{"id":21056,"date":"2023-07-10T14:10:43","date_gmt":"2023-07-10T17:10:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf-wp2027\/?p=21056"},"modified":"2023-07-10T14:10:45","modified_gmt":"2023-07-10T17:10:45","slug":"artigo-contextualiza-arte-e-ciencia-no-florescimento-do-microscopio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/artigo-contextualiza-arte-e-ciencia-no-florescimento-do-microscopio\/","title":{"rendered":"Artigo contextualiza arte e ci\u00eancia no florescimento do microsc\u00f3pio"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Na comemora\u00e7\u00e3o dos 300 de Antoni van Leeuwenhoek, texto publicado na revista F\u00edsica na Escola faz recorte historiogr\u00e1fico do desenvolvimento dos instrumentos \u00f3ticos, explorando as rela\u00e7\u00f5es entre arte, ci\u00eancia e sociedade na Rep\u00fablica Holandesa do s\u00e9culo 17<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A ci\u00eancia \u00e9 o imp\u00e9rio da raz\u00e3o e a arte, da emo\u00e7\u00e3o. Certo? Ao menos \u00e9 essa a sensa\u00e7\u00e3o dos tempos modernos, nos quais h\u00e1 uma extrema segmenta\u00e7\u00e3o do conhecimento. Mas essa afirma\u00e7\u00e3o n\u00e3o poderia estar mais errada. Apesar de a ci\u00eancia buscar explicar o mundo por meio de teorias e experimentos, os cientistas tamb\u00e9m est\u00e3o imersos na cultura de uma sociedade. E, assim como os artistas, cientistas tamb\u00e9m buscam na intui\u00e7\u00e3o e na abstra\u00e7\u00e3o mat\u00e9ria-prima para suas teses.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAt\u00e9 mesmo entre professores de f\u00edsica, a gente ainda vive uma cultura empirista. E n\u00f3s, professores, \u00e0s vezes esquecemos tamb\u00e9m que a ci\u00eancia \u00e9 impulsionada pela imagina\u00e7\u00e3o. A ci\u00eancia \u00e9 um processo criativo\u201d, afirma Marlon Cesar de Alc\u00e2ntara, professor do Laborat\u00f3rio Interdisciplinar de Ensino de Ci\u00eancias do Instituto Federal do Sudeste de Minas Gerais (IF Sudeste MG), Campus Juiz de Fora. Marlon e seus colaboradores publicaram no fim de junho, na Revista F\u00edsica na Escola, o artigo \u201c<a href=\"http:\/\/www1.fisica.org.br\/fne\/ojs\/index.php\/revista\/article\/view\/50\/1\">O olhar acurado e a descoberta de um \u2018novo mundo\u2019 a partir do microsc\u00f3pio<\/a>\u201d, que expressa a inter-rela\u00e7\u00e3o entre arte e ci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"[Destaque em F\u00edsica] Artigo contextualiza arte e ci\u00eancia no florescimento do microsc\u00f3pio\" width=\"900\" height=\"506\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/HfFs7xdj9bs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" data-load-mode=\"1\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>O texto tamb\u00e9m foi escrito em parceria com profissionais do mesmo instituto: Guilherme B.Louren\u00e7o e Marcelo Mendes, do Laborat\u00f3rio de Biologia; e Adriano Reder de Carvalho, chefe do Laborat\u00f3rio de Biologia do IF Sudeste MG, campus Juiz de Fora. \u201cEu acho que \u00e9 muito interessante de se pensar a arte e a ci\u00eancia, porque mostra o imbricamento cultural que h\u00e1 entre essas duas \u00e1reas. A gente acha que est\u00e3o uma longe da outra, mas como processos criativos elas est\u00e3o muito perto\u201d, diz o professor, em entrevista ao <strong>Boletim<\/strong> <strong>da SBF<\/strong>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O interesse de Marlon no tema come\u00e7ou a nascer em 2010, quando fez disserta\u00e7\u00e3o de mestrado sobre o pintor holand\u00eas Jhohannes Vermeer (1632 \u2013 1675), que pintou o famoso quadro \u201cMo\u00e7a com o Brinco de P\u00e9rola\u201d, e que o levou a conhecer o livro \u201cA Arte de Descrever &#8211; A Arte Holandesa no S\u00e9culo XVII\u201d (Edusp), de Svetlana Alpers.<\/p>\n\n\n\n<p>Marlon buscou correlacionar a pintura descritiva e realista dos pintores holandesas daquela \u00e9poca, em uma cultura de influ\u00eancia protestante, que busca retratar a vida como ela se apresenta aos olhos, com o florescimento das lentes usadas em microsc\u00f3pios, que tem na figura de Antoni van Leeuwenhoek um de seus maiores artes\u00f5es. Sua import\u00e2ncia para a populariza\u00e7\u00e3o do aparelho \u00e9 t\u00e3o grande que a Holanda comemora em 2023 os 300 anos do artes\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cLeeuwenhoek n\u00e3o era um estudioso para os padr\u00f5es da \u00e9poca, era um curioso com grande habilidade de construir lentes. E ele foi descoberto pela ci\u00eancia\u201d, explica Marlon, que lembra que a paternidade sobre a inven\u00e7\u00e3o do microsc\u00f3pio \u00e9 pol\u00eamica at\u00e9 os dias de hoje. O que se sabe \u00e9 que Leeuwenhoek era o mais habilidoso e produtivo artes\u00e3o especializado nessas lentes, que motivou o m\u00e9dico e fisiologista Reinier de Graaf &nbsp;(1641-1673) enviar uma carta para a Royal Society, na Inglaterra, relatando os avan\u00e7os do holand\u00eas na microscopia. Robert Hooke (1635-1703), que j\u00e1 havia publicado o livro \u201cMicrographia\u201d, em 1665, um dos primeiros livros com representa\u00e7\u00f5es de imagens microsc\u00f3picas, ficou t\u00e3o fascinado com a carta de Graaf, que pediu at\u00e9 uma visita de uma comitiva a Leeuwenhoek.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da influ\u00eancia m\u00fatua entre a arte descritiva e realista dos pintores holandeses da \u00e9poca e a busca da ci\u00eancia por desvendar um novo mundo microsc\u00f3pico, Marlon parece ver um caminho de m\u00e3o dupla, no qual a ci\u00eancia influencia a arte, especialmente no quadro \u201cA view of Delft\u201d (1652), de Carel Fabritius (1622 \u2013 1654). Nessa pintura, \u00e9 como se a realidade fosse traduzida pelas lentes do tipo \u201colho de peixe\u201d. Delft \u00e9 tamb\u00e9m a cidade de Leeuwenhoek, o que faz dessa pintura ainda mais emblem\u00e1tica. Na mesma \u00e9poca, experi\u00eancias tamb\u00e9m s\u00e3o realizadas com a c\u00e2mera escura, precursora das m\u00e1quinas fotogr\u00e1ficas.<\/p>\n\n\n\n<p>O artigo \u201cO olhar acurado e a descoberta de um \u2018novo mundo\u2019 a partir do microsc\u00f3pio\u201d tamb\u00e9m traz um passo-a-passo para que o professor possa construir dois modelos de microsc\u00f3pio em sala de aula. Marlon explica que muitas escolas n\u00e3o possuem o equipamento, que pode ser constru\u00eddo de uma forma simples e barata. O autor, que \u00e9 professor do Ensino B\u00e1sico e da Licenciatura em F\u00edsica e do Mestrado Nacional Profissional em Ensino de F\u00edsica, realiza essa atividade com seus alunos, para que vislumbrem esse mundo desconhecido.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"357\" height=\"410\" src=\"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf-wp2027\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Microscopio1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-21058\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Microsc\u00f3pio de Lente \u00danica Artesanal (Cr\u00e9dito: Revista F\u00edsica na Escola)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cO professor est\u00e1 empenhado em ensinar a disciplina, mas por vezes falta material nas escolas. E fazer o microsc\u00f3pio \u00e9 dar oportunidade aos alunos em olhar o mundo que n\u00e3o se pode ver a olho nu, \u00e9 a descoberta de um novo mundo. Guardada as propor\u00e7\u00f5es, as rea\u00e7\u00f5es dos alunos s\u00e3o muito semelhantes com os dos europeus naquela \u00e9poca. Quando olham no microsc\u00f3pio e v\u00eaem a parede celular, eles ficam admirados.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Marlon acredita que hoje em dia h\u00e1 preocupa\u00e7\u00e3o no ensino de ci\u00eancia em se buscar aproxima\u00e7\u00f5es com a arte. Para ele, a cultura tem papel extremamente importante, lembrando que para alguns autores, a descoberta de crateras e montanhas na Lua feita por Galileu Galiei (1564 \u2013 1642) quatro meses ap\u00f3s Thomas Harriot (1560 \u2013 1621) em 1609 \u00e9 atribu\u00eddo \u00e0 arte na qual o italiano estava imerso. \u201cHarriot viu manchas na Lua, mas Galileu viu crateras e montanhas. O Galileu estava imerso no Renascimento Italiano, provavelmente tinha quest\u00f5es de pintura e representa\u00e7\u00e3o inseridas no seu dia a dia, diferente dos ingleses\u201d, diz Marlon.<\/p>\n\n\n\n<p>E, sua busca, \u00e9 tamb\u00e9m desmitificar a imagem da ci\u00eancia e do cientista, que por muitas vezes \u00e9 romanceada, baseada em descobertas ao acaso e em g\u00eanios isolados. \u201cTalvez hoje em dia esteja se discutindo mais na \u00e1rea de ensino essas quest\u00f5es, acerca da natureza da ci\u00eancia. E muitas vezes a gente percebe que quando aplicamos testes para professores e alunos existem muitas vis\u00f5es distorcidas sobre o trabalho cient\u00edfico. E, talvez, uma delas seja a quest\u00e3o da criatividade em ci\u00eancia, do quanto ela est\u00e1 inserida em determinada cultura.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>(Colaborou Roger Marzochi)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na comemora\u00e7\u00e3o dos 300 de Antoni van Leeuwenhoek, texto publicado na revista F\u00edsica na Escola faz recorte historiogr\u00e1fico do desenvolvimento dos instrumentos \u00f3ticos, explorando as rela\u00e7\u00f5es entre arte, ci\u00eancia e sociedade na Rep\u00fablica Holandesa do s\u00e9culo 17 A ci\u00eancia \u00e9 o imp\u00e9rio da raz\u00e3o e a arte, da emo\u00e7\u00e3o. Certo? Ao menos \u00e9 essa a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":21057,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[124],"tags":[],"class_list":["post-21056","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque-em-fisica"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21056","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21056"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21056\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21059,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21056\/revisions\/21059"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21057"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21056"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21056"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21056"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}