{"id":21082,"date":"2023-07-20T09:30:15","date_gmt":"2023-07-20T12:30:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf-wp2027\/?p=21082"},"modified":"2023-07-20T09:30:17","modified_gmt":"2023-07-20T12:30:17","slug":"projeto-debate-a-participacao-da-mulher-na-ciencia-no-acre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/projeto-debate-a-participacao-da-mulher-na-ciencia-no-acre\/","title":{"rendered":"Projeto debate a participa\u00e7\u00e3o da mulher na ci\u00eancia no Acre"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Professora de Licenciatura em F\u00edsica da Universidade Federal do Acre realizou em 2022 um projeto de extens\u00e3o em cinco escolas de Rio Branco alcan\u00e7ando cerca de 700 alunos do Ensino M\u00e9dio<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCozinhar, lavar roupa, cuidar dos filhos, lavar lou\u00e7a e fazer filhos.\u201d Estas s\u00e3o, para um menino do Ensino M\u00e9dio de Rio Branco, no Acre, as cinco profiss\u00f5es que uma mulher melhor desempenharia na sociedade. A resposta foi obtida em question\u00e1rio que era distribu\u00eddo aos alunos no projeto de extens\u00e3o \u201cDivulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica itinerante nas escolas: O lugar da mulher \u00e9 onde ela quiser! Um panorama sobre as mulheres nas ci\u00eancias\u201d, criado por Bianca Martins Santos, professora de Licenciatura em F\u00edsica da Universidade Federal do Acre (UFAC).<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf-wp2027\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/acontece-20230720-2-1024x768.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-21084\" width=\"474\" height=\"356\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Professora Bianca em palestra aos alunos da UFAC<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>O projeto foi levado para cinco escolas da capital, chegando a alcan\u00e7ar cerca de 700 alunos do Ensino M\u00e9dio em 2022. Bianca explica que algumas escolas possivelmente se assustaram com o t\u00edtulo do projeto e o recusaram, enquanto em outras as apresenta\u00e7\u00f5es foram realizadas em mais de uma vez e para diferentes turmas.<\/p>\n\n\n\n<p>A resposta do adolescente em pleno s\u00e9culo 21 revela o quanto \u00e9 importante investir na educa\u00e7\u00e3o para encontrar meios para superar o machismo e ajudar as meninas a conquistarem n\u00e3o apenas os postos de trabalho com os quais sonham, mas tamb\u00e9m igualdades salariais. \u201cAo final, pensamos que o projeto era como plantar uma sementinha que vai ser colhida \u00e0 longo prazo. Mas com a consci\u00eancia que h\u00e1 muito a ser feito\u201d, diz Bianca, em entrevista ao <strong>Boletim<\/strong> da Sociedade Brasileira de F\u00edsica (SBF). Por falta de apoio e financiamento, a professora explica que n\u00e3o foi poss\u00edvel ampliar o alcance do projeto, mas ela sonha em continu\u00e1-lo em breve, pois agora est\u00e1 concluindo p\u00f3s-doutorado em Ensino de F\u00edsica na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf-wp2027\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/acontece-20230720-3-819x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-21085 lazyload\" width=\"377\" height=\"471\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 377px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 377\/471;\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Bianca Martins Santos<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Bianca nasceu em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, residindo em S\u00e3o Jo\u00e3o de Meriti, \u00e1rea de grande vulnerabilidade social. Na rua em que morava, o asfalto concretado s\u00f3 chegou quando ela era adolescente, num movimento feito por um pol\u00edtico da regi\u00e3o para conquistar votos. Cursou magist\u00e9rio no Ensino M\u00e9dio, mas no terceiro ano ela precisou estudar \u00e0 noite para trabalhar durante o dia para ajudar a fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>E essa necessidade foi o que fez a grande diferen\u00e7a em sua vida. No curso diurno ela n\u00e3o tinha F\u00edsica, que lhe foi apresentada apenas no \u00faltimo ano \u00e0 noite. Com ajuda do professor, ela descobriu que tinha aptid\u00e3o em matem\u00e1tica e f\u00edsica, o que a levou para a gradua\u00e7\u00e3o em F\u00edsica na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Sempre com bolsa, ela conseguiu fazer mestrado em Energia Nuclear no Instituto Militar de Engenharia (IME) e doutorado em F\u00edsica na Universidade Federal Fluminense (UFF). Em 2016, durante o seu primeiro p\u00f3s-doutorado, ela prestou concurso de professor da UFAC e para l\u00e1 se mudou com o marido.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf-wp2027\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/acontece-20230720-4-1024x768.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-21086 lazyload\" width=\"565\" height=\"424\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 565px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 565\/424;\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Encontro da equipe da UFAC no projeto de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Em 2020, com o nascimento de sua filha, Bianca sentiu ainda mais na pele o desafio de ser mulher, m\u00e3e e professora. E, ap\u00f3s ler o livro \u201c<a href=\"http:\/\/www1.fisica.org.br\/gt-genero\/images\/arquivos\/Mulheres_Pioneiras_\/livro-mulheres-na-fisica.pdf\">Mulheres na F\u00edsica: Casos Hist\u00f3ricos, Panorama e Perspectivas<\/a>\u201d, percebeu que al\u00e9m de ser desafiador o ambiente para as mulheres na ci\u00eancia, n\u00e3o havia cita\u00e7\u00f5es sobre mulheres na regi\u00e3o Norte do Pa\u00eds. Em 2021, incentivou os seus alunos da UFAC a debaterem a quest\u00e3o durante tr\u00eas meses. \u201cN\u00e3o existe s\u00f3 essa quest\u00e3o de ser mulher, mas h\u00e1 um preconceito regional, dependendo do lugar, voc\u00ea sofre esse preconceito, no sentido de acharem que voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 capaz. A mulher tamb\u00e9m tem que demonstrar que \u00e9 capaz, que pode, independentemente de regi\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A ideia foi conduzir uma palestra nas escolas baseada nos tr\u00eas momentos pedag\u00f3gicos: primeiro, uma problematiza\u00e7\u00e3o de um tema real enfrentado na ci\u00eancia e na sociedade; depois, a apresenta\u00e7\u00e3o do conte\u00fado que vai de encontro ao tema, apresentando as mulheres que marcaram seu tempo e fizeram grandes contribui\u00e7\u00f5es para ci\u00eancia; e a busca de aplicar esse conhecimento endere\u00e7ado ao problema inicial de forma palp\u00e1vel. A partir de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) de 2019, os alunos revelam alguns dos problemas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, o n\u00edvel de ocupa\u00e7\u00e3o de pessoas entre 25 a 49 anos de idade no mercado de trabalho \u00e9 menor para mulheres com crian\u00e7as de at\u00e9 tr\u00eas anos de idade (54,6%) em compara\u00e7\u00e3o aos homens (89,2%). Sem crian\u00e7as, a taxa de ocupa\u00e7\u00e3o para homens e mulheres \u00e9 de 83,4% e 67,2%, respectivamente. \u201cApresentamos os dados que mostram que o n\u00edvel de escolaridade das mulheres \u00e9 maior do que o dos homens, mas ganhamos menos. Todas essas quest\u00f5es foram apresentadas aos alunos\u201d, explica Bianca. \u201cAs meninas nunca tinham parado para pensar nisso. E \u00e9 revoltante! Voc\u00ea estuda e consegue qualifica\u00e7\u00e3o id\u00eantica que os homens e eles, em algumas situa\u00e7\u00f5es, ganham mais do que voc\u00ea s\u00f3 porque voc\u00ea \u00e9 mulher! Levamos isso para as escolas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>As apresenta\u00e7\u00f5es nem sempre eram bem recebidas pelos alunos das escolas, conta Bianca, que lembra que muitas vezes os meninos ficavam cochichando entre si, gerando certo desconforto para as meninas. Mas, como ela mesma explica, foi um longo processo que ajudou n\u00e3o apenas os estudantes do Ensino M\u00e9dio, mas as pr\u00f3prias alunas de Licenciatura em F\u00edsica da UFAC a tomarem consci\u00eancia dos enormes desafios das mulheres na sociedade e nas ci\u00eancias exatas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs mulheres cursam mais gradua\u00e7\u00f5es em humanas e sa\u00fade do que engenharia, tecnologia da informa\u00e7\u00e3o, por exemplo. E a gente fez esse questionamento: por que a mulher \u2018s\u00f3\u2019 vai para essas \u00e1reas? A ideia da palestra era de que a mulher \u00e9 livre, existem op\u00e7\u00f5es para as mulheres, elas n\u00e3o podem ficar ref\u00e9m da escolha profissional da fam\u00edlia ou da sociedade.\u201d H\u00e1 sempre esperan\u00e7a de mudan\u00e7a, como em um dos slides da apresenta\u00e7\u00e3o do projeto que ilustrava uma resposta de uma aluna em um trabalho escolar: \u201c&#8230;E Branca de Neve acordou com o beijo do Pr\u00edncipe e foi estudar ao inv\u00e9s de casar. Todos viveram felizes para sempre.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>(Colaborou Roger Marzochi)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Professora de Licenciatura em F\u00edsica da Universidade Federal do Acre realizou em 2022 um projeto de extens\u00e3o em cinco escolas de Rio Branco alcan\u00e7ando cerca de 700 alunos do Ensino M\u00e9dio \u201cCozinhar, lavar roupa, cuidar dos filhos, lavar lou\u00e7a e fazer filhos.\u201d Estas s\u00e3o, para um menino do Ensino M\u00e9dio de Rio Branco, no Acre, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":21083,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[127],"tags":[],"class_list":["post-21082","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-acontece-na-sbf"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21082","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21082"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21082\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21087,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21082\/revisions\/21087"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21083"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21082"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21082"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21082"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}