{"id":21830,"date":"2024-03-21T10:21:25","date_gmt":"2024-03-21T13:21:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/?p=21830"},"modified":"2024-03-21T10:24:18","modified_gmt":"2024-03-21T13:24:18","slug":"um-olhar-generoso-para-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/um-olhar-generoso-para-o-mundo\/","title":{"rendered":"Um olhar generoso para o mundo"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Professores da UnB publicam artigo na Revista Brasileira de Ensino de F\u00edsica que celebra o professor Henrique Fleming, da USP, com uma vis\u00e3o de maravilhamento sobre o processo cient\u00edfico de Galileu Galilei na descri\u00e7\u00e3o das mar\u00e9s<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 experi\u00eancias de vida que, apesar de serem t\u00e3o diferentes daquilo que realizamos hoje, nos motivam e representam profundas li\u00e7\u00f5es. Isso \u00e9 bem verdade para o f\u00edsico Ademir Santana, professor da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), que trabalha com teoria qu\u00e2ntica de campos e f\u00edsica matem\u00e1tica. Ele nasceu na ilha de Santo Amaro que abriga o munic\u00edpio do Guaruj\u00e1, em S\u00e3o Paulo, numa fam\u00edlia pobre, vivendo em um bairro oper\u00e1rio. O pai era estivador no Porto de Santos e a m\u00e3e, dona de casa apaixonada pelas estrelas e por leituras. \u00c0 noite, ela explicava a Ademir a hist\u00f3ria daquelas luzes no c\u00e9u. Quando o pai se aposentou, resolveu pescar para ajudar no sustento da fam\u00edlia. E Ademir, ainda menino, seguia junto no barco para o mar na regi\u00e3o da baia de Santos. Quem pesca sabe qu\u00e3o importante \u00e9 entender o vai e vem das mar\u00e9s, n\u00e3o apenas para navegar como tamb\u00e9m para encontrar os peixes. \u201cEu adorava essa intimidade com o mar, com a mar\u00e9. Tinha que tentar se antecipar para fazer certo tipo de pesca ou n\u00e3o, tinha que saber da altura das mar\u00e9s; era meio que fundamental\u201d, lembra Ademir.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"542\" height=\"378\" src=\"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Professor-Henrique-Fleming.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-21835\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Professor Henrique Fleming<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>O encantamento pela natureza, pelas estrelas e pelo mar, foi o primeiro maravilhamento de Ademir com o mundo, que o levou a estudar f\u00edsica na UnB. No in\u00edcio dos anos 1980, veio a S\u00e3o Paulo fazer o mestrado, e depois o doutorado, na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), onde conheceu o amigo Samuel Simon, que estudou f\u00edsica, mas seguiu, no doutorado, o caminho da filosofia. Hoje \u00e9 professor do Departamento de Filosofia na UnB. Foi no mestrado que ambos sentiram revigorar esse maravilhamento com a natureza, durante as aulas do professor Henrique Fleming, que completou 85 anos em outubro de 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de Fleming, os dois amigos tiveram aulas com professores como J. David M. Viana, M\u00e1rio Sch\u00f6nberg e S\u00edlvio Salinas. \u201cForam professores que imprimiram um selo n\u00e3o s\u00f3 na minha carreira como pesquisador e docente, mas na forma de olhar o mundo, com um grande deslumbre. A base disso \u00e9 uma certa generosidade com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s coisas todas. \u00c9 a possibilidade de se fascinar com os fen\u00f4menos. Disso nasce, com o tempo, na medida que se vai estudando e refletindo, certas ang\u00fastias espec\u00edficas. A ang\u00fastia aqui n\u00e3o guarda o sentido de uma disfun\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, de doen\u00e7a, mas sim de natureza intelectual, com rela\u00e7\u00e3o aos objetos do existir, de como lhes chegam, o que se traduz em perplexidade. Essa ang\u00fastia intelectual nunca \u00e9 resolvida completamente; e passa a ser uma companheira de andada\u201d, diz Ademir.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"210\" height=\"241\" data-src=\"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Samuel-Simon.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-21831 lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 210px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 210\/241;width:294px;height:auto\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Samuel Simon<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Sch\u00f6nberg, aponta Ademir, dizia que era necess\u00e1rio \u201camar o el\u00e9tron\u201d, nas primeiras aulas ap\u00f3s a sua reintegra\u00e7\u00e3o \u00e0 USP, depois de ser aposentado for\u00e7osamente pela Ditadura (1964-1985). A ideia era instigar os alunos a se debru\u00e7arem sobre o mundo com respeito e admira\u00e7\u00e3o, porque n\u00e3o h\u00e1 teoria capaz de explicar a natureza de forma completa, exaustiva. H\u00e1 sempre novas surpresas, novas descobertas, \u201co m\u00e9todo cient\u00edfico n\u00e3o tem como objetivo, e n\u00e3o prov\u00ea, uma resposta definitiva a nada, mas \u00e9 uma bon\u00edssima lente para se \u2018olhar a Lua\u2019\u201d. E continua Ademir: \u201cA marca fundamental do professor Fleming, e desses outros professores os quais mencionei, \u00e9 essa. Era a maneira como ele falava sobre os fen\u00f4menos f\u00edsicos, de um modo l\u00edmpido. Esses professores t\u00eam esse alto quilate, vamos chamar assim: um se debru\u00e7ar sobre as coisas com cuidado. Esse olhar calmo para o mundo era a postura de Fleming. Com a abordagem baseada na metodologia cient\u00edfica n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dizer em definitivo o que \u00e9 o el\u00e9tron, mas podemos ir em sua dire\u00e7\u00e3o com o m\u00e9todo que temos, sem ambiguidade. Isso \u00e9 um dos significados da fala do Professor Sch\u00f6nberg sobre o el\u00e9tron.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Essa aten\u00e7\u00e3o e cuidado de Fleming eram uma fonte de inspira\u00e7\u00e3o a quem assistia suas aulas.\u00a0 Ademir viu reviver disso suas mem\u00f3rias de inf\u00e2ncia. Durante as aulas de Cosmologia e Gravita\u00e7\u00e3o, Fleming iniciava com c\u00e1lculo tensorial e a teoria da gravita\u00e7\u00e3o de Einstein, antes de tratar de modelos cosmol\u00f3gicos. Na primeira edi\u00e7\u00e3o da disciplina, Fleming pediu para que os alunos refletissem sobre os efeitos da gravidade, utilizando a lei da gravita\u00e7\u00e3o Newtoniana, at\u00e9 pelo interesse e atualidade daquela teoria no estudo, por exemplo, das forma\u00e7\u00f5es de estruturas do espa\u00e7o sideral. O professor ent\u00e3o entregou uma primeira lista de exerc\u00edcios. Um desses fora assim formulado: \u201cUse o fen\u00f4meno das mar\u00e9s para estimar o quanto voc\u00ea puder sobre a Lua (dist\u00e2ncia, massa, per\u00edodo de rota\u00e7\u00e3o, raio, etc). Ignore os efeitos do Sol&#8221;. \u00a0 E, em decorr\u00eancia de sua rela\u00e7\u00e3o com mar e as mar\u00e9s, Ademir deu um salto perpendicular nessas \u00e1guas, em c\u00e1lculos que levaram mais de um m\u00eas para ficarem prontos, fato que provocou certo entusiasmo no Professor Fleming, que havia solicitado apenas uma reflex\u00e3o.\u00a0<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"448\" height=\"448\" data-src=\"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Ademir-Santana.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-21832 lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 448px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 448\/448;width:318px;height:auto\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ademir Santana<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Tempos atr\u00e1s, Ademir, que guardou todos os exerc\u00edcios daquela \u00e9poca e as Notas de Curso que estavam redigidas \u00e0 m\u00e3o por Fleming, resolveu ir ainda mais fundo, bebendo na fonte dos escritos de Galileu Galilei em seu embate com a Igreja Cat\u00f3lica no s\u00e9culo 17; assunto bem conhecido por seu amigo Samuel. Para comemorar os 85 anos de Fleming, os dois professores da UnB escreveram o trabalho intitulado \u201c<a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/rbef\/a\/fPWbcynn4ThGH6kzSdz9fVM\/?lang=pt\">O problema de Fleming sobre as mar\u00e9s e as conjecturas de Galilei<\/a>\u201d, publicado na Revista Brasileira de Ensino de F\u00edsica (RBEF), vol. 46, e20230338 (2024). Mais uma vez, f\u00edsico e fil\u00f3sofo revelam o respeito profundo sobre a constru\u00e7\u00e3o do saber cient\u00edfico num maravilhamento sobre a natureza.<\/p>\n\n\n\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o central de Galilei era provar que a Terra n\u00e3o era o centro do Universo, mas que se movia no espa\u00e7o sideral; e que este movimento era respons\u00e1vel pelas mar\u00e9s. A partir de experi\u00eancias com a \u00e1gua, e de certa maneira antecipando a no\u00e7\u00e3o de campo, Galilei fez uma an\u00e1lise qualitativa requintada sobre as caracter\u00edsticas cinem\u00e1ticas das mar\u00e9s.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA combina\u00e7\u00e3o do movimento da Terra girando em torno do pr\u00f3prio eixo com o deslocamento no espa\u00e7o zodiacal gera nas \u00e1guas oce\u00e2nicas um processo de acelera\u00e7\u00e3o e desacelera\u00e7\u00e3o. Este processo d\u00e1 origem \u00e0s mar\u00e9s e \u00e9 o principal resultado de Galilei. O movimento de transla\u00e7\u00e3o que Galilei menciona por infer\u00eancia (e como possibilidade) foi o da el\u00edptica da Terra em torno do Sol. Era o que Galilei dispunha \u00e0 \u00e9poca\u201d. Mas o importante era a combina\u00e7\u00e3o dos movimentos que Galilei utilizou para explicar, por exemplo, o motivo de ocorrer mar\u00e9s no mar Mediterr\u00e2neo, sem escoamento de \u00e1gua Atl\u00e2ntica pelo estreito de Gibraltar como alguns pensavam naquela \u00e9poca, enquanto n\u00e3o h\u00e1 mar\u00e9 no Mar Vermelho.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cGalilei n\u00e3o tinha a informa\u00e7\u00e3o de que a Terra e a Lua constituem um sistema gravitacional bin\u00e1rio, girando e se deslocando em torno do Sol. O centro de massa desse sistema est\u00e1 dentro da Terra, mas obviamente fora do centro da Terra.\u201d Explica Ademir. \u201cNeste contexto, entra o problema de Fleming\u201d, explica o f\u00edsico sobre o modelo necess\u00e1rio para se calcular o efeito desse movimento das mar\u00e9s, e como que, a partir disso, \u00e9 poss\u00edvel at\u00e9 mesmo avaliar certa composi\u00e7\u00e3o mineral da Lua.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 corriqueiro ler que Galilei \u201cerrou\u201d ao entrar em pleno embate com a igreja no caso espec\u00edfico das mar\u00e9s, porque em sua an\u00e1lise n\u00e3o havia priorizado a influ\u00eancia da Lua. Ademir e Samuel citam certos artigos recentes que afirmam categoricamente coisas como \u201cGalilei foi vencido pelas mar\u00e9s\u201d. \u201cIsso \u00e9 \u00f3timo para quem est\u00e1 procurando holofote, dado o prest\u00edgio de Galilei. Entretanto, quem procura holofote em ci\u00eancia acaba por se deparar, cedo ou tarde, com a escurid\u00e3o\u201d, atesta Ademir. De fato, depois de quase quatro s\u00e9culos, essa leitura sobre o suposto erro de Galilei vem sendo desmontada. Esse desmonte e as observa\u00e7\u00f5es de Ademir remetem a um dito conhecido: em geral a pessoa que aponta o dedo, no caso para um erro que Galilei tenha cometido, n\u00e3o imagina que no fundo est\u00e1 apontando outros tr\u00eas dedos a si pr\u00f3pria. Como destacado em alguns trabalhos cuidadosos na literatura da \u00faltima d\u00e9cada, muitos dos algozes de Galilei parecem que nunca se debru\u00e7aram com crit\u00e9rio suficiente a ponto de observar a beleza e o prop\u00f3sito cient\u00edfico do mestre Pisano em seus escritos originais. A solu\u00e7\u00e3o do problema de Fleming, conduzida numa perspectiva din\u00e2mica, se relaciona intimamente a an\u00e1lise cinem\u00e1tica conduzida por Galilei e lan\u00e7a novas perspectivas sobre esse debate, como explicitado no trabalho da RBEF.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores Ademir e Samuel analisaram a evolu\u00e7\u00e3o dos estudos das mar\u00e9s desde a Gr\u00e9cia e dos textos de Galilei, em particular o famoso \u201cDi\u00e1logo sobre os dois m\u00e1ximos sistemas do mundo \u2013 ptolomaico e copernicano\u201d. O resultado n\u00e3o termina no artigo publicado na Revista Brasileira de Ensino de F\u00edsica. Os autores deram continuidade a pesquisa e preparam um outro texto mais geral e detalhado, explorando as consequ\u00eancias das conjecturas de Galilei. E n\u00e3o \u00e9 apenas porque o objeto de estudo seja o mar. Ademir lembra que no espa\u00e7o de nuvens de poeiras e forma\u00e7\u00e3o de corpos celestes tamb\u00e9m ocorrem fen\u00f4menos tais quais os de mar\u00e9s. O que o leva novamente \u00e0 inf\u00e2ncia, aos p\u00e9s de sua m\u00e3e apontando os dedos para a noite escura.<\/p>\n\n\n\n<p>Em s\u00edntese, diz: \u201cQuando estudantes possuem bons professores, como aqueles que tivemos, que ensinam a observa\u00e7\u00e3o do mundo e suas coisas, as pessoas aprendizes aprendem sobre si mesmas: a olharem para as civiliza\u00e7\u00f5es; para os bichos; para as folhas; para os conflitos sociais; para o c\u00e9u; para o mar; para as pedras. Sabem que as interpreta\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas de hoje podem ser generalizadas ou modificadas no futuro. &nbsp; Como n\u00e3o h\u00e1 resposta \u00faltima para coisa alguma, o que se depreende disso \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o coletiva, na qual a magia, a perplexidade, no mundo \u00e9 o mundo em si mesmo: nenhuma hip\u00f3tese adicional \u00e9 necess\u00e1ria a esta constata\u00e7\u00e3o, que se realiza com o desenvolvimento de uma \u00edris aguda.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ensaio-entrevista por Roger Marzochi<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Professores da UnB publicam artigo na Revista Brasileira de Ensino de F\u00edsica que celebra o professor Henrique Fleming, da USP, com uma vis\u00e3o de maravilhamento sobre o processo cient\u00edfico de Galileu Galilei na descri\u00e7\u00e3o das mar\u00e9s H\u00e1 experi\u00eancias de vida que, apesar de serem t\u00e3o diferentes daquilo que realizamos hoje, nos motivam e representam profundas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":21833,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[124],"tags":[],"class_list":["post-21830","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque-em-fisica"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21830","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21830"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21830\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21837,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21830\/revisions\/21837"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21833"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21830"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21830"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21830"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}