Entrevista com Alexandre Pereira do Santos, vencedor do Prêmio José Leite Lopes 2012

A comissão julgadora da SBF outorgou o Prêmio de 2012 ao Dr. Alexandre Pereira dos Santos (UFRGS), com a tese intitulada “Estudos em Sistemas Eletrolíticos: Interfaces e Coloides” orientada pelo Prof. Yan Levin, pelo desenvolvimento de uma teoria para eletrólitos próximos de interfaces e para suspensões coloidais carregadas, trazendo um novo entendimento para a série de Hofmeister, que classifica os íons de acordo com seu efeito na solubilidade de proteinas. O mecanismo responsável pela série era desconhecido há mais de 100 anos. Confira a seguir a entrevista com o autor.

SBF – Sistemas eletrolíticos são a base das baterias, e existe uma busca muito grande pelo aperfeiçoamento desses sistemas, até pela necessidade de ampliar a participação de energia limpa e renovável na matriz energética. O esforço teórico que compõe a tese pode ajudar?
Alexandre Pereira dos Santos
– Atualmente, um dos assuntos de maior interesse científico envolvendo eletrólitos são os chamados supercapacitores, que tendem a substituir as baterias convencionais devido à grande capacidade de armazenamento de energia e velocidade de carregamento. Um dos problemas da implementação desses capacitores é o custo de sua fabricação, já que precisam ser bem maiores que as baterias atualmente utilizadas. Tais sistemas têm a propriedade de serem formados por líquidos iônicos em um ambiente sem solvente, levando a forte correlações eletrostáticas entre os íons. Na Tese, estudamos suspensões coloidais caracterizadas pelas fortes interações eletrostáticas entre os íons, um efeito bem similar ao que acontece nos íons presentes nos supercapacitores. Os resultados mais interessantes da Tese são relacionados com sistemas eletrolíticos nas imediações de interfaces, elucidando o mecanismo de adsorção iônica. Entretanto, a teoria desenvolvida pode ser aplicada para o estudo de outros tipos de sistemas, inclusive supercapacitores, nosso futuro foco de estudo. Uma das propriedades que devemos levar em conta são as dimensões dos íons presentes em líquidos iônicos, muito maiores que íons de dimensões atômicas.

SBF – Quantas publicações o trabalho envolvido na tese rendeu? Qual você julgaria mais importante?
Santos
– O trabalho envolvido na Tese rendeu 11 artigos, 6 na área de eletrólitos em interfaces e 5 na área de eletrólitos em suspensões coloidais. O artigo publicado na revista “Physical Review Letters”, “Ions at the Air-Water Interface: Na End to a Hundred-Year-Old Mystery?” mostra que os cálculos de tensão superficial para a interface eletrólito-ar, obtidos através de nossa teoria, concordam muito bem com os dados experimentais, sugerindo o funcionamento do mecanismo de adsorção de íons em interfaces. Acredito que esse trabalho é o mais relevante.

SBF – Para onde vai sua linha de pesquisa depois disso? Você seguirá investigando sistemas eletrolíticos?
Santos
- Pretendo continuar sim explorando sistemas eletrolíticos, pois apresentam muitas questões ainda pouco elucidadas. Sinto-me muito motivado em estar nesse ramo da ciência devido à complexidade em tratar tais sistemas, e também ao fato de proporcionar muitas aplicações tecnológicas, médicas e biológicas.

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