{"id":22824,"date":"2024-07-11T13:56:49","date_gmt":"2024-07-11T16:56:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/?p=22824"},"modified":"2024-07-11T13:56:49","modified_gmt":"2024-07-11T16:56:49","slug":"artigo-na-revista-a-fisica-na-escola-revela-a-importancia-de-se-cultivar-a-curiosidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/artigo-na-revista-a-fisica-na-escola-revela-a-importancia-de-se-cultivar-a-curiosidade\/","title":{"rendered":"Artigo na revista \u201cA F\u00edsica na Escola\u201d revela a import\u00e2ncia de se cultivar a curiosidade"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Com 11 anos de experi\u00eancia na escola b\u00e1sica, o professor Andr\u00e9 Lu\u00eds Miranda de Barcellos Coelho traduz artigo sobre o Efeito Mpemba, que revela o qu\u00e3o importante \u00e9 uma educa\u00e7\u00e3o baseada em questionar<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Erasto Mpemba era um adolescente no interior da Tanz\u00e2nia apaixonado em fazer picol\u00e9s, que descobre que o l\u00edquido quente vira gelo mais r\u00e1pido que o preparo inserido na geladeira na temperatura ambiente. Essa constata\u00e7\u00e3o virou piada entre colegas e seu ent\u00e3o professor de f\u00edsica, sendo ridicularizado dizendo que isso s\u00f3 poderia ser a \u201cf\u00edsica de Mpemba\u201d. Erasto, no entanto, n\u00e3o desiste, insiste em entrevistas com picoleiros profissionais at\u00e9 ter a coragem de repetir a mesma pergunta ao professor D.G. Osborne, da Universidade Dar es Salaam, em visita \u00e0 sua escola.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"598\" height=\"598\" src=\"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Foto-Andre.jpg\" alt=\"F\u00edsico Andr\u00e9 Barcelos, homem branco, cabelo castanho, \u00f3culos e barba.\" class=\"wp-image-22826\" style=\"width:396px;height:auto\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Andr\u00e9 Barcellos se tornou professor Nota 10 especialmente porque, em parceria com escolas e alunos, conseguiu aplicar uma educa\u00e7\u00e3o focada mais nas perguntas que nas respostas.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Diferentemente do professor secundarista, Osborne resolve fazer o experimento, comprovando o que todos os picoleiros da \u00e9poca j\u00e1 sabiam. E, com base no relato de Erasto, publicou em 1969 na revista \u201cPhysics Education\u201d o artigo cient\u00edfico \u201cCool?\u201d, traduzido agora para o portugu\u00eas pelo professor Andr\u00e9 Lu\u00eds Miranda de Barcellos Coelho, que por 11 anos lecionou na escola b\u00e1sica p\u00fablica e privada, foi vencedor do pr\u00eamio Educador Nota 10, em 2020, e hoje \u00e9 professor de f\u00edsica da Universidade de Bras\u00edlia (UnB).<\/p>\n\n\n\n<p>O artigo \u201c<a href=\"https:\/\/fisicanaescola.org.br\/index.php\/revista\/article\/view\/153\/38\">Efeito Mpemba e o ensino de F\u00edsica: tradu\u00e7\u00e3o do artigo \u2018Cool?\u2019<\/a>\u201d foi publicado na revista \u201cA F\u00edsica na Escola\u201d, no dia 24 de maio de 2024. Mas, afinal, o que um artigo, originalmente publicado no ano em que o homem chegou \u00e0 Lua, abordando um assunto que a princ\u00edpio parece ser t\u00e3o banal e corriqueiro, tem de t\u00e3o importante? Andr\u00e9 Barcellos lembra que, em primeiro lugar, a curiosidade do jovem Erasto \u00e9 um exemplo de qu\u00e3o importante \u00e9 fazer perguntas em sala de aula mais do que receber do professor respostas prontas. E, al\u00e9m disso, o efeito que leva o seu nome \u00e9 investigado at\u00e9 hoje, porque a \u00e1gua ainda tem l\u00e1 os seus mist\u00e9rios.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe a universidade n\u00e3o tivesse entrado em contato com a escola, essa curiosidade do Erasto ficaria l\u00e1, entre os colegas, no m\u00e1ximo entre professores que fossem um pouco mais gentis do que ele teve. No texto, ele relata sofrer bastante com os professores que falaram que ele estava confuso\u201d, diz Andr\u00e9 Barcellos, que busca hoje criar pontes entre o ensino superior e a escola b\u00e1sica.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o professor, a \u00e1gua tem muito que ser investigada. Para ele, Osborne acerta no artigo agora traduzido em explicar o fato de que o l\u00edquido quente tem correntes de convec\u00e7\u00e3o mais intensas do que o l\u00edquido mais frio. \u201cE \u00e9 justamente esse movimento de convec\u00e7\u00e3o que faz o resfriamento acontecer mais r\u00e1pido. Acontece que, como a gente est\u00e1 falando de \u00e1gua, h\u00e1 ainda um grande n\u00famero de mecanismos a serem descobertos\u201d, explica. \u201cAs correntes de convec\u00e7\u00e3o explicam 90% do fen\u00f4meno, mas restam alguns pontos. Eu encontro, por exemplo, artigos recentes, de 2020, 2021, de um grupo chin\u00eas que est\u00e1 conversando sobre um mecanismo da \u00e1gua, utilizando mec\u00e2nica qu\u00e2ntica, um neg\u00f3cio bastante avan\u00e7ado, mas que se refere ao efeito Mpemba. Quer dizer, de alguma maneira, as pessoas continuam pensando sobre o fen\u00f4meno at\u00e9 hoje.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Andr\u00e9 Barcellos se tornou professor Nota 10 especialmente porque, em parceria com escolas e alunos, conseguiu aplicar uma educa\u00e7\u00e3o focada mais nas perguntas que nas respostas. E ele gostava, por exemplo, de pedir aos alunos que refletissem sobre o que acontece quando uma pedra de gelo \u00e9 jogada em um l\u00edquido. \u201cAlguns respondiam: ela derrete! Mas antes de derreter, tem uma coisa interessante que acontece: a pedra de gelo flutua. Isso vai contra tudo que a gente aprende na escola, que \u00e9 o fato de que o estado s\u00f3lido de uma subst\u00e2ncia \u00e9 mais denso do que seu estado l\u00edquido e gasoso. Aquela coisa das mol\u00e9culas mais pr\u00f3ximas, uma da outra no estado s\u00f3lido, mas distante do estado l\u00edquido. Isso n\u00e3o acontece com a \u00e1gua, porque o estado s\u00f3lido da \u00e1gua, que \u00e9 o gelo, \u00e9 menos denso que seu estado l\u00edquido\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEnquanto a gente insiste na perspectiva de apresentar as respostas, a gente insiste na perspectiva de apresentar nos livros did\u00e1ticos, nas nossas aulas de f\u00edsica, uma cole\u00e7\u00e3o de respostas a perguntas importantes, que ningu\u00e9m ali naquela sala muito se interessa. Enquanto essa for a perspectiva, realmente n\u00e3o cabem outras perguntas. No entanto, se a perspectiva do ensino passa a ser mais focada nas perguntas, nas quest\u00f5es, que \u00e9 essa a minha aposta, cabe uma quantidade imensa de contribui\u00e7\u00f5es\u201d, afirma o professor.<\/p>\n\n\n\n<p>O professor tamb\u00e9m discutia o artigo \u201cCool?\u201d com seus estudantes do ensino b\u00e1sico numa forma de reflex\u00e3o sobre a ci\u00eancia \u201ceurocentrada\u201d. N\u00e3o se pode descartar dos fil\u00f3sofos pr\u00e9-socr\u00e1ticos at\u00e9 os grandes cientistas europeus como Galileu Galilei, Nicolau Cop\u00e9rnico, por exemplo. Mas o Efeito Mpemba veio de um garoto na \u00c1frica, o ber\u00e7o da humanidade, onde a ci\u00eancia j\u00e1 florescia, mas que sofreu com a escravid\u00e3o e o assalto europeu \u00e0s suas riquezas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAl\u00e9m de incluir outras vis\u00f5es de mundo, gosto de mostrar que se algu\u00e9m no interior da Tanz\u00e2nia \u00e9 capaz, um adolescente, que n\u00e3o tem forma\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, que tinha condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias de conduzir qualquer pesquisa cient\u00edfica, foi capaz de dar uma contribui\u00e7\u00e3o importante para a ci\u00eancia, me parece razo\u00e1vel pensar que qualquer pessoa da humanidade pode, com alguma sorte e curiosidade, tamb\u00e9m contribuir.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>(Colaborou Roger Marzochi)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com 11 anos de experi\u00eancia na escola b\u00e1sica, o professor Andr\u00e9 Lu\u00eds Miranda de Barcellos Coelho traduz artigo sobre o Efeito Mpemba, que revela o qu\u00e3o importante \u00e9 uma educa\u00e7\u00e3o baseada em questionar. 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