edsica, produzidos pela SBF.<\/em><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ramayana foi<\/em><em> <\/em><em>o grande pioneiro da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e pesquisa em f\u00edsica na UFMG, que alcan\u00e7ou proje\u00e7\u00e3o internacional. Minucioso, deixou v\u00e1rias marcas em tudo no Departamento de F\u00edsica. A contribui\u00e7\u00e3o de Ramayana para a p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e a pesquisa no Brasil tamb\u00e9m foi muito significativa. <\/em>Teve um papel destacado na cria\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa em Minas Gerais (Fapemig), na d\u00e9cada de 1980, e foi membro do primeiro&nbsp;Conselho Curador da Funda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ramayana foi uma figura gigante, dotada de grandes qualidades intelectuais e morais. Foi um grande f\u00edsico e via seu trabalho com zelo mission\u00e1rio, com metas claras e vis\u00e3o de longo prazo. Foi tamb\u00e9m um grande professor, cujas aulas despertavam forte interesse dos alunos. Era dotado de uma generosidade inteiramente singular, que o levou a colocar seu empenho em desenvolver p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e pesquisa no DF-UFMG muito acima da sua carreira cient\u00edfica. Foi refer\u00eancia moral e fonte de inspira\u00e7\u00e3o para muitas pessoas, seus disc\u00edpulos ou n\u00e3o. Sua morte foi uma enorme perda, mas seu legado nunca ser\u00e1 esquecido. <\/em><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por Marcos Assun\u00e7\u00e3o Pimenta e Alaor Chaves<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O falecimento de Ramayana Gazzinelli, professor em\u00e9rito da Universidade Federal de Minas Gerais e ex-presidente da Sociedade Brasileira de F\u00edsica, dia 2 de setembro de 2024, causou enorme consterna\u00e7\u00e3o. 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