O Prof. Dr. Oswaldo Baffa cresceu na cidade de São Paulo, na Zona Sul da capital, onde, desde a infância, demonstrava grande curiosidade pelo funcionamento das coisas, influência marcante do convívio com seu pai, mecânico de profissão, a quem acompanhava frequentemente na oficina.
Embora criado em São Paulo, manteve fortes vínculos familiares com São Carlos, cidade natal de seus pais e de grande parte de sua família. Realizou toda a sua formação básica em escolas públicas, cursou o ensino técnico em Eletrônica no Instituto Técnico de Osasco (ITO) e ingressou inicialmente no curso de Física da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), transferindo-se, no segundo ano, para a Universidade de São Paulo (USP), campus São Carlos, em busca de maiores oportunidades de pesquisa. Na USP, passou a integrar uma das mais importantes escolas de Física da América Latina, convivendo com cientistas que marcaram a história da ciência brasileira, como Sérgio Mascarenhas, Bernhard Gross e Shigueo Watanabe.
Durante sua formação, teve como orientador o professor Otaciro Rangel Nascimento, referência internacional em Ressonância Paramagnética Eletrônica, e recebeu constante incentivo e mentoria do professor Sérgio Mascarenhas, cuja visão interdisciplinar e empreendedora influenciou profundamente sua maneira de fazer ciência, sempre buscando integrar pesquisa básica, inovação tecnológica e formação de recursos humanos.
Ainda muito jovem iniciou sua carreira docente, lecionando em Barretos e colaborando na implantação de disciplinas de Física Experimental na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), conciliando intensas atividades de ensino, pesquisa e longas viagens.
Casado e pai de dois filhos desde cedo, assumiu precocemente responsabilidades familiares que contribuíram para sua maturidade pessoal e profissional. Após concluir o mestrado e o doutorado em Física Aplicada pela USP, realizou estágio de pós-doutorado na University of Wisconsin–Madison com apoio da Fundação Guggenheim, nos Estados Unidos, experiência que marcou profundamente sua trajetória científica ao consolidar sua formação em Biomagnetismo e ampliar sua visão sobre a integração entre Física, Engenharia e Medicina.
Ao retornar ao Brasil, trouxe uma visão inovadora que foi decisiva para a criação e consolidação do curso de graduação em Física Médica da USP – hoje com mais de 25 anos de existência e mais de 20 turmas formadas –, bem como do Programa de Pós-Graduação em Física Aplicada à Medicina e Biologia (Famb), que neste ano celebra 40 anos de contribuição à formação de mestres, doutores e pesquisadores de excelência.
Na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLLRP) da USP, onde se tornou Professor Titular, construiu uma carreira de destaque internacional, tornando-se uma das maiores referências brasileiras em Física Médica, Biomagnetismo, Instrumentação Biomédica, Ressonância Paramagnética Eletrônica, Neuroimagem e Estimulação Magnética Transcraniana. Formou dezenas de mestres, doutores e pós-doutores que hoje ocupam posições de liderança em universidades, hospitais, centros de pesquisa e empresas de base tecnológica no Brasil e no exterior.
Além de sua destacada produção científica, exerceu importante papel na gestão universitária, tendo sido Diretor da FFCLRP-USP no período de 2000 a 2004, além de atuar como um dos grandes incentivadores da criação do SUPERA Centro de Tecnologia e presidente de seu conselho durante a implantação do Parque Tecnológico de Ribeirão Preto, contribuindo para aproximar a universidade, a pesquisa científica e o setor produtivo. Ao longo de mais de quatro décadas dedicadas à ciência e à educação, o Professor Oswaldo Baffa não apenas produziu conhecimento de excelência, mas construiu uma escola científica reconhecida nacional e internacionalmente. Formado pela geração que consolidou a Física moderna brasileira, tornou-se um dos responsáveis por formar a geração que consolidou a Física Médica no Brasil, deixando como maior legado não apenas suas contribuições científicas, mas, sobretudo, as inúmeras pessoas que inspirou, formou e incentivou ao longo de sua trajetória acadêmica.
Por Antonio Adilton Oliveira Carneiro, FFCLRP-USP






