{"id":22864,"date":"2024-07-17T20:27:43","date_gmt":"2024-07-17T23:27:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/?p=22864"},"modified":"2024-07-17T20:27:44","modified_gmt":"2024-07-17T23:27:44","slug":"brasil-se-torna-referencia-mundial-nos-estudos-de-defeitos-em-grafeno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/brasil-se-torna-referencia-mundial-nos-estudos-de-defeitos-em-grafeno\/","title":{"rendered":"Brasil se torna refer\u00eancia mundial nos estudos de defeitos em grafeno"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Artigo publicado no peri\u00f3dico Carbon por cientistas da UFMG conta a hist\u00f3ria da evolu\u00e7\u00e3o da pesquisa trilhada at\u00e9 o aprimoramento da metrologia de nanomateriais<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Imagine poder desenhar o mapa mundi v\u00e1rias vezes bem na ponta de um alfinete bem afiado. Foi isso que fizeram os cientistas do Departamento de Materiais do Inmetro ao riscar os tra\u00e7os dos continentes da Terra, com um feixe de \u00edons, sobre o grafeno, forma cristalina do carbono que foi isolada em 2006 e que \u00e9 350 mil vezes mais fina que uma folha de papel. T\u00e3o impressionante quanto isso \u00e9 ter uma tecnologia capaz de enxergar esse desenho, de 500 nan\u00f4metros, muito menor que um fio de cabelo (50 mil nan\u00f4metros) ou as c\u00e9lulas do nosso corpo (2 mil nan\u00f4metros).<\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m da aprecia\u00e7\u00e3o art\u00edstica que a imagem possa suscitar, esse desenho traduz o mais alto n\u00edvel que o Brasil conseguiu alcan\u00e7ar na metrologia de nanomateriais, que se tornou refer\u00eancia em todo mundo com a ajuda de pesquisadores do Laborat\u00f3rio de Nanoespectroscopia (LabNS) do Departamento de F\u00edsica do Instituto de Ci\u00eancias Exatas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).<\/p>\n\n\n\n<p>Impressionado com o grau de evolu\u00e7\u00e3o que o Pa\u00eds chegou nessa \u00e1rea, Riichiro Saito, uma das maiores autoridades mundiais em grafeno, professor aposentado da Universidade de Tohoku e um dos editores da revista Carbon, pediu aos cientistas brasileiros a reda\u00e7\u00e3o de um artigo sobre a hist\u00f3ria da pesquisa em nano metrologia no Pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>E a capa da edi\u00e7\u00e3o de fevereiro de 2024 da revista foi justamente o Mapa Mundi cuja imagem foi realizada utilizando o nanosc\u00f3pio criado no Brasil. O artigo \u201c<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0008622324000186\">Science and Metrology of defects in graphene using Raman Spectroscopy<\/a>\u201d \u00e9 assinado pelos cientistas Luiz Gustavo Can\u00e7ado, Ado J\u00f3rio, V\u00edtor P. Monken, Jo\u00e3o Luiz E. Campos, Joyce C.C. Santos, H\u00e9lio Chacham, Bernardo R.A. Neves, todos da UFMG, al\u00e9m de Claudia Backes, da Universidade de Kassel, na Alemanha.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Cover_proposal-768x1024.png\" alt=\"Capa da revista Carbon,Volume 220 de 20 de fevereiro de 2024.\" class=\"wp-image-22866\" style=\"width:361px;height:auto\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>\u201cN\u00f3s viramos uma refer\u00eancia no mundo de como fazer a metrologia de defeitos em nanomateriais de carbono, especialmente no grafeno, por meio de espectroscopia Raman. H\u00e1, inclusive, muitos artigos nossos com mais de 3 mil cita\u00e7\u00f5es\u201d, diz Luiz Gustavo, professor da UFMG, vice-coordenador da Rede Brasileira de Pesquisa e Instrumenta\u00e7\u00e3o em Nano-Espectroscopia \u00d3ptica, e l\u00edder do Grupo de pesquisa Espectroscopia e Imagem Espectrosc\u00f3pica de Nano-Materiais do CNPq. \u201cOs nossos protocolos s\u00e3o muito utilizados. A comunidade internacional come\u00e7ou a reconhecer a nossa qualidade. Tanto \u00e9 que os trabalhos de 1970 sobre defeitos em carbono, que eram muito famosos, acabaram caindo no esquecimento. E os nossos come\u00e7aram a ser a baliza da \u00e1rea.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Para chegar at\u00e9 aqui muita pesquisa foi realizada. Luiz Gustavo lembra que seu interesse pelo assunto come\u00e7ou em sua Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica, em 1999, quando ele entendeu que as pesquisas realizadas por cientistas como Mildred Dresselhaus, desde a d\u00e9cada de 1970, poderiam ser aprimoradas no estudo de medir defeitos em materiais de carbono. Com seus estudos, at\u00e9 o doutorado, com a realiza\u00e7\u00e3o de pesquisas no Laborat\u00f3rio Nacional de Luz S\u00edncrotron (LNLS), em Campinas, ele e os cientistas da UFMG chegaram a aprimorar a t\u00e9cnica de espectroscopia Raman, capaz de ir al\u00e9m do ponto no qual os microsc\u00f3pios \u00f3ticos n\u00e3o conseguem ultrapassar, por volta de 500 nan\u00f4metros.<\/p>\n\n\n\n<p>O grafeno \u00e9 uma das maiores apostas para o desenvolvimento de equipamentos eletr\u00f4nicos, al\u00e9m de ser usado de telas de celulares e televisores, tintas, concreto, embalagens e at\u00e9 colete \u00e0 prova de balas. Com caracter\u00edsticas \u00fanicas de alta condutividade el\u00e9trica e resist\u00eancia, saber identificar defeitos no material \u00e9 extremamente importante para a sua produ\u00e7\u00e3o em larga escala e para a aplica\u00e7\u00e3o em materiais de alta tecnologia. E, al\u00e9m disso, \u00e9 tamb\u00e9m importante saber inserir defeitos no material, pois assim \u00e9 poss\u00edvel mudar suas caracter\u00edsticas dependendo de sua aplica\u00e7\u00e3o, potencializando ou reduzindo suas capacidades f\u00edsicas.<\/p>\n\n\n\n<p>E, para isso, a espectroscopia Raman \u00e9 fundamental. \u201cVoc\u00ea pode mudar a condutividade el\u00e9trica, voc\u00ea pode alterar a condutividade t\u00e9rmica, voc\u00ea pode mudar as propriedades mec\u00e2nicas, voc\u00ea pode introduzir dureza, voc\u00ea pode introduzir deforma\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, a introdu\u00e7\u00e3o de defeitos em materiais, de forma controlada, ela por si j\u00e1 \u00e9 uma \u00e1rea extensa na engenharia de materiais\u201d, diz Luiz Gustavo. \u201cE n\u00f3s viramos refer\u00eancia no mundo, o Brasil \u00e9 conhecido como sendo o lugar que desenvolve a metodologia disso.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O cientista, em parceria com a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Normas T\u00e9cnicas (ABNT), tem trabalhado no sentido de traduzir normas t\u00e9cnicas estrangeiras e de preparar uma norma brasileira sobre metrologia de defeitos em grafeno por espectroscopia Raman, que j\u00e1 est\u00e1 escrita. Com isso, espera-se elevar essa norma \u00e0 ISO, invertendo o fluxo de influ\u00eancia nessa \u00e1rea no mundo. \u201cE n\u00e3o vai ser muito dif\u00edcil n\u00e3o, porque todo mundo conhece, todo mundo que trabalha com essa \u00e1rea de aplica\u00e7\u00f5es de grafeno conhece os nossos trabalhos\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Os cientistas da UFMG buscam tamb\u00e9m expandir essa expertise para outras t\u00e9cnicas, como a microscopia de for\u00e7a at\u00f4mica, termogravimetria, microscopia eletr\u00f4nica, espalhamento din\u00e2mico de luz. Com uma nova linha de luz que est\u00e1 sendo constru\u00edda no S\u00edrius, o acelerador de el\u00e9trons do LNLS em Campinas que gera a luz s\u00edncroton, essas pesquisas devem avan\u00e7ar ainda mais. \u201cO S\u00edrius pode contribuir muito\u201d, afirma o professor. E vale lembrar que foi na UFMG que a f\u00edsica <a href=\"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/fisica-do-lnls-busca-elevar-o-numero-de-meninas-interessadas-em-ciencia\/\">Ingrid David Barcelos<\/a>, hoje pesquisadora coordenadora e L\u00edder do Laborat\u00f3rio de Amostras Microsc\u00f3picas (LAM), do LNLS, iniciou seus estudos com o grafeno. O que mostra que a universidade mineira tem imensas contribui\u00e7\u00f5es com esse tema de pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>(Colaborou Roger Marzochi)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo publicado no peri\u00f3dico Carbon por cientistas da UFMG conta a hist\u00f3ria da evolu\u00e7\u00e3o da pesquisa trilhada at\u00e9 o aprimoramento da metrologia de nanomateriais. Imagine poder desenhar o mapa mundi v\u00e1rias vezes bem na ponta de um alfinete bem afiado. 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