{"id":21538,"date":"2023-11-23T13:44:28","date_gmt":"2023-11-23T16:44:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf-wp2027\/?p=21538"},"modified":"2023-11-23T13:48:03","modified_gmt":"2023-11-23T16:48:03","slug":"observatorio-vera-rubin-podera-contribuir-com-o-estudo-de-uma-nova-classe-de-anas-brancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/observatorio-vera-rubin-podera-contribuir-com-o-estudo-de-uma-nova-classe-de-anas-brancas\/","title":{"rendered":"Observat\u00f3rio Vera Rubin poder\u00e1 contribuir com o estudo de uma nova classe de an\u00e3s brancas"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Artigo publicado por cientistas brasileiros e italianos no The Astrophysical Journal calcula que LSST ser\u00e1 capaz de detectar fus\u00f5es de an\u00e3s brancas em uma taxa de at\u00e9 mil por ano.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea vir a estrela mais brilhante do c\u00e9u, saiba que ela esconde uma companheira oculta. A Sirius A, cujo brilho intenso \u00e0 noite batizou at\u00e9 um dos maiores laborat\u00f3rio de luz s\u00edncroton do mundo, localizado em Campinas, tem ao seu lado uma estrela que n\u00e3o \u00e9 vis\u00edvel a olho nu: a Sirius B. Esta \u00e9 uma an\u00e3 branca, pertencente \u00e0 classe de objetos que representa o est\u00e1gio final de estrelas com massa pr\u00f3xima \u00e0 do Sol. Daqui a 5 bilh\u00f5es de anos, o Sol queimar\u00e1 todo o seu hidrog\u00eanio em h\u00e9lio e se transformar\u00e1 em uma gigante vermelha, at\u00e9 ejetar parte de seu material no espa\u00e7o, formando uma nebulosa. O que sobrar desse processo ser\u00e1 uma an\u00e3 branca, com brilho fraco, pois n\u00e3o h\u00e1 mais rea\u00e7\u00f5es nucleares.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas estrelas s\u00e3o extremamente densas pois t\u00eam massa parecida com a do Sol compactada em um raio de cerca de 10 a 20 mil km. Elas t\u00eam baixo campo magn\u00e9tico e rota\u00e7\u00e3o lenta, girando com per\u00edodos de horas a dias. Praticamente imposs\u00edveis de serem vistas a olho nu, sendo que o mais pr\u00f3ximo que \u00e9 poss\u00edvel chegar \u00e9 olhando para a S\u00edrius A, com a evolu\u00e7\u00e3o da tecnologia de observa\u00e7\u00e3o do c\u00e9u mais estrelas dessa classe foram identificadas. E de tal forma que, mais recentemente, uma nova classe de an\u00e3s brancas foi descoberta, pois rotacionam em altas velocidades, s\u00e3o mais massivas e possuem intensos campos magn\u00e9ticos, mas n\u00e3o chegam a ser classificadas como estrelas de n\u00eautrons (objetos ainda mais compactos), o que tem intrigado os cientistas, como conta o astrof\u00edsico Manuel Malheiro, professor do Departamento de F\u00edsica do Instituto Tecnol\u00f3gico de Aeron\u00e1utica (ITA), em texto publicado pela <a href=\"https:\/\/sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/ita-investiga-a-possibilidade-de-pulsares-em-anas-brancas\/\">SBF em agosto<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa nova classe de an\u00e3s brancas pode ser resultado da fus\u00e3o de sistemas bin\u00e1rios e cuja hist\u00f3ria poder\u00e1 ser desvendada a partir de 2024, segundo um estudo publicado em novembro por cientistas brasileiros em parceria com italianos no peri\u00f3dico The Astrophysical Journal. O trabalho \u201c<a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/ad022f\">On the Optical Transients from Double White-dwarf Mergers<\/a>\u201d concluiu que o Observat\u00f3rio <strong>Vera Rubin<\/strong>, ou Large Synoptic Survey Telescope (LSST), que dever\u00e1 entrar em opera\u00e7\u00e3o no pr\u00f3ximo ano, ser\u00e1 capaz de captar a fus\u00e3o de sistemas bin\u00e1rios de an\u00e3s brancas a uma taxa de at\u00e9 mil por ano contra apenas duas detec\u00e7\u00f5es poss\u00edveis por instrumentos usados atualmente, como o Zwicky Transient Facility (ZTF), localizado na Calif\u00f3rnia (EUA).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"[Destaque em F\u00edsica] Observat\u00f3rio Vera Rubin poder\u00e1 contribuir com o estudo de uma nova classe...\" width=\"900\" height=\"506\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/6OhHfdQcjRU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" data-load-mode=\"1\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cEmbora se estime que sejam muito abundantes, estas fus\u00f5es que formam uma an\u00e3 branca massiva com uma fonte transiente associada menos luminosa que uma supernova e com uma evolu\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida escaparam a qualquer observa\u00e7\u00e3o pelos telesc\u00f3pios atuais, pois n\u00e3o s\u00e3o suficientemente sens\u00edveis. O impacto dessa descoberta do nosso estudo \u00e9 mostrar para o LSST que ele poder\u00e1 observar uma classe de objetos que eles n\u00e3o esperavam detectar. Isso nos ajudar\u00e1 a compreender a origem das an\u00e3s brancas magn\u00e9ticas, massivas e r\u00e1pidas, al\u00e9m de ampliar a compreens\u00e3o sobre o processo de forma\u00e7\u00e3o de estrelas de n\u00eautrons e supernovas Tipo Ia\u201d, comemora Jaziel Goulart Coelho, professor da Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo (UFES) que assina o artigo com os cientistas Manoel Felipe Sousa (Universidade Tecnol\u00f3gica Federal do Paran\u00e1 \u2013 UTFPR), Jos\u00e9 Carlos de Araujo (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais \u2013 Inpe), Jorge Armando Rueda Hernandez (ICRANet) e Cristiano Guidorzi&nbsp; da Universidade de Ferrara (It\u00e1lia).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o sabemos qual \u00e9 a origem dessas an\u00e3s brancas massivas e r\u00e1pidas. Assim, se as observa\u00e7\u00f5es correspoderem \u00e0s previs\u00f5es do nosso modelo, saberemos&nbsp; que elas s\u00e3o provenientes de fus\u00f5es. Ou seja, isso confirmar\u00e1 as fus\u00f5es de an\u00e3s brancas duplas como o canal de forma\u00e7\u00e3o de an\u00e3s brancas massivas e de rota\u00e7\u00e3o r\u00e1pida. Al\u00e9m disso, conseguiremos restringir a fra\u00e7\u00e3o de fus\u00e3o que produzem uma supernova Ia ou que d\u00e3o origem a uma estrela de n\u00eautrons\u201d, diz Felipe Sousa, p\u00f3s-doutor do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em F\u00edsica e Astronomia (PPGFA) da UTFPR e bolsista do Novo Arranjo de Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o (NAPI) Fen\u00f4menos Extremos do Universo incentivado pela Funda\u00e7\u00e3o Arauc\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, h\u00e1 diversos caminhos em que duas an\u00e3s brancas podem realizar sua dan\u00e7a rumo \u00e0 fus\u00e3o estelar. O fato \u00e9 que, com o processo de uni\u00e3o conclu\u00eddo, parte do material das estrelas \u00e9 ejetado no espa\u00e7o em uma nuvem, que passa por um processo de resfriamento, per\u00edodo no qual \u00e9 gerado uma luminosidade crescente cujo pico pode ser at\u00e9 100 milh\u00f5es de vezes maior que a do Sol. Isso acontece, no entanto, num curto tempo de at\u00e9 10 dias, momento chamado pelos cientistas de \u201ctransiente \u00f3tico\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da modelagem desse processo que ocorre ap\u00f3s a fus\u00e3o das an\u00e3s brancas, no qual o material \u00e9 ejetado, os cientistas calcularam dados de tempo, intensidade e frequ\u00eancia das emiss\u00f5es eletromagn\u00e9ticas, que podem variar do ultravioleta at\u00e9 o infravermelho, para avaliar que telesc\u00f3pio poderia captar esses sinais plenamente. \u201cO resultado mais entusiasmante da investiga\u00e7\u00e3o \u00e9 que, ao reunir a popula\u00e7\u00e3o esperada destas fus\u00f5es e as suas caracter\u00edsticas de emiss\u00e3o, estimamos que o LSST, equipado com instrumenta\u00e7\u00e3o de ponta e um amplo campo de vis\u00e3o, est\u00e1 pronto para descobrir estas fus\u00f5es em grande abund\u00e2ncia\u201d, diz Coelho.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora tenha sido projetado tamb\u00e9m para investigar a mat\u00e9ria e energia escuras, sendo inclusive batizado em homenagem \u00e0 astr\u00f4noma norte-americana Vera Florence Cooper Rubin (1928-2016), respons\u00e1vel por in\u00fameras contribui\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mat\u00e9ria escura no Universo, o LSST ter\u00e1 ainda mais essa possibilidade de ampliar os horizontes da ci\u00eancia. \u201cA observa\u00e7\u00e3o destas fus\u00f5es estelares permitir\u00e1 uma compreens\u00e3o sem precedentes sobre o seu nascimento e evolu\u00e7\u00e3o. Tais observa\u00e7\u00f5es ter\u00e3o um impacto profundo no nosso conhecimento dos fen\u00f4menos astrof\u00edsicos que ligam as an\u00e3s brancas massivas \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de estrelas de n\u00eautrons. Elas tamb\u00e9m fornecer\u00e3o informa\u00e7\u00f5es cruciais sobre a poss\u00edvel gera\u00e7\u00e3o de supernovas do Tipo Ia a partir de fus\u00f5es bin\u00e1rias de an\u00e3s brancas. Aos v\u00e1rios tipos de fontes transientes que o Vera Rubin se prepara para descobrir em abund\u00e2ncia, acrescentamos a fus\u00e3o de sistemas bin\u00e1rios de an\u00e3s brancas, cujas observa\u00e7\u00f5es oferecer\u00e3o uma contribui\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria para o conhecimento da vida e evolu\u00e7\u00e3o deste tipo de estrelas, incluindo a g\u00eanese do campo magn\u00e9tico ultraintenso\u201d, conclui Coelho.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>(Colaborou Roger Marzochi)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo publicado por cientistas brasileiros e italianos no The Astrophysical Journal calcula que LSST ser\u00e1 capaz de detectar fus\u00f5es de an\u00e3s brancas em uma taxa de at\u00e9 mil por ano. Se voc\u00ea vir a estrela mais brilhante do c\u00e9u, saiba que ela esconde uma companheira oculta. 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