{"id":21346,"date":"2023-10-03T16:03:23","date_gmt":"2023-10-03T19:03:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf-wp2027\/?p=21346"},"modified":"2023-10-03T16:03:24","modified_gmt":"2023-10-03T19:03:24","slug":"quais-os-riscos-da-agua-liberada-no-mar-por-fukushima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/quais-os-riscos-da-agua-liberada-no-mar-por-fukushima\/","title":{"rendered":"Quais os riscos da \u00e1gua liberada no mar por Fukushima?"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Tr\u00eas cientistas brasileiras avaliam o descarte da \u00e1gua radioativa da usina nuclear japonesa no meio ambiente, a\u00e7\u00e3o que est\u00e1 causando pol\u00eamica<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O governo do Jap\u00e3o iniciou em agosto a libera\u00e7\u00e3o da \u00e1gua da usina nuclear de Fukushima no Oceano Pac\u00edfico. A usina foi invadida pela \u00e1gua do mar em 2011, quando um tsunami atingiu a instala\u00e7\u00e3o provocando o maior desastre nuclear da hist\u00f3ria, for\u00e7ando a evacua\u00e7\u00e3o de mais de 150 mil pessoas da regi\u00e3o, localizada no leste do pa\u00eds, a 220 km de T\u00f3quio. Desde ent\u00e3o, a empresa Tepco, que administra a usina, mant\u00e9m guardado 1,34 milh\u00e3o de toneladas de \u00e1gua radioativa. E, para desativar a usina, \u00e9 preciso resolver o descarte dessa \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p>Com apoio da Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica (AEIA), o Jap\u00e3o foi autorizado a liberar a \u00e1gua no oceano, processo que deve ser realizado ao longo dos pr\u00f3ximos 30 anos. Ap\u00f3s passar por uma filtragem que elimina 62 elementos radioativos, a \u00e1gua percorre uma tubula\u00e7\u00e3o at\u00e9 o oceano. Mas, no entanto, a filtragem n\u00e3o elimina elementos como o tr\u00edtio (is\u00f3topo do hidrog\u00eanio) e o carbono 14 (is\u00f3topo do carbono). Para minimizar riscos, esses elementos s\u00e3o dilu\u00eddos ao m\u00e1ximo, para que caia drasticamente os riscos de contamina\u00e7\u00e3o do meio ambiente, de peixes e do ser humano.<\/p>\n\n\n\n<p>A opera\u00e7\u00e3o ocorre sob protestos de pescadores japoneses, ambientalistas e at\u00e9 pa\u00edses como China e Cor\u00e9ia do Sul. Mas, afinal, h\u00e1 riscos de contamina\u00e7\u00e3o? \u201cEsse tempo longo de descarte da \u00e1gua \u00e9 justamente para descartar muito aos poucos o que j\u00e1 est\u00e1 filtrado e dilu\u00eddo\u201d, explica Elisabeth Mateus Yoshimura, professora do Departamento de F\u00edsica Nuclear do Instituto de F\u00edsica da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), para quem a aprova\u00e7\u00e3o obtida pelo Jap\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os internacionais mostra que todo o processo est\u00e1 ocorrendo com normas r\u00edgidas e controle.<\/p>\n\n\n\n<p>Elisabeth explica que o ser humano j\u00e1 est\u00e1 exposto a elementos radioativos naturais no meio ambiente, como o pr\u00f3prio carbono 14, o rad\u00f4nio na atmosfera que respiramos e o pot\u00e1ssio 40, presente no solo e absorvido em plantas, verduras e at\u00e9 na carne que comemos. \u201cEnfim, s\u00f3 para as pessoas n\u00e3o ficarem assustadas: h\u00e1 material radioativo quer que a gente queira ou n\u00e3o. H\u00e1 poluentes radioativos provenientes de aplica\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas e industriais e de reatores nucleares. Isso tem que ser lidado com alerta o tempo inteiro, com auditoria constante, inspe\u00e7\u00e3o constante para assegurar que o melhor est\u00e1 sendo feito\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO tr\u00edtio \u00e9 um elemento que j\u00e1 est\u00e1 naturalmente presente na \u00e1gua do mar e at\u00e9 mesmo na \u00e1gua que consumimos. E a \u00e1gua de Fukushima contendo tr\u00edtio, antes de ser liberada, \u00e9 dilu\u00edda para garantir que a quantidade desse elemento presente esteja bem abaixo dos valores impostos como limites de seguran\u00e7a\u201d, explica a engenheira nuclear Alice Cunha da Silva, membro do Comit\u00ea Executivo da Se\u00e7\u00e3o Latino Americana da Sociedade Nuclear Americana (LAS\/ANS) e do Grupo Mulheres em Inova\u00e7\u00e3o Nuclear.<\/p>\n\n\n\n<p>Alice lembra que, segundo relat\u00f3rio da AIEA, a quantidade de tr\u00edtio ser\u00e1 1\/7 do valor que a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) afirma que \u00e9 adequada para o consumo humano. Para ela, a ag\u00eancia fez uma avalia\u00e7\u00e3o independente do plano e processo de lan\u00e7amento da \u00e1gua de Fukushima no mar. A revis\u00e3o de seguran\u00e7a, continua a especialista, durou quase dois anos e os detalhes s\u00e3o p\u00fablicos em um relat\u00f3rio foi liberado pela organiza\u00e7\u00e3o e pode ser encontrado online. O processo ainda ser\u00e1 monitorado periodicamente, com coleta de amostras da \u00e1gua de diferente locais para uma confirma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua que ela continua segura, al\u00e9m de continuar monitorando os efeitos ao meio ambiente e fauna marinha. \u201cO setor nuclear \u00e9 um setor altamente regulado localmente e internacionalmente, onde a seguran\u00e7a \u00e9 prioridade e esse processo n\u00e3o seria feito sem aprova\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise de diferentes organismos para garantir a seguran\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o e do nosso planeta\u201d, argumenta Alice.<\/p>\n\n\n\n<p>Emico Okuno, professora do Instituto de F\u00edsica da USP e autora do livro \u201cRadia\u00e7\u00e3o: efeitos, riscos e benef\u00edcios\u201d, avalia h\u00e1 sim riscos para o meio ambiente e o ser humano, embora avalie serem baixos. \u201cAcredito que h\u00e1 riscos beber essa \u00e1gua radioativa, mas eles s\u00e3o bastante baixos. Os animais marinhos do mar pr\u00f3ximo \u00e0 usina de Fukushima que comemos podem ficar ligeiramente radioativos\u201d, explica a cientista.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Emico, os riscos da energia nuclear para gera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica superam os benef\u00edcios a longo prazo, especialmente pela complexidade em descartar material radioativo. \u201cA principal quest\u00e3o n\u00e3o se relaciona \u00e0 compara\u00e7\u00e3o entre riscos e benef\u00edcios, mas ao destino de material nuclear usado que n\u00e3o vale mais a pena us\u00e1-lo para gera\u00e7\u00e3o de energia. Os rejeitos de alta atividade (combust\u00edveis usados) devem ser preservados de dez mil a um milh\u00e3o de anos. Onde e como armazenar esse rejeito e em que l\u00edngua escrever, deixar escrito do que se trata?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>(Colaborou Roger Marzochi)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tr\u00eas cientistas brasileiras avaliam o descarte da \u00e1gua radioativa da usina nuclear japonesa no meio ambiente, a\u00e7\u00e3o que est\u00e1 causando pol\u00eamica O governo do Jap\u00e3o iniciou em agosto a libera\u00e7\u00e3o da \u00e1gua da usina nuclear de Fukushima no Oceano Pac\u00edfico. 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