{"id":20390,"date":"2023-03-01T09:36:22","date_gmt":"2023-03-01T12:36:22","guid":{"rendered":"https:\/\/sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/?p=20390"},"modified":"2023-03-01T09:36:23","modified_gmt":"2023-03-01T12:36:23","slug":"sbf-celebra-as-meninas-e-mulheres-na-fisica-professora-carleane-reis-de-imperatriz-para-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/sbf-celebra-as-meninas-e-mulheres-na-fisica-professora-carleane-reis-de-imperatriz-para-o-brasil\/","title":{"rendered":"SBF celebra as Meninas e Mulheres na F\u00edsica &#8211; Professora Carleane Reis: &#8220;De Imperatriz para o Brasil!&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p>Eloah Corr\u00eaa<\/p>\n\n\n\n<p>Doutora Carleane Reis \u00e9 rec\u00e9m doutora em F\u00edsica pela Universidade Federal de Santa Catarina. Ela \u00e9 membra da JEDI (dizemos j\u00eadai!) Comiss\u00e3o de Justi\u00e7a, Equidade, Diversidade e Inclus\u00e3o da SBF. Carleane reconhece ainda ser uma menina em muitos aspectos. Ela est\u00e1 florescendo como uma mulher na ci\u00eancia. Fruto da maternidade solo de uma m\u00e3e preta e nordestina, Reis divide apenas com sua m\u00e3e, a exist\u00eancia desta fam\u00edlia. Reis admitiu sua paix\u00e3o pelo ensino. Sempre se colocou no lugar de apoiar pessoas que ainda est\u00e3o no in\u00edcio de suas descobertas acad\u00eamicas. A jovem pesquisadora compreende a import\u00e2ncia de mostrar o cotidiano da pesquisa.\u00a0<br><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"503\" height=\"359\" src=\"https:\/\/sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/secao137_20230215-8.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-20391\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imperatriz, no Maranh\u00e3o. Foto: Prefeitura Imperatriz<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Natural de Imperatriz, no Estado do Maranh\u00e3o, Carleane nasceu na segunda maior cidade do Estado. A cidade faz fronteira com os Estados do Par\u00e1 e Tocantins. A jovem ganhou o mundo cedo. Em 2010, passou para a Universidade Federal do Maranh\u00e3o, em S\u00e3o Lu\u00eds, para cursar licenciatura em F\u00edsica. A 631 quil\u00f4metros do seu lar, Reis iniciou a sua trajet\u00f3ria pelas ci\u00eancias f\u00edsicas. Reis nos relatou que n\u00e3o pensava em seguir pela \u00e1rea de Exatas. Sua natureza questionadora a incentivava a fazer Direito. Como ela gostava muito de ler, achou que seria uma possibilidade.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/secao137_20230215-9-768x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-20392 lazyload\" width=\"466\" height=\"621\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 466px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 466\/621;\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Carleane professora. Foto: Acervo Pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Contudo, Carleane demonstrou sua veia pesquisadora ainda na inf\u00e2ncia. Ela queria entender como o mundo funcionava. Neste per\u00edodo, seu tio, t\u00e9cnico eletricista, veio passar uma temporada com ela e sua m\u00e3e. Os livros e a possibilidade de montar coisas, desmontar e faz\u00ea-las funcionar encantaram a menina. Apesar das obje\u00e7\u00f5es de seu tio, foi imposs\u00edvel demov\u00ea-la de seu objetivo. Ap\u00f3s um incidente que a levou a tomar um choque, seguindo instru\u00e7\u00f5es do livro, seu tio resolveu introduzi-la no mundo da eletricidade e do magnetismo. Durante o ensino m\u00e9dio, sentiu-se bastante intrigada com a pergunta da sua professora de f\u00edsica. \u201cPor que chove?\u201c<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00e9poca do vestibular, chegou a cogitar em fazer faculdade de Direito. Entretanto, sua m\u00e3e a convenceu a seguir seu grande interesse: estudar f\u00edsica. Ela ainda encarava o tema como um <em>hobby<\/em>. \u201cFilha, ningu\u00e9m faz exerc\u00edcios de f\u00edsica como divertimento! V\u00e1 estudar o que gosta. Voc\u00ea ama f\u00edsica!\u201d O professor de f\u00edsica do ensino m\u00e9dio tamb\u00e9m via, em Carleane, paix\u00e3o e habilidade com a disciplina. Assim, ela optou pela F\u00edsica.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/secao137_20230215-10.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-20393 lazyload\" width=\"484\" height=\"645\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 484px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 484\/645;\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Carleane entre sua m\u00e3e e seu irm\u00e3o na Federal do Maranh\u00e3o. Foto: Acervo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>A gradua\u00e7\u00e3o e seus diversos laborat\u00f3rios, na Federal do Maranh\u00e3o, reacenderam em Carleane o encanto da inf\u00e2ncia em buscar sentido no que acontecia diariamente na natureza. Desta forma, ela se direcionou para inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica em f\u00edsica experimental. Come\u00e7ou entusiasmada com o grafeno, um material com grande potencial de aplica\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas. Vendo a falta de recursos da universidade para este tipo de pesquisa, Carleane come\u00e7a a utilizar a difra\u00e7\u00e3o de raios-X para caracteriza\u00e7\u00e3o de outros materiais. Ao longo da gradua\u00e7\u00e3o, Reis notou que gostava de trabalhar com dispositivos: baterias, supercapacitores. Buscou universidades de renome nacional onde pudesse desenvolver mais estas pesquisas. Apesar de ter iniciado o mestrado no Maranh\u00e3o, iniciou pesquisa em um tema totalmente novo na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Ela se mudou para Florian\u00f3polis e terminou a pesquisa em um ano e meio. Durante o Doutorado, a f\u00edsica explica que trabalhou com interfaces eletroqu\u00edmicas para entender como alguns materiais se comportam em certas solu\u00e7\u00f5es eletroqu\u00edmicas. A pesquisa do mestrado foi aplicada enquanto, no doutorado, a investiga\u00e7\u00e3o foi mais fenomenol\u00f3gica. O objetivo foi justamente propor a constru\u00e7\u00e3o de dispositivos eficientes e sustent\u00e1veis.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"503\" height=\"359\" data-src=\"https:\/\/sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/secao137_20230215-11.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-20394 lazyload\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 503px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 503\/359;\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Carleane no laborat\u00f3rio da UFSC. Foto: Acervo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel n\u00e3o pensar que a doutora Carleane Reis desenvolveu suas pesquisas da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o na terra de uma pioneira negra, a professora e jornalista e catarinense Antonieta de Barros, que foi a primeira mulher negra a ser parlamentar no Brasil, lutou pela educa\u00e7\u00e3o, combateu o racismo e criou o Dia do Professor (15 de outubro). Carleane nos contou que, assim como Antonieta, sempre se viu como professora. Embora admita que existe uma cren\u00e7a no curso de f\u00edsica, que licenciados tendem a ter menos preparo para a pesquisa. No entanto, ela cumpriu todas as disciplinas do bacharelado j\u00e1 que queria seguir como pesquisadora. Depois do caminho percorrido na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, Reis reconheceu que a licenciatura a preparou melhor para dar aulas na universidade. Desde cedo ela se engajou em forma\u00e7\u00e3o de recursos humanos, tendo coorientado alunos desde seu mestrado. \u00a0Se um dia a F\u00edsica desenvolver a m\u00e1quina do tempo, acreditamos que Antonieta de Barros e Carleane Reis trocariam muitas figurinhas sobre educa\u00e7\u00e3o!\u00a0<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/secao137_20230215-12-1024x690.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-20395 lazyload\" width=\"580\" height=\"391\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 580px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 580\/391;\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Antonieta de Barros. A primeira parlamentar negra do Brasil. Foto: Wikipedia<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>A doutora explica que a inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica foi a grande respons\u00e1vel pela sua perman\u00eancia na pesquisa. Ela nos relatou que sua observa\u00e7\u00e3o, no dia a dia do laborat\u00f3rio, de o envolvimento dos estudantes com projetos de pesquisa da universidade faz com eles permane\u00e7am na carreira. \u201cAplicando conceitos em uma pesquisa \u00e9 o que atrai estudantes para o curso de F\u00edsica\u201d, Carleane comprova. Infelizmente, a f\u00edsica comentou que a situa\u00e7\u00e3o mudou muito entre 2010 e 2022. Desde a sua gradua\u00e7\u00e3o at\u00e9 o doutorado. Reis contou com os olhos brilhando que havia abund\u00e2ncia de materiais para o laborat\u00f3rio, o programa Ci\u00eancia sem Fronteiras. No final da sua gradua\u00e7\u00e3o, os cortes provocaram um verdadeiro esvaziamento nos laborat\u00f3rios. \u201cN\u00e3o h\u00e1 bolsas para todos. Temos de reciclar material no laborat\u00f3rio.\u201d Ela lamentou.\u00a0<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/secao137_20230215-18-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-20401 lazyload\" width=\"515\" height=\"386\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 515px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 515\/386;\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Festa de anivers\u00e1rio surpresa para Carleane na UFMA. Foto: Acervo Pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Carleane observou que gradativamente os grupos mais vulner\u00e1veis iam desaparecendo dos corredores da universidade. Ela acredita que, se iniciasse a gradua\u00e7\u00e3o hoje, n\u00e3o haveria chance de concluir. A f\u00edsica constatou que sua perman\u00eancia na universidade se deveu \u00e0 exist\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas. Ela refletiu que os desafios entre mulheres brancas e negras na F\u00edsica s\u00e3o diferentes. Carleane assentiu que hoje o debate sobre a desigualdade de mulheres na ci\u00eancia est\u00e1 posto. Entretanto ela atesta que uma mulher negra, nordestina, como ela mesma, carrega um estere\u00f3tipo muito forte. O racismo, sexismo e o regionalismo chegam muito antes do indiv\u00edduo. Vencer as barreiras externas para se colocar como mais uma estudante \u00e9 algo que deve ser realizado a cada milissegundo. Isso torna a vida de uma pesquisadora negra extremamente exaustiva. O descr\u00e9dito, o silenciamento, dificuldades de perman\u00eancia na universidade ainda s\u00e3o barreiras enfrentadas por meninas e mulheres que desejam a carreira cient\u00edfica. Elas acabam ocorrendo tanto a n\u00edvel macro, mas no micro tamb\u00e9m.\u00a0 A doutora admitiu que a universidade est\u00e1 discutindo o problema, mas ainda h\u00e1 poucas a\u00e7\u00f5es concretas no sentido de derrubar o efeito tesoura, que provoca o desaparecimento das mulheres negras na estrutura cient\u00edfica. Carleane n\u00e3o deu um diagn\u00f3stico sobre todos os desafios envolvidos, por\u00e9m alertou que \u00e9 preciso pensar estrategicamente para diminuir este v\u00e1cuo de mulheres na ci\u00eancia.\u00a0<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/secao137_20230215-13.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-20396 lazyload\" width=\"432\" height=\"553\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 432px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 432\/553;\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Carleane apresentando pesquisa em evento internacional. Foto: Acervo Pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>O novo governo federal chega com um marco para a ci\u00eancia e a tecnologia brasileira: uma mulher liderando este processo: A engenheira eletricista Luciana Santos, pernambucana, ex-Secret\u00e1ria de Ci\u00eancia e Tecnologia do Estado de Pernambuco assumiu o Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia e da Tecnologia. Em seu discurso de posse, ela citou a necessidade de inclus\u00e3o de meninas e mulheres na ci\u00eancia, bem como retomar o investimento nas universidades p\u00fablicas. Carleane Reis v\u00ea a representatividade de maneira muito positiva. Entretanto, ela advertiu que precisamos agir em conjunto. A partir disso, ela indagou sobre a diversidade de mulheres, que estejam junto \u00e0 Ministra, para realmente reduzir estas assimetrias nacionalmente. Mulheres negras, ind\u00edgenas, trans e brancas precisam contribuir para um marco de medidas para que a representatividade das mulheres na ci\u00eancia possa avan\u00e7ar.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/secao137_20230215-14-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-20397 lazyload\" width=\"485\" height=\"364\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 485px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 485\/364;\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Carleane no restaurante universit\u00e1rio da UFSC com a Prof\u00aa Manuela Souza do Depto de Matem\u00e1tica da UFBA e colegas de universidade. Foto: Acervo Pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>A jovem doutora recorreu \u00e0 filosofia africana para aconselhar mulheres e meninas que desejam ter uma trajet\u00f3ria na ci\u00eancia. Carleane falou sobre sankofa. Este conceito \u00e9 oriundo dos povos de l\u00edngua Akan que est\u00e3o compreendidos entre Costa do Marfim, Gana e Togo. Sankofa \u00e9 olhar para tr\u00e1s, ler, observar quem veio antes de voc\u00ea. Ela tamb\u00e9m recorre \u00e0 pr\u00f3pria f\u00edsica, que n\u00e3o compara grandezas e escalas diferentes e sugere evitar a compara\u00e7\u00e3o com pessoas que t\u00eam pontos de partida muito diferentes do seu. Estar em um coletivo tamb\u00e9m foi considerado fundamental pela pesquisadora para poder resistir nestes espa\u00e7os ainda t\u00e3o machistas.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"474\" height=\"481\" data-src=\"https:\/\/sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/secao137_20230215-15.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-20398 lazyload\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 474px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 474\/481;\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Sobre o conceito africano de Sankofa. Foto: Adobe\/Stock<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>A trajet\u00f3ria da jovem cientista acompanhou o crescimento das redes sociais. Reis mant\u00eam ativo o seu perfil <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/fisica.preta\/\">@fisica.preta<\/a> no Instagram. A SBF convidou Carleane Reis a pensar sobre o impacto que a rede vem causando na forma de pesquisar hoje. A f\u00edsica relembrou o papel importante que a divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica teve durante a pandemia. Sobretudo, no Brasil, onde circulou muita desinforma\u00e7\u00e3o sobre a transmiss\u00e3o da COVID-19, formas de preven\u00e7\u00e3o e vacina\u00e7\u00e3o. Carleane tamb\u00e9m advertiu que a universidade precisa observar mais a import\u00e2ncia da divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edficae buscar destinar recursos para esta atividade. A f\u00edsica entende que \u00e9 importante comunicar o que ocorre com o investimento em ci\u00eancia. Contudo, Carleane admitiu que a divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica exige responsabilidade e preparo. Al\u00e9m disso, n\u00e3o se pode mensurar a capacidade de uma pesquisadora pela quantidade de seguidores em suas redes. Ela pensa que a universidade precisa pautar mais estas implica\u00e7\u00f5es nos ambientes de redes sociais. Carleane acabou colocando o seu perfil no Instagram em suspenso pela prioridade de encerrar o doutorado. Ela deseja retornar, mas quer articular parceria e captar recursos no sentido do cuidado que a atividade demanda.\u00a0<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/secao137_20230215-16-1024x1022.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-20399 lazyload\" width=\"529\" height=\"528\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 529px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 529\/528;\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Carleane em um bloco afro de Florian\u00f3polis. Foto: Acervo Pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Finalizando o nosso tempo com Carleane ela deixou algumas sugest\u00f5es de conte\u00fado para mulheres e meninas na ci\u00eancia. Ela sugere uma live (<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=T5M-Ztk-388\">Primeira PhD em F\u00edsica do Brasil: Prof\u00aaDr\u00aa S\u00f4nia Guimar\u00e3es| Mulheres negras na ci\u00eancia| F\u00edsica Preta<\/a>) que ela realizou com a primeira doutora negra em F\u00edsica do Brasil, Professora S\u00f4nia Guimar\u00e3es do ITA. A jovem pesquisadora acredita que o livro da intelectual estadunidense \u201cbell hooks\u201d \u201cEnsinando a Transgredir\u201d \u00e9 fundamental para se entender dentro do espa\u00e7o universit\u00e1rio. Ela acrescentou outra obra da autora: \u201cErguer a voz: pensar como feminista, pensar como negra\u201d. Esta leitura traz reflex\u00f5es de \u201cbell hooks\u201d sobre a determina\u00e7\u00e3o de mulheres negras apresentarem certos comportamentos na academia, mostra que transitar entre o sil\u00eancio e a fala \u00e9 um gesto desafiador que cura, que possibilita uma nova vida e um novo crescimento.\u00a0<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"500\" height=\"459\" data-src=\"https:\/\/sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/secao137_20230215-17.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-20400 lazyload\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 500px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 500\/459;\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Dia da f\u00edsica Carleane: o livro Erguer a voz, de bell hooks<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Agradecemos \u00e0 Carleane Reis por ter nos cedido este tempo para discutir sobre temas t\u00e3o importantes alusivos ao Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ci\u00eancia, no dia 11 de fevereiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eloah Corr\u00eaa Doutora Carleane Reis \u00e9 rec\u00e9m doutora em F\u00edsica pela Universidade Federal de Santa Catarina. Ela \u00e9 membra da JEDI (dizemos j\u00eadai!) Comiss\u00e3o de Justi\u00e7a, Equidade, Diversidade e Inclus\u00e3o da SBF. Carleane reconhece ainda ser uma menina em muitos aspectos. Ela est\u00e1 florescendo como uma mulher na ci\u00eancia. 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