{"id":21192,"date":"2023-08-14T10:12:33","date_gmt":"2023-08-14T13:12:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf-wp2027\/?p=21192"},"modified":"2023-08-14T10:12:34","modified_gmt":"2023-08-14T13:12:34","slug":"brasileiro-participa-de-pesquisa-que-descobre-anel-improvavel-em-asteroide","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/brasileiro-participa-de-pesquisa-que-descobre-anel-improvavel-em-asteroide\/","title":{"rendered":"Brasileiro participa de pesquisa que descobre anel improv\u00e1vel em aster\u00f3ide"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Limite de Roche, teoria criada pelo franc\u00eas Edouard Roche em 1850, \u00e9 colocada \u00e0 prova no estudo que intriga os cientistas<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A Terra possui uma Lua da forma como a conhecemos hoje porque est\u00e1 distante o suficiente para que o sat\u00e9lite seja formado. Caso a Lua estivesse mais perto da Terra, a gravidade agiria de maneira diferencial sobre esse objeto de forma quebr\u00e1-lo em peda\u00e7os, formando um anel em torno do planeta. A linha imagin\u00e1ria onde essa for\u00e7a \u00e9 suficiente para fragmentar uma suposta lua \u00e9 conhecida pelo nome de Limite de Roche, proposta em 1850 pelo astr\u00f4nomo e matem\u00e1tico franc\u00eas Edouard Roche (1820-1883) em seus estudos dos an\u00e9is de Saturno.&nbsp; O artigo \u201c<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-022-05629-6\">A densering of thetrans-Neptunianobject Quaoar outside its Roche Limit<\/a>\u201d, publicado em fevereiro na revista Nature, coloca essa regra \u00e0 prova e intriga cientistas.<\/p>\n\n\n\n<p>O astrof\u00edsico brasileiro Bruno Morgado participou desse trabalho. Professor do Observat\u00f3rio do Valongo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Morgado integra a colabora\u00e7\u00e3o Lucky Star, sob a lideran\u00e7a do cientista Bruno Sicardy do Observat\u00f3rio de Paris (Fran\u00e7a) que une cientistas de todo o mundo na busca de caracterizar pequenos corpos do Sistema Solar, que s\u00e3o como que tijolos na forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria. E, neste caso do artigo, o objeto de estudo foi o aster\u00f3ide Quaoar, que est\u00e1 al\u00e9m da \u00f3rbita de Netuno, no Cintur\u00e3o de Kuiper.<\/p>\n\n\n\n<p>Com 555 km de raio, metade do tamanho de Plut\u00e3o, Quaoar \u00e9 um candidato a ser planeta-an\u00e3o. Por meio da t\u00e9cnica de oculta\u00e7\u00e3o estelar, na qual os cientistas buscam identificar a passagem do objeto na frente de estrelas, os pesquisadores descobriram que esse objeto transnetuniano possu\u00eda um anel. Desde 2014, os cientistas j\u00e1 sabem que a exist\u00eancia de anel n\u00e3o \u00e9 uma caracter\u00edstica exclusiva de planetas gigantes como Saturno e J\u00fapiter. Ali\u00e1s, foi o cientista Felipe Braga-Ribas, do Observat\u00f3rio Nacional, que liderou um estudo que identificou an\u00e9is em Chariklo, aster\u00f3ide descoberto em 1997, com 250 km de di\u00e2metro que orbita o Sol entre J\u00fapiter e Netuno. H\u00e1 an\u00e9is tamb\u00e9m no planeta an\u00e3o Haumea, que se localiza no Cintur\u00e3o de Kuiper, descoberto em 2004.<\/p>\n\n\n\n<p>O que intriga Morgado \u00e9 que o anel de Quaoar est\u00e1 situado a 4,1 mil km do aster\u00f3ide, enquanto que o Limite de Roche esperado para este objeto \u00e9 de 1,78 mil. Com essa dist\u00e2ncia, Morgado afirma que os pequenos peda\u00e7os j\u00e1 deveriam ter se juntado formando uma lua, o que n\u00e3o ocorreu. O cientista explica que, como esperado pelo modelo padr\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o, os peda\u00e7os que formam o anel deveriam se unir em uma lua no tempo de 10 a 20 anos, algo muito r\u00e1pido.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do Observat\u00f3rio de Valongo, o trabalho contou com a colabora\u00e7\u00e3o do Observat\u00f3rio de Paris (Meudon, Fran\u00e7a), Universidade Tecnol\u00f3gica Federal do Paran\u00e1 (Curitiba, Brasil), Instituto de Astrof\u00edsica de Andaluc\u00eda (Granada, Espanha), Observat\u00f3rio Nacional (Rio de Janeiro, Brasil), Laborat\u00f3rio Interinstitucional de e-Astronomia (Rio de Janeiro, Brasil), Universidade de Oulu, (Oulu, Finl\u00e2ndia)e o telesc\u00f3pio espacial CHEOPS, da Ag\u00eancia Espacial Europeia (ESA).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFoi bastante inesperado a descoberta do anel, porque deveria se tornar um sat\u00e9lite natural. N\u00e3o sabemos o que est\u00e1 fazendo esse anel se manter l\u00e1. A primeira hip\u00f3tese: ser\u00e1 que n\u00e3o estamos no tempo certo e somos muito sortudos de ver a forma\u00e7\u00e3o de uma lua em primeira m\u00e3o? \u00c9 uma possibilidade, mas algo muito improv\u00e1vel. Pensar que o Sistema Solar tem 4 bilh\u00f5es de anos e estar vendo isso acontecer \u00e9 bastante improv\u00e1vel, apesar de poss\u00edvel. Mas pode ter alguma intera\u00e7\u00e3o gravitacional que impede o anel de se tornar o sat\u00e9lite\u201d, explica o astrof\u00edsico Bruno Morgado, de 32 anos, ao site e <strong>Boletim<\/strong> da SBF.<\/p>\n\n\n\n<p>Quaoar ainda possui uma lua: Weywot, de 80 km de di\u00e2metro. Morgado acredita que possa haver alguma rela\u00e7\u00e3o gravitacional com essa lua, ou com outra, a qual n\u00e3o seja ainda poss\u00edvel ver. Mas continua o mist\u00e9rio. \u201cS\u00f3 um trabalho futuro pode responder \u00e0 todas essas quest\u00f5es. Espero que v\u00e1rios outros pesquisadores ligados a din\u00e2micas, movimento dos corpos, colis\u00f5es possam tentar entender esse sistema\u201d, conclui Morgado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>(Colaborou Roger Marzochi)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Limite de Roche, teoria criada pelo franc\u00eas Edouard Roche em 1850, \u00e9 colocada \u00e0 prova no estudo que intriga os cientistas A Terra possui uma Lua da forma como a conhecemos hoje porque est\u00e1 distante o suficiente para que o sat\u00e9lite seja formado. 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