{"id":21283,"date":"2023-09-21T10:25:36","date_gmt":"2023-09-21T13:25:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf-wp2027\/?p=21283"},"modified":"2023-09-21T10:25:38","modified_gmt":"2023-09-21T13:25:38","slug":"estudo-no-parana-revela-baixa-identificacao-da-mulher-em-carreiras-na-ciencia-e-tecnologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/estudo-no-parana-revela-baixa-identificacao-da-mulher-em-carreiras-na-ciencia-e-tecnologia\/","title":{"rendered":"Estudo no Paran\u00e1 revela baixa identifica\u00e7\u00e3o da mulher em carreiras na ci\u00eancia e tecnologia"},"content":{"rendered":"\n<p><em>An\u00e1lise foi realizada com 234 crian\u00e7as, jovens e adultos de Ipor\u00e3 e Palotina e debatida na 8\u00aa Confer\u00eancia Internacional de Mulheres na F\u00edsica; a imagem da mulher associada a \u00e1reas cient\u00edficas s\u00f3 come\u00e7a a crescer a partir da 8\u00aa s\u00e9rie do Ensino Fundamental<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Uma pesquisa realizada com 234 alunos do Ensino Fundamental, M\u00e9dio e da Gradua\u00e7\u00e3o no Paran\u00e1 revelou que a identifica\u00e7\u00e3o da mulher desempenhando fun\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 ci\u00eancia e tecnologia come\u00e7a a crescer apenas no 8\u00ba ano do Ensino Fundamental, subindo paulatinamente at\u00e9 a Gradua\u00e7\u00e3o. O trabalho, que teve in\u00edcio em mar\u00e7o, foi realizado pelo projeto Meninas nas Ci\u00eancias Rocket Girls, coordenado pela f\u00edsica Mara Fernanda Parisoto, professora de Licenciatura em F\u00edsica da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR) Setor Palotina. Os resultados em breve ser\u00e3o divulgados no&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/rocketgirlsmnc_\/\">Instagram do projeto<\/a>&nbsp;e ser\u00e1 enviado para submiss\u00e3o em uma revista cient\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p>Um relato desse estudo, que \u00e0 \u00e9poca n\u00e3o estava conclu\u00eddo, esteve presente em julho nas discuss\u00f5es da 8\u00aa Confer\u00eancia Internacional de Mulheres na F\u00edsica, evento online no qual Mara chefiou a delega\u00e7\u00e3o brasileira. O comit\u00ea brasileiro ainda era formado por Jana\u00edna Dutra Silvestre Mendes, Taneska Santana Cal, Gabriela Padilha e Ant\u00f4nio Carlos Fontes Santos. \u201cOs problemas s\u00e3o comuns em todos os pa\u00edses: h\u00e1 falta de interesse das meninas em ingressar na \u00e1rea da F\u00edsica, que \u00e9 uma exclus\u00e3o horizontal. E h\u00e1 a exclus\u00e3o vertical, quando se percebe que o n\u00famero de mulheres em doutorado e p\u00f3s-doutorado vai se reduzindo, criando grande desigualdade de g\u00eanero\u201d, explica Mara.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os&nbsp;<a href=\"https:\/\/icwip2023.hbcse.tifr.res.in\/docs\/ICWIP2023_Abstract_II-Country-Papers.pdf\">textos de debate<\/a>&nbsp;da Confer\u00eancia esteve, por exemplo, o estudo \u201cChoosing Between Physics and Engineering, by Gender: A Canadian Study of Socio-Cultural Factors\u201d, de Svetlana&nbsp; Barkanova (School of Science and Environment, Memorial University),&nbsp; Amit Sundly (Division of Community Health, Faculty of Medicine, Memorial University), Janna&nbsp; Rosales (Faculty of Engineering and Applied Science, Memorial University) e Cecilia Moloney (Department of Electrical and Computer Engineering, Memorial University).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs dados foram coletados no outono de 2022 em uma universidade no Canad\u00e1, usando um question\u00e1rio online. As mulheres ainda est\u00e3o sub-representadas em f\u00edsica e engenharia no Canad\u00e1. Especificamente, nossa an\u00e1lise se concentra no fator de g\u00eanero nessas disciplinas em termos de contexto social e cultural. Apresentamos e discutimos as semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as entre estudantes que se identificam como femininos ou masculinos e como suas respostas variam dentro e entre essas disciplinas\u201d, informa o texto do estudo debatido no evento. \u201cE isso ocorre no mundo inteiro\u201d, afirma Mara.<\/p>\n\n\n\n<p>Em mar\u00e7o deste ano, a equipe de Mara come\u00e7ou a discuss\u00e3o para a realiza\u00e7\u00e3o da pesquisa com os alunos, no intuito de tra\u00e7ar estrat\u00e9gias para reverter esse quadro. Ap\u00f3s a elabora\u00e7\u00e3o de um question\u00e1rio, inspirado pela revista \u201cDecifrar o c\u00f3digo: educa\u00e7\u00e3o de meninas e mulheres em ci\u00eancia, tecnologia, engenharia e matem\u00e1tica\u201d, os alunos do Ensino Fundamental e M\u00e9dio da cidade de Ipor\u00e3, na regi\u00e3o noroeste do Paran\u00e1, e os alunos do Setor Palotina da UFPR foram instigados a responder \u00e0s quest\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma das quest\u00f5es endere\u00e7adas a estudantes de 15 anos sobre quem desempenharia melhor fun\u00e7\u00f5es que variavam sobre o debate de existir vida em Marte \u00e0 ci\u00eancia associada \u00e0 elimina\u00e7\u00e3o do lixo, os homens responderam que seriam mais aptos a darem explica\u00e7\u00f5es. A \u00fanica op\u00e7\u00e3o em que as meninas levaram vantagem estava relacionada a descrever o papel dos antibi\u00f3ticos no tratamento de doen\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Lara Eduarda Villwock, estudante do \u00faltimo ano de Veterin\u00e1ria e bolsista de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do projeto, essa posi\u00e7\u00e3o mostra que as meninas t\u00eam uma menor autoefic\u00e1cia, que \u00e9 quanto a pr\u00f3pria pessoa se acha capaz de realizar determinadas tarefas. E mostra que parece haver na sociedade uma vis\u00e3o de que a mulher tem um talento natural para o cuidado.<\/p>\n\n\n\n<p>Na segunda parte do question\u00e1rio, as pesquisadoras perguntam quem \u00e9 mais capaz de realizar uma s\u00e9rie de atividades, a mulher, o homem, ou ambos. E entre as atividades estavam preparar uma refei\u00e7\u00e3o gostosa, trocar fraldas, sobre quem consegue costurar, trocar um chuveiro queimado, ser astronauta, pilotar um avi\u00e3o e resolver um problema matem\u00e1tico dif\u00edcil. E s\u00e3o surpreendentes as repostas de acordo com a s\u00e9rie de cada aluno.<\/p>\n\n\n\n<p>A resposta ambos ou a maior participa\u00e7\u00e3o da mulher no question\u00e1rio s\u00f3 cresceu a partir do 8\u00ba ano do Ensino Fundamental. A professora M\u00f4nica Let\u00edcia de Souza, formada em Licenciatura em Matem\u00e1tica pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e no fim da Licenciatura em F\u00edsica pela UFPR setor Palotina, participou do projeto na aplica\u00e7\u00e3o dos question\u00e1rios em Ipor\u00e3. Ela explica que esse resultado mostra a realidade de vida das crian\u00e7as, nos quais quase sempre \u00e9 a m\u00e3e, a tia ou a av\u00f3 quem cozinha, troca fraldas, cuida da sa\u00fade da fam\u00edlia. Houve um trabalho pr\u00e9vio com os alunos do 8\u00ba ano sobre os papeis da mulher na sociedade, o que pode explicar a inflex\u00e3o dos dados a partir dessa s\u00e9rie.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cE eu como professora preciso colaborar para que eles possam pensar que as fun\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 ci\u00eancia e tecnologia n\u00e3o t\u00eam distin\u00e7\u00e3o entre homem e mulher. N\u00e3o \u00e9 culpa da fam\u00edlia eles pensarem assim. Mas \u00e9 preciso trazer essa reflex\u00e3o desde as s\u00e9ries iniciais para mostra que a mulher pode ter outros papeis\u201d, diz M\u00f4nica. \u201cPor isso, \u00e9 importante que haja mulheres e homens em v\u00e1rios tipos de papeis diferentes, essa \u00e9 a necessidade da representatividade\u201d, diz Mara.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa abordagem da representatividade \u00e9 muito importante, como conta a escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie no livro \u201cSejamos todas feministas\u201d (Companhia das Letras), no qual \u00e9 debatido como \u00e9 cristalizado um certo papel da mulher na sociedade, como se as tarefas que lhe s\u00e3o impostas fossem naturais como um gene. E como \u00e9 importante despertar nas crian\u00e7as seus talentos independentemente de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMeninos e meninas s\u00e3o inegavelmente diferentes em termos biol\u00f3gicos, mas a socializa\u00e7\u00e3o exagera essas diferen\u00e7as. E isso implica na autorrealiza\u00e7\u00e3o de cada um. O ato de cozinhar, por exemplo. Ainda hoje, as mulheres tendem a fazer mais tarefas de casa do que os homens \u2014 elas cozinham e limpam a casa. Mas por que \u00e9 assim? Ser\u00e1 que elas nascem com um gene a mais para cozinhar ou ser\u00e1 que, ao longo do tempo, elas foram condicionadas a entender que seu papel \u00e9 cozinhar? Cheguei a pensar que talvez as mulheres de fato houvessem nascido com o tal gene, mas a\u00ed lembrei que os cozinheiros mais famosos do mundo \u2014 que recebem o t\u00edtulo pomposo de \u201cchef\u201d \u2014 s\u00e3o, em sua maioria, homens\u201d, escreve Chimamanda.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo feito no Paran\u00e1 busca o padr\u00e3o de racioc\u00ednio e decis\u00e3o de escolhas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 escolha de g\u00eanero para a realiza\u00e7\u00e3o de atividades di\u00e1rias e cient\u00edficas. \u00c9 um in\u00edcio para se debater a maior inser\u00e7\u00e3o da mulher na ci\u00eancia. E, ao mesmo tempo, o comit\u00ea que participou da Confer\u00eancia em julho avalia que em termos de pol\u00edticas p\u00fablicas o Brasil est\u00e1 avan\u00e7ando gradualmente no sentido de estimular a atua\u00e7\u00e3o feminina na ci\u00eancia. O comit\u00ea brasileiro destacou que o governo atual prev\u00ea uma Pol\u00edtica Nacional de Inclus\u00e3o, Perman\u00eancia e Crescimento de Mulheres e Meninas em Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDe acordo com o Pal\u00e1cio do Planalto, o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico) lan\u00e7ar\u00e1 um edital p\u00fablico focado em mulheres nas \u00e1reas de ci\u00eancias exatas, engenharia e computa\u00e7\u00e3o, avaliado em R$ 100 milh\u00f5es. Outro destaque de 2023 foi o reajuste or\u00e7ament\u00e1rio das bolsas de pesquisa. Houve um aumento de 40% nas bolsas de mestrado e doutorado da Capes (Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior) e do CNPq. Apesar dos incentivos, ainda precisamos percorrer um longo caminho para alcan\u00e7ar condi\u00e7\u00f5es de trabalho adequadas e iguais. A pandemia aumentou as desigualdades entre ricos e pobres no Brasil\u201d, informa o comit\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p>Mara lembra ainda do projeto&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.parentinscience.com\/\">Parent in Science<\/a>, grupo de cientistas que debatem a maternidade e a paternidade na ci\u00eancia, defendendo direitos \u00e0s mulheres em licen\u00e7a \u00e0 maternidade que participam de projetos cient\u00edficos e \u00e0 flexibiliza\u00e7\u00e3o das regras de produtividade cient\u00edfica. E h\u00e1, ainda, o programa Futuras Cientistas, que estimula alunas e professoras do ensino p\u00fablico a ter contato com as \u00e1reas de Ci\u00eancia, Tecnologia, Engenharia e Matem\u00e1tica. As&nbsp;<a href=\"https:\/\/docs.google.com\/forms\/d\/e\/1FAIpQLSfUHU6QdSlEcxJ3zI5gJn2KlFLV5Q3SbhzxV6oUBIjYev_WIQ\/viewform\">inscri\u00e7\u00f5es<\/a>&nbsp;terminaram em 11 de setembro, com aux\u00edlio do CNPq de R$ 600.<\/p>\n\n\n\n<p>Mara tem esperan\u00e7a que ocorra uma mudan\u00e7a positiva na participa\u00e7\u00e3o da mulher na ci\u00eancia. Natural de Chapec\u00f3, em Santa Catarina, o exemplo da m\u00e3e foi um dos motivos que a levou a estudar F\u00edsica. \u201cEu ficava olhando para o c\u00e9u querendo saber de tudo. E, tamb\u00e9m, por inspira\u00e7\u00e3o da minha m\u00e3e que consertava chuveiro, furadeira, \u00e9 algo bem raro de ver. Ela trocava o pneu, gostava muito dessa parte de constru\u00e7\u00e3o. E ela gostava de fazer v\u00e1rias perguntas e deixar a gente pensando. Hoje, como professora, eu fa\u00e7o isso: perguntas que estimule<a><\/a>m os alunos pensarem.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>(Colaborou Roger Marzochi)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>An\u00e1lise foi realizada com 234 crian\u00e7as, jovens e adultos de Ipor\u00e3 e Palotina e debatida na 8\u00aa Confer\u00eancia Internacional de Mulheres na F\u00edsica; a imagem da mulher associada a \u00e1reas cient\u00edficas s\u00f3 come\u00e7a a crescer a partir da 8\u00aa s\u00e9rie do Ensino Fundamental Uma pesquisa realizada com 234 alunos do Ensino Fundamental, M\u00e9dio e da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":21284,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[127],"tags":[],"class_list":["post-21283","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-acontece-na-sbf"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21283","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21283"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21283\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21285,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21283\/revisions\/21285"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21284"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21283"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21283"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21283"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}