Relatório britânico destaca física brasileira

Produzido pelo Institute of Physics a pedido da SBF, documento aponta aumento da importância do Brasil no cenário internacional, mas também realça desafios a serem vencidos

impactUm relatório recém-publicado pelo IOP (Institute of Physics), importante instituição voltada para a física no Reino Unido, destaca os avanços recentes da ciência brasileira, com especial atenção para a ascensão dos grupos experimentais e o aumento do envolvimento em colaborações internacionais.

O trabalho, feito a pedido da Sociedade Brasileira de Física, tem como principal objetivo retratar, sem viéses, o atual estado da física nacional. "Encorajamos a IOP a cobrir tanto os progressos notáveis que foram feitos em anos recentes como as dificuldades que ainda permanecem", afirma Celso Pinto de Melo, presidente da SBF.

O resultado foi o documento "Science Impact - A special report on physics in Brazil - Annual review 2013". Ao longo de 36 páginas, o relatório cobre as principais áreas de atuação da física brasileira (clique aqui para ler o relatório online).

Aparecem com destaque no material alguns velhos conhecidos do grande público, como o trabalho com agricultura feito principalmente pela Embrapa (Empresa Brasileira de Agropecuária) e o desenvolvimento de alta tecnologia na prospecção de petróleo promovido pela Petrobras, sobretudo após a descoberta de reservas nas profundezas do leito marinho, na camada do pré-sal.

Contudo, avanços menos divulgados figuram entre os que mais impressionaram os europeus, como os experimentos em informação quântica conduzidos na UFRJ, sob a batuta de Luiz Davidovich, e na USP, coordenados por Paulo Nussenzveig e Marcelo Martinelli. Um novo grupo, se formando na UFPE, também ganha destaque, liderado por Katiúscia Cassemiro, uma dos muitos jovens cientistas destacados pelo trabalho.

Um dos mobilizadores do trabalho experimental – e sem dúvida uma antiga pedra no sapato dos cientistas brasileiros – é o acesso a infraestrutura qualificada. Nesse sentido, o relatório enfatiza a construção de um novo síncrotron, o Sirius, no LNLS (Laboratório Nacional de Luz Síncrotron), em Campinas, que deve se tornar referência mundial nesse campo.

Destaque especial também vai para as negociações que tentam colocar o Brasil como membro associado do CERN. O centro europeu é a maior referência internacional em física de partículas e detentor do LHC (Large Hadron Collider), o maior acelerador do mundo.

Ainda assim, o relatório não deixa de apontar as mazelas, sobretudo na área de educação. Faltaria ao governo uma priorização mais clara da educação científica em todos os níveis, do ensino fundamental ao superior. A iniciativa do programa Ciência Sem Fronteiras, que objetiva enviar alunos brasileiros para cursos ligados às ciências exatas ao exterior, é elogiada, mas é tratada como um esforço pequeno, se comparado à necessidade de melhorar a educação nos níveis fundamental e médio.

“A educação científica precisa melhorar nas escolas públicas e privadas”, afirma Celso de Melo. “Menos de um terço dos professores que ensinam física são formados nessa disciplina.” Não é à toa que a SBF acaba de criar um mestrado profissional nacional para professores de física, com recursos da CAPES, e coordena visitas de professores ao CERN, onde eles participam de um curso e convivem com a ciência de ponta, para depois trazer essa experiência de volta à sala de aula.

Com o aumento significativo nos últimos anos dos recursos destinados ao sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação, o Brasil se tornou protagonista do continente e maior referência na América Latina para o desenvolvimento científico. Ciente disso, a comunidade brasileira quer despertar essa mesma evolução nos países vizinhos, com iniciativas como o Programa Latino-Americano de Física (PLAF).

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