{"id":21577,"date":"2023-12-07T09:06:59","date_gmt":"2023-12-07T12:06:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf-wp2027\/?p=21577"},"modified":"2023-12-07T09:07:00","modified_gmt":"2023-12-07T12:07:00","slug":"identificada-a-primeira-estrela-com-alta-probabilidade-de-se-transformar-em-magnetar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/identificada-a-primeira-estrela-com-alta-probabilidade-de-se-transformar-em-magnetar\/","title":{"rendered":"Identificada a primeira estrela com alta probabilidade de se transformar em magnetar"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Dados obtidos no Observat\u00f3rio Pico dos Dias, no Sul de Minas Gerais, contribu\u00edram para uma pesquisa internacional com o uso de outros observat\u00f3rios e equipamentos que poder\u00e1 ampliar o entendimento sobre esses raros corpos celestes que possuem campos magn\u00e9ticos descomunais<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Pela primeira vez na hist\u00f3ria da astronomia, um grupo de cientistas do Brasil, Holanda, B\u00e9lgica, Reino Unido, Canad\u00e1, Alemanha, Israel e Estados Unidos conseguiu identificar uma estrela com grande probabilidade de se transformar em um magnetar em \u201cpouco tempo\u201d, o que na escala do Universo pode significar alguns milh\u00f5es de anos. O corpo celeste em quest\u00e3o \u00e9 o HD 45166, um sistema bin\u00e1rio com uma estrela tipo qWR (quasi\u2013Wolf-Rayet), a grande candidata a magnetar, que tem como companhia uma estrela de tipo espectral B em sua fase adulta, localizada a uma dist\u00e2ncia de 3,2 mil anos-luz da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>O feito \u00e9 grandioso porque a ci\u00eancia identificou at\u00e9 hoje apenas cerca de 30 desses corpos celestes, os quais possuem um campo magn\u00e9tico da ordem de trilh\u00f5es de gauss. Isso \u00e9 algo assustador, especialmente quando se compara com o campo magn\u00e9tico da Terra, que n\u00e3o chega a 1 gauss. Agora, com a metodologia criada por esses cientistas, que desvendou um elo perdido na evolu\u00e7\u00e3o estelar, a busca por novas estrelas candidatas a passarem por essa transforma\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ganhar um novo impulso.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"New type of star gives clues to magnetars\u2019 origins (ESOcast 264 Light)\" width=\"900\" height=\"506\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/W9CRZhN6Vxw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" data-load-mode=\"1\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Os dados do estudo foram publicados em agosto na revista cient\u00edfica Science no artigo \u201c<a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/science.ade3293\">A massive helium star with a sufficiently strong magnetic field to form a magneta<\/a>r\u201d. O primeiro autor do artigo \u00e9 o cientista Tomer Shenar, do Instituto de Astronomia Anton Pannekoek, da Universidade de Amsterd\u00e3, na Holanda. O artigo tem uma importante contribui\u00e7\u00e3o do pesquisador brasileiro da Universidade do Vale do Para\u00edba (Univap) Alexandre Soares de Oliveira, entre outros colaboradores cujos nomes podem ser conferidos no artigo.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante os primeiros anos da pandemia de Covid-19, Shenar entrou em contato com Oliveira mostrando grande interesse nos estudos que o brasileiro iniciou em 1998, no telesc\u00f3pio de 1,60 metros de di\u00e2metro do Observat\u00f3rio Pico dos Dias, sobre a HD 45166, durante o seu estudo de doutoramento em astronomia na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). \u201c\u00c9 muito importante mostrar aos cientistas brasileiros que um artigo de grande impacto fez uso de dados coletados em um telesc\u00f3pio modesto, no Sul de Minas Gerais\u201d, diz Oliveira, lembrando que o Observat\u00f3rio Pico dos Dias \u00e9 extremamente importante no processo de forma\u00e7\u00e3o de jovens astr\u00f4nomos.<\/p>\n\n\n\n<p>Oliveira estudou a HD 45166, entre outras estrelas \u00e0 \u00e9poca, at\u00e9 2004 em Minas Gerais e em 2002 no Observat\u00f3rio de La Silla, no Chile. Segundo ele, h\u00e1 cem anos essa estrela tem sido estudada, e durante o per\u00edodo de seu doutorado, j\u00e1 se suspeitava que ela formava um sistema bin\u00e1rio, o que foi confirmado pelos seus estudos. Naquela \u00e9poca, os dados mostravam que o per\u00edodo orbital entre as estrelas era de 1,6 dias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O tempo passou, novos estudos surgiram, mas as observa\u00e7\u00f5es feitas no fim do s\u00e9culo passado pelo pesquisador inspiraram Shenar, que, al\u00e9m do uso de dados de espectroscopia, nos quais as frequ\u00eancias da luz s\u00e3o identificadas, tamb\u00e9m usou um instrumento de polarimetria, capaz de identificar a polariza\u00e7\u00e3o da luz, uma das principais formas de se identificar campos magn\u00e9ticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ambos come\u00e7aram a unir os seus dados e, com a participa\u00e7\u00e3o de outros pesquisadores, descobriu-se que a estrela principal tipo qWR j\u00e1 possui um campo magn\u00e9tico de 43 mil gauss e que est\u00e1 no fim de sua vida. Al\u00e9m disso, descobriu-se que o per\u00edodo orbital desse sistema bin\u00e1rio \u00e9 de 22,5 anos, mas os dados mostraram que 1,6 dias encontrado por Oliveira no in\u00edcio dos anos 2000 se referia ao per\u00edodo de pulsa\u00e7\u00e3o da estrela azul. O que realmente intrigou os cientistas foi o campo magn\u00e9tico. E, para entender isso, \u00e9 preciso lembrar como \u00e9 o fim da vida das estrelas.<\/p>\n\n\n\n<p>Estrelas como o Sol, ou com at\u00e9 oito massas solares, queimam todo o hidrog\u00eanio do seu n\u00facleo em h\u00e9lio, transforma-se em gigantes vermelhas e ejetam parte do seu material no espa\u00e7o, restando apenas um n\u00facleo quente. No caso do Sol, toda sua massa ser\u00e1 comprimida numa esfera com di\u00e2metro parecido com o da Terra e ela se transformar\u00e1 em uma an\u00e3 branca, abundantes no Universo e que t\u00eam tamb\u00e9m l\u00e1 os seus mist\u00e9rios, como mostrou o <a href=\"https:\/\/sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/observatorio-vera-rubin-podera-contribuir-com-o-estudo-de-uma-nova-classe-de-anas-brancas\/\">Boletim da SBF<\/a> em novembro.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas quando a estrela tem mais do que oito massas solares, ela explode em uma supernova, um dos eventos mais brilhantes do Universo, restando ou um buraco negro, quando a massa \u00e9 mais extrema, ou estrelas de n\u00eautrons, com cerca de 2 massas solares comprimidas numa esfera de apenas 20 quil\u00f4metros de di\u00e2metro. As estrelas de n\u00eautrons tamb\u00e9m existem aos milhares. Mas, como a estrela principal do sistema HD 45166 j\u00e1 \u00e9 altamente magn\u00e9tica, os cientistas calcularam que ao se transformar em estrela de n\u00eautron sua \u00e1rea ser\u00e1 extremamente reduzida e o campo magn\u00e9tico ser\u00e1 potencializado, podendo chegar a 100 trilh\u00f5es de gauss. \u201cA redu\u00e7\u00e3o da \u00e1rea provoca um adensamento das linhas de campo magn\u00e9tico. O fluxo magn\u00e9tico se conserva nesse processo e h\u00e1 um aumento do campo magn\u00e9tico com o colapso da estrela\u201d, explica Oliveira.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da import\u00e2ncia em se encontrar esse elo perdido entre o fim de uma estrela massiva e a gera\u00e7\u00e3o de um magnetar, Oliveira ressalta sobre a import\u00e2ncia do sistema de observa\u00e7\u00e3o do c\u00e9u no Brasil. Al\u00e9m do Observat\u00f3rio Pico dos Dias, o Brasil tem avan\u00e7ado significativamente em equipamentos, com a sua participa\u00e7\u00e3o nos projetos Gemini e SOAR. E vai se ampliar, com base no investimento de US$ 45 milh\u00f5es da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp) no Telesc\u00f3pio Gigante de Magalh\u00e3es (GMT), que deve ser entregue em 2029 no Chile em um cons\u00f3rcio com institutos de pesquisa dos Estados Unidos. Esse gigante ter\u00e1 um telesc\u00f3pio de 25,4 metros de di\u00e2metro, que poder\u00e1 contribuir com novas descobertas. \u201cSe um telesc\u00f3pio de 1,60 metros participou de um projeto importante, imagine o que a ci\u00eancia brasileira poder\u00e1 fazer no futuro\u201d, conclui Oliveira.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>(Colaborou Roger Marzochi)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dados obtidos no Observat\u00f3rio Pico dos Dias, no Sul de Minas Gerais, contribu\u00edram para uma pesquisa internacional com o uso de outros observat\u00f3rios e equipamentos que poder\u00e1 ampliar o entendimento sobre esses raros corpos celestes que possuem campos magn\u00e9ticos descomunais Pela primeira vez na hist\u00f3ria da astronomia, um grupo de cientistas do Brasil, Holanda, B\u00e9lgica, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":21578,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[124],"tags":[],"class_list":["post-21577","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque-em-fisica"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21577","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21577"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21577\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21579,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21577\/revisions\/21579"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21578"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21577"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21577"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21577"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}