{"id":21131,"date":"2023-08-02T11:19:49","date_gmt":"2023-08-02T14:19:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf-wp2027\/?p=21131"},"modified":"2023-08-02T11:22:46","modified_gmt":"2023-08-02T14:22:46","slug":"fisica-do-lnls-busca-elevar-o-numero-de-meninas-interessadas-em-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/fisica-do-lnls-busca-elevar-o-numero-de-meninas-interessadas-em-ciencia\/","title":{"rendered":"F\u00edsica do LNLS busca elevar o n\u00famero de meninas interessadas em ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Ingrid David Barcelos, pesquisadora que ganhou destaque com pesquisas sobre os materiais bidimensionais, como o grafeno, esfor\u00e7a-se para participar de v\u00e1rios eventos, entre os quais aqueles que incentivam jovens a conhecer a profiss\u00e3o<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A cultura est\u00e1 emaranhada em todas as atividades humanas e n\u00e3o seria diferente na F\u00edsica. Como diz o cantor e compositor Gilberto Gil, cultura deveria ser algo t\u00e3o comum como arroz com feij\u00e3o, sem ser vista como algo extraordin\u00e1rio. E na vida da f\u00edsica Ingrid David Barcelos, pesquisadora e L\u00edder do Laborat\u00f3rio de Amostras Microsc\u00f3picas (LAM) do Laborat\u00f3rio Nacional de Luz S\u00edncrotron (LNLS), em Campinas (S\u00e3o Paulo), a cultura permeia sua vida desde a constru\u00e7\u00e3o de uma carreira de sucesso at\u00e9 um dos seus objetivos atuais: incentivar o aumento do n\u00famero de mulheres na ci\u00eancia. O LNLS \u00e9 um dos laborat\u00f3rios do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf-wp2027\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/acontece-20230802-2-1024x768.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-21134\" width=\"489\" height=\"367\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ingrid Barcelos em palestra do projeto Supercientistas com alunos do Ensino M\u00e9dio<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>E Ingrid tem esse poder de influ\u00eancia. De 2016 a 2021, ela venceu nada menos do que quatro pr\u00eamios, incluindo o Pr\u00eamio Jos\u00e9 Leite Lopes, concedido pela Sociedade Brasileira de F\u00edsica (SBF) \u00e0s melhores teses, e o Pr\u00eamio Para Mulheres na Ci\u00eancia \u2013 Categoria F\u00edsica, em 2021, concedido pela L\u2019Or\u00e9al, Unesco e Academia Brasileira de Ci\u00eancias (ABC). \u201cIsso foi uma mudan\u00e7a de paradigma na minha carreira, porque a quantidade de pessoas que passou a me conhecer por causa desse pr\u00eamio foi assustadora\u201d, lembra a cientista, em entrevista ao site e ao <strong>Boletim<\/strong> da SBF.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas premia\u00e7\u00f5es refletem o seu amor pela pesquisa de nanomateriais, destacando importantes contribui\u00e7\u00f5es para o estudo do grafeno, um dos materiais mais resistentes do mundo produzido a partir do grafite e extremamente fino. Apesar de ser um material tridimensional, a sua espessura \u00e9 comparada ao tamanho de um \u00e1tomo, o que leva os cientistas a atribu\u00edrem a esse material uma caracter\u00edstica bidimensional (2D).<\/p>\n\n\n\n<p>Utilizado de telas de celulares, baterias, televis\u00f5es a at\u00e9 coletes \u00e0 prova de balas, as caracter\u00edsticas \u00fanicas do grafeno, de alta condutividade el\u00e9trica e resist\u00eancia, inspiram novas pesquisas para aprimorar produtos eletr\u00f4nicos. Para conhecer melhor esse e outros materiais bidimensionais, os cientistas do CNPEM se utilizam de aceleradores de part\u00edculas. O primeiro foi o acelerador do LNLS produzindo fonte de luz s\u00edncrotron (UVX) e o segundo o S\u00edrius, o maior e mais moderno equipamento da F\u00edsica do Brasil em atividade.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesses sistemas, el\u00e9trons s\u00e3o acelerados pr\u00f3ximos \u00e0 velocidade da luz em linhas circulares. Os el\u00e9trons fazem curvas com a ajuda de \u00edm\u00e3s poderosos chamados dipolos. E, quando o el\u00e9tron muda de dire\u00e7\u00e3o, \u00e9 emitida a chamada luz s\u00edncrotron, com emiss\u00f5es que variam do infravermelho, passando pela luz vis\u00edvel at\u00e9 o raio X. Essa luz \u00e9 capaz de fazer uma \u201cfotografia\u201d dos materiais em escala nanom\u00e9trica, equivalente a um milion\u00e9simo de um mil\u00edmetro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0Usando ainda a fonte de luz UVX, cujo s\u00edncrotron era menos potente que o do S\u00edrius, Ingrid realizou um estudo sobre a associa\u00e7\u00e3o do grafeno a um material natural isolante chamado pedra-sab\u00e3o ou talco, que possui o mesmo car\u00e1ter 2D do grafeno. Os pesquisadores H\u00e9lio Cacham e Bernardo Neves j\u00e1 tinham come\u00e7ado pesquisa com a pedra sab\u00e3o na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ent\u00e3o a Ingrid, que se formou nessa universidade e que havia iniciado inclusive seus estudos em nanotubos de grafeno em Belo Horizonte, decidiu associar os dois materiais e estud\u00e1-los com o s\u00edncrotron.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf-wp2027\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/acontece-20230802-3.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-21136 lazyload\" width=\"591\" height=\"443\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 591px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 591\/443;\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ingrid Barcelos em palestra a estudantes do CNPEM<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Com essa associa\u00e7\u00e3o entre um material condutor el\u00e9trico como o grafeno e o p\u00f3 de pedra sab\u00e3o como isolante abundante e de baixo custo, muitos avan\u00e7os podem ser vislumbrados na fabrica\u00e7\u00e3o de novos dispositivos optoeletr\u00f4nicos. \u201cSe eu pudesse resumir em poucas palavras toda a minha trajet\u00f3ria cientifica eu diria que foi uma combina\u00e7\u00e3o de um pouco de sorte por ter a oportunidade por trabalhar com coisas extremamente novas, com estar no lugar certo na hora certa, isto \u00e9, t\u00e9cnicas experimentais avan\u00e7adas e muito trabalho e dedica\u00e7\u00e3o. Eu consegui fazer v\u00e1rios estudos inovadores com t\u00e9cnicas relativamente novas principalmente no Brasil, foi uma combina\u00e7\u00e3o boa\u201d, conta a pesquisadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o destaque de suas pesquisas, ela tem uma agenda atribulada: at\u00e9 o final do ano ela participar\u00e1 de pelo menos sete eventos na \u00e1rea de nanomateriais e se v\u00ea obrigada a recusar convites. \u201cEstou sobrecarregada, mas acredito que \u00e9 muito importante ir. E quando vou, sou eu e mais uma\u201d, diz ela, sobre a falta de mais mulheres na F\u00edsica, um ambiente ainda in\u00f3spito para as mulheres. Ela explica que, pelo fato de ser negra, nunca sofreu com racismo. Mas, enquanto mulher, ela tem a sensa\u00e7\u00e3o de que a F\u00edsica n\u00e3o \u00e9 ainda um espa\u00e7o feminino. \u201cA coisa do racismo pega mais pela quest\u00e3o identidade, de se sentir pertencente: se voc\u00ea entra em lugar que s\u00f3 tem branco, voc\u00ea logo pensa que est\u00e1 em lugar errado. E \u00e9 uma quest\u00e3o de representatividade. E n\u00e3o temos nem mulher, imagine ent\u00e3o mulher e negra.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>E, por isso, ela se esfor\u00e7a para participar de eventos e de projetos que instigue o desenvolvimento de novos cientistas, para incentivar as meninas a conhecer e se apaixonar por essa profiss\u00e3o. Segundo ela, uma demonstra\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia desses projetos, \u00e9 o n\u00famero de meninas que buscam tirar foto e fazer selfie com as cientistas mulheres, um sinal de que est\u00e3o em busca de representatividade. \u201cEu n\u00e3o tive essa op\u00e7\u00e3o, eu entrei na ci\u00eancia por acidente. Mas acredito que agora temos oportunidade de mostrar para as meninas que h\u00e1 meninas parecidas como elas na ci\u00eancia. \u00c9 impressionante a quantidade de meninas que tiram foto com a gente, \u00e9 uma busca de representatividade.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ingrid conheceu F\u00edsica no Ensino M\u00e9dio. Sonhava na \u00e9poca em ser professora, ou de F\u00edsica ou de Hist\u00f3ria. Em 2005, ingressou para cursar Licenciatura em F\u00edsica na UFMG. E foi no segundo ano que ela fez uma inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, justamente sobre nanomateriais baseados em carbono como nanotubos e grafeno, que mudou sua vida para a pesquisa. Iniciativa que hoje tem entre as suas miss\u00f5es elevar o n\u00famero de meninas interessadas em F\u00edsica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;(Colaborou Roger Marzochi)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ingrid David Barcelos, pesquisadora que ganhou destaque com pesquisas sobre os materiais bidimensionais, como o grafeno, esfor\u00e7a-se para participar de v\u00e1rios eventos, entre os quais aqueles que incentivam jovens a conhecer a profiss\u00e3o A cultura est\u00e1 emaranhada em todas as atividades humanas e n\u00e3o seria diferente na F\u00edsica. 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