{"id":21981,"date":"2024-04-11T09:30:24","date_gmt":"2024-04-11T12:30:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/?p=21981"},"modified":"2024-04-11T09:30:25","modified_gmt":"2024-04-11T12:30:25","slug":"equipe-da-ufmg-garante-vaga-ao-brasil-no-torneio-internacional-de-fisica-em-2025","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/equipe-da-ufmg-garante-vaga-ao-brasil-no-torneio-internacional-de-fisica-em-2025\/","title":{"rendered":"Equipe da UFMG garante vaga ao Brasil no Torneio Internacional de F\u00edsica em 2025"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Pela primeira vez na competi\u00e7\u00e3o internacional, alunos da universidade mineira conseguiram chegar \u00e0 semifinal em disputa com 21 grupos de 19 pa\u00edses<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Seria poss\u00edvel saber qual a geometria de um bal\u00e3o apenas pelo som que ele faz ao explodir? Essa era uma das 17 perguntas que deveriam ser respondidas durante o Torneio Internacional de F\u00edsica (International Physicists&#8217; Tournament, IPT) de 2024, realizado em Zurich, na Su\u00ed\u00e7a, no in\u00edcio de abril. O problema, chamado carinhosamente de Big Bang, ajudou a criar um novo universo para o Brasil: pela primeira vez, seis estudantes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), das quais quatro mulheres, e dois professores da institui\u00e7\u00e3o participaram da competi\u00e7\u00e3o internacional, chegando \u00e0s semifinais e obtendo a pontua\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para garantir a vaga \u00e0 pr\u00f3xima equipe brasileira em 2025. A equipe da Alemanha venceu a edi\u00e7\u00e3o de 2024 pela primeira.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFoi uma experi\u00eancia fant\u00e1stica. \u00c9 uma experi\u00eancia internacional, na qual os alunos conseguem competir, conhecer gente do mundo todo, ver que a gente faz uma f\u00edsica de alto n\u00edvel, compar\u00e1vel ao que todo mundo faz. A gente consegue disputar com eles de igual para igual, mesmo tendo uma dificuldade maior, \u00e0s vezes, em equipamentos, em facilidade de conseguir as coisas. A gente consegue fazer uma f\u00edsica muito legal e mostra o n\u00edvel do Brasil para a galera. Ent\u00e3o foi extremamente proveitoso\u201d, comemora o professor Ubirajara Batista, do Departamento de F\u00edsica do Instituto de Ci\u00eancias Exatas (ICEx-UFMG), que junto com a professora Maria Carolina Aguiar, preparam e acompanham os alunos nas disputas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A equipe era formada pelos alunos de f\u00edsica da UFMG Anna Luisa Lemos, Felipe Kalil, Giovanna Fernandes, Maressa Sampaio, Pietra Zanni e Renan Alvim. \u201cA forma\u00e7\u00e3o da equipe tamb\u00e9m se reflete na disciplina que a gente tem aqui na gradua\u00e7\u00e3o, porque muitos dos alunos da disciplina s\u00e3o mulheres. Foi muito natural na escolha da equipe\u201d, explica Maressa, estudante do \u00faltimo semestre de F\u00edsica. Ela nasceu em Governador Valadares e, ap\u00f3s sonhar com a Medicina, decidiu entrar para a F\u00edsica por influ\u00eancia de bons professores para seguir uma carreira na ci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Maria Carolina explica que as quest\u00f5es foram divulgadas em setembro do ano passado. Das 17 quest\u00f5es, 11 entraram na disputa do Torneio Brasileiro de F\u00edsica, que no ano passado ocorreu em dezembro na Universidade Federal do ABC. Os alunos t\u00eam todos esses meses para encontrar solu\u00e7\u00f5es para as quest\u00f5es. Nesse processo, os alunos de f\u00edsica se envolvem com outros departamentos da universidade, como no caso da gradua\u00e7\u00e3o em m\u00fasica, que cedeu um \u00f3timo microfone e um est\u00fadio para que o problema do Big Bang, relatado no in\u00edcio deste texto, fosse solucionado.<\/p>\n\n\n\n<p>E, na competi\u00e7\u00e3o nacional, a UFMG se consagrou vitoriosa. Ubirajara lembra, ali\u00e1s, que a vit\u00f3ria foi apertada, porque o n\u00edvel dos alunos do Pa\u00eds est\u00e1 muito bom. E, ao fim da competi\u00e7\u00e3o, houve a forma\u00e7\u00e3o de um grande grupo de apoio \u00e0 equipe da UFMG, que se tornou uma equipe brasileira. Mas entre vencer a competi\u00e7\u00e3o nacional e embarcar para a Su\u00ed\u00e7a novas barreiras se levantaram. Em primeiro lugar, a equipe da UFMG precisou preparar um relat\u00f3rio mostrando seus resultados para concorrer a uma vaga no internacional, uma vez que o Brasil n\u00e3o possu\u00eda lugar garantido.<\/p>\n\n\n\n<p>Maressa passou o Natal e o Ano Novo para fechar o relat\u00f3rio e entreg\u00e1-lo no in\u00edcio de janeiro. \u201cEu fiquei entre Natal e Ano Novo escrevendo o Report, mas para mim eu achei aquilo legal, porque eu estava me preparando pra concorrer ao torneio internacional. Ent\u00e3o, estando motivada, a coisa realmente flui\u201d, diz Maressa.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a aprova\u00e7\u00e3o do Brasil na competi\u00e7\u00e3o, vem um novo desafio: conseguir dinheiro para viajar. A Sociedade Brasileira de F\u00edsica (SBF), que j\u00e1 havia contribu\u00eddo com R$ 12 mil no torneio nacional, investiu mais R$ 10 mil para a equipe da UFMG, que ainda fez uma vaquinha online que conseguiu mobilizar 175 apoiadores que doaram um total de R$ 17.230,71. As passagens de Maria Carolina e Ubirajara foram custeadas pela UFMG, mas a conta da viagem chegou quase a R$ 70 mil. Mas os professores conseguiram apoio de empresas e institui\u00e7\u00f5es, como Versatus HPC, Funda\u00e7\u00e3o Ipead, Fundep e Horiba.<\/p>\n\n\n\n<p>A equipe brasileira disputou com 21 grupos, de 19 pa\u00edses. Os problemas, que s\u00e3o resolvidos ao longo dos meses, entram em um tipo de batalha, na qual uma equipe desafia a outra a apresentar uma resposta. A equipe desafiada pode, inclusive, recusar at\u00e9 cinco desafios. Ao aceitar o desafio, os alunos precisam apresentar a solu\u00e7\u00e3o ao problema para a equipe concorrente e para os jurados em dez minutos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cParticipar do torneio \u00e9 importante para a carreira de pesquisador porque, como n\u00e3o tem um roteiro pr\u00e9-definido do que voc\u00ea deve fazer, voc\u00ea adquire uma certa autonomia na sua pesquisa, ent\u00e3o voc\u00ea tem que bolar os experimentos, voc\u00ea tem que tirar da an\u00e1lise de dados as suas pr\u00f3prias conclus\u00f5es e ver se isso est\u00e1 de acordo com outras coisas na literatura, com outros fen\u00f4menos e tudo mais. E um dos fatores que eu considero muito importante \u00e9 a habilidade de comunicar essa sua descoberta de maneira efetiva. Porque durante o torneio voc\u00ea tem apenas 10 minutos para fazer sua apresenta\u00e7\u00e3o e ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o voc\u00ea tem um tempo de debate com as outras equipes\u201d, explica Maressa, que deseja seguir carreira em pesquisas da f\u00edsica de part\u00edculas.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Maria Carolina, o processo de prepara\u00e7\u00e3o para o torneio envolve amadurecimento que normalmente ocorre durante a p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, ou seja, \u00e9 praticamente como se fosse uma antecipa\u00e7\u00e3o aos alunos da gradua\u00e7\u00e3o sobre o que ocorre durante um mestrado por exemplo. Para ela, o tema \u00e9 t\u00e3o importante, que em conjunto com Ubirajara, foi criada uma disciplina espec\u00edfica no curso de F\u00edsica para preparar alunos para torneios. No semestre passado, a turma dessa disciplina j\u00e1 contava com 20 alunos. \u201cEles come\u00e7am a ter essa experi\u00eancia na gradua\u00e7\u00e3o que \u00e9 como se fosse uma inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, numa disciplina que os preparar para o torneio\u201d, conta Maria Carolina.<\/p>\n\n\n\n<p>Ambos os professores esperam que haja cada vez mais apoio a esse tipo de iniciativa no Brasil a fim de fortalecer a ci\u00eancia e estimular o processo criativo de constru\u00e7\u00e3o da metodologia cient\u00edfica pelos alunos. \u201cAcho que uma boa coisa \u00e9 promover cada vez mais o Torneio Nacional, para que ele tenha cada vez mais gente, ser ainda mais disputado, o que vai fortalecer todo mundo e nos preparar para a competi\u00e7\u00e3o internacional\u201d, diz Ubirajara.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>(Colaborou Roger Marzochi)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pela primeira vez na competi\u00e7\u00e3o internacional, alunos da universidade mineira conseguiram chegar \u00e0 semifinal em disputa com 21 grupos de 19 pa\u00edses Seria poss\u00edvel saber qual a geometria de um bal\u00e3o apenas pelo som que ele faz ao explodir? 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