{"id":21481,"date":"2023-11-16T13:24:44","date_gmt":"2023-11-16T16:24:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf-wp2027\/?p=21481"},"modified":"2023-11-16T13:28:14","modified_gmt":"2023-11-16T16:28:14","slug":"estudo-da-usp-indica-que-estrelas-com-planetas-possuem-nivel-menor-de-litio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/estudo-da-usp-indica-que-estrelas-com-planetas-possuem-nivel-menor-de-litio\/","title":{"rendered":"Estudo da USP indica que estrelas com planetas possuem n\u00edvel menor de l\u00edtio"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Astr\u00f4noma paulistana de 23 anos assina artigo que pode colaborar com pesquisas para a descobertas de exoplanetas e, porque n\u00e3o, de vida no Universo<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A busca da ci\u00eancia para responder \u00e0 d\u00favida crucial da humanidade sobre a poss\u00edvel exist\u00eancia de vida fora do Sistema Solar ganhou mais um importante impulso. H\u00e1, na verdade, diversas condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para que isso ocorra, como \u00e1gua em estado l\u00edquido e uma certa dist\u00e2ncia da estrela. Mas uma pesquisa que tem como primeira autora a astr\u00f4noma paulistana Anne Rathsam, jovem cientista de 23 anos que est\u00e1 fazendo seu doutorado no Instituto de Astronomia, Geof\u00edsica e Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas da Universidade de S\u00e3o Paulo (IAG\/USP), pode ajudar no processo de achar \u201cagulhas no palheiro\u201d c\u00f3smico.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo \u201c<a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnras\/article-abstract\/525\/3\/4642\/7257564?redirectedFrom=fulltext\">Lithium depletion in solar analogs: age and mass effects<\/a>\u201d, publicado em novembro na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, analisou a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica de 36 estrelas que possuem planetas e 156 estrelas sem planetas para identificar a quantidade de l\u00edtio existente nesses corpos. Anne e os pesquisadores Jorge Mel\u00e9ndez e Gabriela Carvalho Silva, ambos do IAG\/USP, descobriram que estrelas que n\u00e3o t\u00eam planetas conservam aproximadamente o dobro do conte\u00fado de l\u00edtio de estrelas com planetas. Os testes estat\u00edsticos feitos pelos pesquisadores indicam que \u00e9 improv\u00e1vel que esse resultado seja obtido ao acaso, ou seja, a probabilidade de que o resultado reflete o comportamento real das estrelas \u00e9 alta (cerca de 99%).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/www.youtube.com\/watch?v=UWEISKQSG1I\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 que essa descoberta ajude de imediato encontrar exoplanetas e vida extraterrestre, porque o palheiro c\u00f3smico \u00e9 imensur\u00e1vel. Mas, a partir dessa constata\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel colaborar com outros cientistas a direcionarem suas pesquisas no c\u00e9u. \u201c\u00c9 apenas um indicador sobre a poss\u00edvel exist\u00eancia de planetas. Mas agora, se um cientista quiser fazer estudo em busca de planetas n\u00e3o detectados ainda, ao inv\u00e9s de selecionar estrelas aleatoriamente, pode selecionar estrelas com conte\u00fado de l\u00edtio baixo\u201d, explica a cientista, em entrevista ao <strong>Boletim da SBF<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ela, o l\u00edtio \u00e9 um elemento importante por ser extremamente sens\u00edvel \u00e0s condi\u00e7\u00f5es estelares, podendo ser usado para estudar o interior de estrelas. \u201cO transporte de mat\u00e9ria em estrelas ocorre por meio da convec\u00e7\u00e3o, na qual o material quente ascende \u00e0 superf\u00edcie enquanto o material resfriado retorna em dire\u00e7\u00e3o ao interior. Em estrelas de tipo solar, a convec\u00e7\u00e3o ocorre em um envelope externo da estrela, e a camada convectiva n\u00e3o atinge a temperatura necess\u00e1ria para queimar o l\u00edtio. Assim, a abund\u00e2ncia de l\u00edtio deveria ser constante com o tempo. Por\u00e9m, o que se observa \u00e9 que estrelas mais velhas possuem menos l\u00edtio, o que indica que existe um ou mais mecanismos de transporte n\u00e3o previstos pelo modelo padr\u00e3o que levam o l\u00edtio a regi\u00f5es mais internas e quentes, para que ele seja depletado.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A menor quantidade de l\u00edtio tamb\u00e9m pode estar relacionada \u00e0 hist\u00f3ria de forma\u00e7\u00e3o de sistemas planet\u00e1rios. Os sistemas planet\u00e1rios, como o sistema Solar, s\u00e3o formados a partir de uma espessa nuvem de g\u00e1s e poeira que, com a gravidade, come\u00e7am a se unir formando estrelas e planetas rochosos e gasosos. \u201cNas temperaturas que encontramos essas nuvens moleculares, o l\u00edtio e outros elementos refrat\u00e1rios s\u00e3o encontrados na forma s\u00f3lida. Ent\u00e3o eles v\u00e3o se juntando at\u00e9 formar uma massa s\u00f3lida que forma os planetas. E o l\u00edtio que era usado para compor a estrela acaba sendo usado para compor planetas. Assim, a estrela se forma com menos l\u00edtio que outras estrelas\u201d, avalia a cientista.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa foi realizada a partir de dados do espectr\u00f3grafo High-Accuracy Radial velocity Planet Searcher (HARPS) do Observat\u00f3rio Europeu do Sul (ESO), um aparelho que age como um prisma, decompondo a luz da estrela nas diferentes frequ\u00eancias. Desta forma, a luz decomposta em diferentes frequ\u00eancias revela assinaturas que refletem a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica da estrela.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em comunicado \u00e0 imprensa, o professor Jorge Mel\u00e9ndez, co-autor do artigo, explica que o l\u00edtio revela informa\u00e7\u00f5es cruciais sobre a forma\u00e7\u00e3o do Universo. \u201cO l\u00edtio \u00e9 um elemento fascinante. A abund\u00e2ncia desse elemento nas estrelas mais antigas da Gal\u00e1xia nos fornece informa\u00e7\u00f5es cruciais sobre os primeiros minutos do Universo. Embora n\u00e3o seja poss\u00edvel enxergar diretamente o interior estelar, o l\u00edtio \u00e9 importante pois \u00e9 sens\u00edvel \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de temperatura no interior das estrelas, o que permite avaliar modelos de evolu\u00e7\u00e3o das estrelas. E, como mostrado em nosso estudo, esse elemento tamb\u00e9m parece ser chave para identificar estrelas que possuem planetas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>E Anne n\u00e3o pensa em parar por aqui. Desde quando descobriu no Ensino M\u00e9dio que sua paix\u00e3o pelo Universo estava diretamente associada \u00e0s disciplinas de F\u00edsica e Matem\u00e1tica, colocou-se a se dedicar aos estudos em \u00e1reas que come\u00e7am cada vez mais a ganhar o protagonismo das mulheres. Com seus cabelos pintados de rosa e piercing nos l\u00e1bios, ela explica que ainda est\u00e1 no meio do seu doutorado, mas que buscar\u00e1 se aprofundar ainda mais nas correla\u00e7\u00f5es entre evolu\u00e7\u00e3o estelar e planetas e, tamb\u00e9m, no estudo de gal\u00e1xias a partir de suas estrelas. E, com sua atitude jovem, ela quebra os estere\u00f3tipos da figura de um cientista.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>(Colaborou Roger Marzochi)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Astr\u00f4noma paulistana de 23 anos assina artigo que pode colaborar com pesquisas para a descobertas de exoplanetas e, porque n\u00e3o, de vida no Universo A busca da ci\u00eancia para responder \u00e0 d\u00favida crucial da humanidade sobre a poss\u00edvel exist\u00eancia de vida fora do Sistema Solar ganhou mais um importante impulso. 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