(Frederico S. M. de Carvalho/Dall-E3)

Se depender da Sociedade Brasileira de Física (SBF), o segundo semestre de 2026 será movimentado para pesquisadores em Física. A Comissão de Webmicursos da SBF anunciou preliminarmente a aprovação de nove cursos que serão ministrados a partir de agosto deste ano. Dentre as áreas aprovadas estão cinco cursos de Pesquisa em Ensino de Física, dois de Física Nuclear e Aplicações, um de Física Estatística e Computacional e um de Física Biológica.

Para a comissão, os trabalhos apresentados são um retrato do engajamento dos associados e da vontade em compartilhar conhecimento, tão importante à produção científica. “A aprovação reconhece a qualidade e a relevância da proposta para a formação e atualização da comunidade de física no Brasil”, afirmam. E em mensagem enviada à diretoria da SBF, a comissão parabeniza todas as pessoas que se dedicaram na elaboração de propostas de webminicursos, tanto pela iniciativa quanto pela excelência dos materiais enviados.

A próxima etapa será o contato com autoras e autores dos webminicursos aprovados para informar detalhes sobre o cronograma dos cursos, formatação final, instruções para o uso da plataforma na qual os cursos serão oferecidos e demais aspectos protocolares e de divulgação.

Veja abaixo a lista de cursos

1. Jun Takahashi (Unicamp) – “Preparando apresentações científicas”

Apresentação dos resultados é parte essencial do processo científico, e faz parte do dia a dia acadêmico como nas defesas de teses e monografias, seminários e palestras, aulas ou mesmo na apresentação de uma ideia ou projeto para um colega ou cliente. É importante fazer uma boa apresentação, que permita alcançar seus objetivos, seja para defender uma tese, divulgar seu trabalho, ou convencer uma plateia. Quais os cuidados que se deve ter na elaboração da apresentação e dos slides? Como vencer o medo e a timidez? Como fazer uma boa apresentação e atingir seus objetivos? Este curso irá te auxiliar nestas questões. O curso foi desenvolvido com foco em alunos de graduação e pós-graduação que precisam preparar uma apresentação, como defesas, qualificações, seminários, palestras, colóquios e outros. Mas o curso também é feito para qualquer pessoa interessada no assunto ou que precisa elaborar e se preparar para uma apresentação.

2. Ana Paula Bispo da Silva (UEPB) – “Leitura e escrita da História da Ciência para a Educação Científica”

Neste minicurso trabalharemos a interpretação de textos científicos e metacientíficos, direcionados para a construção de narrativas históricas para a sala de aula, que atendam aos ideais de educação científica para a cidadania. O público alvo é de professores (as) e licenciandos(as) em física, química, biologia e pedagogia. Serão abordados os pressupostos da moderna historiografia da ciência para a utilização no ensino de ciências e, posteriormente, a leitura e análise de materiais existentes. Ao final pretende-se que o(a) participante seja capaz de elaborar um pequeno texto a partir de uma fonte primária, para usar em sala de aula.  O foco é na capacidade interpretativa e argumentativa, e na identificação de distorções históricas e filosóficas que induzem à uma visão de ciência neutra e dogmática.

3. Marcos Pires Leodoro (UFSCar) – “Formação de professores(as) de física no Brasil do século XXI: movimentos relativos”

A reformulação institucional do currículo dos cursos de Formação de Professores(as) de Física para atuação na Educação Básica, nas três primeiras décadas do século XXI, será abordada, a partir da narrativa autobiográfica de um “formador” de professores. Na segunda década do presente século, há um aumento “explosivo” na oferta das licenciaturas, devido à expansão das Universidades Federais e conversão dos Centros Federais de Educação Tecnológica (CEFET) em Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IF). A partir de reflexões acerca dos estigmas que rodam as licenciaturas nas Universidades, e análise das parcerias e disputas que se estabelecem entre membros da comunidade acadêmica, uns(umas) se identificando mais como físicos(as) e outros(as) como educadores(as), vai se desvelando o cotidiano das licenciaturas em Física, nas instituições de Ensino Superior, assim como o papel que se atribui à Educação Científica na regulação cidadã e democrática da sociedade tecnocientífica. O propósito principal é avaliar o quanto foi investido institucionalmente, no sentido de reconhecer, ampliar e valorizar a autonomia dos(as) professores(as) que atuam no Ensino de Física, na Educação Básica, a partir da formação inicial oferecida no Ensino Superior. Tendo em vista a velocidade intensa com que ocorreram as modificações do arcabouço legal existente e implementação de mudanças curriculares, nesse primeiro quartil de século XXI, é fundamental reconhecer, para além do “espirito de corpo” da comunidade de Ensino de Física, e segundo certos pontos de vista e expectativas comprometidos com o ideal de uma educação que contribua para a transformação social, ambiguidades dos pressupostos assumidos, assim como dos resultados produzidos, os quais podem ser avaliados como possíveis avanços ou senão, retrocessos, comparativamente aos contextos local e internacional da formação de professores.

4. Beatriz Horst Figueira (UFN) – “Marie Curie e o Ensino de Ciências: uma formação continuada sobre Radiação e Radioatividade”

Este minicurso de formação continuada articula três eixos: o estudo de conteúdos específicos sobre Radiação e Radioatividade, a História da Ciência a partir da trajetória de Marie Curie e seus impactos na Natureza da Ciência, e a promoção do Desenvolvimento Profissional Docente. A formação é estruturada em um ciclo formativo com seis momentos que integram estudo teórico, planejamento colaborativo, prática docente e avaliação reflexiva. Os participantes trabalharão desde fundamentos da física ondulatória, modelos atômicos e decaimentos radioativos até aplicações na saúde e proteção radiológica, utilizando como recurso central o livro paradidático Marie Curie e o Ensino de Ciências (Horst, 2023). A formação culmina no planejamento, implementação e avaliação reflexiva de uma atividade de ensino elaborada pelos próprios docentes para suas turmas.

5. Paulo Victor Santos Souza (IFRJ) – “Inteligência artificial para professores de física”

Inteligência Artificial para o Ensino de FísicaObjetivo GeralIntroduzir conceitos fundamentais de Inteligência Artificial (IA) e suas aplicações no ensino de Física, promovendo o uso crítico, ético e pedagógico de ferramentas digitais em processos de aprendizagem, análise de dados e modelagem científica.Unidade 1 – Fundamentos de Inteligência Artificial1a) Introdução à Inteligência ArtificialDefinição de IA e panorama históricoTipos de IA (fraca, forte, generativa)Aplicações atuais na ciência e na educaçãoIA no contexto do ensino de Física1b) Como máquinas tomam decisões?Conceitos de algoritmos e tomada de decisão automatizadaModelos probabilísticos e lógica computacionalSistemas baseados em regras e redes neuraisLimitações e vieses na tomada de decisãoUnidade 2 – Aprendizado de Máquina e Linguagem2a) Como máquinas aprendemAprendizado supervisionado: classificação e regressãoAprendizado não supervisionado: clustering e redução de dimensionalidadeIntrodução ao aprendizado profundo (deep learning)Exemplos aplicados a dados experimentais em Física2b) Processamento de Linguagem Natural e ferramentas generativasFundamentos de PLN (Processamento de Linguagem Natural)Modelos de linguagem (LLMs)Ferramentas generativas (texto, código, simulações)Aplicações no planejamento de aulas e produção de material didáticoUnidade 3 – Aplicações Educacionais da IA Generativa3) Para que serve uma IA generativa?Produção de textos e roteiros didáticosApoio ao estudo e aprendizagem ativaCriação de atividades gamificadasAnálise de conteúdos científicos e educacionaisUnidade 4 – IA na Análise e Modelagem em Física4) Para que serve uma IA generativa (parte 2)Análise de dados experimentais com IASuporte à modelagem matemática e físicaInterpretação de resultados e geração de hipótesesIntegração com simulações computacionaisUnidade 5 – Perspectiva Crítica e Reflexiva da IA5) IA em uma perspectiva crítica e reflexivaÉtica no uso da IAResponsabilidade profissional e educacionalRelações humano-máquina no ensinoImpactos epistemológicos da IA na ciência e na aprendizagemLimites, riscos e potencialidades na educação em Física

6. Débora Peres Menezes (UFSC/CNPq), Marcilei Guazzelli (FEI) e Silvia Maria Velasques de Oliveira (UFRJ) – “Além do visível: física das radiações e seu impacto na vida e no espaço”

O webminicurso aborda os fundamentos da Física das Radiações e suas aplicações em diferentes áreas da ciência, tecnologia, saúde e exploração espacial. Serão discutidos os principais tipos de radiação ionizante, os mecanismos de interação da radiação com a matéria e os conceitos fundamentais relacionados à radioatividade, dosimetria e detecção de radiação. O curso também apresentará os efeitos da radiação em materiais e dispositivos eletrônicos, incluindo aplicações em ambientes hostis, como o espaço e aceleradores de partículas, além dos desafios associados ao desenvolvimento de tecnologias tolerantes à radiação. Por fim, serão exploradas aplicações médicas das radiações ionizantes, incluindo diagnóstico por imagem, radioterapia, radiofármacos e esterilização de materiais hospitalares. O curso busca aproximar conceitos fundamentais da Física das Radiações de aplicações contemporâneas que impactam diretamente a sociedade e o desenvolvimento científico e tecnológico.

7. Henrique Ferreira dos Santos (UFABC) – “Uma breve introdução à Inteligência Artificial”

Definições sobre Inteligência Artificial e Aprendizado de Máquina; Estratégias de Aprendizagem e tarefas: classificação, regressão, agrupamento, red. dimensionalidade; Algoritmos de Aprendizado Raso e Aprendizado Profundo; Metodologia em Ciência de Dados; Aplicações em problemas de Física;

8. Marco Aurélio de Menezes Franco (USP) – “Introdução à Física dos Aerossóis Atmosféricos”

Este webminicurso apresenta uma introdução aos fundamentos físicos dos aerossóis atmosféricos, abordando seus principais tipos, fontes, processos de formação, propriedades microfísicas e ópticas, bem como seus efeitos sobre a qualidade do ar, a saúde humana, as nuvens e o clima. Serão discutidos aerossóis naturais e antrópicos, partículas primárias e secundárias, mecanismos de nucleação e crescimento de novas partículas, além da influência de gases precursores e condições meteorológicas na formação e evolução dos aerossóis na atmosfera. O curso também abordará os princípios da interação entre radiação eletromagnética e partículas atmosféricas, incluindo absorção, espalhamento, extinção, índice de refração complexo (técnicas para cálculo através de códigos de recuperação e relações de Kramers-Kronig), profundidade óptica de aerossóis e noções de transferência radiativa. Serão apresentados os principais processos microfísicos dos aerossóis, sua atuação como núcleos de condensação de nuvens e seus efeitos diretos, semidiretos e indiretos no sistema climático. Por fim, serão discutidas as principais técnicas experimentais para detecção e caracterização de aerossóis atmosféricos, incluindo métodos in situ, sensoriamento remoto, medidas ópticas, distribuição de tamanho, concentração em massa, análise química e interpretação física dos dados.

9. Francisco Fredson de Sousa (UEPB) – “Biofísica do Olfato – Experiências de Campo com Cães Farejadores do Corpo de Bombeiros da Paraíba”

Estudo dos fundamentos físicos e biológicos envolvidos na percepção olfativa canina aplicada às operações de busca, resgate e detecção. Anatomia e fisiologia do sistema olfativo dos cães. Biofísica da detecção de compostos voláteis e dos mecanismos de transporte de moléculas odoríferas. Difusão molecular, convecção atmosférica, turbulência e influência das variáveis meteorológicas na dispersão de odores. Interação entre relevo, cobertura vegetal e dinâmica dos fluidos em ambientes de busca. Aplicações da Física e da Biofísica na interpretação do comportamento dos cães farejadores. Análise de experiências operacionais e estudos de caso do Canil do Corpo de Bombeiros Militar da Paraíba (CBMPB).

Frederico S. M. de Carvalho