{"id":20879,"date":"2023-06-15T09:39:18","date_gmt":"2023-06-15T12:39:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf-wp2027\/?p=20879"},"modified":"2023-06-15T09:39:19","modified_gmt":"2023-06-15T12:39:19","slug":"brasil-esta-mais-proximo-da-casa-propria-no-maior-acelerador-de-particulas-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/brasil-esta-mais-proximo-da-casa-propria-no-maior-acelerador-de-particulas-do-mundo\/","title":{"rendered":"Brasil est\u00e1 mais pr\u00f3ximo da \u201ccasa pr\u00f3pria\u201d no maior acelerador de part\u00edculas do mundo"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Hoje mais de 200 brasileiros colaboram em pesquisas no LHC, que v\u00e3o muito al\u00e9m dos segredos do Universo; e, com a ades\u00e3o oficial do Pa\u00eds ao acordo at\u00e9 mar\u00e7o de 2024, a ind\u00fastria nacional poder\u00e1 ser beneficiada<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Roger Marzochi&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quem mora em apartamento sabe que precisa todo m\u00eas pagar o condom\u00ednio, dinheiro que \u00e9 revertido para a manuten\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio. E, al\u00e9m disso, quitar a conta de luz! Leandro de Paula, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e membro do Comit\u00ea T\u00e9cnico e Cient\u00edfico da Rede Nacional de F\u00edsica de Altas Energias (RENAFAE), transp\u00f5e a analogia do condom\u00ednio ao uso de laborat\u00f3rios no <em>Large Hadron Colisor<\/em> (LHC), o maior acelerador de part\u00edculas do mundo, localizado na Su\u00ed\u00e7a e administrado pela Organiza\u00e7\u00e3o Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN). E o Pa\u00eds est\u00e1 mais pr\u00f3ximo de ter a sua \u201ccasa pr\u00f3pria\u201d nesse espa\u00e7o e, ainda, ter a possibilidade de ver parte ou todo o dinheiro aplicado de volta.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 mais de 30 anos, os cientistas brasileiros t\u00eam participado de coopera\u00e7\u00f5es em pesquisas no LHC tanto nas estruturas f\u00edsicas do acelerador quanto nos detectores, capazes de investigar os elementos b\u00e1sicos da natureza. Mas, nesse per\u00edodo, o Pa\u00eds ocupa o espa\u00e7o como se o contrato de loca\u00e7\u00e3o fosse sempre assinado por outra pessoa. E, hoje em dia, mais de 200 cientistas brasileiros atuam direta ou indiretamente nos experimentos do LHC. A RENAFAE coordena hoje cinco grupos de cientistas brasileiros que atuam em diferentes detectores e h\u00e1 tamb\u00e9m um grupo de pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) que colabora com a equipe que cuida do acelerador.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO laborat\u00f3rio \u00e9 como o condom\u00ednio onde voc\u00ea mora. O condom\u00ednio paga o elevador, o porteiro, a limpeza, etc. E isso \u00e9 o equivalente no CERN: o \u2018condom\u00ednio\u2019 \u00e9 para fazer o acelerador funcionar, disponibilizar oficinas, \u00e9 toda uma infraestrutura que considera tamb\u00e9m os gastos administrativos, atendimento m\u00e9dico, bombeiro&#8230; tudo que permite o lugar funcionar\u201d, explica o f\u00edsico.<\/p>\n\n\n\n<p>Na semana passada, Leandro acompanhou a visita da ministra da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o, Luciana Santos, ao LHC, em Meyrin, na Su\u00ed\u00e7a. Com a participa\u00e7\u00e3o na comitiva brasileira de deputados federais da base do governo Lula e da oposi\u00e7\u00e3o, Luciana pediu ao CERN prazo para at\u00e9 mar\u00e7o de 2024 para que o Pa\u00eds finalmente possa aderir plenamente ao laborat\u00f3rio. O acordo, que foi assinado no governo Bolsonaro, precisa ainda ser ratificado pelo Congresso. E Leandro tem esperan\u00e7a que de que o projeto seja aprovado, pois ouviu dos parlamentares que essa \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o que independe das cores partid\u00e1rias. O encontro no LHC tamb\u00e9m contou com a presen\u00e7a de 39 cientistas brasileiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Caso seja aprovado o acordo, o Brasil teria que pagar uma taxa anual de US$ 12 milh\u00f5es ao CERN, dinheiro que pode retornar ao Brasil, porque um membro efetivo pode indicar empresas brasileiras para participar da constru\u00e7\u00e3o de estruturas do acelerador. Nas proje\u00e7\u00f5es da ministra, 70% do valor investido poder\u00e3o retornar ao Pa\u00eds. Mas Leandro lembra que h\u00e1 pa\u00edses que conseguem retorno de 100%, embora outros n\u00e3o tenham tido tanto sucesso nessa troca.<\/p>\n\n\n\n<p>O sucesso dessa troca depende do projeto de financiamento necess\u00e1rio a essa participa\u00e7\u00e3o, salienta documento entregue pelos cientistas \u00e0 ministra na ocasi\u00e3o. \u201cA associa\u00e7\u00e3o do Brasil ao CERN pode trazer benef\u00edcios importantes ao Pa\u00eds com o fortalecimento da CT&amp;I, o avan\u00e7o da internacionaliza\u00e7\u00e3o, a melhoria da forma\u00e7\u00e3o de pessoal de alto n\u00edvel, a contribui\u00e7\u00e3o para a nuclea\u00e7\u00e3o de empresas de base tecnol\u00f3gica e a abertura de oportunidades para a ind\u00fastria nacional. Nossa associa\u00e7\u00e3o pode vir a ser um grande sucesso como no caso da Fran\u00e7a, cujo retorno, direto e indireto, \u00e9 3 vezes superior que o montante investido ou um fracasso, como no caso \u00cdndia, que veio a romper o acordo devido os seguidos d\u00e9ficits. Isso ir\u00e1 depender apenas de nossa efici\u00eancia na gest\u00e3o do processo e no suporte aos grupos brasileiros no CERN\u201d, argumentam os cientistas no documento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPagar esse \u2018condom\u00ednio\u2019significa que o Brasil poder\u00e1 usar as estruturas do LHC de maneira mais forte, com a participa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria nacional\u201d, diz Leandro, que desde a d\u00e9cada de 1990 participa do desenvolvimento de um detector, o LHCb, que colabora nas pesquisas sobre antimat\u00e9ria. &#8220;Hoje, n\u00f3s brasileiros somos usu\u00e1rios de um detector. Contribu\u00edmos para o desenvolvimento do sistema, mas n\u00e3o assinamos o &#8216;contrato de aluguel&#8217;. Estamos l\u00e1 com a assist\u00eancia de um amigo que assinou em nosso nome, j\u00e1 que n\u00e3o somos membros do CERN&#8221;, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Leandro tamb\u00e9m explica que, independentemente da situa\u00e7\u00e3o da R\u00fassia no LHC, o Brasil sempre foi convidado a participar de experimentos e de fornecer equipamentos desde a d\u00e9cada de 1990. Talvez, com a suspens\u00e3o das atividades dos russos no laborat\u00f3rio desde o ano passado, em decorr\u00eancia da Guerra na Ucr\u00e2nia, haja maior oportunidade para a inser\u00e7\u00e3o brasileira em trabalhos no laborat\u00f3rio, mas isso n\u00e3o \u00e9 determinante.<\/p>\n\n\n\n<p>E as pesquisas no LHC v\u00e3o muito al\u00e9m de desvendar os mist\u00e9rios da cria\u00e7\u00e3o do Universo. O f\u00edsico Marcelo Gameiro Munhoz, professor do Instituto de F\u00edsica da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), que tamb\u00e9m esteve presente na reuni\u00e3o com a ministra na semana passada na Su\u00ed\u00e7a, \u00e9 o l\u00edder na USP da pesquisa do experimento Alice no LHC, que estuda um novo estado da mat\u00e9ria chamado de Plasma de Quarks e Gluons. Para esse experimento, f\u00edsicos e engenheiros brasileiros, principalmente da USP, desenvolveram entre 2013 e 2019, um chip de uso espec\u00edfico batizado de Sampa.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa tecnologia desenvolvida no Brasil permitir\u00e1 a utiliza\u00e7\u00e3o de radia\u00e7\u00f5es para estudar o patrim\u00f4nio hist\u00f3rico e arqueol\u00f3gico, al\u00e9m de pesquisas para se criar sistemas de tomografia para estudos de f\u00edsica m\u00e9dica e o monitoramento de reatores nucleares. \u201cEssa sinergia com engenheiros estrangeiros \u00e9 muito importante. O nosso interesse no LHC \u00e9 estudar o Plasma de Quarks e Gluons, algo bastante fundamental e quase po\u00e9tico: queremos saber do que \u00e9 feito o Universo. Mas, para isso, desenvolvemos uma tecnologia que tem in\u00fameras aplica\u00e7\u00f5es no Brasil\u201d, diz o professor Marcelo, que tamb\u00e9m criou uma boa expectativa a partir da reuni\u00e3o com a ministra e parlamentares na semana passada.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Marcelo, a associa\u00e7\u00e3o oficial do Brasil ao CERN ser\u00e1 importante n\u00e3o apenas para as empresas brasileiras, mas tamb\u00e9m para os pesquisadores, pois criar\u00e1 novas oportunidades de de troca de know-how entre a ind\u00fastria e os cientistas que participam do LHC. \u201c\u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o na qual todo mundo ganha: o CERN ganha porque recebe mais; o Brasil ganha porque recebe demandas do CERN envolvendo tecnologia de ponta. H\u00e1 uma troca muito grande de tecnologia e de conhecimento.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje mais de 200 brasileiros colaboram em pesquisas no LHC, que v\u00e3o muito al\u00e9m dos segredos do Universo; e, com a ades\u00e3o oficial do Pa\u00eds ao acordo at\u00e9 mar\u00e7o de 2024, a ind\u00fastria nacional poder\u00e1 ser beneficiada Roger Marzochi&nbsp; Quem mora em apartamento sabe que precisa todo m\u00eas pagar o condom\u00ednio, dinheiro que \u00e9 revertido [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":20880,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[127],"tags":[],"class_list":["post-20879","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-acontece-na-sbf"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20879","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20879"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20879\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20881,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20879\/revisions\/20881"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20880"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20879"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20879"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20879"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}