{"id":22667,"date":"2024-07-04T14:55:25","date_gmt":"2024-07-04T17:55:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/?p=22667"},"modified":"2024-07-04T14:55:25","modified_gmt":"2024-07-04T17:55:25","slug":"pesquisador-da-ufpel-e-reconhecido-internacionalmente-por-estudo-sobre-coloides","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/pesquisador-da-ufpel-e-reconhecido-internacionalmente-por-estudo-sobre-coloides\/","title":{"rendered":"Pesquisador da UFPEL \u00e9 reconhecido internacionalmente por estudo sobre coloides"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Jos\u00e9 Rafael Bordin publica artigo com destaque na prestigiada revista Soft Matter sobre pesquisa que pode aprimorar a produ\u00e7\u00e3o de redes cristalinas para ampliar qualidade e a resist\u00eancia de materiais bidimensionais<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Telas de celular e de televisores muito mais resistentes, de melhor resolu\u00e7\u00e3o e mais eficientes energeticamente. Essa \u00e9 uma das v\u00e1rias poss\u00edveis aplica\u00e7\u00f5es da pesquisa te\u00f3rica liderada pelo professor Jos\u00e9 Rafael Bordin, da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), sobre os chamados \u201ccoloides de caro\u00e7o amolecido\u201d, que s\u00e3o macromol\u00e9culas com um n\u00facleo duro e uma casca mole. Ele \u00e9 um dos pesquisadores que assina o artigo \u201c<a href=\"https:\/\/pubs.rsc.org\/en\/content\/articlelanding\/2024\/sm\/d4sm00339j\">Core-softened colloid under extreme geometrical confinement<\/a>\u201d publicado no dia 28 de junho de 2024 no peri\u00f3dico Soft Matter da Royal Society of Chemistry. O artigo ainda contou com participa\u00e7\u00e3o do Prof. Leandro Batirolla Krott, da Universidade Federal de Santa Catarina, e do Dr. Thiago Puccinelli, egresso do grupo e atualmente fazendo o p\u00f3s-doutorado na Universidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1017\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Jose-Rafael-Bordin-1017x1024.jpg\" alt=\"Jos\u00e9 Rafael Bordin, da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), destacou-se no estudo de \u201ccoloides de caro\u00e7o amolecido\u201d\" class=\"wp-image-22668\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Jos\u00e9 Rafael Bordin, da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), destacou-se no estudo de \u201ccoloides de caro\u00e7o amolecido\u201d.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Em decorr\u00eancia dos seus estudos sobre a F\u00edsica da Mat\u00e9ria Mole e Biol\u00f3gica, especialmente em sistemas com confinamento extremo, Bordin foi reconhecido pelo peri\u00f3dico como \u201cEmerging Investigator\u201d, t\u00edtulo concedido a cientistas no in\u00edcio de sua carreira independente com potencial para influenciar futuras dire\u00e7\u00f5es nesta \u00e1rea de estudo. O artigo ainda ganhou destaque na edi\u00e7\u00e3o do peri\u00f3dico, sendo Inside Front Cover -s\u00f3 n\u00e3o foi capa porque a editora lhe pediu um valor t\u00e3o alto que era impratic\u00e1vel para a realidade do financiamento da pesquisa cient\u00edfica no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAp\u00f3s passar 10 anos do doutoramento, receber esse reconhecimento internacional no momento em que estou me consolidando pesquisador independente, em uma Universidade longe dos grandes centros, \u00e9 uma grande alegria e mostra que a pesquisa que desenvolvo est\u00e1 no caminho certo. Especialmente, esse reconhecimento \u00e9 uma forma de a revista prestigiar e incentivar jovens pesquisadores que possuem j\u00e1 um certo destaque, e que possuem potencial para se tornarem os futuros l\u00edderes da \u00e1rea\u201d, diz o cientista em entrevista ao <strong>Boletim SBF<\/strong>. Ele tamb\u00e9m foi reconhecido como \u201cEmerging Investigator\u201d pelo Journal of Chemical Physics\/AIP no ano passado.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" data-src=\"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Nanoparticulas-1024x1024.png\" alt=\"Estudo abordou nanopart\u00edculas esf\u00e9ricas com um n\u00facleo duro, feito de metais ou semimetais, revestidas por pol\u00edmeros\" class=\"wp-image-22669 lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 1024px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 1024\/1024;width:472px;height:auto\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Estudo abordou nanopart\u00edculas esf\u00e9ricas com um n\u00facleo duro, feito de metais ou semimetais, revestidas por pol\u00edmeros.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Bordin, que atua no Instituto de F\u00edsica e Matem\u00e1tica (IFM) da UFPEL, tem se destacado por suas pesquisas na \u00e1rea de F\u00edsica da Mat\u00e9ria Mole. \u201cA Mat\u00e9ria Mole n\u00e3o \u00e9 apenas mole por n\u00e3o ser dura, mas \u00e9 fascinante porque \u00e9 deform\u00e1vel, e isso leva a v\u00e1rios comportamentos \u00fanicos, e porque ela nos cerca \u2013 n\u00f3s, como seres vivos, somos feitos basicamente de Mat\u00e9ria Mole!&#8221;, explicou Bordin, destacando que os processos envolvidos est\u00e3o na escala de energia t\u00e9rmica, encontrada no dia a dia. Ele exemplificou com o leite, que \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o coloidal na qual prote\u00ednas e gorduras formam bolotas em uma solu\u00e7\u00e3o aquosa. \u201cA transforma\u00e7\u00e3o do leite em manteiga \u00e9 um exemplo de organiza\u00e7\u00e3o, ela ocorre quando a agita\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica rompe as membranas das got\u00edculas de gordura, permitindo que elas se agreguem e formem uma estrutura mais densa. Neste trabalho tamb\u00e9m tentamos explorar a agrega\u00e7\u00e3o de mol\u00e9culas, mas que n\u00e3o possuem aplica\u00e7\u00f5es na culin\u00e1ria.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Bordin conta que seu interesse nesta pesquisa publicada pela Soft Matter estava nos coloides de caro\u00e7o amolecido, que possuem um n\u00facleo duro e uma casca externa mais macia. \u201cNa natureza, existem prote\u00ednas globulares que t\u00eam um formato hemisf\u00e9rico e podem ser levemente amassadas, mas aqui nossa inspira\u00e7\u00e3o foram nanopart\u00edculas esf\u00e9ricas com um n\u00facleo duro, feito de metais ou semimetais, revestidas por uma camada de pol\u00edmeros \u2013 como se fossem bolas peludas\u201d, diz. \u201cModelar esse tipo de sistema n\u00e3o \u00e9 muito trivial pois existem muitos componentes, especialmente se queremos ver algo em grande escala de tamanho \u2013 por isso usamos modelos efetivos que tornam as simula\u00e7\u00f5es fact\u00edveis\u201d, afirmou Bordin.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele explicou que, assim, a abordagem usada tenta compreender o comportamento mais geral dos coloides de caro\u00e7o amolecido, sem focar em um material espec\u00edfico, e como podemos manipular a organiza\u00e7\u00e3o deles. Essas nanopart\u00edculas t\u00eam aplica\u00e7\u00f5es em novas tecnologias, sendo que os cristais coloidais 2D formados por elas s\u00e3o usados em dispositivos fot\u00f4nicos, sensores, c\u00e9lulas solares, displays, entrega controlada de medicamentos, materiais estruturais refor\u00e7ados e em tecnologias de imagem e padr\u00f5es em nanoescala, aproveitando suas propriedades \u00fanicas para melhorar a efici\u00eancia e a funcionalidade dessas aplica\u00e7\u00f5es. Por exemplo, cristais coloidais 2D melhoram a qualidade da imagem e a efici\u00eancia energ\u00e9tica de telas de computadores e celulares ao manipular a luz de forma mais precisa, permitindo cores mais vibrantes e um consumo de energia reduzido. O objetivo \u00e9 criar estruturas ordenadas que difratam a luz de maneira controlada, resultando em melhor brilho e contraste nas telas. \u201c\u00c9 como se voc\u00ea tivesse um \u2018Lego molecular\u2019. No nosso caso, jogamos as pe\u00e7as em uma caixa, chacoalhamos e analisamos em quais condi\u00e7\u00f5es esses blocos de constru\u00e7\u00e3o microsc\u00f3picos podem gerar um padr\u00e3o macrosc\u00f3pico espec\u00edfico&#8221;, comparou Bordin.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo explorou como os coloides se comportam quando prensados entre duas superf\u00edcies r\u00edgidas. \u201cMostramos que, sob certas condi\u00e7\u00f5es, os coloides nesse confinamento extremo, como se fosse um mundo quase 2D, podem gerar estruturas bidimensionais que n\u00e3o s\u00e3o observadas no mundo 2D ou 3D\u201d, disse Bordin. Isso indicou que o confinamento geom\u00e9trico pode controlar o cristal resultante, permitindo a gera\u00e7\u00e3o de estruturas que n\u00e3o seriam vistas em um sistema bidimensional simples. \u201cFazendo a analogia com o Lego, imagina que voc\u00ea compra uma caixinha de Lego para montar a Millennium Falcon e joga as pe\u00e7as dentro de uma caixa bem fininha ou de uma um pouco mais espa\u00e7osa. Em uma, voc\u00ea consegue a Millennium Falcon, mas de outra forma, usando as mesmas pe\u00e7as, voc\u00ea pode conseguir a Estrela da Morte.\u201d Esse resultado sugere uma nova rota experimental para controlar o crescimento de cristais bidimensionais. Ap\u00f3s os eventos clim\u00e1ticos extremos que ocasionaram a maior trag\u00e9dia clim\u00e1tica no Rio Grande do Sul, a publica\u00e7\u00e3o dessa pesquisa na Soft Matter foi uma grata surpresa \u00e0 equipe de Bordin, que espera continuar estudando o comportamento das coloides e nanomateriais a fim de auxiliar no desenvolvimento de novas tecnologias.<a id=\"_msocom_1\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>(Colaborou Roger Marzochi)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Rafael Bordin publica artigo com destaque na prestigiada revista Soft Matter sobre pesquisa que pode aprimorar a produ\u00e7\u00e3o de redes cristalinas para ampliar qualidade e a resist\u00eancia de materiais bidimensionais. Telas de celular e de televisores muito mais resistentes, de melhor resolu\u00e7\u00e3o e mais eficientes energeticamente. 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