{"id":23757,"date":"2024-09-04T21:53:03","date_gmt":"2024-09-05T00:53:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/?p=23757"},"modified":"2024-09-04T21:53:03","modified_gmt":"2024-09-05T00:53:03","slug":"o-enigma-da-antimateria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/o-enigma-da-antimateria\/","title":{"rendered":"O Enigma da Antimat\u00e9ria"},"content":{"rendered":"\n<p>H\u00e1 cem anos, o genial f\u0131\u0301sico Paul Dirac deu um passo gigantesco. Ao reunir a Teoria da Relatividade com a rec\u00e9m-criada Mec\u00e2nica Qu\u00e2ntica, Dirac mostrou algo inesperado: as antipart\u0131\u0301culas. A princ\u0131\u0301pio, a teoria de Dirac despertou pouco interesse. Mas isso mudou poucos anos depois, quando a primeira antipart\u0131\u0301cula, o anti-el\u00e9tron, foi detectada. Ela foi batizada como p\u00f3sitron.<\/p>\n\n\n\n<p>O espanto foi generalizado. De repente, descobre-se que havia um mundo espelhado, de cuja exist\u00eancia ningu\u00e9m suspeitava, algo jamais imaginado. Depois do p\u00f3sitron, muitas outras antipart\u00edculas foram encontradas. Hoje sabemos que para cada part\u00edcula, corresponde uma antipart\u0131\u0301cula.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 nada misterioso a respeito das antipart\u0131\u0301culas. S\u00e3o c\u00f3pias quase id\u00eanticas das part\u00edculas, a \u00fanica diferen\u00e7a entre elas \u00e9 a carga el\u00e9trica: o el\u00e9tron tem carga negativa, a do p\u00f3sitron \u00e9 positiva. Todas as demais propriedades s\u00e3o iguais. Assim como os antiel\u00e9trons, existem antipr\u00f3tons e antin\u00eautrons, e juntos formam anti\u00e1tomos. A mat\u00e9ria \u00e9 feita de \u00e1tomos, a antimat\u00e9ria \u00e9 feita de anti\u00e1tomos.<\/p>\n\n\n\n<p>O que chamamos de mat\u00e9ria e de antimat\u00e9ria \u00e9, na verdade, uma mera conven\u00e7\u00e3o. Se f\u00f4ssemos feitos de antimat\u00e9ria, n\u00e3o perceber\u00edamos nenhuma diferen\u00e7a. Voc\u00ea e o seu antivoc\u00ea seriam id\u00eanticos, mas um simples aperto de m\u00e3o seria fatal: part\u0131\u0301culas e antipart\u0131\u0301culas se aniquilam mutuamente quando se encontram.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde a sua descoberta, as antipart\u0131\u0301culas s\u00e3o muito estudadas. Nos grandes aceleradores de part\u0131\u0301culas, antipart\u0131\u0301culas s\u00e3o criadas rotineiramente. As propriedades da antimat\u00e9ria, no entanto, s\u00f3 come\u00e7aram a ser analisadas nos anos 1960, quando o primeiro anti\u00e1tomo de hidrog\u00eanio foi criado em laborat\u00f3rio. Desde ent\u00e3o, estudos cada vez mais precisos t\u00eam sido feitos para verificar se, de fato, a mat\u00e9ria e a antimat\u00e9ria se comportam exatamente da mesma maneira.<\/p>\n\n\n\n<p>O experimento mais moderno sobre a antimat\u00e9ria, o ALPHA, est\u00e1 em andamento no CERN, na Su\u0131\u0301\u00e7a, com importante participa\u00e7\u00e3o brasileira. \u00c9 um experimento bastante engenhoso e de alt\u0131\u0301ssima precis\u00e3o, em que \u00e9 poss\u0131\u0301vel produzir um \u00fanico anti\u00e1tomo de hidrog\u00eanio, formado por um p\u00f3sitron e um antipr\u00f3ton, e mant\u00ea-lo isolado durante um certo tempo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Usando feixes de laser, os cientistas conseguem fazer com que o antihidrog\u00eanio absorva energia. Quando isso acontece, o p\u00f3sitron sai do seu estado de equil\u0131\u0301brio e \u201cpula\u201dpara um n\u0131\u0301vel de energia mais alto dentro do anti\u00e1tomo. Mas fica pouco tempo ali. Ap\u00f3s um curt\u0131\u0301ssimo intervalo de tempo, uma fra\u00e7\u00e3o \u0131\u0301nfima de um segundo, o p\u00f3sitron volta ao seu estado energ\u00e9tico original. A energia que o anti\u00e1tomo havia absorvido \u00e9 emitida na forma de luz.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores do ALPHA mostraram que tudo acontece exatamente da mesma forma quando o experimento \u00e9 repetido com \u00e1tomos de hidrog\u00eanio. A energia absorvida e na sequ\u00eancia emitida pelo antihidrog\u00eanio \u00e9 id\u00eantica \u00e0 que o \u00e1tomo de hidrog\u00eanio absorve e emite nas mesmas condi\u00e7\u00f5es. Mostraram tamb\u00e9m que a gravidade atua da mesma maneira em \u00e1tomos e anti\u00e1tomos. Esse \u00e9 um feito espetacular, pois os \u00e1tomos s\u00e3o lev\u0131\u0301ssimos. Para observ\u00e1-los em queda livre foi preciso vencer desafios tecnol\u00f3gicos gigantescos.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o pense, no entanto, que existe um anti-Universo paralelo. N\u00e3o podemos \u201csair\u201d do Universo para ver o que h\u00e1 l\u00e1 fora. N\u00e3o existe um lado de \u201cfora\u201d. Se existissem regi\u00f5es dominadas por antimat\u00e9ria, haveria fronteiras com as regi\u00f5es onde h\u00e1 mat\u00e9ria. Na interface dessas regi\u00f5es, part\u0131\u0301culas e antipart\u0131\u0301culas se aniquilariam continuamente, produzindo um efeito que seria observ\u00e1vel, pois a energia n\u00e3o desaparece.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas isso n\u00e3o foi observado at\u00e9 o presente. Qualquer que seja a dire\u00e7\u00e3o que apontemos nossas antenas e telesc\u00f3pios, sempre vemos a mesma coisa: a mat\u00e9ria que vemos no Universo \u00e9 feita dos mesmos elementos que encontramos aqui na Terra. Nenhum ind\u0131\u0301cio de antimat\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Ora, se s\u00e3o equivalentes, se t\u00eam as mesmas propriedades, onde est\u00e1 a antimat\u00e9ria? Como chegamos a um Universo composto apenas por mat\u00e9ria? Esse \u00e9 um dos grandes enigmas da F\u0131\u0301sica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por Alberto Reis<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Anexos:&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/www1.fisica.org.br\/ippog\/modules\/file\/icons\/application-pdf.png\" alt=\"\u00cdcone de PDF\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\">\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.fisica.org.br\/ippog\/sites\/default\/files\/anexos-noticia\/O%20Enigma%20da%20Antimateria.pdf\">O Enigma da Antimateria.pdf<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Texto <a href=\"https:\/\/www1.fisica.org.br\/ippog\/?q=node\/353\" title=\"\">publicado pelo Ippog Brasil em 17\/7\/2024<\/a> e divulgado em parceria com a SBF.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>O IPPOG-Brasil \u00e9 o portal de ensino e divulga\u00e7\u00e3o da F\u00edsica de Part\u00edculas no Brasil. Se quiser fazer parte da comunidade IPPOG, inscreva-se pelo link <a href=\"https:\/\/www1.fisica.org.br\/ippog\/?q=node\/29\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">www1.fisica.org.br\/ippog\/?q=node\/29<\/a>.<\/p>\n<\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 cem anos, o genial f\u0131\u0301sico Paul Dirac deu um passo gigantesco. Ao reunir a Teoria da Relatividade com a rec\u00e9m-criada Mec\u00e2nica Qu\u00e2ntica, Dirac mostrou algo inesperado: as antipart\u0131\u0301culas. A princ\u0131\u0301pio, a teoria de Dirac despertou pouco interesse. Mas isso mudou poucos anos depois, quando a primeira antipart\u0131\u0301cula, o anti-el\u00e9tron, foi detectada. 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