{"id":21395,"date":"2023-10-16T14:34:35","date_gmt":"2023-10-16T17:34:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf-wp2027\/?p=21395"},"modified":"2023-10-16T14:34:36","modified_gmt":"2023-10-16T17:34:36","slug":"fisica-brasileira-propoe-novo-paradigma-para-a-fisica-de-particulas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/fisica-brasileira-propoe-novo-paradigma-para-a-fisica-de-particulas\/","title":{"rendered":"F\u00edsica brasileira prop\u00f5e novo paradigma para a F\u00edsica de Part\u00edculas"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Resultados de experimentos realizados no LHCb levam cientistas a defender que a viola\u00e7\u00e3o da simetria de Carga-Paridade observada pode ser entendida como um efeito da intera\u00e7\u00e3o hadr\u00f4nica no estado final e n\u00e3o pela intera\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel dos quarks<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A f\u00edsica brasileira Patr\u00edcia Magalh\u00e3es, professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com recente passagem pelo Instituto Tecnol\u00f3gico de Aeron\u00e1utica (ITA) e pelo Departamento de F\u00edsica Te\u00f3rica e do Instituto de F\u00edsica de Part\u00edculas e Cosmos (Iparcos), da Universidade Complutense de Madrid (Espanha), faz parte de um grupo de cientistas que est\u00e1 deixando os f\u00edsicos conservadores irritados ao propor uma mudan\u00e7a de paradigma na F\u00edsica de Part\u00edculas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela e esse grupo inovador sugere uma nova abordagem da observa\u00e7\u00e3o da viola\u00e7\u00e3o de Carga-Paridade (CP) no decaimento de m\u00e9sons B e D, a partir de experimentos realizados no LHCb, localizado no Grande Colisor de H\u00e1drons (LHC), o maior acelerador de part\u00edculas do mundo que fica na fronteira entre a Su\u00ed\u00e7a e a Fran\u00e7a. Patr\u00edcia participou dos estudos sobre o decaimento do <a href=\"https:\/\/journals.aps.org\/prl\/abstract\/10.1103\/PhysRevLett.130.201901\">m\u00e9son B<\/a>, publicado em maio na revista cient\u00edfica Physical Review Letters, e do decaimento do <a href=\"https:\/\/journals.aps.org\/prl\/abstract\/10.1103\/PhysRevLett.131.051802\">m\u00e9son D<\/a>, publicado no mesmo ve\u00edculo no m\u00eas de agosto.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"[Destaque em F\u00edsica] F\u00edsica brasileira prop\u00f5e novo paradigma para a F\u00edsica de Part\u00edculas\" width=\"900\" height=\"506\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/nMbIQ1e_H9E?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" data-load-mode=\"1\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>A viola\u00e7\u00e3o CP (Carga-Paridade) \u00e9 um conceito importante na f\u00edsica de part\u00edculas e refere-se \u00e0 quebra simult\u00e2nea das simetrias de Carga (C) e Paridade (P) em uma determinada intera\u00e7\u00e3o f\u00edsica. A simetria de Carga refere-se \u00e0 invari\u00e2ncia das leis da F\u00edsica quando todas as cargas (para al\u00e9m da carda el\u00e9trica) s\u00e3o opostas. Isso implica que as intera\u00e7\u00f5es f\u00edsicas devem se comportar da mesma forma quando as cargas s\u00e3o invertidas.<\/p>\n\n\n\n<p>A simetria de Paridade refere-se \u00e0 invari\u00e2ncia das leis da F\u00edsica quando as coordenadas espaciais de um sistema s\u00e3o invertidas, ou seja, quando voc\u00ea troca todas as posi\u00e7\u00f5es por posi\u00e7\u00f5es com sinal oposto. Isso implica que as intera\u00e7\u00f5es f\u00edsicas devem ser as mesmas, independentemente da invers\u00e3o das coordenadas espaciais.<\/p>\n\n\n\n<p>Juntas, as transforma\u00e7\u00f5es de Carga e Paridade, a transforma\u00e7\u00e3o CP, levam a part\u00edcula a sua antipart\u00edcula. A viola\u00e7\u00e3o CP ocorre quando uma determinada intera\u00e7\u00e3o f\u00edsica n\u00e3o \u00e9 invariante sob a invers\u00e3o simult\u00e2nea de Carga e Paridade: a viola\u00e7\u00e3o CP significa que as leis da F\u00edsica n\u00e3o se comportam da mesma maneira quando voc\u00ea troca todas as part\u00edculas por suas antipart\u00edculas. Essa viola\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das explica\u00e7\u00f5es do porqu\u00ea h\u00e1 mais mat\u00e9ria do que antimat\u00e9ria no Universo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAcreditamos que o Universo foi criado na grande explos\u00e3o chamada Big Bang. Nesse momento, a mesma quantidade de mat\u00e9ria e antimat\u00e9ria foram criadas. Mas hoje vivemos em um mundo predominantemente feito de mat\u00e9ria. Tudo que vemos e pegamos, tirando a luz, \u00e9 feita de \u00e1tomos constitu\u00eddos de pr\u00f3tons e n\u00eautrons que, por sua vez, s\u00e3o constitu\u00eddos de quarks. Ent\u00e3o a ci\u00eancia tem um grande mist\u00e9rio a explicar: onde foi parar toda essa antimat\u00e9ria?\u201d, questiona a cientista brasileira, em entrevista ao <strong>Boletim da SBF<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ela, na teoria que estuda o comportamento das part\u00edculas muito pequenas, formadas por quarks, que constituem os n\u00eautrons e pr\u00f3tons de um \u00e1tomo, h\u00e1 uma maneira de que processos favore\u00e7am ou a produ\u00e7\u00e3o de part\u00edculas ou antipart\u00edculas, mas a quantidade prevista pela teoria \u00e9 muito pequena ainda para explicar as assimetrias observadas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nos estudos da colabora\u00e7\u00e3o LHCb foram observados resultados muito interessantes de viola\u00e7\u00e3o CP em decaimentos de m\u00e9sons (part\u00edculas formadas por quark e antiquarks) B e D.\u00a0 No primeiro caso, esse efeito j\u00e1 \u00e9 esperado e conhecido h\u00e1 bastante tempo, mas o que surpreende \u00e9 a grande quantidade dessa assimetria focalizada em regi\u00f5es de energia espec\u00edficas como\u00a0 \u00a0 \u00a0 de 1 a 1,5 Giga El\u00e9tron Volt (GEV). Deste estudo, participaram Rodrigo Alvarez Garrote, do Centro de Investigaciones Energ\u00e9ticas Medioambientales y Tecnol\u00f3gicas (CIEMAT) em Madri, J. Cuervo e Jose Ramon Pelaez Sagredo, ambos do Departamento de F\u00edsica Te\u00f3rica, Universidad Complutense (Madri). O estudo, publicado em maio, faz uma revis\u00e3o de um trabalho realizado em 2015, mas agora Patr\u00edcia usou uma nova metodologia.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"706\" height=\"462\" src=\"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf-wp2027\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/destaque-20231016-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-21397\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Dados do LHCb para assimetria de CP (A_CP) no processo B->ppK retirado do paper (Phys. Rev D 108 012008 (2023) ) mostram que ha uma concentra\u00e7\u00e3o de mais particula ou antiparticula em regi\u00f5es de energia espec\u00edficas dentro do espa\u00e7o de fase (regi\u00f5es em que \u00e9 permitido o processo ocorrer)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Em decaimentos de m\u00e9son D, a observa\u00e7\u00e3o dessa assimetria s\u00f3 foi observada pela primeira vez muito recentemente, em 2019. No estudo do decaimento de m\u00e9son D0 para p\u00edons e kaons (D0-&gt;KK e D0-&gt;pp), o valor observado para a diferen\u00e7a das assimetrias surpreendeu a comunidade por ser 10 vezes maior do que o esperado pelo c\u00e1lculo te\u00f3rico conhecido como v\u00e1lido at\u00e9 ent\u00e3o. No estudo que Patr\u00edcia integrou sobre esse tipo de decaimento participaram tamb\u00e9m os pesquisadores Ignacio Bediaga, do Centro Brasileiros de Pesquisas F\u00edsicas (CBPF), e Tobias Frederico, do Instituto Tecnol\u00f3gico de Aeron\u00e1utica (ITA).<\/p>\n\n\n\n<p>Na busca em se explicar esse valor, a comunidade se dividiu em dois grandes grupos: um que calcula esse efeito considerando a intera\u00e7\u00e3o entre os quarks, e precisa incluir efeitos de uma F\u00edsica al\u00e9m do modelo Padr\u00e3o para explicar os dados experimentais; e o segundo grupo, que descreve o processo considerando a intera\u00e7\u00e3o hadr\u00f4nica (entre h\u00e1drons) como crucial para compreender o mecanismo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu fa\u00e7o parte deste segundo grupo\u201d, explica Patr\u00edcia. \u201cA intera\u00e7\u00e3o forte s\u00f3 acontece entre os quarks. Mas isso n\u00e3o explica o dado experimental. O que eu fa\u00e7o: introduzo a intera\u00e7\u00e3o hadr\u00f4nica entre os m\u00e9sons de estado final como uma fonte da fase forte. Podem contribuir para essa fase v\u00e1rias possibilidades de estados finais. Posso imaginar os m\u00e9sons, ou seja, os quarks que se juntaram e formaram o m\u00e9son, e depois disso os h\u00e1drons, que ficam interagindo entre si num processo chamado de longo alcance. O que eu observo experimentalmente s\u00e3o os h\u00e1drons, n\u00e3o vejo os quarks. Mas a descri\u00e7\u00e3o can\u00f4nica \u00e9 descrever os processos pelos quarks. E, para n\u00f3s, isso n\u00e3o funciona\u201d, afirma a cientista, que explica que a defesa dos c\u00e1lculos feitos pelos cientistas que participaram desses estudos levou mais de um ano. \u201cA grande sacada dos dois trabalhos \u00e9 ter mudan\u00e7a de paradigma para descrever a viola\u00e7\u00e3o de CP como sendo fundamentalmente um fen\u00f4meno de intera\u00e7\u00e3o de estado final. E isso est\u00e1 em grande disputa na comunidade cient\u00edfica.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>(Colaborou Roger Marzochi)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resultados de experimentos realizados no LHCb levam cientistas a defender que a viola\u00e7\u00e3o da simetria de Carga-Paridade observada pode ser entendida como um efeito da intera\u00e7\u00e3o hadr\u00f4nica no estado final e n\u00e3o pela intera\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel dos quarks A f\u00edsica brasileira Patr\u00edcia Magalh\u00e3es, professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com recente passagem pelo Instituto [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":21396,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[124],"tags":[],"class_list":["post-21395","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque-em-fisica"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21395","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21395"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21395\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21398,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21395\/revisions\/21398"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21396"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21395"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21395"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21395"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}