{"id":20506,"date":"2023-03-07T14:53:55","date_gmt":"2023-03-07T17:53:55","guid":{"rendered":"https:\/\/sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/?p=20506"},"modified":"2023-03-09T09:19:45","modified_gmt":"2023-03-09T12:19:45","slug":"uma-investigadora-da-forca-do-vacuo-mulheres-na-ciencia-larissa-inacio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/uma-investigadora-da-forca-do-vacuo-mulheres-na-ciencia-larissa-inacio\/","title":{"rendered":"\u201cUma investigadora da for\u00e7a do v\u00e1cuo\u201d Mulheres na Ci\u00eancia \u2013 Larissa In\u00e1cio"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Por Fl\u00e1via Nat\u00e9rcia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A doutoranda em F\u00edsica Larissa Maria Pereira In\u00e1cio, 27 anos, \u00e9 tamb\u00e9m professora substituta na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ela \u00e9 namorada da Fl\u00e1via e aquilo que mais gosta de fazer, al\u00e9m de sua pesquisa, \u00e9 ler. Larissa tamb\u00e9m gosta de jogos no computador que n\u00e3o tomam muito tempo e de atividades manuais, como cozinhar, principalmente para os outros. \u201cNas reuni\u00f5es de meu grupo de pesquisa, sempre cozinho alguma coisa e \u00e9 sempre muito legal\u201d, conta a pesquisadora.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Seu grupo de pesquisa se dedica \u00e0s flutua\u00e7\u00f5es qu\u00e2nticas do v\u00e1cuo. Trata-se de <a href=\"https:\/\/sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/expressao-aprimorada-para-as-forcas-de-casimir\/\">um dos fen\u00f4menos mais intrigantes da natureza<\/a>. Dentro dessa tem\u00e1tica, Larissa investiga a for\u00e7a de Casimir que se origina dessas flutua\u00e7\u00f5es quando h\u00e1 intera\u00e7\u00e3o entre esferas em um meio que cont\u00e9m \u00edons (eletr\u00f3lito). \u201cTento verificar se essas for\u00e7as mudam quando h\u00e1 um eletr\u00f3lito, porque sabemos como funciona quando n\u00e3o h\u00e1 um\u201d, conta Larissa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, existem certos fen\u00f4menos que o Grupo de Flutua\u00e7\u00f5es Qu\u00e2nticas gostaria de entender, como o efeito de blindagem que surge. Uma das motiva\u00e7\u00f5es desse grupo para estudar a intera\u00e7\u00e3o entre esferas est\u00e1 no fato de ter como \u201cbra\u00e7o direito\u201d o Laborat\u00f3rio de Pin\u00e7as \u00d3ticas (LPO), que s\u00e3o pin\u00e7as de luz capazes de aprisionar e manipular part\u00edculas e t\u00eam diversas aplica\u00e7\u00f5es, como a manipula\u00e7\u00e3o do \u00e1cido desoxirribonucleico (DNA) em laborat\u00f3rios de Biologia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo laborat\u00f3rio, \u00e9 poss\u00edvel fazer com que essas bolinhas se aproximem e medir a for\u00e7a resultante. E, uma vez que temos a for\u00e7a resultante da intera\u00e7\u00e3o entre elas, podemos tentar, como n\u00f3s conhecemos as outras for\u00e7as previstas, verificar se a for\u00e7a de Casimir que aparece \u00e9 aquela que a teoria prev\u00ea\u201d, explica Larissa. Ela est\u00e1 tentando descrever essa for\u00e7a de forma anal\u00edtica. Depois, Larissa vai tentar verificar se \u00e9<em> <\/em>um efeito mensur\u00e1vel. Seu grupo de pesquisa j\u00e1 obteve um resultado muito interessante, que d\u00e1 uma ideia da forma como o efeito de blindagem pode acontecer. \u201cMas o que me deixou mais empolgada recentemente \u00e9 que, por causa da forma como cheguei ao resultado que tenho agora, n\u00f3s podemos tentar usar esse m\u00e9todo para outras geometrias\u201d, conta Larissa.<\/p>\n\n\n\n<p>A doutoranda se motivou a seguir uma carreira na F\u00edsica ainda durante o Ensino M\u00e9dio, por causa da professora Andr\u00e9a Guerra, membra da Sociedade Brasileira de F\u00edsica e dava aulas que tinham muita discuss\u00e3o hist\u00f3rica. Com isso, ela viu que era poss\u00edvel lecionar de uma forma diferente e pensou em entrar na F\u00edsica para se tornar professora do Ensino M\u00e9dio. No entanto, o curso de licenciatura em F\u00edsica na UFRJ \u00e9 noturno e seus pais se opuseram a essa op\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o ela optou pelo bacharelado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Logo no in\u00edcio do curso, Larissa conseguiu um emprego como monitora de Matem\u00e1tica em uma escola. Depois de passar um ano nesse emprego, do qual gostava muito, ela ficou em d\u00favida quanto ao caminho a seguir e chegou a come\u00e7ar uma Licenciatura em Matem\u00e1tica. Mas, pouco tempo depois, sua vida mudou, porque Larissa cursou a disciplina \u00c1lgebra Linear para F\u00edsicos com o professor Marcus Venicius Cougo Pinto, que ela considera sensacional. Ent\u00e3o, a jovem percebeu que gostava da Matem\u00e1tica na F\u00edsica, e n\u00e3o de qualquer Matem\u00e1tica, e come\u00e7ou a pensar em trabalhar com F\u00edsica Te\u00f3rica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esse professor pertence ao grupo de que ela faz parte atualmente. Por isso, Larissa passou a ficar de olho no trabalho deles. \u201cE a\u00ed, quando eu estava no processo de conhecer o grupo e entender de forma mais madura o que queria fazer em termos de pesquisa, comecei a estudar muito sozinha e com o meu grupo de amigos, que s\u00e3o todos f\u00edsicos matem\u00e1ticos ou matem\u00e1ticos hoje em dia\u201d, conta Larissa. Al\u00e9m disso, a pesquisadora trabalhou em um projeto de apoio pedag\u00f3gico coordenado pela professora Marta Feij\u00f3, outra pessoa que foi essencial para sua trajet\u00f3ria. \u201cE, para eu entender que minha motiva\u00e7\u00e3o para estudar F\u00edsica \u00e9 estudar qu\u00e2ntica e eletrodin\u00e2mica, dois professores foram cruciais: Carlos Farina e Paulo Am\u00e9rico Maia Neto\u201d, relata Larissa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a gradua\u00e7\u00e3o, ela fez diversas inicia\u00e7\u00f5es cient\u00edficas para descobrir a \u00e1rea com que mais se identificava. Com o tempo e o amadurecimento que ele traz, Larissa percebeu que queria seguir na F\u00edsica como pesquisadora e professora universit\u00e1ria. No final do curso, ela j\u00e1 pensava em trabalhar no grupo em que se encontra, por ter afinidade com os professores e gostar do que eles falavam sobre a pesquisa. No \u00faltimo ano de gradua\u00e7\u00e3o, ela come\u00e7ou uma inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica com o professor Felipe Rosa, que a orienta at\u00e9 hoje, no doutorado. Al\u00e9m desses professores, a motiva\u00e7\u00e3o de Larissa vem de seus amigos. \u201cAcho que eu n\u00e3o conseguiria ter criado essa maturidade para estudar e pensar em pesquisa se n\u00e3o os tivesse ali, querendo a mesma coisa, pensando na carreira, fazendo mat\u00e9rias juntos\u201d, conta a pesquisadora. E sua m\u00e3e, que \u00e9 engenheira, sempre a incentivou muito a estudar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na sele\u00e7\u00e3o do mestrado, Larissa passou entre os primeiros lugares, ent\u00e3o lhe foi oferecida a possibilidade de fazer um doutorado direto de cinco anos, o que possibilita teoricamente cursar todas as disciplinas em um ano e meio e dedicar todo o tempo restante \u00e0 pesquisa. \u201cS\u00f3 que a\u00ed veio a pandemia. Os planos foram todos para o espa\u00e7o e tive que lidar com a ansiedade de remanej\u00e1-los o tempo todo\u201d, conta Larissa.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0s dificuldades que enfrentou em sua trajet\u00f3ria, ela diz que nunca sofreu nenhum tipo de ass\u00e9dio sexual. \u201cMas passei por situa\u00e7\u00f5es de ass\u00e9dio moral\u201d, lembra Larissa. Na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, ela passou por problemas que prefere n\u00e3o compartilhar. Por isso, Larissa criou com amigas, no final da gradua\u00e7\u00e3o, o Coletivo de Mulheres Elisa Frota-Pess\u00f4a (COMEF). \u201cNesse coletivo, percebi que muitas mulheres na UFRJ passam por situa\u00e7\u00f5es de constrangimento e ass\u00e9dio moral e sexual. E n\u00e3o temos ainda exatamente uma forma de denunciar isso al\u00e9m da Ouvidoria, onde pode custar muito para a den\u00fancia ter retorno\u201d, conta Larissa. O coletivo tamb\u00e9m percebeu que h\u00e1 necessidades urgentes: a UFRJ n\u00e3o tem uma creche e o IF n\u00e3o tem um frald\u00e1rio. \u201cCom isso, a universidade diz \u00e0s m\u00e3es que elas n\u00e3o s\u00e3o bem-vindas. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma discuss\u00e3o sobre maternidade no n\u00edvel institucional\u201d, afirma Larissa.<\/p>\n\n\n\n<p>A sensa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o pertencimento faz com que muita gente, depois das aulas do IF, v\u00e1 embora sem discutir assuntos com os colegas nem integrar grupos de pesquisa, o que foi fundamental na trajet\u00f3ria de Larissa. \u201cIsso \u00e9 necess\u00e1rio para entender como a academia funciona, entender a F\u00edsica, formar uma base, escolher uma \u00e1rea de interesse e entender o que se quer fazer da vida, porque a gradua\u00e7\u00e3o \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o do estudante como profissional\u201d, afirma a pesquisadora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A uma menina que est\u00e1 come\u00e7ando agora, Larissa diria: \u201cF\u00edsica \u00e9 muito legal! Tudo tem dificuldades, mas, se voc\u00ea quer isso, sempre haver\u00e1 uma pessoa para aconselhar voc\u00ea, estar com voc\u00ea e apoiar voc\u00ea. Outro conselho \u00e9: viva cada coisa de uma vez, n\u00e3o fique antecipando\u201d. Ademais, ela recomenda \u00e0 estudante participar, principalmente, de um grupo de pesquisa, com o qual se pode vivenciar a universidade de forma mais completa. \u201cParticipe dos grupos na faculdade e viva a faculdade em toda a sua experi\u00eancia, fazendo inicia\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, monitorias e participando de projetos de extens\u00e3o, al\u00e9m de, claro, se poss\u00edvel, participar do centro acad\u00eamico. A universidade tem muito a oferecer e a gente deve vivenciar isso\u201d, sugere Larissa.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Fl\u00e1via Nat\u00e9rcia A doutoranda em F\u00edsica Larissa Maria Pereira In\u00e1cio, 27 anos, \u00e9 tamb\u00e9m professora substituta na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ela \u00e9 namorada da Fl\u00e1via e aquilo que mais gosta de fazer, al\u00e9m de sua pesquisa, \u00e9 ler. 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