{"id":21838,"date":"2024-03-21T10:56:09","date_gmt":"2024-03-21T13:56:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/?p=21838"},"modified":"2024-03-21T16:15:28","modified_gmt":"2024-03-21T19:15:28","slug":"fisico-marcelo-gleiser-lanca-livro-que-defende-a-raridade-da-vida-na-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/fisico-marcelo-gleiser-lanca-livro-que-defende-a-raridade-da-vida-na-terra\/","title":{"rendered":"F\u00edsico Marcelo Gleiser lan\u00e7a livro que defende a raridade da vida na Terra"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Obra \u00e9 um manifesto que defende que mudan\u00e7as de comportamento das pessoas na dire\u00e7\u00e3o do consumo consciente e no respeito \u00e0 diversidade cultural podem ajudar mais na influ\u00eancia de governos e empresas; autor faz tamb\u00e9m uma cr\u00edtica do <\/em>\u201c<em>triunfalismo cient\u00edfico<\/em>\u201d<em> e a inten\u00e7\u00e3o de colonizar Marte e outros planetas<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A vida na Terra \u00e9 extremamente rara e o planeta, tamb\u00e9m. Se h\u00e1 chance de haver vida em outros lugares do Cosmo, esses seres podem estar t\u00e3o distantes que nunca faremos contato; e por mais que se busque um lugar como a Terra, menor \u00e9 a chance de ser habitado pelo ser humano e mais dif\u00edcil ainda haver condi\u00e7\u00f5es que garantam o surgimento da vida. Esta \u00e9 a principal tese do \u201cBiocentrismo\u201d, nova forma de pensamento sobre a hist\u00f3ria da humanidade que o f\u00edsico, escritor e astr\u00f4nomo Marcelo Gleiser apresenta em seu novo livro \u201cO Despertar do Universo Consciente \u2013 Um Manifesto para o Futuro da Humanidade\u201d (Editora Record, 250 p\u00e1ginas), cujo lan\u00e7amento no Brasil ocorreu no \u00faltimo dia 14 de mar\u00e7o, em palestra do autor na Unibes Cultural, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>O Biocentrismo seria uma capacidade \u00edmpar de a humanidade colocar a vida como a primeira e mais importante regra moral a ser seguida globalmente, com um profundo respeito \u00e0 diversidade narrativa sobre a hist\u00f3ria humana, suas representa\u00e7\u00f5es e a consci\u00eancia de que n\u00e3o estamos acima da natureza, como argumenta o autor ao longo da obra apresentando dados sobre f\u00edsica, astronomia, biologia, filosofia e, de certa forma, antropologia. \u201cEssa mudan\u00e7a vem l\u00e1 de dentro, \u00e9 uma mudan\u00e7a que tem que pegar no cora\u00e7\u00e3o das pessoas, tem que pegar na carteira das pessoas, mais do que em ideologias de progresso infinito\u201d, afirma o f\u00edsico, durante a palestra de lan\u00e7amento da obra.<\/p>\n\n\n\n<p>Reconhecido como um grande divulgador cient\u00edfico, Gleiser argumenta que, nos cerca de 300 mil anos de hist\u00f3ria da esp\u00e9cie humana, os Deuses habitavam a natureza, que come\u00e7ou a ser dessacralizada com a agricultura, h\u00e1 10 mil anos, e as religi\u00f5es monote\u00edstas, que levaram Deus para longe da Terra e defenderam que a natureza existia para servir o homem.&nbsp; Dos atomistas pr\u00e9-socr\u00e1ticos \u00e0 Cop\u00e9rnico, que defendeu que n\u00e3o era a Terra o centro do Universo, houve o crescimento da raz\u00e3o e do saber cient\u00edfico que influenciou o Iluminismo. A ci\u00eancia deu base para a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, que gerou cidades superpovoadas dependentes de alimento, produzido em larga escala, e energia, proveniente de combust\u00edveis f\u00f3sseis; ao passo que a evolu\u00e7\u00e3o do estudo da astronomia revelou que n\u00e3o s\u00f3 a Terra n\u00e3o \u00e9 o centro do Universo, como a Via L\u00e1ctea n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica gal\u00e1xia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO Iluminismo, aquela explos\u00e3o de racionalidade que surgiu na Europa no S\u00e9culo XVIII, veio do sucesso da F\u00edsica, que a natureza n\u00e3o s\u00f3 era um objeto, como tamb\u00e9m era um objeto que seguia leis mec\u00e2nicas precisas, era aquela ideia da natureza era um rel\u00f3gio, um mecanismo de rel\u00f3gio. Ent\u00e3o se voc\u00ea tem essa ordem no universo, a raz\u00e3o humana \u00e9 capaz de entender essa ordem e esse \u00e9 o \u00fanico caminho para a verdade. Essa que \u00e9 a centralidade da ideia do Iluminismo, que a raz\u00e3o humana, atrav\u00e9s do pensamento mecanicista, reducionista, de pegar as coisas grandes e quebrar em peda\u00e7os pequenos para entender \u00e9 o \u00fanico jeito da gente chegar na verdade. Essa funciona para certas quest\u00f5es cient\u00edficas mas n\u00e3o para as que envolvem a vida e a possibilidade de vida em outros mundos\u201d, diz o cientista.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo defendendo a import\u00e2ncia da ci\u00eancia na hist\u00f3ria da humanidade, o autor avalia que o avan\u00e7o da astronomia reduz a import\u00e2ncia da Terra diante do Universo, como se a vida pudesse facilmente existir em algum outro lugar parecido com este planeta, tese que ele critica ao mostrar que n\u00e3o s\u00f3 isso \u00e9 raro, mesmo dentro trilh\u00f5es de planetas e luas na Via L\u00e1ctea, como \u00e9 at\u00e9 hoje imposs\u00edvel conhecer as condi\u00e7\u00f5es que levam a passagem de elementos inorg\u00e2nicos \u00e0 org\u00e2nicos, \u00e0 vida. \u201cEsse pulo em que voc\u00ea vai da qu\u00edmica inorg\u00e2nica para o org\u00e2nico, para a bioqu\u00edmica, voc\u00ea come\u00e7a a formar amino\u00e1cidos, prote\u00ednas&#8230; o pulo disso para a primeira vida, \u00e9 totalmente misterioso\u201d, diz o f\u00edsico, durante o lan\u00e7amento do livro. \u201cA Terra n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 um lugar onde a vida surgiu, mas com as propriedades que mant\u00e9m a vida durante esse tempo todo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Com o crescimento da popula\u00e7\u00e3o, que passou de 2 bilh\u00f5es no in\u00edcio do s\u00e9culo 20 para hoje 8 bilh\u00f5es, a press\u00e3o sobre o planeta cresceu demasiadamente, sem contar a polui\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o ambiental que est\u00e3o levando \u00e0 extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies e ao aquecimento global. Das tribos \u00e0s cidades, houve um processo de colocar para fora o que se considera natureza, houve um objetifica\u00e7\u00e3o da natureza, a Terra perdeu o seu maravilhamento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA ideia \u00e9 uma reconex\u00e3o com o que eu chamo de coletividade da vida. N\u00f3s n\u00e3o somos os donos do planeta. N\u00f3s somos parte do planeta. E achar que a ci\u00eancia, que certamente ajuda muito no desenvolvimento tecnol\u00f3gico, de tudo, vai resolver todos os problemas que a gente est\u00e1 causando com a industrializa\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m n\u00e3o vai dar certo. Isso da\u00ed tem um nome, se chama triunfalismo cient\u00edfico\u201d, afirma o cientista.<\/p>\n\n\n\n<p>Gleiser se posiciona contra a intencionalidade de colonizar outros planetas, como Marte, n\u00e3o apenas porque o planeta \u00e9 completamente hostil \u00e0 vida, mas tamb\u00e9m que a emerg\u00eancia clim\u00e1tica exige uma resposta urgente, que n\u00e3o pode esperar d\u00e9cadas. \u201cE se a gente fosse colonizar outro planeta, quantas pessoas iriam? Quem que ia decidir quem vai? Oito bilh\u00f5es? Nem a pau. Talvez mil, quinhentas, cem mil? E o resto? Fica aqui. Ent\u00e3o, esse elitismo, sabe, \u00e9 um absurdo. O foco da nossa vida \u00e9 nesse planeta. Esse aqui \u00e9 o ponto central.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>E, nesse processo, o autor defende a pluralidade de vis\u00f5es sobre a Terra, defende a\u00e7\u00f5es individuais na busca de reduzir o consumo de \u00e1gua, energia e carne, pois acredita que grandes revolu\u00e7\u00f5es t\u00eam in\u00edcio em pequena escala, apesar da import\u00e2ncia de pol\u00edticas p\u00fablicas. De modo geral, Gleiser defende a ressacraliza\u00e7\u00e3o da Terra por meio da ideia de que a vida \u00e9 extremamente rara. \u201cEsse \u00e9 o ponto principal que eu tento levantar no livro, que a gente tem que voltar ao que eu chamo de uma ressacraliza\u00e7\u00e3o da Terra. E que o ponto central da palavra religi\u00e3o \u00e9 religar, \u00e9 reconectar. Ent\u00e3o, para n\u00f3s, nesse momento hist\u00f3rico da nossa civiliza\u00e7\u00e3o, \u00e9 religar com o qu\u00ea? \u00c9 religar e reconectar com o passado evolucion\u00e1rio da nossa esp\u00e9cie que durante 290 mil anos mais ou menos estava profundamente conectado com a natureza at\u00e9 que a gente saiu e construiu essas coisas aqui que s\u00e3o importantes, t\u00eam uma fun\u00e7\u00e3o, mas aqui n\u00e3o tem nada de natureza. Tudo isso aqui est\u00e1 fora da natureza. As cidades botam a natureza para o lado de fora\u201d, afirma, durante a palestra. \u201cPequenas transforma\u00e7\u00f5es, jeitos de viver que juntos, somados, podem chegar a uma coisa muito maior do que a gente tem no momento. N\u00e3o fazer nada, para mim, \u00e9 um suic\u00eddio coletivo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E voc\u00ea, membro da comunidade SBF, j\u00e1 refletiu sobre o tema?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>(Colaborou Roger Marzochi)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Obra \u00e9 um manifesto que defende que mudan\u00e7as de comportamento das pessoas na dire\u00e7\u00e3o do consumo consciente e no respeito \u00e0 diversidade cultural podem ajudar mais na influ\u00eancia de governos e empresas; autor faz tamb\u00e9m uma cr\u00edtica do \u201ctriunfalismo cient\u00edfico\u201d e a inten\u00e7\u00e3o de colonizar Marte e outros planetas A vida na Terra \u00e9 extremamente [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":21839,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[127],"tags":[],"class_list":["post-21838","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-acontece-na-sbf"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21838","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21838"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21838\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21849,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21838\/revisions\/21849"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21839"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21838"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21838"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21838"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}