{"id":22035,"date":"2024-04-24T14:48:01","date_gmt":"2024-04-24T17:48:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/?p=22035"},"modified":"2024-04-24T14:48:03","modified_gmt":"2024-04-24T17:48:03","slug":"brasileiros-identificam-e-quantificam-uma-forma-nao-biotica-de-produzir-oxigenio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/brasileiros-identificam-e-quantificam-uma-forma-nao-biotica-de-produzir-oxigenio\/","title":{"rendered":"Brasileiros identificam e quantificam uma forma n\u00e3o-bi\u00f3tica de produzir oxig\u00eanio"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Pesquisa vai colaborar para aprimorar o estudo sobre vida em outros planetas dentro e fora do Sistema Solar<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Pesquisadores do Laborat\u00f3rio Mansukh Shah da Universidade Federal Fluminense (UFF) e do Laborat\u00f3rio de El\u00e9trons do Instituto de F\u00edsica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) identificaram pela primeira vez um m\u00e9todo para reconhecer e quantificar em planetas a produ\u00e7\u00e3o da mol\u00e9cula de oxig\u00eanio, gerada de forma n\u00e3o-bi\u00f3tica, por meio da quebra da mol\u00e9cula de g\u00e1s carb\u00f4nico (CO2) atrav\u00e9s da radia\u00e7\u00e3o eletromagn\u00e9tica e raios c\u00f3smicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados da pesquisa foram publicados na revista Physical Review Letters dia 11 de abril no artigo \u201c<a href=\"https:\/\/journals.aps.org\/prl\/abstract\/10.1103\/PhysRevLett.132.153002?utm_source=email&amp;utm_medium=email&amp;utm_campaign=prl-alert\">O2+ Production Coming from CO2\u00a0 Single-Event Electron Impact<\/a>\u201d. O estudo dever\u00e1 contribuir para o entendimento dos processos qu\u00edmicos que ocorrem em atmosferas ricas em CO2 e expostas \u00e0 radia\u00e7\u00e3o ionizante, como as de V\u00eanus e Marte, o que \u00e9 crucial para modelar e prever a composi\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica desses planetas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Da-esq-para-dir-Lucas-Sigaud-Ana-Beatriz-Monteiro-Carvalho-e-Eduardo-Montenegro-membros-da-equipe-de-pesquisa-1024x768.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-22036\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Da esq para dir, Lucas Sigaud, Ana Beatriz Monteiro-Carvalho e Eduardo Montenegro, membros da equipe de pesquisa<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A descoberta da produ\u00e7\u00e3o de \u00edons O2+ atrav\u00e9s da fragmenta\u00e7\u00e3o do CO2 por impacto de el\u00e9trons revela uma rota n\u00e3o-bi\u00f3tica para a forma\u00e7\u00e3o de oxig\u00eanio, que \u00e9 relevante para a astrobiologia, pois o oxig\u00eanio \u00e9 considerado um poss\u00edvel indicador de vida em outros planetas. O oxig\u00eanio molecular, assim como outros elementos qu\u00edmicos e mol\u00e9culas, deixa uma assinatura em emiss\u00f5es eletromagn\u00e9ticas que \u00e9 poss\u00edvel de ser identificadas da Terra.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, como mostra o estudo, nem sempre a exist\u00eancia desse elemento \u00e9 um marcador de vida. \u201cA mol\u00e9cula de oxig\u00eanio \u00e9 considerada um potencial identificador de vida, pelo menos do tipo que conhecemos. Ent\u00e3o se existem canais de produ\u00e7\u00e3o de oxig\u00eanio que n\u00e3o sejam processos bi\u00f3ticos, \u00e9 importante para descartar poss\u00edveis resultados e n\u00e3o chegar a conclus\u00f5es erradas nas investiga\u00e7\u00f5es sobre a exist\u00eancia de vida em outros planetas\u201d, explica Lucas Sigaud, cientista da UFF, em entrevista ao <strong>Boletim SBF<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Destaque em F\u00edsica- Brasileiros identificam e quantificam uma forma n\u00e3o-bi\u00f3tica de produzir oxig\u00eanio\" width=\"900\" height=\"506\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/LFiuvQkN1Ao?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" data-load-mode=\"1\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Segundo Sigaud, as diversas miss\u00f5es enviadas para V\u00eanus e Marte, por exemplo, j\u00e1 comprovaram uma grande quantidade de g\u00e1s carb\u00f4nico em suas atmosferas. No caso de Marte, o n\u00edvel chega a 95% da composi\u00e7\u00e3o de sua atmosfera. Nos estratos mais altos do planeta vermelho, encontra-se grande quantidade de O2+, o que n\u00e3o era explicado por processos j\u00e1 conhecidos. O estudo indica que esse alto \u00edndice de oxig\u00eanio molecular ionizado pode ser gerado pela quebra da mol\u00e9cula do g\u00e1s carb\u00f4nico. Durante o processo de quebra dessa mol\u00e9cula, o carbono, que \u00e9 um elemento leve, ganha energia e chega a deixar o planeta, enquanto o oxig\u00eanio, que \u00e9 mais pesado, cresce sua concentra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo demonstra uma metodologia para identificar e medir quantitativamente esses \u00edons de oxig\u00eanio em escala absoluta. Isso n\u00e3o apenas avan\u00e7a o conhecimento sobre a qu\u00edmica atmosf\u00e9rica, mas tamb\u00e9m pode ter aplica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas em outras \u00e1reas da ci\u00eancia. E ao entender melhor os processos qu\u00edmicos em planetas como V\u00eanus e Marte, a ci\u00eancia pode melhorar as estrat\u00e9gias de explora\u00e7\u00e3o espacial e at\u00e9 mesmo considerar a viabilidade de coloniza\u00e7\u00e3o ou terraforma\u00e7\u00e3o desses corpos celestes.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do grande interesse que h\u00e1 em Marte, Sigaud lembra que h\u00e1 estudos sobre V\u00eanus segundo os quais h\u00e1 \u00e1reas delimitadas em sua atmosfera que poderiam receber, por exemplo, uma esta\u00e7\u00e3o espacial. A Nasa ainda possui um projeto chamado Moxie no qual estuda a capta\u00e7\u00e3o do CO2 de Marte para produ\u00e7\u00e3o de oxig\u00eanio para manter uma base no planeta. Com esse estudo liderado pelos cientistas brasileiros, o debate sobre a gera\u00e7\u00e3o de oxig\u00eanio ganha ainda mais for\u00e7a. O grupo estuda principalmente o efeito de espalhamento e distribui\u00e7\u00e3o de energia dos fragmentos de cada uma das mol\u00e9culas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cE a gente viu que voc\u00ea conseguia detectar realmente um sinal que \u00e9 baixo, proporcionalmente aos outros fragmentos, mas \u00e9 significativo de O2+ sendo formado a partir da quebra do CO2, com uma energia alta, de 1,4 el\u00e9tron-volt, que \u00e9 mais de 50 vezes o valor da energia t\u00e9rmica de um g\u00e1s a essa temperatura ambiente. Ent\u00e3o, o que a gente viu foi que esse processo est\u00e1 acontecendo. E para o oxig\u00eanio sair com essa velocidade, nessa energia, o carbono que vai para o outro lado, por conserva\u00e7\u00e3o de momento e energia, sai com 3,5 el\u00e9tron-volt, que \u00e9 muito alto. Essa rea\u00e7\u00e3o, que acontece nas altas camadas da atmosfera de Marte, faz o carbono sair da atmosfera.&nbsp; Ent\u00e3o, \u00e9 o que deve estar acontecendo para ter essa quantidade de O2+ mas n\u00e3o de carbono na atmosfera, mas, claro, a\u00ed vira uma suposi\u00e7\u00e3o nossa. Agora a gente tem o dado quantitativo, o que \u00e9 importante porque a gente alimenta os modelos computacionais e te\u00f3ricos que v\u00e3o tentar descrever com essa nova informa\u00e7\u00e3o a atmosfera de Marte\u201d, explica Sigaud.<\/p>\n\n\n\n<p>O pesquisador afirma que a Terra continuar\u00e1, por muito tempo, como a \u00fanica casa da humanidade no Cosmo. Para ele, pesquisas como essa s\u00e3o importantes, porque a humanidade quer chegar at\u00e9 a Lua, Marte, V\u00eanus para conseguir fazer novas pesquisas, mas no m\u00e1ximo ter um acampamento m\u00ednimo. Mas n\u00e3o deixa de ser fascinante essa busca por vida fora da Terra, especialmente em planetas fora do Sistema Solar ou at\u00e9 da Via L\u00e1ctea.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNum cen\u00e1rio realista, n\u00e3o existe nenhuma previs\u00e3o pr\u00f3xima, nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, de a gente ter instala\u00e7\u00f5es e col\u00f4nias em qualquer coisa pr\u00f3ximo daqui. Ent\u00e3o, a gente tem que tomar cuidado pra preservar o que a gente tem aqui na Terra. Aquela coisa de vida em V\u00eanus ou em Marte vai ser muito diferente da forma como a gente t\u00e1 acostumado aqui, mesmo com a gente tendo mais recursos tecnol\u00f3gicos. Em V\u00eanus, a previs\u00e3o \u00e9 tentar achar alguma coisa na atmosfera para botar uma esta\u00e7\u00e3o l\u00e1, possivelmente, est\u00e1 sendo estudado. Mas nada que a gente poderia colonizar como se fosse uma cidade. A gente est\u00e1 ainda muito distante de uma realidade na qual a gente possa largar a Terra para colonizar outro planeta.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>(Colaborou Roger Marzochi)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa vai colaborar para aprimorar o estudo sobre vida em outros planetas dentro e fora do Sistema Solar Pesquisadores do Laborat\u00f3rio Mansukh Shah da Universidade Federal Fluminense (UFF) e do Laborat\u00f3rio de El\u00e9trons do Instituto de F\u00edsica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) identificaram pela primeira vez um m\u00e9todo para reconhecer e quantificar [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":22037,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[124],"tags":[],"class_list":["post-22035","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque-em-fisica"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22035","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22035"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22035\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22038,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22035\/revisions\/22038"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22037"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22035"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22035"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22035"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}