{"id":22812,"date":"2024-07-11T12:35:53","date_gmt":"2024-07-11T15:35:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/?p=22812"},"modified":"2024-07-11T12:37:56","modified_gmt":"2024-07-11T15:37:56","slug":"rede-de-altas-energias-esta-muito-bem-organizada-afirma-bediaga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/rede-de-altas-energias-esta-muito-bem-organizada-afirma-bediaga\/","title":{"rendered":"Rede de Altas Energias est\u00e1 muito bem organizada, afirma Bediaga"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Pesquisador do CBPF, coordenador do INCT CERN Brasil, diz que em 2017 a Rede Nacional de F\u00edsica de Altas Energias (RENAFAE) passou por transforma\u00e7\u00f5es importantes no sentido de coordenar as atividades da \u00e1rea, mas, para ele, s\u00e3o os \u00f3rg\u00e3os de fomento que precisam se organizar para financiar colabora\u00e7\u00f5es internacionais de longo prazo<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>O pesquisador titular do Centro Brasileiro de Pesquisas F\u00edsicas (CBPF), Ign\u00e1cio Alfonso de Bediaga e Hickman, argumenta que os cientistas brasileiros que integram projetos de F\u00edsica de Altas Energias est\u00e3o muito organizados frente aos desafios de pesquisa que experimentos como o CERN vem exigindo da comunidade nos \u00faltimos 30 anos, mesmo sem a participa\u00e7\u00e3o direta do governo brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele considera que o acordo feito pelo governo brasileiro \u00e9 muito importante. No entanto, ele sugere que a comunidade cient\u00edfica n\u00e3o teve uma participa\u00e7\u00e3o ativa nesse processo. Al\u00e9m disso, destaca a necessidade de a\u00e7\u00f5es coordenadas por parte das ag\u00eancias de financiamento governamentais para promover n\u00e3o apenas a colabora\u00e7\u00e3o do Brasil no CERN, mas tamb\u00e9m em todas as grandes colabora\u00e7\u00f5es internacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Suas opini\u00f5es, discutidas durante o Simp\u00f3sio &#8220;Dos Raios C\u00f3smicos aos Aceleradores de Part\u00edculas&#8221; no Instituto de F\u00edsica da Universidade de S\u00e3o Paulo (IFUSP) na semana passada, foram reiteradas em uma entrevista ao <strong><a href=\"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/boletim\/boletim-eletronico\/\" title=\"\">Boletim SBF<\/a><\/strong>. Durante o evento, Ricardo Galv\u00e3o, presidente do CNPq, destacou a import\u00e2ncia da <a href=\"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/cern-exigira-acao-coordenada-da-fisica-de-altas-energias-na-busca-por-financiamento\/\">organiza\u00e7\u00e3o da comunidade cient\u00edfica<\/a> diante dos desafios de financiamento, e tamb\u00e9m sugeriu que o financiamento para o envio de t\u00e9cnicos para colabora\u00e7\u00f5es internacionais deveria ser assumido pelas institui\u00e7\u00f5es de ensino como parte de sua contrapartida.<\/p>\n\n\n\n<p>Amanh\u00e3, dia 12 de julho, durante a 76\u00aa reuni\u00e3o anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC), ser\u00e1 realizado o painel virtual \u201cA associa\u00e7\u00e3o do Brasil ao CERN &#8211; oportunidades, desafios e benef\u00edcios para a sociedade\u201d, que ser\u00e1 apresentado pelo f\u00edsico Sandro Fonseca (UERJ\/CPTC\/SBF) com <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/canalsbpc\">transmiss\u00e3o pelo YouTube<\/a> das 13h \u00e0s 15h30, com a participa\u00e7\u00e3o de Bediaga, Galv\u00e3o e Leandro Salazar de Paula (UFRJ).<\/p>\n\n\n\n<p>Bediaga explica que Galv\u00e3o contribuiu diretamente para a cria\u00e7\u00e3o da Rede Nacional de F\u00edsica de Altas Energias (RENAFAE) em 2008, e que muita coisa mudou desde ent\u00e3o. O cientista do CBPF cita como marco o ano de 2017. Nesta \u00e9poca, foram organizados grupos transversais a partir da t\u00e9cnica utilizada em detectores, agrupando cientistas de diferentes experimentos nessa filosofia. \u201cAs pessoas amadureceram. E viram essa perspectiva de trabalhar junto, independente de qual colabora\u00e7\u00e3o se participa.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o da rede \u00e9 t\u00e3o grande, cita Bediaga, que no fim de 2022 foi aprovada a cria\u00e7\u00e3o do Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia (INCT) CERN-Brasil, cujo primeiro workshop foi realizado em setembro do ano passado, com a participa\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios cientistas, incluindo o professor Galv\u00e3o. \u201cDois ter\u00e7os do INCT s\u00e3o destinadas \u00e0s a\u00e7\u00f5es transversais; um ter\u00e7o, para viagem, para bolsas. Essa \u00e9 a filosofia que foi implantada\u201d, explica Bediaga, cuja luta foi determinante para a cria\u00e7\u00e3o do INCT CERN-Brasil, mas que ainda defende a cria\u00e7\u00e3o de INCTs para as \u00e1reas de astropart\u00edculas e para o experimento DUNE, participa\u00e7\u00e3o brasileira no gigantesco observat\u00f3rio de neutrinos que est\u00e1 sendo constru\u00eddo nos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na vis\u00e3o de Bediaga, a principal desorganiza\u00e7\u00e3o vem dos \u00f3rg\u00e3os de financiamento, que n\u00e3o desenvolvem projetos em comum, algo que seria extremamente importante para projetos de colabora\u00e7\u00f5es internacionais, que demandam recursos cont\u00ednuos por prazos longos, de at\u00e9 20 a 30 anos. Ao longo dos \u00faltimos 30 anos, cientistas brasileiros v\u00eam participando de projetos importantes no CERN. Hoje, s\u00e3o 135 cientistas brasileiras em quatro experimentos dentro do LHC e um experimento fora do acelerador, mas dentro do CERN, com um apoio do governo ao Renafae para manuten\u00e7\u00e3o e bolsas de pesquisas por institui\u00e7\u00f5es de fomento estadual. Mas, com a ades\u00e3o do Pa\u00eds ao CERN, Bediaga avalia que \u00e9 preciso mais organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas da comunidade cient\u00edfica. Ele, inclusive, defendia em reuni\u00f5es no governo, desde mar\u00e7o do ano passado, a cria\u00e7\u00e3o de fundo espec\u00edfico para desenvolver a ci\u00eancia brasileira nesse experimento para al\u00e9m do valor que o Brasil ter\u00e1 que aportar no CERN diretamente, como faz Portugal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo acordo, o corpo cient\u00edfico apareceu l\u00e1 para o \u00e1lbum de fotografia, mas a negocia\u00e7\u00e3o entre o CERN e o Minist\u00e9rio (Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00f5es) foi feita sem a participa\u00e7\u00e3o nossa direta, o que seria muito conveniente. \u00c9 um projeto cient\u00edfico, n\u00e3o \u00e9 um projeto industrial, embora a ind\u00fastria seja importante participar, mas \u00e9 um projeto cient\u00edfico\u201d, afirma. \u201cNa pr\u00e1tica, a nossa vida n\u00e3o mudou nada, porque esse dinheiro que o Brasil est\u00e1 pagando ao CERN \u00e9 destinado para as empresas ou pagamentos de pessoal brasileiro que vai trabalhar l\u00e1, etc. Mas n\u00e3o para os grupos cientistas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto que Bediaga questiona \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o de Galv\u00e3o de que o envio de t\u00e9cnicos ao LHC deveria ser uma contrapartida das institui\u00e7\u00f5es de ensino ao financiamento obtido, que muitas vezes j\u00e1 inclui gastos com viagens de cientistas. \u201cO problema todo \u00e9 que as institui\u00e7\u00f5es brasileiras, tirando as paulistas, n\u00e3o t\u00eam muito dinheiro para pagar isso. Essa \u00e9 uma realidade bastante generalizada no Brasil. Eu n\u00e3o consigo ver a UFRJ pagando um t\u00e9cnico para ir para o CERN. N\u00e3o consigo ver isso. Mal tem dinheiro para manter a institui\u00e7\u00e3o\u201d, afirma. \u201cNa situa\u00e7\u00e3o assint\u00f3tica, falando um pouco de matem\u00e1tica, se n\u00e3o tiver dinheiro para os brasileiros participarem, daqui a pouco o Brasil est\u00e1 no CERN, mas os cientistas brasileiros acabar\u00e3o saindo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ele reafirma n\u00e3o ser contra o Pa\u00eds aderir ao CERN, mas avalia que \u201cexiste um problema estrutural no Brasil\u201d. \u201cEu j\u00e1 venho falando isso, da parte dos \u00f3rg\u00e3os financiadores, \u00e9 preciso um caminho para financiamento de grupos brasileiros em grandes colabora\u00e7\u00f5es, isso n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 Altas Energias. Voc\u00ea tem que ter uma perspectiva de financiamento considerando tr\u00eas caracter\u00edsticas: constru\u00e7\u00e3o, manuten\u00e7\u00e3o e projetos de longo prazo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>(Colaborou Roger Marzochi)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisador do CBPF, coordenador do INCT CERN Brasil, diz que em 2017 a Rede Nacional de F\u00edsica de Altas Energias (RENAFAE) passou por transforma\u00e7\u00f5es importantes no sentido de coordenar as atividades da \u00e1rea, mas, para ele, s\u00e3o os \u00f3rg\u00e3os de fomento que precisam se organizar para financiar colabora\u00e7\u00f5es internacionais de longo prazo. 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